quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Menino Jesus


Apresentamos, antes do Natal,  versos escritos e recitados por Frei Morgado, no Convento do Varatojo, como há 55 anos quando era noviço.

Texto Frei Morgado

«Ó meu Menino Jesus
Deus de infinita beleza
Vinde nascer na minha alma
Abrandar a sua dureza

Desceste do céu à terra
Rei dos anjos adorado
Nove meses habitaste
A virgem no ventre sagrado

Escolheste para mãe uma virgem
Pai adoptivo São José
Com eles 30 anos viveste
Oculto em Nazaré

Quiseste nascer num presépio
Ó meu Deus que humildade
E, por fim, morrer na cruz
E salvar a humanidade

Entre animais sois adorado
Por Reis Magos e pastores
Eles vos oferecem prendas
A vós, Senhor dos Senhores

Vão guiados por uma estrela
À grutinha de Bélem
Conduzi sempre meus passos
Pelo caminho do bem

Fugiste para o Egipto
Para não seres emulado
Pelo cruel Rei Herodes
Esse coração malvado

Aí estiveste até que a morte
Te levasse, afinal
Mas depois, por fim, voltaste
À vossa terra Natal

E vós, ainda ficaste,
Cá na Terra a habitar
Até que por fim vos deram a morte
A que ninguém pode escapar».

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Terra louvada



Assinalamos os 40 anos do Dia Mundial do Meio Ambiente, Terça-Feira, com algumas palavras.

Texto e fotografia Dina Cristo


Água,

Bendita sejas,

Pelo que me refrescas.



Sol,

Bendito sejas,

Pelo que me aqueces.



Ar,

Bendito sejas,

Pelo que me purificas.



Terra,

Bendita sejas,

Pelo que me acolhes.



Bendito sejas Tu,

Senhor,

Porque os criaste


21/08/2003



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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Dedos à mão



Vinte anos depois, recordamos o poema (também com música) de Carlos Paião, “Canção dos Cinco Dedos”.


Fotografia Dina Cristo

São cinco dedos,

Cada qual com seus segredos,

Lado a lado, lado a lado.

Do teimoso polegar,

Que dá dedadas, a agarrar,

Ao mais fininho – o mindinho.



Cinco dedos

São cinco bons brinquedos

Em sincronização.



Um por um aqui estão,

Resguardados no dedal da nossa mão.



O dedo médio

Fica ao meio, que remédio,

É sina sua, capicua…

O altivo indicador

Aponta o bem, indica a dor.

E o anelar dá jeito a quem noivar.



Polegando,

Palmo a palmo palmilhando,

Como um circo em construção.



Um por um aqui estão.

São diferentes, mas, unidos, dão a mão.



E assim como a cinco, sinto os dedos musicais.

E os meus cinco sentidos, em crescendo, já são mais

Cinco dedos sincopados sustenizam num bemol,

Dó ré mi fá sol lá cinco, simples como o sol



E brinco com afinco,

Queria ser um girassol …



(Até para ser dedo é preciso ter unhas …)



São cinco dedos,



São delícias, são enredos

Dedicados, dedilhados …

E, num dédalo de dedos,

Deduzimos a lição:

São amigos que nós temos mesmo à mão!



Sempre à mão …

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Alegria franciscana


                          
Antes do Dia de S. Francisco, e no ano em que se assinalam 785 sobre o desaparecimento físico do homem que pregou a paz e viveu (n)a pobreza, lembramos, dos sonetos sobre a sua vida, um excerto gentilmente cedido pelo Frei Morgado - um dos 127 franciscanos actualmente existentes em Portugal.

Fotografia Dina Cristo

 


Francisco vai de jornada

com seu irmão preferido

meu caro irmão diz dorido

pela sua caminhada



Se na vida atribulada

alguém de nós fosse tido

como exemplo engrandecido

de virtude muito amada



Se soubessemos fazer

altos milagres e ter

a minha sabedoria



Seguir os astros de perto

não estava nisso por certo

a verdadeira alegria



Mais um pouco adiante

ei-lo de novo a dizer

pudéssemos nós saber

meu irmãozinho constante



O mistério cativante

que reside em cada ser

ramo de árvore a crescer

veio de água murmurante



Soubesse a gente pregar

de maneira a conquistar

para a divina harmonia



Os ímpios que a terra tem

não estava nisso também

a verdadeira alegria!



Mas então onde encontrar

a verdadeira alegria

pergunta o irmão que o ouvia

como a noite ouve o luar



Meu irmão vamos chegar

por noite chuvosa e fria

ao convento que anuncia

aos pobrezinhos um lar



Vamos de fome trazidos

mas se fôssemos comidos

lançados à ventania



Sem uma côdea de pão

era isso meu irmão

a verdadeira alegria



Mas se de nova chamada

o porteiro enraivecido

nos tratasse com alarido

como a bandidos de estrada



E sobre nós dois qual rajada

de vento enfurecido

desenrolasse perdido

pragas, ruína de enfiada



E nós meu irmão por amor

do que sofreu o Senhor

até à sua agonia



Se sofrêssemos contente

era isso unicamente

a verdadeira alegria



É que acima caro irmão

dos dons e graças que temos

deve estar no que sofremos

a maior satisfação



O que do Céu recebemos

pertence a Deus, a nós não

mas na dor, na provação

bem fundo nos conhecemos



Sofrendo com sapiência

com caridade e clemência

só por amor de Jesus



Eis a perfeita alegria

do que só se vangloria

dos quatro braços da cruz.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Vénus



Dedicamo-nos hoje à equivalente da Afrodite grega, a deusa do amor e da beleza - intemporais.

Texto e desenho Zita Leonardo

 
Vénus é Amor

Profunda emoção

É bondade

Alegria

Beleza

E arte

Sedução

Magia

Complemento de Marte.

Mas é também tristeza

Dor

Solidão

Carência

Ilusão do amor

Que gera a dependência.

Vénus é pura

De rosas a fragrância

É fonte de cura

É mistério

Sagrada vibração

Símbolo do 5º Império

É a Taça da abundância

No altar do coração.

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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Despertar


Antes da comemoração do nosso quarto aniversário, Segunda-Feira, publicamos um poema de intervenção sobre os benefícios de viver no Aqui e Agora.

Texto Elton Rodrigues Malta fotografia Dina Cristo



O passado não é real existe apenas na cabeça
Se o vives, vives um trauma que não deixas que desapareça
Porque não viveste o momento, não estavas presente
E recusas novamente desperdiçando todo o teu tempo
A obsessão não é real, torna-se fascínio que te ofusca
E a saudade é fuga à realidade que te assusta
Não vale a pena dizer que com o passado se ganha experiência
Porque se essa semente entrou, foi no momento da ocorrência
Só nao deixes que essa informação adormeça
Interpreta bem agora, acorda depressa
E pensa que não é passado o que causa arrependimento
Porque se o sentes, é porque esse aspecto ainda está presente
Para quê arrepender-me das situações da minha vida?
Se não fossem elas não estava agora a ver desta perspectiva
Se com esse comportamento já deitaste tanto tempo fora
Para quê deitar mais? Desperta agora...

O futuro não é real, só existe enquanto o imaginas
E se não abrires os olhos a tua presença nele torna-se rotina
Nele vives a melhor forma possível, mas só por instantes
Por isso é que o regresso à realidade se torna frustrante
Nunca verás o viste, porque nos sonhos estás às escuras
E quando surge o ideal... nem reparas, e continuas à procura
Podes ter tudo e ainda mais todas as prendas
Mas se viveres no amanhã... Amanhã não chega
O futuro que tu visionas é um jogo que a mente faz contigo
Imaginas uma situação ao teu gosto num certo sítio
Inconscientemente adicionas um sentimento já tido
Resumindo e concluindo... É tudo conhecido!
E quando surgir algo parecido não consegues pôr em prática
É como decorar exercícios para o teste de matemática
Se já deu tanta falsa esperança e só em desilusão se transforma
Para quê sonhar mais? Desperta agora...




o presente é que é real, é nele que se encontra tudo
Foi nele que aconteceu o passado e onde acontecerá o futuro
Os primeiros são imaginados, o segundo existe realmente
O presente parece o mais pequeno, mas é presente para sempre
Parece pequeno mas é presente eternamente...
Para além de eterno, é o único que existe
O único onde te moves e onde concretizas os planos que construíste
É neste momento que aquilo que não gostas, corriges
É aqui que te realizas, é agora que és feliz
Não imagines, sente, vive o momento
Absorve o sentimento e abstrai-te da mente
Apenas o presente está ao teu alcance
E tudo o que queiras alcançar é nele que o encontras
Enquanto pensas em remodelar o passado ou construir o futuro
Apenas o presente desmoronas
Há que viver com planos mas como bússola e não como mapa


Apenas um destino definido e não uma estrada traçada
Também há que recordar, mas de forma equilibrada
O mal para não repetir e o bem para dar força para nova etapa.

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Não Ser Humano


Publicamos hoje alguns versos sobre a irracionalidade generalizada.

Texto Elton Rodrigues Malta desenho* Dina Cristo


O camelo bebe até não conseguir beber mais nada
Só para que os camelos seguintes não tenham água
O burro só olha em frente apesar de não ter palas
É teimoso mesmo quando sabe que é errado o que fala
O porco sabe escolher o que come, mas é porcaria que escolhe comer
As serpentes cospem veneno só pelo prazer de ver sofrer
O papagaio só repete apesar de saber pensar
Os ursos caçam pelo prazer de matar, matam mas não comem.
Na verdade não há nenhum animal tão desumano, só o Homem
É por ter mente que se sente acima do resto dos animais
Mas é por causa dela que é o animal que desce mais baixo!
Na selva urbana impera a lei do mais fraco
É a única que é regida pela lei do mais cobarde:
Por quem não tem coragem de ser transparente nos seus actos
É o falso que domina os ignorantes fragilizados
Quem finge ter princípios para que o ingénuo acredite
Para atacar pelas costas sem qualquer risco
Quem rouba e diz ser seu, apesar de não ser, e saber
Independentemente de dar uso, apenas para ter...
O Homem é o mais camelo, o mais burro
O mais urso e o mais porco que a Natureza tem
É o único animal que vai contra a Natureza
É a única aberração que viola a própria mãe.
* Anos 80

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Camaradas


Assinalamos os 46 anos da chegada da Companhia 367 a Lisboa com palavras pronunciadas na última confraternização em Maio deste ano.


Texto Victor Hugo Cristo
I
Companheiro e Amigo fixe
Aqui estamos para te receber
Bem-vindo sejas a Peniche

Para connosco conviver.

II
É com grande satisfação
Que vamos confraternizar
Junto à Praia da Consolação
Aqui bem perto do mar.
III
Cinquenta anos são passados
Que na tropa nos conhecemos
P`ro rancho não estamos cansados
Vamos provar que o merecemos.
IV
Já passou o melhor da vida
Pouco mais há que esperar
A velhice já é sentida
Deus sabe o que tem p`ra dar.
V
Gostámos de convosco estar
Nesta terra que o mar abraça
Onde o povo abraçou o mar
E a Amizade já não passa.

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Olhares

Publicamos, no dia do seu cortejo fúnebre, o início da autobiografia do nosso colaborador Victor Hugo Cristo, "um anjo disfarçado de homem", como alguém lhe chamou.


Texto Victor Hugo Cristo

Quando vim ao mundo
Não pedi para nascer
Pois não sabia
O que me ia acontecer
Alguns meses passaram
Sem poder falar
Em redor minha gente
Para mim a olhar
Os anos passavam
Sentia-me crescer
Com muita vontade
De na vida vencer
Nascido alguns anos
Fui para a escola estudar
Quando de lá saí
Logo fui trabalhar
Trabalhar em alguns lados…

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Minha árvore


Na semana em que se assinala o Dia da Floresta Autóctone, publicamos uma dedicatória, escrita no dia 16 de Setembro de 2006.

Texto Dina Cristo

«Quem seria eu, sem ti
Para abraçar
Quando todos se vão embora?
Que seria de mim, sem ti
Para me ensombrar
Quando o calor aperta?
Quem seria eu, sem ti
Para me curar
Quando a doença desperta?
Que seria de mim, sem ti
Árvore do meu jardim?»

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quarta-feira, 31 de março de 2010

Estrela



Na véspera do dia das mentiras abordamos o sonho e a imaginação, a ilusão e a fantasia, o fascínio e o devaneio amorosos.


Texto e desenho Dina Cristo

«Estrela - afável e carinhosa
Estrela tu que foste um brinquedo
Tu que estiveste em mim
Que viveste e sentiste
As mesmas emoções
Porquê me deixas nas trevas
Tu estrela – que me iluminaste
Tu guiaste já minha vida
Estrela
Que bom era se me conduzisses
E um pouco só me iluminasses
Ai! E se desses vida a um sonho
Me cobrisses com teus pedaços
Estrela
Não fiques mais no céu
Desce à terra onde te conheci
Deixa, pára
Fica só comigo
Num dia de Domingo
Estrela, minha estrela
Que és tão bem formada
De uma cor simples, transparente
Singela e tão complicada
Estrela
Estiveste tão perto… e não acreditava
Agora distante digo que és real
Que és formosa e só minha
Estrela
Por quem eu passei
A paz de pôr-do-sol
O namorado ao pé do mar
Tu foste a única a presentear
Diz-me estrela
Porque tudo mudou
Cresceste, em mim aumentaste
E ao teu reino enfim voltaste?»
S/d

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quarta-feira, 25 de março de 2009

Desburocratizar?


Três anos depois do Programa Simplex, um poema que nos recorda os martírios da burocracia portuguesa.


Texto Fernando J. Pinto Basto
«Ensinam…
Ensinam a preencher
Formulários, questionários e
Outros impressos obituários
Dizem que é para a harmonia
Fiscal, patrimonial e
Outras que tal
Prescrevem as formas,
As normas, os critérios
E demais impropérios
Justificam as opções,
As tabelas, os quadros
Com legislação decretada
Demonstram ser
Burocrática a via
Democrática que
Atenta e jurisprudente
Impõe regras
Aos cidadãos
Penitentes
Contribuintes renitentes
À mercê das
Instituições desafiantes
E obsolescentes.
Pressuposto imputável
À lei da selva
Administrativa são
Os custos do imobiliário
E da saliva
Resíduos, refugos e
Desperdícios
Sob o olhar atento
Do auditor prudente
Implacável na análise
Da quantidade de plumbagina
Excedente
Quotas, taxas e
Outros emolumentos
São aplicados
Em papel miudinho
Documentadamente cuspido.»
Porto 14/11/2000

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

La dernière chance


Nas vésperas de Natal, tornamos público um poema escrito em francês há mais de vinte anos.

Texto e fotografia Dina Cristo


«Pardon, Seigneur
Dans ce monde si corrompu
Si cruel et surtout immonde
Les gens ne se respectent pas une seconde
Ne te donnent pas d`attention
C`est seulement à Noel
Que les gens pensent aux autres
Mais après ces représentations
Ils font la guerre dans leurs actions
Au moment où je pense
“Dans la vie, tous sont amis
Il n`y a plus des limites”
J`ai toujours des désilusions:
C`est mon rêve qui est termine
Et un autre jour a commencé
Dieu,
Pour qu`on ne se suicide pas
Physique et moralement
On ne demande que ta confiance
Soit dans nos coeurs une permanence
On besoin de ta sécurité
Dieu est la dernière chance
On sait qui jamais on ne te mérite
Mais ton pardon est infini
Pére,
On ne pourra jamais acquérir la paix
Car toujours on fait la guerre
Le mensage qui nous a trompés
Et l`injustice qui nous prend exaspere
Jesus est prêt à nous visiter
Quand le monde finira
Vous, ne vous préccupez pas avec cela
Car le paradis será notre habitat
Nous vivrons seulement pour Dieu
Là, nous atteindrons la paix
Nous serons des Hommes sans frontière
Pour une seule raison: nous serons frère»
27/11/1986

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ter razão?


Figuras humanas

Ao aproximar-se o Dia Internacional para a Tolerância, “eis” quem tem “A razão” - um poema de Carlos Paião, editado em 1984.

Pintura Alexa

«Algures na tarde
Há um fumo que arde
No sangue de dois faladores.
Discutem, agitam,
E, com o que gritam,
Atraem mais espectadores.
Têm a raiva nos dentes
E fogo no olhar,
Atiram serpentes
De fúria, ao falar!
Perguntam à toa,
Respondem que não
E, mesmo que doa,
Hão-de ter
A Razão, a Razão!
Com frases alheias
Defendem ideias
Que ouviram alguém defender.
Arriscam a fé
E enganam até,
Se sentirem que podem vencer.
E não buscam Verdade,
Que é isso, afinal?
Viva a tempestade,
Mentir não faz mal!
Avançam nos gritos
(Talvez frustração)
E por ditos não ditos
Lá têm
Razão, a Razão, a Razão!
E uma criança sem tempo
Aproximou-se, atrevida...
E tem na frente o exemplo
Do que é ser gente crescida!
Afasta-te já,
Não demores por cá,
Tu não ouves, não olhas, não vês!
Tu és simples e justa
Ai eu sei quanto custa
Tentar aprender os porquês...
Tu és vida e bonança
Depois do furor,
És sol de esperança
Dalgum sonhador.
Sorris na beleza
Da tua ilusão,
Tu tens a pureza
De não
Ter Razão, ter Razão...
Eu invejo o sorriso
Que agora te vi,
Criança, eu preciso
Lembrar-me de ti!
Na vida tão escura
Tens luzes na mão:
O sonho, a Ternura,
O Amor,
A Razão, a Razão,
A Razão! ...»

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Somos todos livros


A anteceder o dia dos namorados, publicamos um poema de um autor, antigo presidente do Cineclube do Porto, cujo nascimento se recorda esta semana.

Texto Fernando J. Pinto Basto pintura Alexa
«Somos todos livros à espera
Que nos leiam
Mas às vezes rasgam-nos ou
Então
Não reparam sequer em
Nós e tornámo-nos
Então
Em calhamaços
Empoeirados, emproados
Tristes folhas que
Nenhuma vista porá
Os olhos
Em lágrimas
Abandonados cheios de vigor
Para agarrar a
Tinta, os trinta
Então
Quase sem darmos por isso
Já só queremos
Um desfolhar por breve
que seja
para podermos contar a
olhos distraídos a história
perdida algures
então
alguma palavra se destaca
no meio de capítulos
sem interesse absoluto, absurdos
e ficamos nítidos
de novo, como outrora
então
podemos chegar a ter
muita saída, ser um
best-seller,
iludidos com o
sucesso fácil e aparente
de quem só está na estante para decorare ser visto
então
gostaríamos de ser
lidos em surdina
secreta e intimamente
como um livro de cabeceira»
Porto, Março 2001

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