quarta-feira, 13 de julho de 2011

Informação áurea


Antes de comemorarmos o quarto aniversário, fazemos o balanço de actividade inspirada na Informação Solidária (IS), corrente que abraçámos desde o início. Filha de um quinto poder, a IS orienta-se pelos princípios da qualidade, diversidade, profundidade e sensibilidade, do Bem, do Belo, do Bom e do Verdadeiro. É hoje, mediante a crise, uma oportunidade urgente que importa (re)conhecer.

Texto Dina Cristo desenho Zita Leonardo


Há dez anos, Carlos Cardoso Aveline, autor brasileiro, escreveu um livro que se intitulava “Informação solidária”. A obra serviu-nos de inspiração para a realização da conferência sobre Informação Solidária em Portugal. Em Coimbra, estiveram presentes Henrique Pinto e Gabriela Oliveira, e, via tecnológica, o autor. No seguimento, encetámos, em Julho de 2007, este projecto. Os primeiros artigos foram sobre o tema.

Quatro anos depois, temos mais de duas centenas e meia de textos, de mais de 50 autores, sobre vários assuntos e em diversos géneros jornalísticos. Além dos artigos semanais, à Quarta-Feira, e as rubricas, trimestrais - em cada nova estação -, temos tornado públicos, mensalmente, vários ensaios, desde a literatura à política. Todas as produções são inéditas, salvo uma ou outra excepção devidamente referida.

Ao longo destes anos, apresentámos o conceito de Informação Solidária nas Jornadas Internacionais de Jornalismo, no Porto, promovemos um workshop e entregámos dois Prémios IS, o primeiro à revista “Biosofia”, em 2009, e o segundo ao blogue “Vislumbres da Outra Margem”, em 2010. Temos dado a conhecer novos autores, como Elton Rodrigues Malta, e novas ideias, como a simplicidade voluntária. Tivemos mais de 35 mil páginas consultadas por mais de 17 mil visitantes, dos quais 12% durante mais de 20 minutos.

Quando começámos, a palavra “solidária” era vista com desconfiança e apenas no aspecto moral. Hoje, ela é visível, na publicidade, audível, em programa de rádio, e está presente em secções próprias de jornais. Um pouco como a sustentabilidade, primeiro, e a responsabilidade social, depois, torna-se mais habitual. Na economia, na política, na justiça, no turismo, na inovação, na informação o sector social ressurge.

Transformações
Actualização do espírito fraternal da Revolução Francesa, hoje é mais perceptível a sua necessidade, existência e importância. Com o colapso do sistema industrial, financeiro e social as propostas alternativas, até aqui desprezadas, são revalorizadas. Neste início do terceiro milénio, a consciência planetária acelera e as práticas mais altruístas ganham dimensão.
Desde as áreas científicas, como a física quântica ou a psicologia transpessoal, teorias de vanguarda, como os campos mórficos de Rupert Sheldrake ou a ordem implícita de David Bohm, alargam horizontes. O digital, com os blogues, redes sociais e o wiki, expande-se e há todo um terceiro sector que se fortalece.

A informação é aquilo que dá forma a algo; como explica Lucienne Cornu, é aquilo que permite estruturar. O acesso a uma nova informação trará novas formas individuais, colectivas e planetárias, como ensina Dieter Duhm. Na perspectiva de Carlos Cardoso Aveline, uma verdadeira informação dará lugar a decisões mais correctas.

Enquanto super-estrutura influenciará a infra-estrutura material, mas esta também não a prescinde. É assim que realidades como a economia solidária, a inovação social, as ONG, as IPSS e os mais diversos movimentos, desde a ecologia à saúde, do sincretismo religioso à protecção às crianças e animais, precisam de se fazer ver e ouvir enquanto partes legítimas do grande todo colectivo.

Fora dos grandes “media” conservadores, há um país a desabrochar. Para além da crise objectivada em sons e imagens, há todo um outro Portugal que se dinamiza: agentes, fontes e acontecimentos que retratam o lado mais nobre e digno. Com ensejos filantrópicos, os acontecimentos multiplicam-se pelo território nacional. Os pequenos, mais atentos e com novos critérios, dão-lhes expressão.

Os cidadãos, implodidos com a propaganda do crescimento económico contínuo, explodem no sentido do desenvolvimento interior. Agonizados pelo curto-circuito, fechado, dos “mass media”, sentem novos ventos de liberdade de expressão, de livre fluxo informativo. Dão, recebem, partilham.

Apesar da insistência na brutalidade, nos acontecimentos egocêntricos e nos actos de selvajaria, há novos ares que sopram no sentido da elevação da consciência: mais generosa e holística. Seja por um livro, um filme, uma terapia, um blogue, a nova informação já circula, também na internet.

É neste contexto que a Informação Solidária se evidencia. Desde logo parte de um novo pressuposto - o de que os recursos são suficientes: matéria-prima, tempo, espaço, técnica, homens e mulheres chegam para fazer uma informação melhor, mais útil e humana. Confiante nos meios, assente em princípios (éticos) e desapegada dos fins, está segura de que, mais cedo ou mais tarde, estes surgirão, para bem de todos.

(Des)créditos informativos

Alternativa, a IS é uma informação ecológica e dourada. Sem se arrogar de independente, muito menos dependente do receptor, a Informação Solidária afirma-se e (a)firma a interdependência, não só na sua relação interlocutiva mas entre todo o universo. Necessariamente reticular, pura, saudável, natural e estética, ela é benfazeja, terapêutica, regenerativa e sustentável.

Sinal dos novos tempos de descoberta espiritual, a IS é uma informação solar, amorosa, intuitiva, por vezes abstracta. Inspiradora, ela é criativa, profunda, livre, essencial e transpessoal. Estrutural e íntegra(l), é simples e significativa. Corajosa, diferente e coerente com os seus valores, por vezes inconveniente, é interventiva.

Ocupada com questões de médio-longo prazo, desacelerada, lenta e extensiva, próprio do “slow journalism”, é autónoma, realista e pauta-se pela inovação e correcção. Caracterizada pelo equilíbrio e a moderação, usa a média tecnologia. Democrática, ela é uma espécie de informação branca, no sentido de reflectir as demais cores (políticas, religiosas, sociais ...).

De origem aquariana, ela é vincadamente feminina e grupal. Descentralizada, local, voluntária, informal e doméstica. Inofensiva e construtiva, prudente e discreta, ela é escrupulosa, animada, alegre e entusiasmada. Serena, graciosa, confiante, desperta, consistente e respeitosa, ela concilia a autonomia com a responsabilidade.

Aos poucos, vai desactualizando a informação interessada, grosseira e agressiva. Para trás vai ficando uma comunicação social carente, desnutrida, insaciável e hipnotizadora. Relatos violentos, repetitivos, fragmentados, formais, superficiais e irrelevantes tornar-se-ão inaceitáveis. Informação rápida, imediata, intoxicante, indiferente, negativa, conveniente, fútil e contraditória será abandonada. Notícias exageradas, tendenciosas, à base de cosmética e de alta tecnologia, baseadas no valor comercial, opacas, demasiado masculinas, crueis, em quantidades astronómicas, impulsivas, assustadoras, indiscretas e desgraçadas desvanecerão.
Espiral informativa

Mais de 30 anos depois do relatório Macbride, a IS reequilibra os fluxos de informação e enceta uma economia não monetária, onde todos colaboram com todos. Depressiva - no sentido em que honra a diferença e promove a unidade, possui bons sentimentos e partilha o poder (de saber) com os outros cidadãos - é talvez motivo para se dizer: “silêncio que se vai ler, ouvir ou ver Informação Solidária”.

Mais (além) e melhor do que a informação alternativa, social, de paz, de cidadania ou responsabilidade social que integra, a Informação Solidária comprometida com a Paz, o Amor e a Vida, ultrapassa o impasse das mais diversas dicotomias e transcende-as, sintética e harmoniosamente. Ela é o ponto de partida, em expansão, para um novo portal comunicacional, transformador e curador das feridas deixadas pela guerra, intolerância e incompreensão.

Pólo activo e passivo, romântico e industrial, racional e emocional, direito e dever, onda e partícula, optimismo e pessimismo, quantidade e qualidade, substância e forma, tempo e espaço, idealismo e positivismo, política e economia, autor e leitor, hemisfério direito e esquerdo, meios quentes e frios, objectividade e subjectividade, global e local, ética e mercado s(er)ão vistos como duas expressões da mesma realidade. Ao conciliá-los e ordená-los, a IS supera os conflitos separatistas e actua(rá) como consoladora na Nova Era de Liberdade, de Ser e de Comunicar.

Como escreveu Carlos Cardoso Aveline, jornalista, ecologista e teosofista: «Na nova era, a conduta do cidadão não será comandada por programas de auditório de televisão ou necessidades comerciais de grandes empresas. Informações inúteis não serão vendidas com tanto zelo como hoje, e a novidade deixará de ser vista como mais importante que a verdade. Velhas tradições ressurgirão. A arte e ciência de viver correctamente ocupará lugar de destaque em escolas, locais de trabalho e meios de comunicação social.».

(1) AVELINE, Carlos Cardoso - A informação Solidária - A Comunicação Social como prática de uma nova ética. Edifurb, Brasil, 2001.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Aqui e Agora

Aqui e Agora não representa um momento desgarrado e sem valor, mas antes o espaço-tempo único, sintetizador que contém todas as lições do passado e a raiz de todo o futuro. Não é uma ilusão ou promessa, mas sim o Eterno Presente, veículo da Verdade. Como o Pôr-do-Sol, um portal entre o dia que finda e o amanhecer que há-de vir.

Texto e fotografia Dina Cristo

Muito além de um simples instante, efémero, superficial e desligado, é antes um Aqui e Agora, grandioso, nobre, porque (pro)fundo, integrado, que não só abrange o passado (é seu fruto mais nobre) como abre portas para o futuro, construindo-o Hoje.
Como afirma Paulo Ramalho, em “Tempos difíceis – tradição e mudança na Serra do Açor”, «talvez o futuro deva ser assim: algo de muito novo, feito com a pedra sólida do passado», tempos idos que devem ser peneirados até lhe retirarmos o joio e dar a esse grão limpo um destino melhor.
Não se trata, pois, de um mero aqui e agora, pontual e isolado, sem raízes no passado nem perspectivas de futuro, mas de um Aqui e Agora, que contempla as causas e vislumbra as consequências. Centra-se assim, no Presente, não como uma fuga a um tempo sem memória e sem esperança, mas a um instante, o Eterno Agora, que tudo contém, todas as nobres experiências do passado, e que, vivendo intensa, plena e integralmente o Presente, como um presente, dele retira toda a substância de que construirá o futuro, assim sustentado e sustentável.
A actualidade não é, assim, mais do que a manifestação da potencialidade. E, nesse sentido, os temas intemporais, como a paz, o amor, o sofrimento, a felicidade, as grandes dúvidas humanas – quem somos, de onde vimos, para onde vamos – são sempre actuais. A cada presente ela concretiza as legítimas, necessárias e intrínsecas interrogações humanas.
Sem estar preso aos tempos idos ou condicionado pelos vindouros, vive o Presente, de forma ampla e livre. Sem obliterar o que passou e fazer dessa experiência tábua rasa ou adiar o futuro, eliminando-o. É apenas o Presente que filtra o passado, criando com as suas sementes novos futuros.
Onde quer que esteja, seja quando for, no preciso momento em que se ligar a nós, desse recanto do planeta onde se encontrar, será o nosso Aqui e Agora. O ponto de união entre a emissão e a recepção da mensagem. A fusão entre os interlocutores. A intersecção entre (dois) mundos, universos que se comunicam.

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quarta-feira, 25 de julho de 2007

Sonho informativo


Sabemos o que queremos, mas não se o conseguiremos fazer. Não prometemos independência, rigor ou objectividade nem apresentamos a diversidade, a profundidade e a sensibilidade como metas. Devagar, navegaremos até à outra margem informativa.

Texto e fotografia Dina Cristo

O “Aqui & Agora” (A & A) é uma experiência informativa, um sonho que hoje começa a tornar-se realidade. Não seguimos uma linha editorial rígida, contudo, somos inspirados na "Informação Solidária". A concretização deste projecto, não seguramente na sua pureza idealizada, depende também de si, da sua participação; será, assim, aquilo que, em conjunto, conseguirmos fazer dele.
O A&A é um site voluntário, e como tal apenas pretende ensaiar uma informação que não se deverá preocupar com o lucro, a quantidade, a audiência, a dependência do leitor, a actualidade ou o crescimento. Partilharemos o que de melhor nós temos para dar a conhecer ao mundo, para (o)informar e ler (em opinião). Aqui e agora, onde e quando nos sintonizar, sempre que nos (re)ligarmos.
Desenvolver-se-á lentamente, de certo, e o único compromisso que assumimos é o de experienciarmos seguir uma agenda própria, de assuntos que sejam úteis e o mais próximo possível da verdade, tanto quanto a vislumbramos. Não prometemos, para já, assim, nem conteúdos nem critérios, mas apenas um objectivo: o de tentarmos.
Dedicamos este trabalho a todos aqueles que acreditam na verdade, no jornalismo, na solidariedade e muito especialmente aos que confiaram nele antes de o verem nascer.

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