quarta-feira, 12 de junho de 2013

Arrefecimento mediático?

Seis anos depois de realizarmos a Conferência sobre Informação Solidária(ante)vemos alguns sinais do (sobre)aquecimento mediático.

Texto Dina Cristo pintura Lídia Pinto

A exclusão do sujeito e o tomar a parte, assim, incompleta pelo todo transformou-se numa informação distanciada, objectiva e exclusiva de que resultou a crise de imprensa, em que de tanto afastamento os leitores a abandonaram tal como a atitude dos eleitores em relação aos políticos.
Agora, para recuperar da crise, o próprio jornalismo público defende o restabelecimento da ligação, do vínculo entre (e)leitores e agenda dos media e a agenda política, com envolvimento e participação.
Tal religação é também hoje defendida no âmbito do novo paradigma da ciência, holístico (quer o reaparecimento do sujeito enquanto tal quer no próprio objecto), na ética do cuidado (com a importância pública e profissional da atenção ao outro) – também aplicada aos jornalistas – e da informação social, com tripé mais equilibrado entre os líderes, acções, fontes e perspectivas não só política e económica mas também social.
Immanuel Kant chamava a atenção para o facto de o nível racional corresponder ao cumprimento da lei moral, sendo o amor aos outros a principal moralidade, que inclui não só o cumprimento da lei (mera legalidade) mas sobretudo o espírito da lei, por mor dela, ou seja, de forma desinteressada e impessoal.
Ora a informação irracional - que responde à satisfação das inclinações pessoais e dos interesses particulares, do mundo dos sentidos e dos fenómenos – e saturada, em alta definição e resolução de hoje, sem espaço para a reflexão, corresponde, em certa medida, à noção de colonização mediática, defendida por Adorno.
O sistema mediático, que apesar de ter como origem a lifeworld, autonomizou-se dela de tal forma que desenvolveu, dentro da complexidade das sociedades modernas, a especialidade e os códigos legais – que além de reduzir a necessidade de troca, entendimento partilhado e consenso, através da comunicação – delegando neles de tal forma o seu poder que passou a penetrar e até a determinar a própria vida de todos os dias. Os vários sistemas criados pelo ser humano, entre os quais o mediático, passaram não só a influenciar o quotidiano como a dominá-lo.
Numa acepção mcluhaniana, os meios verticais, unilaterais, fechados, agressivos e uniformes, já de si quentes, estão em sobreaquecimento, intensificando o seu carácter activo, distante, controlador, quantitativo e objectivo. Contudo, como nada está em expansão permanente, além de que o ponto de não retorno da sua ampliação conduzirá ao seu contrário, à contracção, é previsível (tal como ao nível climático) o arrefecimento.
Tal processo implica, ao nível mediático, uma maior aproximação à horizontalidade, bi e multeralidade, canais mais abertos, de baixa definição e espaço para a interpretação e participação do sujeito receptor, inclusão do feed-back, da subjectividade e da qualidade – dando valor não apenas ao rigor, aos números, aos factos e object(iv)os, mas também à compaixão, ao significado, às intenções, aos princípios e valores.
A deslocação para meios mais frios, passivos, receptivos, lentos e amplos, com efeitos ao nível da moderação e equilíbrio mediático, implica, ao nível informativo, também um jornalismo mais compreensivo, compassivo, democrático, integrando a diversidade, com implicações ao nível da unificação e da verdade dos relatos, representações e interpretações.
O arrefecimento mediático, mais soft e slow, verifica-se ao nível do maior envolvimento, quer do sujeito emissor, mais comprometido, quer do receptor, mais implicado na agency social. Tal significa menos informação e mais útil – capaz de se traduzir numa (mudança de) atitude efectiva.
Os media e a informação que produzem, neste âmbito, torna-se mais humilde, tolerante, diferente e sintética, com poder não ao nível do controlo informativo mas do desenvolvimento da comunicação. Enquanto se mantiverem ao nível de meios técnicos, extensões criadas pela humanidade, esta conserva-se enquanto fim, assegurando a sua dignidade e evitando que, em circunstância alguma, os humanos se tornem um meio sendo a técnica pervertida num fim em si mesma – a Humanidade como extensão tecnológica.
Esta moderação dos media traduz-se numa descolonização do sistema mediático: meios menos hierárquicos, ruidosos, analíticos, de alta definição também conceptual e resolução cultural, o que significa, segundo a escola crítica, menos dominadores e manipuladores. Diminuir a definição implica menos controlo na limitação do todo na parte (codificada) e uma alta informação, preservando a dialéctica, o conflito enriquecedor entre as partes, deixadas em aberto pelos criadores para que o receptor as possa recriar.
A valorização nomeadamente da rádio comunitária - indício de um maior equilíbrio entre a via pública, massiva, mais colectiva, e a via privada, de elite, mais individual, sinal não apenas de uma fase grupal, mais moderada, portanto, mas igualmente de uma efectiva religação, participação e envolvimento, tal como é pretendido pelos defensores do jornalismo público – é um reflexo da descolonização mediática.
Quando as preocupações dos cidadãos são relatadas, debatidas e procuradas soluções, como no caso do jornalismo social – onde o cuidado colocado nas várias relações e tarefas durante o processo de produção informativa, como as fontes e a linguagem usada – o público mostra interesse, interage, toma parte e envolve-se, num espaço auditivo apropriado, nem demasiado próximo nem excessivamente distante.
A acção concreta dos agentes mediáticos no âmbito social está a contribuir para a transformação do sistema, em algo mais harmonioso, contemplando não apenas a acção rápida, automática e interessada de qualquer dos seus agentes, mas atendendo igualmente à recepção, com mais baixa frequência e melhor processamento da informação, mais profundamente entendida e desinteressada – assente no princípio do bem comum, da comunicação e da comunidade – numa consciência e identidade já não líquida mas gasosa correspondente ao estágio pós-convencional de Kohlberg, indicativo de um círculo de cuidado e atenção de carácter universal.
É notória a tentativa actual para colocar o social no seio de grande parte do discurso e preocupações públicas, desde a teoria e pesquisa social até à comunicação social, passando pela semiótica social, função social, estrutura social, construção social da realidade, instituição social, relação social, agente social, estado social, segurança social, solidariedade social, justiça social ou, entre outras ainda, desenvolvimento social. Ao nível dos media, Ignatio Ramonet aponta a dimensão do quinto poder e Alicia Cytrynblum da informação social.
O decreto InterMirifica começa a produzir os seus efeitos, para além dos media sociais, nas redes sociais ou no jornalismo participativo - onde sob o argumento da interacçção e intervenção do receptor, se atinge a sua colaboração voluntária e graciosa na produção e reprodução de acontecimentos, transformando-o, na prática, em distribuidor gratuito de notícias, sendo explorado, muitas vezes sem tal consciência, dada o carácter sedutor, imediato e de aparente facilidade – numa real interdependência, integrando e ultrapassando a dicotomia entre a dependência, solidária e colectiva, e a independência, livre e individual.
Há, pois, sinais de arrefecimento mediático concretizando a designação “Meios de Comunicação Social” e de fortalecimento do meio sonoro, constantemente presente no audiovisual – omnipresente, subtil e invisivelmente, o que é fonte de poder e veículo de retribalização, à escala global, promovida pela actual digitalização que, por sinal, deixa mais espaço de transmissão disponível, capacitando-a para receber novos e diversos emissores.
Assiste-se, assim, à tentativa de religar e cuidar das partes excluídas, até aqui censuradas, por uma razão parcial, degenerada, distorcida e corrompida pelos mass media e a indústria cultural, como Adorno denunciou, rebaixada à impureza, à instrumentalidade e ao utilitarismo. A expressão da subjectividade, assim recuperada, será, pois, um reflexo da regeneração da razão, como Kant defendeu, o que significa o restabelecimento da centralidade do sujeito que, no âmbito do novo paradigma científico, se aprofunda mais pela colocação da Natureza no centro da própria pessoa, já de si nuclear nas formas pós-modernas de conhecimento.
Este reaparecimento do sujeito, da razão desembrutecida, da descolonização do sistema mediático na lifeworld - após a sua saturação, ao penetrar na própria vida social, indiferenciando a vida produtiva do espaço-tempo de lazer - implica a renovação da identidade e da consciência, com consequências ao nível da agency grupal, temperada, após o desequilíbrio entre o excesso e a falta de solidariedade, ambas inibidoras da acção social, da passagem da benevolência à beneficência, próxima e concreta.
Após a separação, o distanciamento, a exclusão, a razão enfraquecida, a colonização, o aquecimento, o domínio do sistema, em várias áreas sociais, da política ao jornalismo, há indícios (d)e vontade de (re)união das partes extirpadas, como a natureza mental, interior e subjectiva, de (re)aproximação, de (re)integração no todo original, de valorização da lifeworld, da purificação da razão, com um interesse cada vez mais impessoal e transpessoal, manifestada em novas disciplinas especializadas na área social, como a Semiótica social, a Jurisdição social ou também solidária, como a Economia ou o Turismo.
Num meio quente como a rádio, estimulante de um único sentido, a audição, tipicamente tribal, das sociedades arcaicas – prévias à complexidade e especialidade moderna – há sinais de arrefecimento depois da colonização informativa, como ocorreu no Rádio Clube de Moçambique, entre 1953 e 1973, com o aumento progressivo de horas de emissão de “A Voz de Moçambique” bem como a expansão, intensificada no período de Marcello Caetano, dos Emissores Regionais - uma forma mais agradável, subtil e próxima de a fazer infiltrar nos povos autóctones.
O (sobre)aquecimento mediático, a aceleração, a expansão, a saturação e a limitação máxima de espaço e tempo à participação terá, atingido o seu nível máximo, um efeito contrário, ou seja, de desaceleração, de (s)low information, mais ‘silenciosa’ e espaçosa, por forma a permitir o envolvimento democratizado, agora à escala digital e planetária e, portanto, uma maior aproximação, (re)ligação, comunicação e unidade social livre e com base na diversidade, o que, após os períodos de forte ênfase quer no comunitarismo, na ordem e na estabilidade social, quer no individualismo, na liberdade e na mudança social, acelerará o processo de retribalização universal e de fusão grupal.

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terça-feira, 21 de maio de 2013

A Comunicação Oculta VII



Terminamos este ensaio com o sétimo artigo, sobre a Evocação e a Invocação, neste Dia Mundial da Comunicação.
 
Texto e desenho* Dina Cristo
Para que haja uma verdadeira Comunicação – circular, directa, bidireccional, recíproca e transpessoal - é indispensável a vontade de quem emite e a abertura de quem recebe. Na Comunicação entre a Hierarquia e a Humanidade (parte do triangulo também constituído por Shamballa) esta dimensão entre Evocação e Invocação tem lugar. 

Segundo Maria Flávia de Monsaraz[1], depois de terem evocado, chamado e relembrado os Humanos, os Homens Perfeitos, que atingiram a sexta Iniciação, estão actualmente a responder-lhes. Ao estímulo inicial, de impressão mental de novos ideais, os Homens responde(ra)m invocando, pedindo protecção e inspiração; de início de forma vaga, difusa e irregular e depois num apelo mais convicto e focalizador, com desejo (d)e maior grau de consciência.

A Comunicação Universal é esse espaço-tempo de comunhão entre quem invoca, pede, implora ou suplica, como os Humanos, e quem evoca, chama, relembra e responde, como os Super-Humanos. Estes, ao activarem a recordação da informação, estimulam na família humana a vontade de Comunicar. Por sua vez, esta emite orações, mantras ou meditações que os Mestres recebem, dirigem e transmutam.

Alice Bailey descreve assim o processo: «Aqueles que exigem salvação chamam em altas vozes. Suas vozes penetram no mundo sem forma e lá evocam resposta. Aqueles que, há muitos eons, se comprometeram a salvar e servir, respondem. Seus gritos também se fazem ouvir e, ressoando, penetram nos escuros, distantes lugares nos mundos da forma. Assim estabelece-se um vórtex que se mantém vivo pelo constante soar dos dois sons. Então é feito o contacto, e no espaço e durante algum tempo, os dois se tornam um – As Almas que Salvam e as Unidades a serem servidas»[2].

A evocação manifesta-se através da Arte (nomeadamente da Música), da Imaginação, dos Mitos, da Magia, da Telepatia, dos Rituais, dos Símbolos (como a cabala, as cores, os números ou o tarot), dos Sonhos e dos Mensageiros, desde os (Arc)anjos aos Iniciados, passando pelos profetas, filósofos e Mestres; todos têm transmitido a mensagem de uma Nova Civilização, a terceira, baseada no Amor/Sabedoria, depois da primeira inspirada em Buda, o Conhecimento, e da segunda, em Cristo, o Amor.

Trata-se de verdadeira Religião, da religação à Fonte, o regresso à Origem, ao Ser (trazendo iluminação, reintegração e participação); o Retorno do Cristo, do Desejado (em Portugal) e da proclamada Idade do Espírito Santo, Quinto Império, Era de Aquário, Idade de Ouro, uma Época de (Re)Descobertas Espirituais, de peregrinação até à Individuação, de C. G. Jung, à Grande Obra, dos Alquimistas, ou à Cristificação, de Max Heindel.

Jean Shinoda Bolenexplicou-o com base na Mitologia: a Deusa Métis, Sophia que fora engolida por Zeus e esquecida, é recuperada e, com ela, a vinculação à Terra, à Vida, ao Ritmo Natural (dos ciclos e estações), aos Outros, o desenvolvimento da Ecologia e de uma consciência global e solidária, própria de uma cultura matriarcal, baseada no amor e na liberdade, que privilegia as relações externas e reacções internas - representada no Deus afectuoso e clemente do Novo Testamento.

Annie Besant ilustra esta Lei do Retorno, o Feed-back: “Assim como um imã possui o seu “campo magnético”, uma área dentro da qual todas as suas forças atuam, grandes ou pequenas de acordo com a sua força, assim também todo homem possui um campo de influência dentro do qual agem as forças que ele emite, e essas forças agem em curvas que retornam para aquele que as emite, que retornam ao centro de onde emergiram”[3].

Actualmente, a Web, com os seus grupos electivos, facilita a emergência de uma Nova Era que, segundo o Centro Lusitano de Unificação Cultural[4], é dirigida pela alegria, maleabilidade, suavidade, comunhão, compreensão, integridade e paz – sete tónicas de uma Era de Comunicação Fraternal[5], propícia ao desenvolvimento da Informação Solidária, que relate esta Religação a Si, aos Outros e à Natureza.

* Anos 70
BIBLIOGRAFIA 
ANACLETO, José Manuel – Transcendência e imanência de Deus. CLUC. 2002
ANACLETO, J. Manuel – Duas grandes pioneiras. CLUC. 1999.
AVELINE, Carlos Cardoso – A informação solidária. Edifurb. Blumenau. 2001
BAILEY, Alice – Astrologia esotérica. Tomo II. Association Lucis Trust. Genebra. 1999.
BAILEY, Alice – Um tratado sobre os sete raios. Tomo I. Vol.III. Association Lucis Trust. Genebra. 1997.
BHAGAVAD GUITA – Bhagavad Guita. Editora Estampa. 2ª ed. 1999.
BESANT, Annie – O enigma da vida. Editora Pensamento. S. Paulo. 10ª ed., 1997.
DALICHOW, Irene; BOOTH, Mike – Aura-soma. Editora Margarita Schack. 1997.
COLLINS, Mabel – Luz no caminho. Editora Teosófica. 3ª ed. 2001.
COSTA, H. Álvares – As sete leis fundamentais – uma visão geral segundo o hermetismo, Cabalismo, Pai Nosso e Teosofia. STP. 1997.
EVANGELHO SEGUNDO TOMÉ – Evangelho segundo Tomé. Editora Estampa. 1992.
GOVERNO, Isabel – Logos, devas e elementais. CLUC. 2002.
GIBRAN, Kahlil – O profeta. Editora Pergaminho. 2004.
HEAD, G.R. – Apolónio de Tiana. Editora Teosófica. Brasília. 2000.
HEINDEL, Max – Astrologia científica simplificada. FRC. 1985.
HEINDEL, Max – O véu do destino. FRC. 1996.
HEINDEL, Max – Conceito Rosacruz do Cosmo. FRC. 3ª ed., 1989.
INTRODUÇÃO AO SUM – Introdução ao sum. CLUC. 1994.
INTRODUÇÃO À SABEDORIA E TÉCNICA GRUPAIS – introdução à sabedoria e técnica grupais. CLUC. 1990.
LEADBEATER, C.W. – Os sonhos. Editora Pensamento. São Paulo.
MENDANHA, Victor – História misteriosa de Portugal. Ed. Pergaminho. 6ª ed. 2001.
MONSARAZ, Maria Flávia – Vénus. Marginália Editora. 2004.
NO DOMÍNIO DO ESPAÇO-TEMPO – No domínio do espaço-tempo. CLUC. 2000.
NO TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO – No templo do Espírito Santo. CLUC.
NOVOS DIÁLOGOS HERMÉTICOS – Novos diálogos herméticos II. CLUC. 1994.
PARA UM MUNDO MELHOR – Para um mundo melhor. CLUC. 1997.
PÉROLAS DE LUZ – Pérolas de luz. Vol II. CLUC.
QUINTA DA REGALEIRA -  Quinta da Regaleira. Fundação CulturSintra.
RITUAL DE CIRCULAÇÃO DE LUZ – Ritual de circulação de luz. CLUC. 2001.
ROBERT, Denis; ZARACHOWICZ, Weronika – Noam Chomsky – duas horas de lucidez. Editora Inquérito. 2002.
TRAVASSOS, Lubélia de Fátima – Os manuscritos do Mar Morto. Os essénios. Editora. 1997. 

Revistas: 
Biosofia, N.º8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27,
Portugal Teosófico, n.º76, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89 (2003).
De Aqui e de Além, n.º1, 2, 3, 4, 5, 6, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 16, 17, 18.
Rosacruz, n.º358, 363, 370, 371, 372, 373, 374, 375, 376, 377, 378, 379, 

CD:
 MONSARAZ, Flávia – A religião do novo mundo. S/d. S/ Ed. 49:58.


[1] MONSARAZ, Maria Flávia – A religião do Novo Mundo – Faixa Hierarquia Planetária. CD [2] BAILEY, Alice – Astrologia esotérica, Tomo II, Association Lucis Trust, Genebra, 1999, p.206. [3] BESANT, Annie – O enigma da vida. Editora Pensamento. S. Paulo. 10ª ed., 1997, pág. 175. [4] Cf. CLUC – No Templo do Espírito Santo, CLUC, 1992, pág. 149 [5] A concretização do Espírito da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade

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quinta-feira, 21 de março de 2013

A Comunicação Oculta V




Neste quinto artigo falamos do canal de comunicação a nível cósmico, como Fohat.

Texto e desenho* Dina Cristo

Do ponto de vista universal, o quarto princípio cósmico, que actua na quarta dimensão, a do Aqui e Agora[1], é Fohat, a Electricidade Cósmica que permite projectar ParaBrahman, a Ideação Cósmica, o Espírito Puro, em Mulaprakriti, a Matéria Virgem, as Águas Primordiais: «Fohat é a ponte de energia dinâmica através da qual as ideias existentes no Pensamento Divino (Mahat) se podem chegar a imprimir na substância cósmica»[2].
Fohat é o Fiat[3], a Força dinâmica, o Alento que vai despertar, animar e fecundar a Matéria-Prima Original. É o Movimento Absoluto que vai diferenciar e desdobrar o Espaço e, combinando os seus elementos, dar origem aos sete planos[4] e a todas as formas do Universo. É o Impulso cinético que penetra, dirige e gera toda a manifestação do Espírito na Matéria, como Leis da Natureza.
É esta radiação cósmica luminosa que estabelece a ligação, a relação entre a dualidade, os pares de opostos que, através dela, se atraem e aglutinam. Fohat é, pois, o Elemento mediador, o laço e o elo de coesão, a ponte entre Purusha, o Pólo Subjectivo, emissivo, a Consciência, e Prakriti, o Pólo objectivo, receptivo, a forma.
Trata-se de um meio, um medium, capaz de transmitir, transportar, precipitar, consumar e executar o Plano Universal e as suas Ideias Arquetípicas, materializando-as. É o Facton, a Potência inteligente, activa, criadora e geradora de Vida, o Agente vitalizador, detonador e ordenador da Mente Cósmica, do Pensamento Divino.
Este Elemento de emanação masculino, seu mensageiro junto do pano de fundo, do monitor, onde se vai infundir e frutificar, é o motor e o fermento, a Potência de direcção, que vai agitar, preencher e incubar a tela feminina. Corresponde, de certa forma, ao Eros grego, à Energia amorosa, ao Espírito Santo e é numericamente representado pelo 1,000001.
Akasha
É através de Fohat que Mulaprakriti, a raiz da Substância, a Matéria-Primordial, se assume como Akasha - a Sub-Raiz, a Matéria-Prima, o Zero, o Caos, o Continente que tudo contém, de onde tudo procede e desponta, se resume e actualiza no devir e aonde tudo volta(rá); é o Espaço que o Tempo irá permear, inflamar e fará dar à Luz as Potências Criadoras, o Logos.
Akasha é a Matriz Universal, o quinto Elemento cósmico, ténue e moldável, o Éter Superior, a Essência Espiritual subtil que preenche, penetra e sustenta todo o Espaço[5], a substância em que estão banhadas todas as coisas que são, assim, Akasha condensado.
É a Alma do Mundo, o condutor de Electricidade Cósmica, através do qual se propagam as ondas eléctricas dos pensamentos, sentimentos e acções, registadas pelos escrivães, Lipikas, na Luz Astral, a primeira vibração de Fohat, que permite a propagação à distância: «Por seu intermédio opera-se a comunicação focalizadora de um emissor para um receptor»[6].
A Luz Astral, o seu aspecto inferior, é uma rede de luz interna, etérea e planetária, um mundo de espelhos, sombras e ilusões (como na Alegoria da Caverna de Platão), um arquivo de imagens de onde são devolvidas e reflectidas, ampliadas e intensificadas, como feed-back e Karma, e reproduzidas como imaginário popular ou inconsciente colectivo.
Comunicação cósmica
O plano mental, astral e físico cósmicos (cujos sub-planos são os sete planos já referidos[7]) constituem a origem energética das três grandes constelações: Plêiades, Sírio e Ursa Maior. Esta última é a Fonte que irradia, através das suas sete estrelas - os sete Rishis ou Espíritos diante do Trono[8] - os sete raios[9], as sete energias básicas, retransmitidas e representadas pelas sete estrelas da Ursa Menor.
A Fonte Transcendente emite[10] a sua força para os Destinadores, as doze constelações - com a respectiva faixa energética, os doze signos zodiacais, sete dos quais, de Caranguejo a Capricórnio, se encontram em relação com a Humanidade[11], e cuja força é incorporada pelas doze Hierarquias (uma das quais os Pitris Solares[12]) - que emanam, cada uma, uma qualidade ou virtude - os doze trabalhos de Hércules – atraídas magneticamente, dada a Lei da Afinidade, pelos sete planetas sagrados.
Estes planetas receptores, regentes (esotéricos e exotéricos) e transfiguradores são os responsáveis pela focalização, corporificação, propagação e distribuição, não só da sua vibração como do grau de consciência dos centros anteriores, para o nosso sistema solar, que faz parte, junto com outros seis, de uma das constelações de um Zodíaco maior.
Neste processo de propagação energética, o sol é o grande canalizador, transformador e disseminador sobre a Terra, destinatária. A derramação de radiação cósmica atinge, através dos seus sete principais centros planetários, alguns Seres Humanos, consoante a qualidade do seu veículo e equipamento de recepção (mental).
A capacidade de resposta, feed-back, de retorno das energias à sua fonte de emanação, traduz-se no desenvolvimento psíquico, no despertar ou na elevação do grau de consciência – representado por cada constelação - conforme o nível de sensibilidade à influência energética, quer externa quer interna, mais ou menos estimuladora, coadjuvante, ou obstacularizadora, oponente.
 * Anos 70

[1] Como salientou Carlos Cardoso Aveline, o Aqui e Agora, nome de um dos seus primeiros livros editados, dissolve as barreiras e mostra a unidade de todas as coisas [2] ANACLETO, José Manuel - Transcendência e imanência de Deus, CLUC, 2002, pág. 5. [3] Faça-se. [4] Como aos sete pontos laya de passagem de um para outro plano. [5] Que se diferenciará e separará em sete planos, como vimos em artigo anterior. [6] GOVERNO, Isabel Nunes – Panpsiquis In Biosofia nº 18, Verão 2003, pág.27. [7] Cf. A Comunicação Oculta II. [8] Seres que representam a Vontade Divina no nosso sistema solar. [9] Cf. A Comunicação Oculta II. [10] A emissão de cada um dos sete raios é realizada, segundo explica Alice Bailey, por triângulos, que focalizam e transmitem as influências cósmica[11] As outras cinco têm relação com a evolução supra-humana. [12] Uma das suas Ordens é a dos Senhores Kumaras, os Adeptos Venusianos, portadores da Luz, do quinto princípio, mental.

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