quarta-feira, 13 de março de 2013

Tecnologia?


Domingo é Dia Zeitgeist. Após o primeiro, segundo e terceiro filmes, dedicamo-nos hoje a um dos temas mais focados na trilogia.
Texto e fotografia Dina Cristo
O universo humano tem evoluído desde a era mitológica, cuja referência eram os Deuses, para a era teológica, cujo sentido era dado por Deus, até à era tecnológica (do retorno da Deusa). Aqui a fé é posta na invenção humana: depois dos utensílios, para produção, e dos instrumentos, para percepção, os dispositivos, para automação, são hoje o centro das atenções, aos quais o Ser Humano se devota e sacrifica, incluindo os seus recursos.
A crença na ordem performativa para resolução dos problemas humanos, o predomínio de técnicos no sistema socioeconómico, o culto e idolatria técn(ológ)ica, dissimulada pela sua “neutralização”, ‘naturalização’ e miniaturização, geraram a dependência técnica, a tecnofilia, a alienação do Ser Humano e a sua separação do mundo natural, como João Afonso retrata em “Ainda há caracóis”, do seu álbum “Zanzibar”, de 2002.
Este conhecimento, que visa o interesse do próprio sujeito e a sua utilidade imediata, ao contrário do desinteresse da “theoria” e do desapego da “aletheia”, recebeu, nos últimos séculos, a confiança de homens e mulheres, que nele depositaram a sua esperança na libertação, incluindo do esforço despendido, das actividades físicas às mais mentais, e de que o uso da máquina de calcular é exemplar.
Este crédito desenvolveu-se de tal forma que aquilo que começou como um meio (técnico) se tem transformado nos próprios fins – que são humanos; quando tal substituição se dá, alertava Max Weber, o mundo torna-se uma “gaiola de ferro”. Ao contrário da promessa de emancipação, ocorre o aprisionamento e, no caso da própria ordem simbólica, do discurso, fica também ela refém da competência técnica, como explica Adriano Duarte Rodrigues, no âmbito da logotécnica.
A penetração, o excesso e a imposição do mundo mecânico sobre o orgânico, dos fenómenos naturais, têm conduzido algumas pessoas e comunidades, pelo contrário, a uma reacção de tecnofobia, à dispensa e rejeição dos objectos técnicos.
Riscos técnicos
Apesar da técnica, como depois a tecnologia, ser sinal de desenvolvimento da racionalidade humana, desde a Revolução do Neolítico, se o pensamento não for devidamente acompanhado pelo aperfeiçoamento emocional e comportamento moral, como aconteceu com civilizações mais antigas, conforme alertou Omraam Aivanhov, tal, além de ser sinónimo de regressão, é perigoso e pode tornar-se igualmente (auto)destrutivo.
O menor esforço exigido, o maior conforto proporcionado, o crescimento da autonomia dos dispositivos e, simultaneamente, mais sujeição dos usuários, pode gerar a preguiça, a desatenção, a imprudência e o descuidar do autodomínio, explicava Omraam; além da menor independência humana, vigilância e discernimento, o mundo artificial contém o risco de promover a irresponsabilidade (como no caso da saúde), da irreflexão e mesmo do enfraquecimento do Ser Humano.
Ao contrário das pedras, plantas, animais e humanos, que se decompõem naturalmente, os resíduos técnicos poluem a Natureza. Além do mais, ao aumentar a quantidade e a velocidade geram excesso e desperdício que muitas vezes é sentido como insuficiência e escassez. O caso da obsolescência dos produtos e as sobras de produção de alimentos depois “enterrados” são disso exemplos.
Uso moderado
Entre a tecnofilia e a tecnofobia, para além da ilusão, da sedução técnica e do seu abuso ou mau uso, há hoje a consciência de que existe tecnologia suficiente para, finalmente, as colocar ao serviço das necessidades humanas e em colaboração com as leis naturais, num vórtex de abundância, paz e amor, com a forma a exprimir a vida, em detrimento da competição, do poder e do desrespeito em relação ao mundo natural.
Para além da alta tecnologia, da alta definição (meio quente) e da digital, há hoje vontade de promover a tecnologia média ou baixa, a “low technology”, livre, de “open source”, em pequena escala, a nanotecnologia, ou de carácter mais social. No caso de Tamera, existem experiências implementadas ao nível da descentralização e do auto-abastecimento, com base nos recursos naturais. Ao nível do movimento Zeitgeist, para além do projecto Vénus, de carácter mais ambicioso, “Aurora” documenta a defesa de uma tecnologia que satisfaça as necessidades de todos os indivíduos, sem desperdícios, através de uma gestão eficaz, científica, dos recursos.
Para além da reprodução, multiplicação, racionalização e reversibilidade, de meios de substituição (as próteses) ou melhoramento (as órteses), pode gerar-se verdadeira evolução e progresso técnico, com realização das potencialidades de (re)crição humana sem colapso, devastação ou desordem. Para o Centro de Pesquisa pela Paz, no Alentejo, o conhecimento tecnológico permitirá (re)unir aquilo que tem vindo a ser separado: o mundo que os humanos herdaram e o que criaram, sob cooperação, doravante, em benefício da Natureza e da própria Humanidade.

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quarta-feira, 6 de março de 2013

Santo?


Ao assinalar-se, amanhã, 177 anos do nascimento de Sousa Martins, em Alhandra, recuperamos um artigo, originalmente publicado na Gazeta do Cenjor, em Julho 1996.

Texto e desenho Dina Cristo

É considerado santo (também) por muitos católicos. Tem aliás um santuário pagão mesmo em frente ao patriarcado de Lisboa. Contudo, a hierarquia da Igreja Católica não reconhece a sua vida como tendo tido dignidade suficiente. A sua alegada ligação à Maçonaria e ao Espiritismo são, para a Igreja, imperdoáveis. A devoção é exercida à revelia da Igreja, que tolera o culto mas se afasta de qualquer envolvimento comprometedor: «A Igreja não tem sobre esse assunto uma posição definitiva. É uma questão sociológica e não teológica», explica o secretário-geral do Patriarcado de Lisboa, cónego José Mendes Serrazina. A diocese está a uns escassos metros do monumento erguido em sua memória, local de peregrinação diária dos seus devotos. «Veja como os automóveis estão sujos, e a figura de Sousa Martins limpa»,  apela uma mulher, que depois de ali rezar distribui generosamente milho aos pombos. E apontando à parte superior da escultura observa, enigmática: «Todos os pombos vieram comer, só aquele ficou: por algum motivo há-de ser».

Igreja suporta mas não aprova

A Igreja revela-se indiferente às manifestações de fé e de louvor relativas ao antigo médico. Da portaria do patriarcado respondem: «Sousa Martins? Não temos cá ninguém com esse nome». De seguida, o mesmo olhar de escárnio interroga, com desdém: «É uma crente do Sousa Martins?». O desprezo deve-se, sobretudo, à ligação que o professor, natural de Alhandra, terá estabelecido com a Maçonaria. Os maçons, ao defenderem a liberdade religiosa, tornaram-se ao longo dos séculos adversários da Igreja. O seu espírito de abertura foi considerado anti-católico e as encíclicas papais condenavam frontalmente os «pedreiros livres». A relação de aversão, hostilidade e oposição alterou-se, no entanto, no século XX, altura em que a Igreja se começou a mostrar mais compreensiva e condescendente. Hoje, o patriarcado tolera as placas de agradecimento, as flores, as velas e os desdobráveis que falam de Sousa Martins como intermediário de Deus. «Acudo sempre aos que me pedem com fé verdadeira. Sou teu intermediário junto do Senhor, nosso Deus. Sê bom, verdadeiro, honesto, caritativo e conta comigo. Vai… Deus te ajudará», rezam os panfletos.

Igreja condena vida de ateu

A alegada santidade de Thomáz Sousa Martins nunca será reconhecida pela Igreja, garante padre Peter, coadjutor na Igreja dos Anjos, em Lisboa; não existe, assegura, a mínima possibilidade de tal vir a suceder, nem mesmo durante o século XXI. «Seria uma falta de respeito pelo Dr. Sousa Martins se a Igreja embandeirasse agora numa crença popular, uma vez que ele próprio se considerou agnóstico e ateu», comenta o sacerdote. O carácter anti-dogmático de Sousa Martins afasta qualquer hipótese de poder ser considerado beato e, na sequência disso, santo. Para a beatificação é necessário que o candidato tenha levado uma vida pura, isenta de pecado. Aos olhos da Igreja, a relação maçónica de Sousa Martins, torna-o inaceitável. A hierarquia católica reconhece apenas o seu perfil filantrópico, de caridade, humanidade, altruísmo e ajuda permanente aos mais pobres. Para a canonização é indispensável a comprovação de, pelo menos, três milagres, através de uma comissão de peritos científicos. O facto de Sousa Martins não reunir, segundo a Igreja, as condições necessárias à beatificação, retira logo à partida o interesse de demonstrar, ou negar, os mencionados milagres. Os factos sobrenaturais que alegadamente ocorrem, através da comunicação mediúnica, afastam definitivamente a última expectativa em vê-lo reconhecido pela Igreja, já que o espiritismo, doutrina que defende a comunicação com o espírito dos finados, é veementemente condenado pela Igreja Católica.

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Comunicação lusófona

Aos 15 anos das emissões regulares da RTP África, abordamos a (falta de) oportunidade de desenvolvimento da comunicação digital no continente negro.
Texto Dina Cristo 

A Lusofonia, espaço não apenas geográfico, mas também linguístico, cultural, histórico, institucional e identitário, ganhou força política nos anos 80 (década de desenvolvimento tecnológico e de entrada de Portugal na então CEE) e convergência política, nos anos 90, com objectivos internos (o imaginário de um país que ultrapassa as suas fronteiras físicas) e externos, como a afirmação de Portugal.
Nos governos de Cavaco Silva foram feitas alterações estruturais, com a privatização e liberalização da Comunicação Social (investindo no seu segundo governo na missão do serviço público e na solidariedade e cooperação, particularmente ao nível técnico e de formação), estabilizadas e aperfeiçoadas no governo seguinte de António Guterres, designadamente em termos de legislação e de regulamentação.
Contudo, a iniciativa considerada mais importante foi no plano externo: a criação da RTP Internacional, no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em 1992, sendo emitida 24h por dia três anos depois, num esforço centrado na distribuição (através do satélite, do cabo ou via terrestre) de forma a tentar atingir os 200 milhões de falantes da língua portuguesa e estreitar os laços de afecto, acentuando o universalismo da alma lusitana.
Em 1996 realiza-se o Fórum da Comunicação - com as agências, televisões e rádios de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Portugal -, é formada a Aliança das Agências de Informação de Língua Portuguesa e as Televisões de Língua Portuguesa e previsto apoio à produção, distribuição e livre acesso. Durante o encontro, em Lisboa, anuncia-se a constituição da RTP África, um desdobramento da RTP Internacional, com a promessa de participação dos povos. Após alguns dias constitui-se a pluricontinental Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com base na amizade, na cooperação, na solidariedade e no intercâmbio.
Após o “Canal África”, integrado na RPT Internacional, desde 1996, nasce, em Janeiro de 1998, uma nova fonte de informação e entretenimento: a RTP África, com programação autónoma, produzida pelas estações públicas da CPLP, com descodificação nas capitais africanas e retransmissão via terrestre. Em vista está a maior aproximação aos 25 milhões de habitantes dos cinco países africanos de língua oficial portuguesa.
Trata-se da concretização da política de desenvolvimento do espaço lusófono, de contemplação da diversidade e diferença, com base na capacidade de relacionamento, de ligação e de estabelecimento das pontes entre culturas, expressão de um princípio anímico, «(…) uma espécie de família espiritual repousando na recordação de um passado comum, sobre uma parte do esquecido e sobre uma vontade de construir o futuro em conjunto»[1].
África digital?
O continente africano - que tem necessidades ao nível da alimentação, da saúde, da habitação e da electricidade, bem como problemas de pobreza, analfabetismo, iliteracia ou abertura ao debate público - tem a mais baixa taxa de penetração da internet: abaixo dos cinco por cento (apesar do rápido aumento ao longo da primeira década do séc. XXI, devido à baixa de custos).
Em contextos de construção democrática, com restrições à liberdade de expressão, imprensa ou associação, como é o caso de África, os novos “media” podem desempenhar um papel relevante com efeitos ao nível da democratização, da liberalização, do desenvolvimento e da modernização. Nesse sentido, a internet pode constituir um meio para atingir objectivos como os do milénio, proclamados pela ONU.
Este medium digital pode ser vantajoso ao nível da facilidade de uso e de acesso, de auto-produção, de participação ou de interactividade, constituindo um espaço para novos actores, conteúdos e pontos de vista e, portanto, com potencialidades ao nível da diversidade e da liberdade de expressão, de opinião e de informação, como são exemplos os websites noticiosos e os blogues.
Tendo em conta um ambiente de limitações à liberdade, Susana Salgado considera as suas potencialidades ao nível do aumento do pluralismo, da independência, de pontos de vista, de debate, de agendamento de novos temas, de crítica e de vigilância do poder político e, sobretudo, ao nível da participação política, através da facilidade, simplicidade, disponibilidade, interactividade, auto-produção e distribuição.
Contudo, os mesmos meios informativos podem ser instrumentos ao serviço do autoritarismo e os seus conteúdos dominados pelas elites. Apesar de existirem cada vez mais websites e blogues, muitos temáticos e anónimos, estes resultam de outros órgãos de informação, controlados. Por sua vez os bloggers pertencem, normalmente, à classe média e alta, têm profissões liberais e alto nível académico.
A teoria do knowledge gap, nos anos 50, defendia que cada novo medium aumentava as diferenças já existentes entre os indivíduos de menor e maior estatuto e habilitações, sendo os de maior posição sócio-económica e educativa os que tendiam a beneficiar mais rapidamente das vantagens do novo meio de comunicação: era para eles mais fácil lidar, obter e compreender a informação, acentuando as disparidades, desequilíbrios e diferenças anteriores.
Daqui resultou o conceito do digital divide, o fosso de oportunidades e de uso da tecnologia. A maior parte da população mundial não tem sequer as infra-estruturas, à electricidade ou aos equipamentos. Além disso, não basta o acesso à informação de outras regiões, também é importante a produção e partilha de informação local quando a maior parte dos conteúdos são produzidos nos países desenvolvidos, o que significa um risco de dominação dos valores ocidentais e a redução à mera recepção por parte dos africanos.
Susana Salgado cita o perigo do consumo se sobrepor à cidadania, da liberalização dos “media” ser mais uma oportunidade de negócio bem como a fragmentação dos conteúdos, a dispersão das identidades e o desinteresse do cidadão comum face à complexidade dos pormenores das decisões políticas.
Além do mais, as disparidades em relação ao mais elementar, o acesso à tecnologia, verificam-se não só entre países, o chamado global digital divide, mas também dentro dos próprios Estados, nomeadamente ao nível de status, área geográfica ou de género. No geral, as desigualdades verificam-se não apenas ao nível dos recursos e acesso, mas igualmente no âmbito da competência, da vontade, do uso e da participação. Os indivíduos que usam os “media” digitais são, por exemplo, os que possuem meios e conhecimentos para tal.
São exemplos da ambivalência dos “media” digitais as possibilidades de ultrapassar os constrangimentos, designadamente ao nível da distribuição, porém com o perigo da concentração (a propriedade dos órgãos de comunicação social nas mãos de grupos económicos próximos do poder política, que os tem controlado, fechado ou substituído) e controlo da opinião pública por parte das elites.
Entre a posição optimista que vê a tecnologia como meio de libertação e de expressão, de participação política e de democratização, de desenvolvimento humano sustentável e a posição mais negativa, que se centra nas necessidades mais primárias, prioritárias, ainda por resolver, está uma atitude moderada, segundo a qual o papel dos “media” é variável, a de que mesmo que as novas tecnologias consigam diminuir as desigualdades, uma vez que estas são endémicas, não serão com certeza eliminadas.

[1] Yves Léonard citado SOUSA, Helena – Os media ao serviço do imaginário: uma reflexão sobre a RTP Internacional e a Lusofonia. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. Braga, 1999, pág. 3.
Bibliografia:
SALGADO, Susana – O digital entre os muitos “divides” de África in Media & Jornalismo, nº 18, vol.10, nº1. Primavera/Verão 2011, pág.100-111.
SOUSA, Helena – Os media ao serviço do imaginário: uma reflexão sobre a RTP Internacional e a Lusofonia. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. Braga, 1999.



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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vida comum


No dia em que Dieter Duhm, fundador de Tamera, completa 70 anos de idade, analisamos duas necessidades humanas essenciais: a liberdade individual e a protecção social.

Texto e fotografia Dina Cristo


Uns procuram a expressão, o desenvolvimento, o aperfeiçoamento individual, outros a aceitação, a integração, o apoio e a ordem social. Será esta uma escolha inevitável ou duas forças possíveis de conciliar? Segundo José Flórido a individuação como a colectivização são duas leis possíveis de se compatibilizar e equilibrar. Tal é possível na última etapa de desenvolvimento humano. Até lá existem três fases prévias: a primeira é a de egoísmo e separatividade, correspondente à individuação em sentido negativo, quando o indivíduo quer conquistar sem esforço e sem aceitação das imposições sociais.

A segunda etapa, a da colectivização em sentido negativo, é quando a sociedade tenta absorver o indivíduo não deixando expressar livremente a sua criatividade, pelo que ele adopta os códigos, hábitos, usos e costumes sociais da maioria. Só depois, na terceira fase é possível a individuação positiva, quando o indivíduo, respeitando os outros, pretende expressar a sua individualidade e ser ele próprio. É na quarta fase, da colectivização positiva, que se atinge o altruísmo e a relação de amor com todos os seres, quando, ao desenvolver ao máximo as suas faculdades criadoras, o Ser Humano as utiliza em benefício da colectividade.

Evolução

Nas sociedades tradicionais e tribais as pessoas estavam unidas pela semelhança e conformavam-se devido à lei repressiva – a obrigação normativa e moral era sentido como natural tal como a solidariedade mecânica, com fortes laços sociais. Nas sociedades modernas os seus membros passaram a estar unidos pela diferença, regidos por uma lei restitutiva, que garante o direito à equidade, e pela solidariedade orgânica, assegurada ora pelo trabalho especializado ora pela cidadania democrática.

Com a industrialização, a massificação, o êxodo rural e os nacionalismos, as pessoas, em novo ambiente social, cultural e laboral, além de deslocalizadas, “exiladas”, atomizadas, no anonimato e desprezo das grande cidades, tornaram-se mais vulneráveis à cultura, dominação e manipulação mediática, controlo e vigilância social bem como a alienação pessoal.

Baseada na homogeneidade, no isolamento involuntário, as sociedades de massa transformaram-se em campos geradores de dependência (manifestados, por exemplo, em excessiva extroversão, para chamar a atenção, ou introversão, por receio de desaprovação) e propícios à exploração, à necessidade de cobiçar e extorquir no colectivo bens e pessoas, no máximo de quantidade e superficialidade, em benefício próprio, para satisfação dos seus interesses pessoais. Neste nível de desenvolvimento material, ainda infantil, faz-se sentir o narcisismo, a sociopatologia e a domesticação social - que condiciona, limita e aprisiona o indivíduo - a obediência, por um lado, por medo, e a necessidade de “protecção” e apoio, por outro. 
Não é, contudo, através do condicionamento, opressão, obstrução e castração do desenvolvimento individual, da exploração da vida social em prol dos interesses particulares e da satisfação instrumental que se pode fundamentar o desenvolvimento social saudável. Este implica o desabrochar mais livre das potencialidades e peculiaridades de cada ser humano, das diferentes formas de expressão (cultural) das necessidades e sonhos, esses sim, idênticos. O (re)conhecimento (e preservação) das particularidades de cada ser humano, da diversidade humana, é essencial pois são recursos que, mais tarde, serão postos em prática a favor da própria vida colectiva.

A fase de individualização, que pode implicar um afastamento da vida social intensa e fútil, é quantas vezes negativamente conotado como anti-social. Confunde-se a integração no sistema social (mediático, político, económico, etc.) com a integração social propriamente dita, na vida de todos os dias, do qual praticamente ninguém, na verdade, está excluído. Rubem Alves mostra, na crónica “solidão amiga”, os aspectos positivos do isolamento voluntário: tempo-espaço para a criação de obras de arte e a comunhão - consigo, com os outros, com a natureza – em que o “estar junto” é bem diferente do “estar próximo”.

Quando o individuo se afasta para ver melhor, para se conhecer e poder expressar e realizar a partir da sua identidade central, integral e profunda desencadeia o processo de individuação, um campo íntimo, de liberdade, autonomia e segurança. O séc. XIX e o romantismo foi fértil precisamente em dar espaço à Subjectividade, ao sentimento, ao Eu interior, pessoal e privado, que se auto-regula em detrimento do ser mais exterior, público, impessoal e objectivo, dos lugares e da hétero-regulação. Em vez da super-estrutura social, causal, teórica, ideal, colectiva e determinística, a infra-estrutura prática, material, individual, âmbito de acção de livre arbítrio, hoje exercido sobretudo ao nível do discurso.

Aceite a riqueza da diferença (posturas, valores, motivações e finalidades, por exemplo), inscrita num âmbito de (auto)conhecimento mais profundo, embora ainda separatista e discriminatório, eis um estado mais adulto de independência, liberdade, responsabilidade e realização. Um estágio cantado, como em “My way”, identificado, como nas deusas virgens – Artémis, Atena e Héstia – correspondentes a padrões de independência – e pensado, por exemplo, por Carlos Cardoso Aveline, que afirma: «Uma certa dose de condicionamento social é inevitável e positiva. Porém é indispensável respeitar, ao mesmo tempo, a necessidade de todo ser humano de estar consigo mesmo, ouvir a voz da sua própria consciência e ter vontade própria».

Comunidade

Só após a experiência da ordem social e da liberdade individual é possível atingir a sua conjugação e conciliação, equilibrando, nas unidades colectivas, as leis da colectivização, mais opressivas e de apego, focadas no todo e no intercâmbio, e da individuação, mais liberais e de desapego, focadas na parte e nas fronteiras. Tal é possível quando se prescinde da dependência social e da independência individual em prol da interdependência, numa visão mais moderada. Numa fase de maior maturidade é, assim, possível, após a falta de personalidade e o seu excesso, encetar uma etapa de despersonalização. É o que se denomina vulgarmente por cidadania, que tem em vista o Bem Comum, o Bem Geral.

Esta maior impessoalidade não significa a eliminação da individualidade mas pelo contrário o colocar as suas competências e talentos em prol da vida comunitária, reunindo a realização individual com a coesão social. Desta forma, quanto mais individual, profundo e original um ser for maior poderá ser a sua contribuição para o todo. Não se trata, pois, de submissão, uniformização ou de separatividade mas de unificação, harmonização e comunhão que hoje começa a ser expressa em comunidades em formação, num nível já não tribal antigo, sub-racional, mas em grupos supra-racionais.

Se na verdade há comunidades que vêm de séculos anteriores, como as religiosas, com as suas Ordens, Mosteiros e Conventos (sendo os Franciscanos um exemplo: os Menores restaurados em 1891, os Conventuais regressados em 1978 e os Capuchinhos entrados em 1939), no séc. XXI nascem e espalham-se pelo mundo cada vez mais comunidades, como os kibutz, ligadas à ecologia profunda, cultivando um estilo de vida simples, sagrado, vinculado, sustentável e com sentido. Já Thomas More, no final do séc.XIX havia imaginado uma sociedade onde o dinheiro era prescindível e ninguém possuía mais do que o necessário.

Em Portugal, Tamera, no Alentejo, é um dos exemplos. Formado como Centro de Pesquisa para a Paz e biótipo de cura, numa perspectiva de acupunctura planetária, ali se desenvolve uma comunidade de seres vivos, além dos humanos, com base na confiança e na cooperação mútua, fundamentada na satisfação das necessidades básicas, como água, alimentação e energia, e valores como a paz e o amor. Apoiada numa tecnologia descentralizada, assente na água (com paisagens de retenção) e no sol, a comunidade, constituída desde 1995, perto de Relíquias, tem por finalidade a (re)formação de uma nova cultura da Era da Deusa, humana, graciosa e harmoniosa.

Neste processo evolutivo da tribo à era grupal há que cuidar de evitar o pseudo-individualismo (diferenciação falsa, separatividade forçada e vi(vi)da em circuito fechado), o excesso de individualismo, motivo de mal-estar que Gilles Lipovetsky explicou, mais presente nos EUA, a sua indistinção da vida comunitária facilitada pela Web 2.0, bem como as tentativas para normalizar e aquietar os indivíduos em questionamento e crescimento, nomeadamente através de medicação.

Hoje, a ideia de que pela união se pode formar uma “constelação” avança e além das redes de Eco-aldeias, existem actualmente Comunidades de Comunidades. Na Europa, onde a ideia da vida colectiva é ainda mais forte, são recordadas quer os bens de uso comunitário, como o boi, o forno, o moinho, numa atitude de abertura, troca e solidariedade, quer os próprios animais com um forte espírito comunitário, como as abelhas, as formigas ou os gansos, que ao voarem em conjunto, em forma de V, reduzindo a resistência do ar, atingem um voo 70% mais longe do que o fariam sozinhos. O lado corporativo, pode representar igualmente um novo espírito grupal construtivo e mediador, entre o indivíduo particular e a sociedade no seu conjunto, nomeadamente as empresas sem fins lucrativos e/ou que actuam na área da responsabilidade social.

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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Vida mutante



Para além de ir ou vir de férias, como a época que atravessamos, das mudanças profundas, ao nível climático, e superficiais, ao nível do penteado - expressão dessa força de vontade – há várias outras que abordamos a seguir.

Texto e fotografia Dina Cristo

Uns temem-na, outros desejam-na. Os pessimistas porque se fixam nos perigos, os optimistas porque acreditam nos benefícios. Como contou Spencer Johnson, no seu livro, os “pigarras” agarram-se ao medo, os “gaguinhos” à esperança.

Na vida, há os que tentam resistir à mudança e os que a tentam provocar, quer do ponto de vista individual quer colectivo. Os conservadores bloqueiam-na, os activistas incitam-na. Uns a favor da estabilidade, outros do dinamismo.

A mudança faz parte da vida. Tudo o que é vivo se movimenta, balança entre um pólo e o seu contrário. Uma acção que ou se faz em equilíbrio, moderadamente, quando se aceita a alternância, tão naturalmente como o dia e a noite, ou, sendo evitada, ocorrerá de forma abrupta, dada a necessidade de compensação. Sempre que se pende para um lado, mais cedo ou mais tarde, irá tender-se para outro; e não é pouco comum transformar-se mesmo no seu oposto, afinal duas faces da mesma moeda.
Tudo muda continuamente. A única constante na vida (relativa) é precisamente a mudança e a melhor forma de a enfrentar é preparar-se para ela, como se conclui do conto de “Quem mudou o meu queijo?”, e aceitá-la, sem a evitar ou antecipar. Os próprios padrões humanos (masculinos e femininos) também se vão alterando ao longo da vida, como explicou Jean Shinoda Bolen.
Sem obstrução, esta força limpará tudo o que já não serve e é, portanto, inútil à evolução pessoal e colectiva, abrindo espaço para o novo, a inovação e a criatividade. Do ponto de vista positivo pode ser experienciada, assim, com(o) entusiasmo, liberdade e alegria. Pelo contrário, se a ênfase é colocada no que se perde, na inércia, na resistência, no apego ao velho traz consigo sofrimento e, depois, doença.

Em termos verbais implica uma doação (mudar) e enquanto processo uma oscilação (mudança). Em ambos os casos, do ponto de vista numerológicos, representa o 21: o saber viver, o melhor possível, com o que se tem disponível, conforme a atitude de fluidez ou não o fazê-lo numa postura de resistência(1).

As diferentes perspectivas podem constatar-se desde quem prefere (in)conscientemente morrer a mudar às que mantêm, dentro do possível, um estilo de vida nómada, como os ciganos. Também ao nível sanguíneo, grupos como o tipo O têm maior facilidade de adaptação. Em termos numerológicos, o mesmo se pode dizer dos "nove", por conterem características de todos os outros números, e os que se encontram num ciclo "cinco", um dos mais propícios a mudanças relevantes.

A vida é dinamismo constante entre forças que se atraem e se repelam, entre fluxos e refluxos, inspirações e expirações. Desse balancear, o velho é “convidado” a sair para que o novo possa entrar. Em cada segundo. A toda a hora. É esta mudança contínua que permite a preservação do sistema, mais tarde visível em destruição (fim de ciclo), que dará lugar à (re)novação e à (re)recriação (em nova etapa).

Apesar de omnipresente, e fundamental nas passagens das diferentes fases da vida, do nascimento à morte, hoje quase sem rituais, este processo, que também é de desapego em relação ao passado, por vezes é difícil, ou porque foi bom – e se deseja reter – ou porque foi mau – e se culpa ou se sente culpado. Será mais fácil se houver não só preparação mas também precaução, para que não se elimine ou prescinda de tudo só porque é passado, como acontece nas revoluções, e se for enfrentado conscientemente e por vontade da própria pessoa, sem imposição, pressão ou manipulação exterior.

A mudança foi cantada por José Mário Branco e, mais recentemente, pelos “Humanos”. É hoje foco e nome de “medium”. Foi reflectida por autores como Gandhi – sê a mudança que queres ver no mundo -, Heráclito - ninguém se banha duas vezes na água do mesmo rio – ou, por exemplo, Lavoisier, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Em Portugal, ficou célebre o manifesto anti-Dantas de Almada Negreiros.

O processo de mudança pode ser despoletado não só pela perda, ao nível da saúde, do trabalho, da família, por exemplo (caso em que a terapia floral aconselha o remédio Walnut), mas também pela insatisfação ou pelo erro. Nesta ocasião, é preciso tempo para reflectir e corrigir, alterar a direcção e, como nas curvas da vida, mesmo as físicas (umas mais apertadas, outras mais inclinadas), a visibilidade diminui. Aumenta o desconhecido e, por consequência, o medo e a angústia.

É preciso, pois, uma certa dose de coragem e confiança para o desafio que constitui enfrentar o incógnito, o diferente. Contudo, o risco está em não mudar, pois tal implica estagnar e, na prática, andar para trás. Como disse Omraam Aivanhov, “aqueles que se deixam ir atrás da facilidade, da preguiça, da estagnação, aproximam-se da vida instintiva, vegetativa, mineral, e petrificam-se”(2).

Como diz o provérbio português, “parar é morrer”, mas também “quem está mal, muda-se”. Se por um lado há tendência, pela lei da inércia, a prosseguir (n)o estado em que se está, para a contração, por outro também há um impulso evolutivo, para a expansão, e sem se descartar da pele velha, como acontece com os animais na muda, não haveria lugar à regeneração, ao renascimento.

Tolstoi chamava a atenção para a importância da mudança interior: “Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si próprio”, afirmou. Ora esta transformação pessoal é condição para que a mudança no mundo exterior aconteça. Foi a conclusão no movimento hippie, nos anos 60, e é hoje explicada pelas novas teorias. Trata-se de uma decisão individual, confirmada a cada instante, que começa, antes de mais no pensamento.

Para que o comportamento se altere, de forma que não seja meramente superficial, artificial, momentânea e inconsciente, mas antes constituia uma atitude sustentável, mais profunda e construtiva é necessário começar pela transmutação mental própria, em detrimento da expectativa em relação às modificações físicas e exteriores. Como escreveu Johannes F. Hasenack, “a soma de muitas iniciativas, a partir de baixo, e de novas atitudes a partir de dentro, bem pode desencadear um processo de mudança no todo ao qual pertencemos”.

Novo paradigma

Tendo em conta o papel vital da informação no sentido de dar forma, estrutura, como explicou Lucienne Cornu, e a existência de novos dados processados e acessíveis através da internet é, hoje, mais facilmente possível e provável, como defende Dieter Duhm, a alteração da organização nos organismos individuais e colectivos. Uma transformação global, impulsionada também ao nível cósmico, com a entrada na Nova Era de Aquário, com o trânsito de Plutão até 2023 e a própria alteração do campo magnético da Terra e da actividade solar com consequências ao nível do campo cerebral, genético e de frequência humano.

Esta elevação de consciência, do ponto de vista mitológico traduz-se na passagem dos deuses-céu para os deuses-terra, como explicou Jean Shinoda Bolen: de um contexto sócio-cultural patriarcal padronizado pelo medo, poder, opressão, domínio, objectividade e competitividade, modelo representado no Velho Testamento pelo Deus ciumento e vingativo, para outro matriarcal, baseado no amor, liberdade, subjectividade e solidariedade, representado no Novo Testamento pelo Deus afectuoso e clemente.

Para a autora americana, é o ressurgimento de Métis - a deusa da sabedoria, Sofia, a Mãe Natureza, que havia sido engolida por Zeus e esquecida - e com ela a emergência da ecologia, a vinculação entre e a todos os seres, desde o próprio à Terra. Sabina Lichtenfelds chama, e põe em prática em Portugal, esta Era da Deusa, da Graça, onde o poder-saber feminino é expresso, fortalecido e correspondido. Um retorno que Maria Flávia já o havia antecipado também.

Entretanto, pelo mundo prepara-se, cada vez mais ampla e intensamente, a transição para o novo modelo de tendência mais local, descentralizada, comunitária, simples e humana. Carlos Cardoso Avelino já o escreveu há mais de um quarto de século, mas, desde os últimos anos, com o problema do petróleo, as iniciativas, a nível internacional e mesmo nacional, têm sido mais determinadas, como as experiências de formação de comunidades, ou até hortas comunitárias.

O novo modelo dirige-se, entre outros, para a alegria, o amor, a coragem, a confiança, a comunhão, a compaixão, a cooperação, a cura, e também a ética, a lentidão, a memória, a paz, a protecção, a sensibilidade, a união. Tudo parte de um novo pensamento criativo de abundância, com repercussões nas mais diversas áreas, desde as ciências socias à economia. Neste campo desenvolvem-se conceitos como a Economia baseada em Recursos, Economia da Dádiva, Economia Sagrada ou Economia Social e Solidária.

Qualquer crise é uma oportunidade de mudança, de limpeza, de arrumação, de actualização, processando, compreendendo e perdoando o passado – um momento para expressar e ultrapassar tensões, libertando espaço e tempo disponível para viver o presente, aceitando os factos e reconhecendo a realidade do aqui e agora. A actual crise, potenciada pelas condições comunicacionais e sociais presentes, a nível mundial, é uma ocasião favorável a descartar de velhos pensamentos e hábitos, repetitivos e reproduzidos, como o pressuposto da escassez de recursos, em função de uma nova criatividade digna da Humanidade.

Novos começos são propícios em ciclos “um” (e nós estamos precisamente na primeira década do século XXI) mas para tal é preciso, antes, que exista um ciclo destruidor, renovador, alimentado, segundo a tradição religiosa, pelo Espírito Santo, o transformador, capaz de dinamizar mesmo o ponto máximo de estabilidade, a Terra e o corpo físico, correspondente, do ponto de vista cabalístico, à sephiroth Malkuth.

Segundo Stuart Hall, as séries da indústria cultural veiculam a ideia de que a mudança é impossível, de que é inútil desafiar o sistema e o melhor é rir. Mas, hoje, um pouco por todos os cantos do mundo há apelos à mudança. Dentro e fora do sistema, que se distanciou cada vez mais da vida (social), há pessoas e grupos envolvidos na mudança, para além dos que têm estado nas ruas, em diversos movimentos pacíficos. Como referiu Spencer Johnson “(…) quando se muda aquilo em que se acredita, muda-se igualmente a forma de actuar”.

Já a Teoria Social clássica havia notado que se o sistema é a estrutura condicionante, restritiva, ao nível individual, a agency, constitui um espaço de acção de maior liberdade. No caso do autor jamaicano este atenta que as práticas sociais são hoje constantemente reflectidas, examinadas e reformuladas à luz das informações recebidas, com inúmeras possibilidades de mudança de identidades, reforçadas pelo aumento das migrações, da globalização e das indústrias culturais.

Mudar é não só dar, “dançar”, balancear, variar, mas também alquimizar, transmutar – fazer, como diz a sabedoria popular, das tripas coração. É um processo de alternar que inclui a alteração, a transformação, mas compreende, além dela, a renovação, a recriação – uma espécie de reciclagem, numa oitava acima. Mudar implica, pois, não só ser capaz de se adaptar e flexibilizar mas igualmente de evoluir, melhorar, avançar e elevar. Envolve movimento capaz de reequilibrar, reorganizar e reformar qualquer sistema, organismo ou estrutura.

(1) RESINA, Luís – Tarot e numerologia. Pergaminho, 1998, pág.136. (2) AIVANHOV, Omraam – Pensamentos quotidianos, Publicações Maitreya, 2010 (14/2/2010).

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

(Des)ordem social


Qual a liberdade de acção individual dentro de uma estrutura sócio-política, como a do Estado democrático? Respondemos, em pleno 25 de Abril, recorrendo ao pensamento clássico*.

Texto e fotografia Dina Cristo

A Teoria Social Clássica é um comentário crítico e pós-renascentista ao mundo moderno, às tendências sociais de longa duração do séc.XIX, altura em que se formou, após as novas condições, de expansão económica e liberdade política, decorrentes da Revolução Francesa e da Revolução Industrial.
A mudança social ocorrida com a modernidade deu-lhe, agora autonomizada da Filosofia (política e social) e diferenciada das Ciências Naturais, temas como o capitalismo, o mercado, a industrialização, a urbanização, a divisão do trabalho, a racionalização, a burocracia, a democratização, a individualização, a secularização ou a imigração. Vários destes e de outros assuntos, como a família, o sistema educativo, a linguagem ou a etnicidade, são investigados enquanto instituições sociais.
Entre os principais problemas estudados estão a “estrutura” - força externa que determina a vida dos indivíduos, correspondente aos constrangimentos, económicos, segundo Marx, morais, segundo Durkheim, e políticos, segundo Tocqueville - e a “acção” - esfera de actuação dos actores sociais, onde fazem as suas escolhas, de forma mais livre e autónoma.
Karl Marx, ao criticar o idealismo alemão, enfatiza a importância da infra-estrutura, a base material, económica, prática, a acção, onde teria lugar a luta de classes por forma a atingir a harmonia social e ultrapassar o conflito, proveniente dos direitos de propriedade privada, próprios do modo de produção capitalista, com interesses oponentes entre capitalistas e assalariados, que incluía meios de produção concentrados e relações sociais de produção (de exploração).
Por seu lado, Émile Durkheim enfatiza a super-estrutura, normativa, das ideias e ideais – facto social capaz de exercer constrangimento externo sobre o indivíduo. É o caso da solidariedade social, que implica um sentido de obrigação moral, reflectido na lei, dominante embora apetecida, que regula e molda a acção social.
Quer seja mecânica - como nas sociedades mais tradicionais, unidas pela semelhança, laços de parentesco e vizinhança, com um nível mais intenso e “natural” de relação social, tendo em vista o conformismo gerado pela organização legal repressiva – quer seja orgânica – com nas sociedades mais modernas, unidas pela diferença e pela interdependência gerada pela divisão do trabalho social, a especialização, com uma organização legal restitutiva, reconhecendo o direito à equidade – a solidariedade social possibilita o terceiro problema mais estudado: a ordem, a estabilidade social.
Enquanto que para Durkheim, a diferenciação individual, própria da modernidade, mantém a sociedade unificada, através da divisão do trabalho, que liga e entrelaça os diversos indivíduos, para Max Weber responsabiliza o actor individual, o sujeito cognoscente, pelas suas escolhas, já que o sentido da sua acção é, agora, construído segundo diferentes percepções subjectivas, pontos de vista, valores e interesses, quer ideias quer materiais, pessoais, embora cada vez mais dominados pela burocracia, racionalização e calculismo, criando um mundo, autêntica “gaiola de ferro”, gerador de desencantamento.
Ao contrário da acção utilitarista e estratégica, com objectivos planeados, em que os meios (nomeadamente técnicos) substituem os fins humanos, Max Weber observou como a actuação humana tem consequências involuntárias e dela resultam instituições e uma estrutura, como foi o caso da auto-disciplina e responsabilidade moral protestante que, sem intenção, deu lugar à vocação empresarial e ao capitalismo. O autor, combinou, assim, a consciência subjectiva e o interesse material, reintegrando a estrutura e a acção na vida social, através, não do poder, coercivo, mas, da dominação legítima, com acordo voluntário.
Já anteriormente Alexis de Tocqueville havia notado que a liberdade individual fora ameaçada pelo Estado democrático moderno, totalizador e centralizador, com poder, extremo, total, monopolizador, ubíquo e omnipotente, sobre o território nacional, garantido na lei, regra que limita a vida. Um poder despótico, absolutizante, baseado na massificação e na racionalização, eliminador dos vestígios das soberanias fragmentadas do feudalismo e da aristocracia, autoridade tradicional dispersa, durante o Antigo Regime, pré-revolucionário. O impacto da centralização governamental e da dominação burocrática pode, no entanto, segundo Tocqueville, ser controlado e limitado através da participação política, associativismo e independência do sistema judicial.
Georg Simmel, ao colocar a ênfase no consumo, como expressão da sensibilidade individual, faz a ponte entre a Teoria Social do Velho Continente, focada nas macro-estruturas, como a classe e o estatuto, e a do Novo Continente, que privilegia o Eu secularizado, construído e desenvolvido no âmbito das expectativas e enquadramento social, tal como estudado por Herbert Mead.
Uma sociedade civil, cada vez mais plural e complexa, onde o indivíduo socializado é capaz, mesmo numa economia monetária e na vida urbana atomizadora e impessoal, de criar espaços de relacionamento social e de lazer, com interacção social, (in)visível e (in)formal, reciprocidade e (sub)culturas urbanas, estudadas por Robert Park da Escola de Chicago é, pois, o contributo da Teoria Social americana - surgida no final do séc.XIX, para inovar a agenda da Teoria Social clássica – sem, contudo, as suas investigações, mais empíricas, terem conseguido, ao contrário das europeias, articular a estrutura colectiva, de base política, cultural, legal e religiosa, com a acção pessoal.
Robert Holton defende que a vida social é baseada em causas múltiplas (como afirmava Weber), constitui uma estrutura organizada (a entidade supra-orgânica, de que falava Durkheim) simultaneamente aberta à acção dos agentes sociais, que a reconstroem e restruturam.
Apesar de analisar os méritos e limitações de vários autores, Holton defende que há, ainda por superar, um défice de investigação dos principais problemas sociais, a um nível que vá além da visão europeia e americana, do género masculino e do âmbito racional.


* HOLTON, Robert – Teoria Social Clássica, Cap. 1, in TURNER, Bryan - Teoria Social, Difel, pág. 23-50.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Web: 2-0



A Web 2.0 tem servido mais para separar do que para unir – Lincoln Dahlberg explica como e porquê num artigo* que seguimos hoje, quando estamos a menos de uma semana do Dia da Internet Segura, em que o tema é “Aproximar gerações”.


Texto e fotografia Dina Cristo
Lincoln Dahlberg contrapõe à análise mais habitual da Web 2.0, baseada nas potencialidades de acesso e de participação, um estudo mais amplo. Não se limita à tecnologia e às competências, a saber quem está a fazer o quê, mas avalia as condições que levaram ou não a tal comportamento. Parte de perspectivas sistémicas, críticas e democráticas como a Economia Política Crítica da Comunicação, a norma democrática e a colonização corporativa.

Esta última, recuperada de Habermas, é considerada a causa da divisão digital estrutural, por natureza. Dalhberg não acredita que as desigualdades de acesso possam alguma vez ser eliminadas, dadas as vastas camadas de população que nem sequer infra-estruras possui, como electricidade, mas nota como têm vindo a ser diminuídas, quer pelo investimento privado nas redes móveis quer por instituições (caso da Association for Progressive Communications) ou projectos (como o Widernet) que promovem a comunicação digital.

A redução das desigualdades de acesso à internet em termos gerais e mais particularmente à Web, no caso em estudo a Web 2.0. - que optimiza a interactividade, a geração de contéudo por parte do usuário, os proconsumidores e as redes sociais – tem-se verificado entre países (mais ricos e mais pobres) e dentro dos próprios países, que tendem cada vez a estar mais conectados.

Apesar de reconhecer os últimos avanços na diminuição das barreiras ao nível da acessibilidade e de oportunidade de fazer parte da rede - como a diminuição dos custos, a maior difusão, a facilidade de uso, as possibilidades de produção de conteúdos e sua quantidade e disponibilidade de dados, da comunicação pública mais livre e até o desafio ao sistema que esta evolução representa - Dahlberg não se deslumbra e opta pela reflexão crítica.

Nas suas investigações contrapõe-se ao entusiasmo dos que designa por individualistas, neo-liberais e cyber-libertários, que celebram as potencialidades e oportunidades da Web 2.0, como a de ultrapassar as divisões, não só ao nível digital, on line, como ao nível social, off line.

O acesso por si só não traduz os diferentes modos de se ligar e explorar a Web nem a (in)actividade aí desenvolvida; não significa necessariamente participação e contribuição activa. Dalberg defende a tese de que a Web 2.0 não só tem mantido as divisões digitais como as tem agravado, com repercussões em diferentes dimensões sociais, como a educação, a saúde ou o lazer.

Argumentos acríticos como a inclusão, a igualitariedade, a descentralização ou mesmo a expansão das línguas nacionais estão por realizar. Nas suas observações, o autor verificou e existência de uma pluralidade de desigualdades radicadas desde logo na propriedade e no controlo. São tão avultados os valores das empresas de “media” e telecomunicações digitais que só muito poucos o podem obter. É apontado, entre outros, o caso da Google que adquiriu, por exemplo, a Orkut, o Blogger, o Youtube ou a Doubleclik.

É esta posse, detenção (dos domínios) que permite às grandes corporações o controlo e a hegemonia, expressa, por exemplo, nos seus códigos, licenças ou termos de uso que permitem a apropriação dos conteúdos fornecidos pelos usuários.

Numa economia da atenção, como a do sistema Web, os proprietários determinam quando desejam ver e ser vistos. Usam todo o tipo de estratégias para atrair e manter a atenção dos usuários sobre os seus serviços e produtos, incluindo manipulações e pagamento a «floggers». Adquirem assim grande visibilidade, cada vez mais concentrada em escassas fontes.

Pelo contrário, a grande maioria dos usuários são monotorizados e vigiados, nas suas pesquisas, compras e perfis (re)construídos (e, no caso das redes sociais, também dos amigos), gerando uma quantidade de informação armazenada para posterior venda – incluindo dados privados e pessoais, indispensáveis aquando dos registos.

A exploração dos utilizadores e do seu trabalho, seja ao nível de «crowdsourcing», «outsourcing» ou de conteúdo fornecido, verifica-se não só ao nível da expropriação, fiscalização realizada pelos empregadores mas também de quotas de audiência, fabricadas, focadas nos produtos mais comerciais e depois vendidas às agências de publicidade.

O que é visto, do ponto de vista acrítico, como uma oportunidade de expressão e comunicação, é considerado do ponto de vista crítico como um abuso, controlo e dominação; as alegadas oportunidades de emprego como novas linhas de montagem digital; as alegres escolhas aceites em troca de serviços prestados como falsas, irracionais e previsíveis e a expansão das línguas nacionais da “lifeworld” verdadeiros enclaves dada a dominação de certas línguas no Sistema.

Todas estas desigualdades têm repercussão na divisão ao nível do poder - aceder, participar, adquirir, controlar, chamar a atenção, explorar e vigiar - e de estruturar o discurso [agenda digital] – dominado pelos significados capitalistas, consumistas, comerciais e individualistas, o que leva à exclusão, marginalização, invisibilidade ou ocultação de largas camadas da população, pondo em causa o princípio de igualdade de oportunidades.

Mesmo nas plataformas de maiores potencialidades de participação, como as redes sociais e os blogues, as disparidades estão presentes, nomeadamente ao nível de género, cultura e etnicidade. Nesse trabalho em rede, mulheres e africanos, por exemplo, estão mais ausentes. Predominam os homens e as vozes ocidentais e, agora também, asiáticas.

Além do mais, o trabalho ali executado é, em grande parte, de reprodução dos “mass media”, que imitam, repicam e para os quais estabelecem ligações, bem distante do trabalho criativo de produção. A maioria limita-se à distribuição e disseminação das vozes de “mainstream” enquanto uma larga camada se restringe ao consumo e ao “downloading”. São poucos, pois, os que se destacam tornando-se «vloggers».

São os que têm maior estatuto sócio-económico, mais classe e recursos, os que mais participam, se envolvem e produzem na Web 2.0, os que melhor exploram as oportunidades fazendo crescer o seu capital digital e aumentando a sua influência social.

A Web 2.0 não só reproduz as desigualdades do off line como as reforça, amplia, acentua e agrava. Aqueles que têm melhor posição na sociedade, nomeadamente escolaridade, são também os que mais vantagens – competitivas - retiram da participação on line; mais avançados, são aqueles que mais se adiantam ainda. Enquanto isso, as prometidas vantagens da segunda geração Web traduzem-se para os que nada têm - infra-estruturas, equipamentos, competências e tempo – em oportunidade nenhuma.

O hiato entre incluídos e excluídos, on line e off line, cresce, num momento em que a migração da vida social para o sistema é cada vez maior e as repercussões da presença (no) virtual se reflectem mais e mais na vida de todos os dias. O fosso entre determinados indivíduos, grupos (classe média, jovem e móvel) e instituições, que lucram, e os que, pelo contrário, se desvalorizam aumenta.

Muito do “trabalho a pedido”, simples, rápido, mal pago e de finalização, é hoje recrutado entre os mais pobres e desesperados do mundo, incluindo bairros de lata e campos de refugiados. São estes trabalhadores, que sustentam o próprio sistema económico, político e digital, que dele são ocultados e marginalizados, violando a norma democrática.

Dahlberg vê as situações de desigualdade, estratificação e separação como tendo causas muito mais políticas do que tecnológicas. Entre o determinismo tecnológico, optimista, e o fatalismo, pessimista, defende a organização da contestação política, radical, de defesa da liberdade, igualdade e democraticidade.

Lincoln Dahlberg defende que a desigualdade discursiva é reversível e possível de se conter. O exemplo, a resistência, a popularidade e a visibilidade que representa a Wikipédia é sublinhado pelo autor, designadamente como fonte livre e aberta de trabalho colaborativo, voluntário, para o bem comum.

O 2P2, nó(dulo)s descentralizados, constitui também uma esperança não só para a reunião entre os pares - dispersos, desunidos e desligados - como também para os discursos, alternativos, até agora obscurecidos. Contra-discursos, de contra-culturas de contra-ideologias de contra-poderes, que não irão eliminar, afirma o autor, mas poderão alterar ou, no mínimo, desafiar o poder capitalista neo-liberal.

É preciso, tendo em vista a mudança social, defende, mais e melhor activismo digital, pesquisa crítica e comunicação pública, sem fins lucrativos. Ocupar espaços abertos, usar ferramentas disponíveis - como o micro-blogging Identi-ca, o trabalho colaborativo Crabgrass, a rede social Appleseed, a plataforma de vídeo Kaltura - pode ajudar a consertar a divisão de fragmentação.

As promessas de ultrapassar as barreiras (digitais) ainda estão por cumprir. Falta ainda realizar uma comunicação democrática, igualitária e comum(itária), efectivamente activa, produtiva, diferente e livre. Uma forma de expressão e de (re)conexão cooperativa, justa e benéfica em que o empreendedorismo comunicativo, cultural e genuíno de gente comum não seja engolido por gigantes sistémicos.

* DAHLBERG, Lincoln - Web 2.0 divides: a critical political economy. University of Queensland.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Despoluição tabágica




Antes do Dia internacional de luta contra o abuso e tráfico de droga editamos um texto, originalmente publicado no jornal "A Voz do Mar", em 1984. Escrito por duas adolescentes, o artigo antecipa(va) um ambiente livre do tabaco com uma vida mais saudável para todos.

Texto Dina Cristo*


O tabaco é uma planta solanácea (Nicotina Tabacum) que pode atingir dois metros de altura e cujas folhas maiores medem entre 60 a 70 cm. É originária da “Ilha do Tabago” e foi trazida para a Europa como um remédio, sob os nomes de erva santa, erva de todas as doenças, erva do embaixador, entre outros.
A forma como se processa a transformação do tabaco é a seguinte: colhem-se as folhas e secam-se em telheiros; seguidamente são submetidas a uma fermentação em massa e são transformadas em diferentes produtos consoante a sua utilização: cheirando-se, mastigando-se ou ainda fumando-se.
Algumas espécies são plantadas com carácter ornamental mas, na sua maioria, com interesses comerciais. No início o tabaco era de fabrico artesanal, pois eram os próprios consumidores que o fabricavam. Hoje em dia é de fabrico industrial…


Malefícios


As experiências indicam, segundo organismos médicos a nível mundial, que o fumo do cigarro é uma causa de morte, tão importante como as graves doenças do passado. O cancro do pulmão, por exemplo, era desconhecido no início do séc.XX, antes da divulgação do cigarro, porém, hoje em dia, é uma doença habitual.
O tabaco, entre muitas doenças, pode provocar o cancro nos pulmões, faringite, dispepsia, afecções da vista, perda de memória, mau hálito, enfisema, bronquite, arteriosclerose e doenças cardíacas. Mas talvez a principal seja a que põe em risco a vida dos recém-nascidos, quando a mãe fuma durante a gravidez. Já foi testado que estes seres nascem menos desenvolvidos e têm mais possibilidades de morrer à nascença ou durante a primeira semana de vida.
O tabaco torna-se mais prejudicial quando o seu uso é excessivo.
Para melhor conhecer a opinião de algumas pessoas sobre o tabaco fomos ouvi-las. Em média, os indivíduos interrogados que utilizam o tabaco sentem-se normais e os que não o utilizam sentem-se bem. As que o usam fazem-no como uma forma de distracção e para se abstraírem dos próprios problemas.
Os jovens questionados sentem-se mal ao saberem que há colegas seus que fumam pois poluem o ambiente e ao mesmo tempo provocam doenças. Confessaram que já tiveram vontade de fumar mas se lhes oferecessem recusavam, o que demonstra uma grande força de vontade.
Os jovens ouvidos pensam que o tabagismo é bastante grave pois contribui para a degradação do meio ambiente, sugerindo que, para os libertar desse hábito, se finde com a plantação do tabaco, se dialogue com eles a fim de os mentalizar a deixarem de fumar, expondo-lhes todos os problemas que o fumo acarreta, se aumente o preço do produto e diminua o excesso da sua comercialização.
A causa que leva os jovens a fumar é o sentido de inferioridade numa sociedade que não os compreende e também como abstracção dos problemas a nível social, como o desemprego. Atribuem também o hábito à influência, sendo os responsáveis, em seu entender, os pais e os amigos. Quanto aos jovens reabilitados supomos que devem ser poucos uma vez que não encontrámos nenhum.
Para diminuir o consumo do tabaco poder-se-ia fazer campanhas, com o objectivo de alertar a população acerca dos perigos que daí advêm. Além disso a poluição acarreta consigo inúmeras doenças, que atingem grande número de fumadores mas também de não fumadores. Poderia partir da iniciativa das pessoas não utilizadoras do tabaco ter uma conversa com os fumadores a fim de os libertar do uso do tabaco.


Direitos dos não fumadores


Os não fumadores, como constituindo uma parte da sociedade, deveriam unir-se e lutar pelo seu grande objectivo: viver num meio saudável. Até agora praticamente nada tem sido feito a fim de defender e apoiar os direitos dos não utilizadores do tabaco, estando estes, portanto, desfavorecidos em relação aos fumadores.
Os seus direitos são: serem respeitados pelos fumadores, ter liberdade de optar por uma vida saudável, proibir de fumar em recintos fechados quer sejam edifícios (restaurantes, supermercados, salas de espera, etc.) quer sejam em meios de transporte.
Torna-se, assim, necessária uma união entre a juventude não fumadora com o fim de reabilitar os jovens fumadores, sem deixar que o hábito do tabaco se lhes torne em vício. Aumentar-se-ia, assim, a população não fumadora. Mas para que esta geração seja fomentada é necessário um apoio moral dos pais.
Fazemos aqui um apelo para que os jovens de amanhã sejam mais prudentes que os de hoje e consigam com a força da sua amizade e esperança construir um mundo de não fumadores: A juventude unida/Como alvo o coração/Venham na nossa corrida/E teremos a chave na mão.



* Com Teresa Amador. Fotografia: Liga Portuguesa Contra o Cancro.

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