quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Mel


De amarelo dourado, símbolo da perfeição e imortalidade, o produto meloso está este fim-de-semana na 20ª Feira da Castanha e do Mel da Lousã e provamo-lo aqui através de um apicultor da região.


Texto e fotografia Fernando Ventura


O mel é o néctar de algumas flores. E, à maioria das pessoas, sugere sempre qualquer coisa de bom. Qualquer coisa que dá saúde. Que dá força para trabalhar. Porque, realmente, tem influência na força muscular. Para alguns é também qualquer coisa de mítico.
Composto, principalmente, por frutose e glicose, contém uma combinação de vários minerais, vitaminas e enzimas que o tornaram o alimento e o remédio, por excelência, ao longo dos milénios.
Na antiguidade era considerado o alimento dos Deuses. Há poucos anos, os jornais noticiavam que um homem decepou um dedo. Ao recorrer ao Hospital local, foi-lhe dito que já não havia nada a fazer. Mas ele não desistiu. Foi para casa, correndo, enrolou o dedo com ligaduras envolvidas em mel e o dedo soldou e o nosso amigo paciente, embora sem sensibilidade no dedo e sem o poder dobrar, manteve os cinco dedos da sua mão.
Vale a pena lembrar aqui que Alexandre Magno, quando morreu numa campanha militar, no Oriente, e o quiseram sepultar na sua terra natal, foi transportado, totalmente envolvido em mel, durante meses, para evitar a sua decomposição.
Como alimento, estou convicto, é o maior dos melhores que a natureza nos dá. Contudo, existem pessoas que dizem dar-se mal com ele e a razão está nas misturas: o Mel é incompatível com vegetais e gorduras, daí as queixas. Mas é a maravilha das maravilhas quando utilizado no chá, nas bebidas, nos flocos, nas torradas e nos sumos em geral. Todavia, deve ter-se, sempre, o cuidado de não o aquecer a temperaturas superiores a 40º, para que não perca as suas importantíssimas propriedades medicinais. Outra particularidade é a cristalização. Fenómeno que se prende com a sensibilidade que os seus elementos possuem, em contacto com o frio. Apenas quatro ou cinco plantas, conhecidas, dão mel que não cristaliza.
O valor do Mel é tal que não se estraga, mesmo que passem, sobre ele, milhares de anos, como aconteceu com o Mel encontrado no túmulo de um Faraó. Não há alimento igual. Tudo se estraga com o tempo. O Mel não. Porquê?

As abelhas e o mel
Desde que o ser humano existe que se serve do trabalho das abelhas. O Homem, na sua caminhada para a perfeição, ganhou inteligência e apercebeu-se que podia roubar Mel e cera às abelhas. Primeiro a nu, como ainda hoje os ursos fazem e, depois, fazendo fogueiras junto das tocas ou grutas, onde se localizavam as colónias de abelhas, como, mesmo actualmente, alguns nativos da América do Sul, da África e da Oceânia continuam a fazer. Gravuras rupestres, em grutas da Andaluzia, demonstram que isto já acontecia há 30.000 anos.
A abelha era, assim, considerada mais um insecto selvagem, entre muitos. Mas... o Homem logo se apercebeu que podia dominar e controlar o seu trabalho e a sua produção. Transformou-as então em mais uma espécie viva, considerada doméstica. Temos provas irrefutáveis do que acabo de afirmar. Na História do Egipto dos Faraós, dos Gregos, Romanos, Árabes e dos Hebreus. Aqui fala-nos a Bíblia, em diversas passagens. Mas, de todas elas, a que mais me impressiona é aquela que afirma que Jesus será alimentado de leite e Mel.
Todos estes Povos construíram colmeias, em diversos materiais, para alojar os enxames. Os Romanos deram-nos, a nós Portugueses, o nosso ainda actual cortiço que, curiosamente, continua a ser construído, como há 2.000 anos, sendo os pregos que o sustentam (chamados vírus) de madeira.
Tudo isto para dizer que todo o ser Humano, que se preze, deve defender a vida de todos os animais, especialmente os considerados domésticos, cabendo às abelhas, porventura, o primeiro lugar, pois elas fornecem-nos vários produtos de grande importância, para a nossa existência, tanto no plano alimentar como no medicinal. Entre eles, passo a destacar: mel - pólen - própolis - geleia real - apitoxina.
Os maiores comedores de Mel, que a História regista, chamam-se Ecaron Olgy, de nacionalidade Russa, que viveu 148 anos, e Thomas Parr, de nacionalidade inglesa, que viveu 152 anos. Devemos, pois, estar gratos às abelhas, por todo o seu trabalho de polinização. Como proferiu Einstein: "Se as abelhas desaparecerem, dentro de pouco tempo, o Homem, também desaparecerá".

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Filmes

Brindamos a chegada da nossa segunda Primavera com algumas das mais belas obras da sétima arte. À memória de Fernando J. Pinto Basto.



Selecção e fotografia Dina Cristo


FORMAN, Milos - Hair (1979):


EDEL, Uli - Avalon (2001):



REDFORD, Robert - Quiz show (1994):
/p

EASTWOOD, Clint - Outra vida (2010):

MASTROIANNI, Armand - Profecia celestina (2006):
CHAPLIN, Charles - Tempos modernos (1936): ALLEN, Woody - Os dias da rádio (1987): QUEIROGA, Perdigão - Fado, história de uma cantadeira (1947): SCHNITZLER, Gregor - A nuvem (2006): CARO, Niki - Terra fria (2005): GIBSON, Brian - What`s love got to do with it (1993): STONE, Oliver - Alexandre, o grande (2004): CAMERON, James - Avatar (2009): AMENÁBAR, Alejandro - Ágora (2009): BROOKS, James L. - Edição especial (1987): SHYAMALAN, Night M.- Sexto sentido (1999): EMMERICH, Roland - O dia depois de amanhã (2004): ANNAUD, Jean-Jacques - Sete anos no Tibete (1997): CHAPMAN, Brenda; HICKNER, Steve - Príncipe do Egipto (1998): GAGHAN, Stephen - Syriana (2005): VASCONCELOS, António-Pedro - Jaime (1999): STONE, Oliver - J.F.K. (1991): BENIGNI, Roberto - A vida é bela (1997): COSTNER, Kevin - O mensageiro (1997): EPHRON, Nora - Sintonia de amor (1993): SPIELBERG, Steven - A lista de Schindler (1993): Jackson, Peter - O Senhor dos Anéis (2001-2003): LOPES, Luís Vidal - Mensagem (1988): MONSON, Shaun - Terráqueos (2005): ZWANIKKEN, Gertjan & SOETERS, Karen - Uma verdade mais que inconveniente (2008): GOORJIAN, Michael - You can heal your life (2007): MOORE, Michael - Sicko (2007): ROCHA, Luís Filipe - Adeus pai (1996): BERTRAND, Yann Arthus - O mundo é a nossa casa (2009): BOAVIDA, Cristina; ESPÍRITO SANTO, Ricardo - Amo-te Teresa (2000): GIONO, Jean - O homem que plantava árvores: STREISAND, Barbra - As duas faces do espelho (1996): TORNATORE, Giuseppe - Cinema paraíso (1989): OLIVEIRA, Manuel - Vale Abraão (1993): CAMERON, James - Titanic (1997): BARTLETT, Hall - Fernão Capelo Gaivota (1973): GEORGE, Terry - Hotel Ruanda (2004): EPHRON, Nora - Você tem uma mensagem (1998): KIM, Ki-duk Kim - Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera (2003): MEDEIROS, Maria - Capitães de Abril (2000): PARKER, Alan - Culpado ou inocente (2003): GIBSON, Mel - A paixão de Cristo (2004): VIEIRA, Leonel - Zona J (1998): ZUCKER, Jerry - Ghost, o espírito do amor (1990):MEIRELLES, Fernando - Fiel jardinero (2005): ZEMECKIS, Robert - Contacto (1997): EASTWOOD, Clint - As pontes de Madison County (1995): BAY, Michael - A ilha (2005):

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Palavras integra(da)s

Ao entrarmos na nossa terceira época de frio e chuva, concentramo-nos em palavras duplas, que contêm em si outros signos linguísticos.

Selecção e fotografia Dina Cristo

Aces(s)o, (A)ceder, (Abó)boda, (A)creditar, Adia(nta)r, (Ad)orar, Ador(n)ada, Adult(er)o, (A)feição, (A)filha(do), (A)guardar, Ala(r)gar, (A)lia, Am(b)as, Amado(r), Ámen(izar), (A)moroso, Arras(t)ados, Arte(sanato), Airo(sãmente), A(l)ta, (A) mar, (A) preço, (At)ar, (A)trair,
B(r)anco, Bo(r)la, B(r)aço,
Ca(l)ma, (C)alma, Cama(da), Cama(ra), Casa(l), (C)ativar, Ca(u)sa, (Clan)destino, Co(i)ma, (C)oito, (Com)provar, (O)dor, Ca(n)sada, (C)asa, Casa(l), Ca(n)sado, Ci(u)mento,(C)oração, (Co)mover, (Com)vento, (Com)traída, (Com)solar, (Con)ferir, Con(s)ta, Contradição, Co(r)po,(Corr)ida, (C)ouro, (Cosm)ética, Cru(el), (C)urso,
(D)aqui, D(ecic)ar, (D)efeitos, Defen(d)ida, (D)eficiente, (De)puta(dos), (De)safio, (Des)moral(izado), Despe(de)-se, (Des)prezar, (Des)via, De(v)a, Dev(i)a, (Di)agnóstico, (Di)fama(cão), Dig(n)a, Di(n)a, (Dis)puta, Div(in)a, (Di)vulgar, (Do)minados, Dom(in)ar, Douto(rado),
(E)feito, (E)m(anu)el, (Emen)dar, (E)missão, (En)cantar, (En)cont(r)ar, E(r)ra, (Es)forçar, Espera(nça), Estád(i)o E(sté)tica, Esti(g)ma, (Estu)dar, E(sto)u, (Ex)citar, Ex(p)orta, (Ex)pressão,
(F)actos, Fa(la)do, Fal(h)ar, Fal(t)a, Fam(ilí)a, Fe(i)ra, Fei(t)a, Fe(i)to, Feit(i)o, Fi(lh)o, For(mat)ar, F(r)a(l)da, Fra(n)queza, F(r)ase, F(r)icção, F(r)io, Fri(s)o, (F)rota, Fun(da)ção, Funda(menta)r, Fund(ament)o,
Ga(s)to, (G)astronomia, Geni(t)al, G(r)ama,
Habi(li)tados,
(I)móvel, (Im)por, (Im)puta(do), (In)diferente, In(dif)erente, (In)gerir, (I)solar, Insol(v)ência,
Lei(te), Leito(r), Limi(t)ar, (L)imitadora, Lúci(d)a, Lu(g)ar, Lu(i)sa, Lu(v)a,
(M)água, Ma(i)s, Ma(n)g(a)nésio, (Man)ter, Ma(r)ia, Mar(ido), Medi(c)ação, Medi(d)a, Medi(t)ar, (M)editar, Mediat(izad)o Mel(ga), Me(n)te, Mí(s)tico, Mo(n)cão, Mor(t)ais, M(u)ito,
(N)amora, (N)am(or)ar, (Nam)orar (N)amor(ar), (Neg)ócio, No(i)va,
Object(iv)o, (O)culto, (On)dina, (O)pressão, Orga(ni)smo, Orga(sm)o, (O)usar, (Ou)viste,
(Pa)ciência, (Pai)xão, Par(t)ir (P)assar, Pá(t)ria, Pass(e)ar, Pe(d)ido, (P)ela, Pe(n)sar, Perd(iç)ão, Pe(r)di, (Per)durar, Pe(n)sei, Pe(s)cador, Pi(c)adas, Plan(e)ar, P(l)ano, (P)ódio, Po(l)vo, (Pré)carie(dade), Premi(a)da, Preci(o)so, Pre(te)nde, (P)reservar, P(r)o(f)eta, (Pro)lixo, Puta(tivo),
(R)amo, Recu(s)ar, Re(l)ação, Re(mo)ver, Repu(tacão) Rega(ta), Re(l)ações, Re(li)gião, (Res)peito, (Re)ter, (Re)traído, (Re)tratar, Ri(s)cos,Ri(t)o, Ra(s)to, Român(t)ica, Ro(n)da, Ro(s)to, Rui(m),
(Sa)cana, (S)aturar, Saú(da)de (S)em, Sé(r)io, Sete(nta), Solt(eir)o, Sonda(gem), (Sur)preso,
(T)écnica, Te(m)or, Temp(l)o, T(r)a(ba)lhador, Tra(d)ição, Tra(z)ida, T(r)eme, Tumul(t)os,
(V)adio, Ve(ne)noso, Vi(r)agem, (V)ida, Vi(n)da, Viola(da), Viol(ent)ar, Vir(a)gem, (Vi)ver, (Voc)ação, Vo(l)tar.

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Défice florestal

No Ano Internacional das Florestas e antes do Dia da Árvore, transcrevemos parte de um capítulo do livro “Aqui e Agora”*, esgotado, de Carlos Cardoso Aveline, autor e editor de livros e, hoje, websites sobre temas filosóficos e tesóficos**. Denominado "O dióxido de carbono" o texto explica como o nível de desmatamento leva à destruição do equilíbrio ambiental. Estávamos, então, em 1985.

Texto Carlos Cardoso Aveline fotografia Dina Cristo


«(...) Paralelamente ao problema da fome, Jimmy Carter fez uma séria tentativa de enfrentar a crise ecológica. Logo em 1977 pediu ao Congresso um “Informe Global sobre o Ano 2000”.
“Problemas ambientais”, afirmou ele na década, “não obedecem a fronteiras nacionais. Na década passada, nós e as outras nações tivemos que reconhecer a urgência de esforços internacionais para proteger o meio ambiente comum a todos nós”.
Quando o Informe ficou pronto, entre as suas conclusões, podiam ler-se duas especialmente graves:
- As grandes florestas estão desaparecendo no mundo todo à proporção de 18 a 20 milhões de hectares por ano, com a maior parte da perda ocorrendo na América Latina, África e Ásia. São 830 hectares por minuto e 50 mil hectares por dia de matas derrubadas.
- As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono e substâncias químicas que eliminam o ozónio chegarão a um volume que pode alterar significativamente o clima do mundo e a temperatura atmosférica até ao ano 2050. A chuva ácida ameaça os lagos, os solos e as lavouras.
O Informe 2000 dizia, ainda, que “como o clima tem um profundo efeito sobre nossas vidas e nossa economia, não podemos ignorar estes problemas que fazem incerto o nosso futuro”. Mas foi exactamente isso que aconteceu. Jimmy Carter foi considerado um “fraco”, dentro da política norte-americana. A direita reaganiana conquistou a gerência da máquina do grande império. No resto do mundo, nenhuma outra potência quis ou pôde dar real importância ao assunto. O meio ambiente é de todos. O que é de todos não é de ninguém”.
Como consequência, a devastação – que é um bom negócio a curto prazo – prosseguiu como se não houvesse perigo. Um dos fenómenos que se alastraram foi o incêndio das florestas. As causas não são simples. Uma delas é que o solo do planeta está esgotado e fraco por falta de elementos minerais. A desmineralização, mais o excesso de dióxido de carbono (CO2) acaba enfraquecendo as árvores. Elas vão secando e ficam vulneráveis ao fogo. Uma faísca incendeia uma floresta, e o fogo se alastra, lançando mais dióxido de carbono no ar, o que aumentará o ritmo dos incêndios.(1)
A Austrália sofreu em 1980 o pior incêndio desde a Segunda Guerra, com a destruição de 40 mil hectares de florestas. Na Espanha, um incêndio de Barcelona a Alicante. Na mesma época doze mil acres ardendo no Arizona, e dez mil destruídos no Colorado, USA. John Hamaker cita dezenas de exemplos documentados no seu livro “A Sobrevivência da Civilização” (pág.90-91). Na Grécia, 90 mil soldados são mobilizados para o combate a um incêndio em centenas de milhares de acres de florestas. A notícia está no “San Francisco Examiner”, de 6/7/1981.
As advertências do Informe 2000, aparentemente, estavam esquecidas. Ninguém pensou no significado desta onda de incêndios. Quem gostaria de parar as fábricas e deixar de lado a sociedade industrial consumista para construir um modo de vida mais simples e mais durável? Mais fácil continuar como está para ver como fica. Eram todos individualmente demasiado vivos para que pudessem ser colectivamente inteligentes.
Em Novembro de 1982 a revista Time dedicou uma reportagem de capa ao problema da chuva ácida, “a praga silenciosa”. A devastação “é silenciosa, invisível, penetrante”, dizia o semanário norte-americano, no primeiro parágrafo da reportagem. Mas devia ter dito, em vez de silenciosa, silenciada. Silenciada pelos mesmos grandes grupos industriais que lançavam elementos tóxicos na atmosfera, causando a chuva ácida. Há mais de 200 lagos perto de Nova Iorque já sem qualquer forma de vida em si, dizia a Time. A opinião pública se mobilizava. Numa visita ao Canadá, Reagan foi recebido com vaias e protestos, devido à chuva ácida oriunda dos Estados Unidos que causava danos aos canadenses. Mas os protestos não foram levados em conta.
Em Fevereiro de 1984, um expert da ONU informou: “Os desertos estão avançando, a cobertura verde do planeta está desaparecendo, e no ano 2000 a terça parte das terras até aqui agricultáveis estarão reduzidas a pó e a deserto”.(2) Meses depois, um filme da BBC de Londres choca a Europa. Milhões de pessoas esperam a morte por fome no norte da África. Seus países viraram desertos. Ninguém é responsável pelo fato. A ajuda internacional é insignificante.

Um banho de ácido sulfúrico.

A expressão “chuva ácida” foi criada em 1872 pelo químico inglês Robert Angus Smith para descrever as precipitações cada vez mais ácidas em Manchester, um dos centros da revolução industrial da época.
O processo químico é simples. Quando combustíveis fósseis como carvão e petróleo são queimados, libertam grandes quantidades de dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogénio. Uma vez na atmosfera, estes gases reactivos se combinam com a água e o oxigénio para formar os ácidos sulfúrico e nítrico, que caem sobre a terra, rios e lagos, como chuva ácida. É certo que estes ácidos podem também cair na sua forma gasosa original, - ou ainda como partículas muito finas. Os cientistas chamam o fenómeno em suas várias formas de “deposição ácida”. Mas a palavra chuva é mais expressiva e ficou conhecida popularmente.(3)
Em 1980, as emissões de dióxido de enxofre chegaram a 24,1 milhões de toneladas, só nos Estados Unidos. Dois terços vinham de centrais eléctricas e 22% de indústrias. As fusões de metais também emitem muito SO2.
Depois que a chuva ácida se mistura ao húmus no solo dos bosques, a morte das árvores é uma questão de tempo. A árvore retira sua nutrição básica de elementos como cálcio, magnésio e potássio, presentes entre os minerais do solo. A deposição ácida acrescenta ao solo íons de hidrogénio (ávidos de combinações) que retiram estes nutrientes.
O cálcio, por exemplo, é essencial para a vitalidade das árvores. Tem a ver com a formação das células e o transporte dos açucares, da água e de outros nutrientes – desde a raiz até as folhas.
Magnésio é um elemento vital na fotossíntese e um portador de fósforo para a produção do DNA, principal componente do material genético. Não é só decisivo na constituição das sementes, mas também na reprodução das células que ocorre continuamente em todo organismo vivo.
Esta retirada de elementos vitais ocorre ao mesmo tempo em que se acentua no solo e na atmosfera a presença de metais pesados como chumbo, zinco, cobre, cádmio, cromo, manganês e vanádio, todos, quando em excesso, adversários da vida.
O efeito da chuva ácida não é apenas devastar florestas e despovoar lagos. Ela afecta a saúde humana, através do ar e dos alimentos. Amostras dos cientistas norte-americanos indicam que a água, particularmente, está demasiado ácida.
“As florestas estão morrendo na Suíça”, dizia a Agência Associated Press num telegrama de Genebra em Abril de 1984. Dados oficiais mostravam que uma de cada cinco árvores da área florestal suíça estava doente devido à poluição. “As florestas estão morrendo devido ao ácido nítrico lançado pelos carros, tóxicos lançados pelas fábricas, e à conhecida chuva ácida”, diziam os jornais.
“As árvores mortas, morrendo, ou muito doentes se multiplicam na Europa e nos Estados Unidos devido à chuva ácida” diz o Instituto World watch. No leste norte-americano, a morte das florestas é uma das questões que mais preocupam a opinião pública. O governo da Alemanha Ocidental revelou que um terço das florestas do país está em sério perigo. Entre as mais atacadas está a área da famosa Floresta Negra. Na Tcheco-Eslováquia, 485 mil hectares de floresta estão doentes. Na Polônia, estima-se que até 1990 tenham desaparecido 2,83 milhões de hectares de florestas atualmente enfermas”.(4)
Na Europa, 56% a emanação de CO2, dióxido de carbono, vêm de centrais elétricas e térmicas movidas a carvão. Vinte e seis por cento são lançados por indústrias de produção, 13% por estufas e calefações privadas, 3% por ônibus e automóveis. O jornalista Joelmir Beting escreve sobre o problema:
“Na Tchecoslováquia, um programa de reflorestamento deu com as mudas no nada: as árvores negaram viço. Ou se vingaram, porque, como se descobre agora, a natureza não se defende, apenas se vinga…”
“Que tal uma chuvinha fina de ácido sulfúrico? Não é o caso de Los Angeles, mas é o caso de São Paulo: alto teor de enxofre no óleo diesel verde-amarelo provoca alterações químicas na massa poluente dos ônibus e caminhões, do que resulta, ao cair da primeira garoa, um banho de ácido sulfúrico na vida da gente?” (5)
Em 23 de Junho de 1985, a repórter Ivone Cassol pergunta na Zero Hora, de Porto Alegre: “Será chuva ácida?” Acontece que, em Canoas, as folhas das árvores estão pretas, e as abelhas não produzem mel. Há muito tempo os pássaros desapareceram dos céus da cidade. Ao invés deles, o que paira no ar são minúsculas e invisíveis partículas que lentamente se depositam principalmente sobre as árvores. “Canoas quer saber exatamente o que está respirando”, diz o jornal.

O Desmatamento.

Numa reunião do Banco Mundial nos Estados Unidos, em Setembro de 1984, o fundador da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Agapan, José Lutzenberger, denunciou que são destruídos na Amazônia 100 mil quilómetros quadrados de mata virgem por ano – uma área igual à metade do Rio Grande do Sul. Até 1988, Lutzenberger prevê que as florestas de Rondônia terão desaparecido. “É uma destruição irreversível”, diz ele. Enquanto isso, os incêndios são frequentes. Um deles destruiu 10 quilômetros quadrados de reserva florestal no Parque Nacional de Itatiaia, estado de São Paulo.
Igualmente importante é a devastação da Mata Atlântica. Da exuberante mata que cobria a faixa litorânea, ocupando 2 milhões de quilómetros quadrados quando aqui chegou Pero Vaz de Caminha, restam apenas cerca de três por cento. O que avança hoje não são as matas, mas o território das secas e enchentes sucessivas. E a devastação por parte do homem continua numa proporção de 300 mil hectares por ano. O diretor do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, Adelmar Coimbra, acrescenta a estes dados que a ilusão de usar a terra desmatada para a agricultura ou pecuária não dura mais que três anos. Quando se devasta a mata, nem a cinza das queimadas fica no solo desprotegido. A chuva a leva para os rios e a natureza fica sem o húmus que levou milhões de anos para produzir.
Isto constitui um suicídio ecológico. “Primeiro morrem as árvores, depois morremos nós”, advertiam os ecologistas anos atrás. As florestas tropicais da América do Sul estão desaparecendo ao ritmo de 40 mil quilómetros quadrados por ano, diz o relatório do Congresso para a Conservação da Natureza, em Madri. O dado é mais otimista que a cifra de Lutzenberger (100 mil quilómetros quadrados só na Amazônia), e mostra as dificuldades para fazer um cálculo exato. “As florestas tropicais ocupam 35% do território sul-americano e têm função determinante no clima mundial”, informa o congresso madrilenho. (6)
Há vários anos Lutzenberger vem atribuindo a sequência de enchentes que atinge o Sul e outras regiões do país à devastação das florestas. Lutzenberger não está só.
[Nota de 2011: Mais adiante, José Lutzenberger passou a trabalhar para os poluidores do meio ambiente, chegando ao ponto de entrar em choque frontal com os defensores da natureza]
“As repetidas enchentes no Sul têm como uma das suas causas principais o desmatamento, e o Governo Federal é responsável por isso, pois não estimula a preservação das matas, nem o reflorestamento”, disseram os líderes da Igreja Evangélica Luterana (IECLB), da Igreja Episcopal e da Igreja Metodista, em Porto Alegre, em Agosto de 1984. A notícia está na Zero Hora do dia 18. Os religiosos citaram dados concretos: há 150 anos atrás, havia 37% de matas nativas no território gaúcho. Hoje as matas são 1,8%. O número vale como alerta para o que está acontecendo no resto do país.
Apesar de já desmatado, o Rio Grande ainda continua perdendo 45 mil hectares de matas por ano, enquanto são replantados apenas 12.700 hectares. Em 1984 esperava-se que mediante um esforço especial fossem replantados cerca de 40 mil hectares, reduzindo o deficit anual para cinco mil hectares. No entanto, o Rio Grande do Sul, apesar de tudo, é um dos estados onde a consciência ecológica é mais forte. No resto do país o desmatamento está ocorrendo em maior velocidade.

Reverter a Contaminação

Paralelamente ao agravamento dos problemas ecológicos, surgem as primeiras respostas. Nem todo o mundo está paralisado diante do problema.
Os suecos conseguiram diminuir consideravelmente a poluição no ar e na água. Descobriram que a contaminação causava prejuízo de 5,5% do PIB. Com um terço destes recursos, reduziram em muito o envenenamento, com filtros e outras precauções. Já na Suíça, novas leis limitam o uso de carros e outras atividades poluidoras. Os suíços redescobriram recentemente os passeios a pé pelas montanhas. Organizam caminhadas individuais ou em grupos, longe dos ruídos das cidades. As rotas organizadas do excursionismo têm cerca de 50 mil quilómetros. (7) O novo hábito traduz uma volta à simplicidade que se encontra em todas as partes, sob mil diferentes formas.
Na Alemanha, o governo adota um programa radical de redução de gases sulfurosos da indústria, que serão reduzidos a 10% do volume anterior. Há um projeto parecido em relação às térmicas de carvão.
Na Austrália, anos atrás, jovens ecologistas passaram a fazer grandes mutirões de reflorestamento aos domingos. Quem conta é a ecologista Betsan Coats, de passagem pelo Brasil em 1984 para dar palestras sobre a desregulação climática como resultado do excesso de CO2.
Nos Estados Unidos há um movimento com o objectivo de criar “florestas urbanas”, e um milhão de árvores foram plantadas a partir de 1980 na cidade de Los Angeles. Este dado foi fornecido por dona Wanda Seibt, da Associação Democrática Feminina Gaúcha, ADFG, uma das principais entidades ecológicas do país.
O Departamento de Recursos Renováveis, da Secretaria da Agricultura do Estado gaúcho, criou em 1984 uma Bolsa de Sementes florestais que tem despertado enorme interesse por parte da população. Em poucos meses, centenas de pessoas haviam trocado ou ganhado mudas e sementes de árvores nativas e exóticas para plantar em grandes ou pequenas áreas e mesmo em seus quintais.
Entre as espécies preferidas estão araçá, butiá, gerivá, figueira e capororoca. O engenheiro agrónomo José Carlos Dias explicou que em 1985 a Secretaria da Agricultura mantinha convénio com mais de 80 municípios gaúchos, dando assistência técnica e treinando pessoal, para programas de reflorestamento surgidos nos últimos anos. Cerca de 500 milhões de mudas foram produzidas deste modo.
A EMATER, empresa de extensão rural, a Fundação Zoobotânica e a Prefeitura de Porto Alegre lançaram uma campanha para reflorestar a cidade (Zero Hora, 12 de Junho de 1985), com venda de mudas nativas a preço de custo e total assistência técnica aos plantadores.
O reflorestamento está sendo feito por escolas, pais e mães de família, crianças, prefeituras municipais, delegacias de educação do interior do Estado e amantes da natureza em geral. Sua importância não é apenas numérica. Está também no novo padrão cultural de relacionamento com a natureza que ele tende a estabelecer e que em breve se estenderá a toda a sociedade, impedindo a devastação.
O ritmo com que o governo federal toma medidas preservacionistas tem sido muitas vezes inferior ao que seria necessário para efetivamente garantir algum equilíbrio ambiental. Será preciso uma transformação radical na atitude frente ao problema durante o governo da Nova República. Esta transformação não pode ocorrer por decreto. Terá que dar-se simultaneamente em todos os níveis, e será consequência de uma nova maneira de ver (e de viver) a natureza».

* AVELINE, Carlos - Aqui e Agora - Para Viver até ao Século XXI. Editora Sinodal. Brasil. 1985. O capítulo, cinco, começa na página 51 e a transcrição na página 53. Ambos terminam na pág. 61.
** Atualmente Carlos Cardoso Aveline é o editor geral dos websites http://www.filosofiaesoterica.com/, http://www.teosofiaoriginal.com/, http://www.esoteric-philosophy.com/ e http://www.theosophyonline.com/.
(1) John Hamaker, "The Survival of Civillization", Hamaker-Weaver Publishers, Michingan, USA, 1982. "Solar Age or Ice Age?" bulletin, December 1983, 88 p.; "Solar Age or Ice Age?" bulletin, August 1984, 120 p., Revista "Time", 8/11/1982. (2) "Indian Express", India, 20/2/1984. (3) Science Digest, revista de Nova Iorque, USA, September 1984, vol.92, nº9, p.39 to 49. (4) Dados do Instituto Worldwatch, citados no jornal Zero Hora, de Porto alegre, dia 2/4/1984. Ver também Zero Hora, 6/5/1984. (5) Zero Hora, 5/5/1984. (6) Incêndio no Itatiaia: Zero Hora, 14/8/1984, Lutzenberger; Zero Hora 25/9/1984 e Zero Hora 3/6/1984. Mata atlântica; revista "Interior", do Ministério do Interior, Brasília, maio/junho/1984, p.31 a 47. florestas sul-americanas; Zero Hora, 8/11/1984. (7) "Jornal do País", Rio, 7 a 13/fevereiro/1985.

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Gripados?


As crianças, sobretudo as do tipo de sangue AB, são um dos grupos mais vulneráveis


Antes da interrupção durante o mês de Agosto, recuperamos a importância do ânimo e tipo de sangue, ao nível das causas, e do fortalecimento da imunidade e antioxidantes, no âmbito da cura gripal. À nossa disposição estão alguns dos mais poderosos antivirais: desde alimentos a suplementos alimentares passando pelos chás. Um contributo para que o H1N1, que há noventa anos matou dezenas de milhões de pessoas, possa agora ser vencido.

Texto e desenho* Dina Cristo

A gripe é efeito de agressão por um micróbio virulento, em que as defesas imunitárias não protegeram. Do ponto de vista da metafísica médica é sinal de fragilidade e significa que a pessoa (ou pessoas, no caso de uma epidemia) se deixa facilmente invadir por pensamentos, palavras ou gestos dos outros. Talvez se acuse(m), ainda que de forma pouco consciente, de ser(em) repugnantes ou ignóbeis. Para Lise Bourbeau o problema físico resulta de uma crença inconveniente que bloqueia o(s) desejo(s) e impede de realizar necessidade(s) legítimas da alma.
Para Kurt Tepperwein a gripe revela um conflito por resolver (cuja energia atrai germens patológicos) ou que não se enfrentou; uma obrigação, tarefa ou problema que se tentou evitar, não se admite ou está preparado para encarar. Segundo Hamer Ryke Geerd, citado por Lise Bourbeau, a infecção pertence ao grupo de doenças frias, aquelas em que o conflito está activo. Kurt Tepperwein complementa: quando se trata de uma doença aguda é sinal de que a causa é actual, quando é grave significa que o conflito é antigo e se mantém por solucionar. No caso da inflamação, como explicou Hamer Geerd, integra-se nas doenças quentes, quando o conflito foi resolvido e o corpo se está a restabelecer.
Estado de espírito contagia

Para que um contágio aconteça há diversos factores: os genes, a higiene, a exposição, a saúde pública, a idade
[1], estados já doentes, o cansaço, a susceptibilidade ou a sobrevivência. Mas três dos mais importantes são o humor, o sistema imunitário e o tipo de sangue.
Lise Bourbeau salientou que a infecção pode produzir-se numa pessoa pessimista e que é o próprio medo da agressão que a põe em contacto com pessoas e circunstâncias agressivas. Também Patrick Holford sublinha que a tensão, a depressão e o luto deprimem o sistema imunitário.
Já Max Hendel o havia referido: “(…) a realidade é que alta percentagem das nossas enfermidades é devida ao medo por parte do paciente”. E, lembra que a humanidade conseguiu aterrorizar as grandes criaturas mas t(r)eme perante as (mais) pequenas. Nos casos de humor mais baixo – não só o medo mas também os nervos, a preocupação, a raiva, o desânimo – destroem o poder de resistência do corpo e dão-lhe propensão para ficar doente.
No capítulo XIV, sobre a mente e a cura, do livro “Princípios ocultos de saúde e cura”, Max Heindel afirma categoricamente que “(…) o contágio vem de dentro” e explica-o. No dia-a-dia, o Ser Humano contacta com milhares e milhares de germens e parasitas: caso das moscas, do próprio leite, da água, das notas, das moedas… Contudo, nem sempre adoece.
O baço é, como recorda James A. Duke, em “Farmácia verde”
[2], o órgão no qual se agrupam as células combatentes do sistema imunitário. Max Heindel, já anteriormente, esclarecia: o baço é o órgão que atrai um veículo (composto de éter e energia solar) que assimila e através dele penetra o sistema nervoso do corpo humano, convertendo-se em fluído vital (rosado), através do qual os músculos se movem e os órgãos realizam as suas funções… vitais. A parte absorvida e não utilizada é depois irradiada para fora do corpo. Se for em linha recta significa que a pessoa possui um estado de saúde irradiante: «Nestas condições nenhum germe pode encontrar guarida no corpo. Não pode penetrar vindo de fora, porque estas correntes de força invisíveis o impedem da mesma [forma] que uma mosca não pode passar através de um ventilador em movimento.»[3]
Pelo contrário, quando o estado de humor baixa, o mesmo fluído é irradiado da periferia do corpo de forma decaída, dobrada e mais lenta – é como se, exemplifica o autor, diminuísse a voltagem ou cortasse parcialmente a corrente eléctrica. O corpo ao retrair-se, com pensamentos e/ou sentimentos negativos, deixa de absorver fluído vital em quantidade suficiente (e quanto menos assimilar pior será o estado de saúde), as forças quebram e o organismo fica vulnerável ao ataque e passagem dos micróbios: «(…) desde o momento em que permitimos que os pensamentos de temor, de preocupação, ira, desalento, etc., nos assaltem, o corpo procura fechar as portas, por assim dizer, contra todos os inimigos exteriores, imaginários ou reais. O baço fecha-se e deixa de especializar o fluído vital em quantidade suficiente para as necessidades do corpo»
[4].
Diz-me que sangue tens…

O tipo de sangue é, defende Peter J. D´Adamo, um factor crucial, dita a gravidade de uma infecção, dá determinada capacidade de adaptação, desenvolvimento de barreiras e afastamento no próximo ataque. A história da sobrevivência humana tem sido, atenta, de luta contra as doenças infecciosas: umas criam mais problemas para alguns tipos sanguíneos enquanto outros estão mais protegidos: «O tipo sanguíneo permite que o organismo resista a algumas doenças infecciosas e debilita e limita as reacções a outras»
[5].
Quase todas as doenças infecciosas, que influencia(ra)m a demografia - como a varíola, cólera, tuberculose, Peste Negra, malária, sarampo, diarreia, tifo, pneumonia - tiveram preferência por um tipo sanguíneo, especificamente susceptível e um outro, oposto, que é resistente. Por exemplo, o tipo O tem sido mais vulnerável à tuberculose e foi o mais atingido pela Peste Negra (yersina), que matou 1/3 da população; o tipo A às doenças cardíacas e ao cancro e o tipo AB à varíola.
No caso da gripe, uma doença virulenta, normalmente de tipo A e tipo B, tem assassinado milhões de pessoas desde o final do século XIX e continua letal. E se a vacina oferece alguma protecção, afirma, a verdade é que o vírus pode modificar-se e torná-la ineficaz: «No caso de algumas variedades do tipo A, já vimos surgir mutações inteiramente novas, contra as quais nenhum sistema imunológico tinha qualquer defesa. Naqueles anos, a gripe tornou-se pandémica, uma epidemia mundial que matou milhões e milhões de pessoas»
[6]. Uma contribuição para a mudança e progressão genética, na análise daquele médico naturopata e pesquisador.
Segundo Peter D´Adamo
[7], o tipo O é altamente susceptível às variedades mais virulentas; estão entre os mais atingidos nos anos em que o vírus está mais poderoso. Contudo, o O “Tem uma capacidade relativamente boa de gerar anticorpos contra os vírus comuns do tipo A (A H1N1, vírus da gripe espanhola que há noventa anos fez dezenas de milhões de mortos, e o A H3N2, responsável pela gripe de Hong Kong, de há 50 anos, e que fez quase um milhão de vítimas mortais). Tende a adoecer com mais facilidade por causa do primeiro do que do segundo. Tem uma reacção menos forte contra o vírus B.
O tipo de sangue A tende a contrair as formas menos virulentas do vírus e, se adoecer, a gravidade da gripe não é tanta. Demonstra capacidade de reagir rápida e substancialmente (e a capacidade de reagir rapidamente a um novo atacante é que marca a diferença entre ter uma constipação sem importãncia ou ficar uma semana de cama com gripe) contra o vírus A H1N1 e ainda maior contra o vírus tipo A H3N2. A reacção contra o vírus B da gripe é mais fraca.
O tipo de sangue AB possui uma capacidade relativamente fraca de gerar anticorpos contra qualquer vírus da gripe; é bastante indefeso contra todos eles (é ainda conhecido o H2N2 que, há mais de 60 anos, matou acima de um milhão de pessoas no mundo e ficou conhecido pela gripe asiática) e, para si, a gripe é, todos os anos, um problema.
O tipo sanguíneo B tem uma defesa mais fraca contra o vírus A H3N2 (este antigénio pode ser encontrado neles cinco meses depois de se terem recuperado da gripe, mesmo sem sintomas) e ligeiramente melhor contra o A H1N1. Tem muito mais vantagem contra as variedades de vírus do tipo B da gripe do que qualquer outro tipo de sangue. O antigénio é que despoleta o processo de resposta imunológica que termina com a produção de anticorpos. Um deles é a fucose, em que o leite humano é rico, que ajuda o bebé enquanto tal, a lutar eficazmente contra as infecções.
"Tropas" em combate

Outro dos factores decisivos é o sistema imunitário, cuja função é identificar e destruir os inimigos do organismo. As principais células imunitárias são, seguindo o mesmo autor, as B, T, macrófagos e glóbulos brancos ou leucócitos. As células B segregam anticorpos específicos que se agarram ao invasor, impedindo o(s) vírus de entrar nas células orgânicas e, portanto, de se apoderar do seu centro de controlo, reprogramá-lo e, por consequência, reproduzir-se.
As células T, ou linfócitos, vivem cerca de quatro dias e são produzidas no timo. São de três tipos: as T-auxiliares, que ajudam a activar as células B a produzirem antigénios, normalmente constituem o dobro das T-supressoras; estas, quando a batalha contra o invasor está ganha, terminam as reacções, e as NK, as “assassinas natas", uma vez que produzem toxinas capazes de destruir o agressor. Os macrófagos engolem e digerem os invasores já identificados pelas células B e T – é a fagocitose. As que operam especificamente no sangue denominam-se monócitos.
Assim que um invasor é identificado são produzidas novas “tropas”, colocadas em “fortalezas” como as amígdalas, o apêndice, o baço ou os gânglios linfáticos. Patrick Holford, em “A bíblia da alimentação”, lembra que o sistema imunitário tem a capacidade de produzir, num minuto, um milhão de anticorpos e de reconhecer, e desarmar, biliões de antigénios - os invasores cujos principais canais de acesso são os pulmões e o tubo digestivo.
Já no Séc.XIX Louis Pasteur havia notado que seria mais eficaz apostar no fortalecimento do sistema imunitário do que uma estratégia orientada para a destruição dos invasores, como aconteceu. Só hoje, com o aumento de agentes infecciosos e resistentes aos medicamentos – venenosos para o organismo, como sublinha Patrick Holford – é que a atenção se volta para a imunidade natural, como é o caso do interferon.
Perdoar e alegrar

Para a descobrir qual a crença que está a bloquear o(s) desejo(s) e a impedir de realizar necessidade(s) legítimas do Ser (Interno) Lise Bourbeau propõe, no seu livro «O teu corpo diz “ama-te” – a metafísica das doenças e do mal-estar
[8]», a resposta a três perguntas: 1. a)- Descreva o que vive no seu corpo; b)- Qualifique como se sente com este problema; 2.a)- O que é que o mal-estar o está a obstaculizar na vida? b)- Isto (resposta à 2.a) impede-lhe de ser o quê na sua vida? 3. a)- Se se permitisse ser (resposta à 2.a.) que lhe poderia acontecer de desagradável ou inaceitável? b)- Nesse caso, como se julgaria? c)- Como julga que os outros o julgariam?[9]
A mesma autora sugere sete etapas do perdão: 1.Identificar as emoções. 2. Tomar responsabilidade pela escolha de reagir com amor ou com medo. 3. Aceitar o outro e renunciar. 4. Perdoar-se; permitir ter direito a ter (tido) medos, crenças, fraquezas. 5. Mostrar desejo de exprimir o perdão. 6. Ver a pessoa em questão; exprimir o que se viveu e pedir-lhe perdão pelas acusações feitas. 7. Fazer a ligação com uma situação ou decisão face a um parente. Refazer (todas) as etapas com essa pessoa (ainda que seja o próprio).
Lise Bourbeau recomenda ainda tomar contacto com a força interior, reconhecer a capacidade de afirmação e deixar de acreditar que deve mostrar-se fraco, frágil ou vulnerável para obter atenção ou amor dos outros. No caso de uma inflamação, não pensar que está doente, mas agradecer ao corpo por se estar a regenerar e, em caso de dores, quando o conflito está activo, enfrentar o problema e resolvê-lo - decidir e aplicar consequentemente a determinação.

Prevenir

São várias as indicações, consoante os autores, para manter o sistema imunitário forte e saudável. Peter D´Adamo indica o seguimento de uma dieta específica para o seu tipo de sangue, nomeadamente os alimentos benéficos, que funcionam como remédios, a redução do stress e a toma de suplementos (não anti mas) probióticos, bactérias benéficas para a saúde humana, nomeadamente a estirpe lactobacillus salivarius, que é boa para adultos, como salienta Patrick Holford, para quem só sucumbimos aos micróbios quando estamos em baixo e a melhor cura é a prevenção.
O fundador do Institute for Optimum Nutrition recomenda, além de um conveniente estado de espírito e de uma adequada alimentação, relaxamento e meditação, que aumentam a contagem de células imunitárias. A importância do exercício físico advém de proporcionar a circulação do líquido linfático ao movimentar os músculos e, através dos vasos linfáticos, levar os invasores até aos “fortes” para ali serem destruídos.
Max Heindel defende(u) além da exercitação física também a actividade mental, um estado de ânimo de alegria e esperança como o melhor dos remédios e aconselhou uma crença sincera na saúde: «É uma lei que, se pensamos em saúde, acabaremos forçosamente por exprimi-la, tarde ou cedo»
[10]. Deixou orientações no sentido de uma vida racional, sensata, livre de excessos, dando ao corpo alimentos puros, procedentes do reino vegetal, a obediência às leis da vida e a demonstração da fé e optimismo com obras.
Dietas

Segundo Patrick Holford a dieta ideal para estimular a capacidade imunitária passa por uma quantidade suficiente de gorduras essenciais – existentes nos óleos de semente extraídos a frio -, muita fruta – como melancia, laranja e kiwi -, legumes frescos - como cenoura, beterraba (incluindo a rama), tomate e batata-doce -, sementes moídas, cereais integrais – como o arroz – e peixe; deve evitar-se carne e alimentos alérgicos.
O mesmo autor exemplifica ainda. No caso do sumo de melancia, pode desfazer a polpa e as sementes, pois são ricas em proteínas, zinco, selénio, vitamina E e óleos essenciais, e beber um litro por dia. Pode fazer uma sopa de cenoura, com três destes legumes, dois tomates, agriões biológicos, pedaços de tofu, leite de arroz (ou soja) e amêndoas ou sementes moídas. Poderá igualmente preparar uma grande salada com favas, brócolos, cenoura, beterraba, courgette, agrião, alface, tomate, abacate, pedaços de tofu, alho esmagado e óleo extraído a frio.
Patrick Holford aconselha a comer pouco (mas assegurando uma quantidade suficiente de proteínas), a manter-se quente e a evitar os lacticínios, já que a infecção viral tende a aumentar a produção de muco. A estas juntam-se sugestões de Peter D`Adamo: uma mistura concentrada de mirtilo, cereja, maçã e sabugueiro.
Durante uma infecção, quer o invasor quer o próprio sistema imunitário produzem radicais livres – substâncias químicas perigosas, as toxinas - que podem ser combatidas com nutrientes antioxidantes, que desintoxicam o organismo. São igualmente muito recomendados estimulantes da imunidade natural, o interferon – que desarma os espigões dos vírus, ligando-se a eles - e os antivirais – sobretudo quando a infecção está instalada, mas também como manutenção, embora em doses mais baixas, e mesmo em resfriados.
Nutrição adequada

Peter J. D´Adamo indica o Zanamivir, remédio que reduz os sintomas quando já ocorreu a infecção e previne-a por completo, e o sabugueiro, que inibe a repetição de todas as variedades do vírus da gripe. Patrick Holford receita especificamente o extracto de bagas de sabugueiro, o Sambucol, em uma colher de sobremesa três a quatro vezes por dia: acelera a recuperação, reduz a duração da gripe e impede o vírus de se instalar; tem a propriedade de inibir a acção da enzima neuraminidase, que cobre os espigões minúsculos dos vírus com que penetram na membrana da célula, furando e destruindo a parede celular.
A vitamina C - mais eficaz do que o AZT, defende Patrick Halford - é, segundo este autor, um nutriente de elite para estimular a imunidade: ajuda ao amadurecimento das células imunitárias, protege-as dos radicais livres, estimula a produção de interferon, melhora o rendimento dos anticorpos e macrófagos, é antiviral e capaz de destruir as toxinas. Os vírus não conseguem sobreviver num ambiente rico em vitamina C. Com uma grama (equivalente a mil mg) por dia tem um efeito protector mas, mesmo em manutenção, pode ir até às três gramas diárias; em caso de combate a infecções poderá atingir entre seis a 10 gramas diárias, de preferência com a primeira toma ao acordar e a última ao deitar. São fontes desta vitamina o camu-camu, a acerola, pimentos verdes, melão-cantalupa, kiwi ou, ainda a título de exemplo, o ananás.
A vitamina A fortalece as paredes das células (mantém a integridade do tubo digestivo, dos pulmões e de todas as membranas celulares) afastando os vírus e impedindo-os de entrarem no corpo. É, segundo Patrick Holford, um poderoso antioxidante, que se pode tomar, para manutenção, 7500 Unidades Internacionais (UI) por dia, mas, como pode ser tóxico em grandes quantidades, só deve ser ingerido, em caso de infecções, durante uma semana, entre 10 mil a 25 mil UI por dia.
Nas vitaminas, a E, antioxidante, que melhora o funcionamento das células B e T, e que se encontra nos frutos secos, sementes, glúten de trigo e óleos extraídos a frio, pode ser tomada, em caso de infecção, entre 500 a mil UI por dia; para estimular a imunidade, sobretudo em conjunto com o selénio, pode ser a partir dos 100 UI/dia. As vitaminas B – nomeadamente B1, B2, B5, B6, B12, também são “amigas” das células imunitárias.
Quanto à alimentação, é benéfico o alho, cebola, cogumelos medicinais ou gengibre, por exemplo. O alho contém alicina, uma substância antiviral, e enxofre, que actua como antioxidante; pode ser ingerido um dente por dia e, em caso de infecção, dois a seis. James A. Duke
[11] indica 10 por dia, em molhos, sopas, pão… Os cogumelos, designadamente o maiitake, reishi ou ganoderma, contêm polissacáridos que estimulam a imunidade; o shiitake possui, além disso, através do composto lentiname, propriedades antivirais.
A cebola, embora menos potente do que o alho, tem propriedades antivirais semelhantes. Em caso de resfriado, o autor do livro “Farmácia verde” propõe que se tome a intervalos, como se de um xarope se tratasse, lascas cruas demolhadas, durante uma noite inteira, num pouco de mel. O gengibre, por seu lado, contém quase uma dúzia de compostos antivirais, muitos dos quais também se encontram na curcuma, o açafrão-da-índia. São recomendadas duas colheres de raiz de gengibre fresca triturada, numa chávena de água a ferver, às quais pode juntar um pau de canela.
Com o gengibre pode combinar o chá de unha-de-gato, antiviral com alcalóides que estimulam a função imunitária: duas gramas por dia, para manutenção e até seis em caso de infecção, quatro vezes por dia. O alcaçuz contém oito compostos antivirais activos - como a glicirrizina, que inibe vários dos processos envolvidos na reprodução viral – e leva o corpo a libertar o interferon. Devido ao seu sabor, pode ser usado como adoçante. À forsítia e madressilva pode ainda juntar-se a erva-cidreira, um dos chás antivirais mais habitualmente utilizados.
Alternativas

Nos minerais, o zinco é um dos mais importantes, é crucial para a produção e funcionamento adequado das células imunitárias, especialmente as B e T, mas deve ser tomado com cuidado. Em alguns casos só no combate à infecção, numa dose entre os 15 e os 50 mg por dia: «(…) o seu excesso pode suprimir a capacidade de os macrófagos destruírem as bactérias. A ingestão diária ideal é de 15 a 25 mg. Apesar de o zinco poder ser um suplemento benéfico durante uma infecção viral, pode não ser uma boa ideia tomá-lo no decurso de uma infecção bacteriana. O mesmo se aplica ao ferro»
[12]. Além deste, estão envolvidos na antioxidação, o manganésio, o cobre ou o selénio, um mineral que abunda nos mariscos e nas sementes de sésamo e pode ser tomado 100 gr. para manutenção e entre 200 a 300 gr. diárias, em caso de infecção.
Se preferir gotas pode optar pelo extracto de caroço de toranja, o Citricidal, antiviral que possui um efeito semelhante ao dos antibióticos, mas não danifica as bactérias benéficas dos intestinos. Pode tomar-se cinco gotas por dia, em manutenção, e entre 20 a 30, em caso de infecção. Não é, contudo, conveniente tomá-lo depois de já ter assimilado probióticos. A serpentária, a chamada banha da cobra, é também uma substância antiviral que, em caso de infecção, é receitado entre 10 a 15 gotas de extracto concentrado três vezes por dia.
O betacaroteno (também fonte de vitamina A), é um antioxidante que se encontra nos legumes frescos bem como nos alimentos vermelhos, laranjas e amarelos. Sugere-se um sumo de cenoura e/ou melancia, por exemplo, ou então a toma de um suplemento entre 10 mil a 25 mil UI por dia, em caso de infecção - reduzida para 7500, quando em manutenção.
Para enfrentar uma infecção viral, Patrick Holford refere também o aloés, antiviral e estimulante da imunidade; uma a três gramas por dia de lisina, de astrágalo (ou alquitera) e de ácido caprílico; duas a três gramas de glutationa e cisteína, aminoácido antioxidante; uma a duas colheres de sobremesa, por dia, de pólen de abelhas; 50 a 500 mg, diárias, de hipericão ou milfurada; 200 a 500 mg de hidraste, que aumenta o fornecimento de sangue ao baço; 100 a mil mg também diárias de artemísia ou artemigem; óleo de cameleira, cardo mariano, alcachofra de Santo António, extracto de bagas de mirtilo, picnogenol, ácido lipóico e bioflavonóides.
A esta lista James A. Duke junta equinácea (mastigar a raiz), o zimbro, que contém um composto antiviral (a deoxipodofilotoxina), o eucalipto, que contém vários compostos antivirais. Em caso de um suplemento antioxidante, este deve ser de boa qualidade e com elevada potencia, defende Patrick Holford; deve integrar 20 mil UI (6600mcg) de vit.A, 300 UI de vit. E, 100 mg de vit.B6, 20 mg de zinco e 100 mcg de selénio.
Para os casos de resfriados James A. Duke propõe, além de uma canja com alho, cebola, gengibre e pimenta, 30 gr. de agrião fresco em salada, que pode combinar com o gengibre, para a tosse e coriza; uma chávena de manhã e outra à noite de uma a duas colheres de anis macerado em meia chávena de água a ferver durante 10 a 15 minutos, depois de coado; alteia e outras malvas; juntar cerejas-bravas maceradas à limonada; a raiz do ulmeiro-vermelho, alivia a tosse e garganta; o chá com flores de verbasco ou barbasco, um expectorante, além das já referidas serpentária, em infusão, e casca de salgueiro, que acalma a dor e é anti-inflamatório.

* Anos 70 [1] As principais vítimas da gripe são, normalmente, os recém-nascidos e idosos, um dos grupos mais vulneráveis. [2] DUKE, James A. - Farmácia verde, Publicações Europa-América, 2004. [3] HEINDEL, Max - Princípios ocultos de saúde e cura. [4] HEINDEL, Max - Princípios ocultos de saúde e cura. [5] ADAMO, Dr. Peter – Viva melhor com a dieta do tipo sanguíneo, Ed, Campus, 2001, pág.370. [6] ADAMO, Dr. Peter – Viva melhor com a dieta do tipo sanguíneo, Ed, Campus, 2001, pág.374/5. [7] ADAMO, Dr. Peter – Viva melhor com a dieta do tipo sanguíneo, Ed, Campus, 2001, pág.374. [8] BOURBEAU, Lise - O teu corpo diz “ama-te” – a metafísica das doenças e do mal-estar, 4ª reimpressão, 2007, pág. 391. [9] Interpretação proposta pela autora dos resultados obtidos: 1. o que vive face á pessoa ou situação que desencadeou o mal-estar. 2. O(s) desejo(s) bloqueados. 2.b)- Necessidade legítima do Ser bloqueada pela crença três. 3. Crença maléfica que bloqueia o(s) desejo(s) e impede de realizar a necessidade, criando o problema físico. [10] HEINDEL, Max - Princípios ocultos de saúde e cura. [11] DUKE, James A. – Farmácia verde, Publicações Europa-América, 2004. [12] HOLFORD, Patrick – A bíblia da alimentação, Editorial Presença, 2ª ed., 2004, pág. 164.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cocteau twins

Nas vésperas do Dia Mundial da Música, publicamos uma investigação, realizada em 2006, sobre os Cocteau Twins, um grupo formado há 30 anos, cujo mistério passou pelas páginas do Blitz.

Texto João Cerca



Os Cocteau Twins formaram-se em 1979 em Grangemouth no norte da Escócia. A sua formação inicial era composta por Elizabeth Fraser (voz), Simon Raymonde (baixo), Robin Guthrie (guitarrista), e Will Heggie (baixista), que abandonou a formação pouco depois. Da discografia do grupo contam-se oito álbuns (seis para a 4 AD e outros dois para a Capitol Records), dez EP (oito na 4AD, dois na Capitol), nove Singles (dois na 4AD e sete na Capitol). Fazem também parte da discografia do grupo várias compilações, a última das quais editada em Novembro de 2005, reunindo todos os seus singles, com o nome de “Lullabies to Violaine: Singles and Extended Plays”. A banda acabou em 1997.


O grupo foi alvo de várias notícias, reportagens, uma entrevista e também referências noutros artigos no semanário. No período analisado, os artigos escritos sobre o grupo foram na maioria sobre os álbuns editados. As referências ao grupo foram sobretudo em artigos sobre outros grupos, em comparações com esses grupos, colaborações dos membros do grupo na interpretação e/ou na produção.

Sobre os concertos houve pouca informação, comparativamente ao número de artigos sobre a discografia, por causa de terem estado em Portugal duas vezes. Da sua relação com a imprensa, muito devido ao espírito da banda, apenas resultou uma entrevista para o jornal português. De salientar, o facto de ter havido vários leitores a pedir informações sobre a banda ao longo dos anos, através da secção D. Rosa. Essas informações foram sempre relativas à discografia da banda.
Notícias

A primeira notícia no Blitz sobre o grupo surgiu a 20 de Novembro de 1984
[2]. Houve uma referência ao novo álbum do grupo, Treasure, editado nesse mesmo dia na Grã-Bretanha e produzido pela banda. “O registo inclui dez temas inéditos e foi editado pela 4AD”. Foi também referida, para Dezembro desse ano, uma pequena digressão, de nove espectáculos, pela Grã-Bretanha, três deles em Londres.
No dia 18 de Dezembro do mesmo ano
[3], saiu uma análise, por António Sérgio, ao projecto “This Mortal Coil – Ilusão e Enigma”, onde o grupo e os seus elementos são referidos várias vezes: “A primeira realização seria um 12 polegadas com os títulos «Sixteen days» e «Song to the Siren», este último original de Tim Buckley repescado das paixões auditivas de Ivo, e reunindo a vocalista Elizabeth Fraser mais Robin Guthrie e Simon Raymonde dos Cocteau Twins (…). A versão brilhante e a vocalização inesquecível de Liz Fraser atirariam repentinamente This Mortal Coil para as atenções da imprensa musical”.
Já sobre a edição do primeiro álbum do projecto, António Sérgio disse que “De resto lá estão os Twins habituais, com outra inesquecível prestação de Liz Fraser na recriação do tema de Roy Harper "Another Day”. No mesmo artigo saiu também uma pequena foto de Elizabeth Fraser, com a seguinte legenda: “Liz Fraser, a cantora dos Cocteau Twins que foi chamada ao projecto dos This Mortal Coil para cantar a sua soberba versão de Song to the Siren.”
Com o título “Cocteau Twins a voz dos deuses”, António Sérgio fez, na de 24 de Dezembro de 1984 do Blitz
[4], uma exposição do todo o trabalho dos Cocteau Twins até então, desde Garlands a Treasure (ambos LP).
Quase um mês depois, o mesmo António Sérgio vem revelar as escolhas, do seu programa de rádio (Som da Frente), para o ano de 1984. Nessas escolhas, publicadas no Blitz de 22 de Janeiro de 1985
[5], encontra-se Elizabeth Fraser como Melhor Voz Feminina, Pearly-Drewdrops’ Drops em 10º lugar na lista de Máxi-Singles e Treasure em 13º na lista de LP.
No dia 12 de Fevereiro de 1985
[6], eram divulgados os 50 temas mais votados pelos ouvintes do programa de John Peel, na BBC Rádio One, todos eles referentes ao ano de 1984. Nesta lista estavam incluídos sete temas dos Cocteau Twins: 2 – Pearly Dewdrops Drop; 4 – Spangle Maker; 16 – Ivo; 22 – Donimo: 38 – Pandora; 39 – Beatrix; 49 – Pepper Tree. Nesta lista os Cocteau Twins foram um dos grupos com mais criações, a par dos The Smiths. De referir ainda os dois temas do projecto This Mortal Coil, em que um deles – Another Day – é interpretado pela vocalista dos Cocteau Twins, Elizabeth Fraser. O outro tema chama-se Kangaroo.
Três meses depois, a 14 de Maio de 1985
[7], o nome Cocteau Twins surgui numa rubrica do jornal intitulada ‘ROCKcionário’, onde eram “dadas pistas” sobre vários géneros musicais: “POS-NEW WAVE: São, afinal, os grandes grupos do momento. The Smiths, Pale Foundation, Aztec Camera, Dance Society e Cocteau Twins, numa mistura de poesia e pureza do pop primordial, pouca electrónica e um certo revivalismo do psicadelismo.”
Num artigo publicado a 4 de Junho de 1985
[8], Rui Monteiro faz uma análise aos álbuns Treasure dos Cocteau Twins e It’ll End In Tears do projecto This Mortal Coil, pondo em evidência o comum entre as duas obras, a própria música, Elizabeth Fraser e a sua voz: “Não têm nada para oferecer, This Mortal Coil e Cocteau Twins, só ideias para partilhar.”
Na semana seguinte, voltava a ser feita uma referência aos Cocteau Twins e ao seu álbum Treasure: “Treasure, o álbum dos Cocteau Twins é como já disse nestas páginas uma obra fundamental que merece a atenção de todos. É um daqueles raros achados onde a beleza é uma constante e onde a voz de Elizabeth Fraser é um constante murmúrio de ternura. É ainda um acto de inteligência, uma manifestação exemplar de criatividade.” Foi atribuída uma classificação de quatro estrelas a esta obra, num total possível de cinco.
No dia 31 de Dezembro de 1985
[9], Rui Monteiro fez um balanço do ano que tinha passado. Com o nome de “Ano de todas as cópias. Gringos e outras”, o jornalista elevou ao expoente máximo da beleza vários álbuns e vozes, Treasure e a voz de Elizabeth Fraser foram incluídos:
“Os louros e as esperanças, os abraços de congratulação pela ousadia devem ser distribuídos a outra gente; os que sem recusarem influências, mas sem delas fazerem dogmas ou paradigma estético, procuram arte mais que a mera música popular e procuram a diferença da comunicação numa delicadeza de sensibilidades despertas (...) Canções como a beleza reunidas em Raindogs e Treasure (dos Cocteau Twins) vozes privilegiadas com as de Tom Waits e Elizabeth Fraser, são raridades da música popular, excepções minoritárias e um pouco marginais no negócio. Nestes dois discos, reúnem-se a poesia e a modernidade, mais ou menos experimentalista, em canções de uma beleza magoada.”
Integrada no ciclo de cinema “O Musical”, que decorreu de 21 a 24 de Janeiro de 1986, a iniciativa “Vídeo Clips Anos 80”, organizada por Miguel Esteves Cardoso, pretendeu mostrar 120 “videoclips” por autores tendo sido a Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian o local escolhido para receber o evento. No programa, publicado no Blitz
[10] do dia 21 de Janeiro de 1986, estavam incluídos os “clips” Aikea-Guinea e Song to The Siren (Cocteau Twins e This Mortal Coil respectivamente) realizados por John Scarlett-Davis.
Uma semana depois, a 28 de Janeiro de 1986
[11], a análise ao evento era feita por Rui Monteiro. Com o título “Videoclips anos 80, depois da técnica, a estética”, o autor escrevia: “A atitude generalizada de que o teledisco é um mero veiculo promocional, compartilhada aliás por muitos realizadores – alguns deles bons -, impediu de certa maneira a compreensão de que mais do que canções com imagens se estava perante exemplos de uma nova estética audiovisual que, embora titubeante, introduziu novos conceitos na arte contemporânea. A reacção do público, do ponto de vista musical exigente (o primeiro teledisco aplaudido foi «Aikea-Guinea», de Cocteau Twins, por Scarlett-Davis), enfermou esse preconceito e brilhantes telediscos que incluíam péssimas canções não foram apreciados com a estima que os realizadores merecem.”
Em Fevereiro de 1986 (dia 2), o Blitz
[12] deu a notícia do lançamento, por cá, dos novos EP da banda. Não especificando quais, o lançamento estava agendado para Março seguinte.
A 8 de Julho de 1986
[13], Rui Monteiro traçava pontos de contacto entre os álbuns Old Rottenhat (Robert Wyatt) e Victorialand. Num extenso artigo intitulado “A função social da canção”, o jornalista introduziu assim a justificação para o encantamento com tais discos: “Poupe-se o olhar, antes dos ouvidos sentirem a música nas capas de «Old Rottenhat» e Victorialand. São ambas bonitas e atraentes – melhor -, são belas de ver. E, como os discos de Robert Wyatt e Cocteau Twins que envolvem, apenas informam na medida mesma das suas funções sociais. Num exemplo – «Old Rottenhat» - serve um desejo que não desliga a arte da agitação e propaganda favorável às nobres causas, e no outro – reduzida a informação ao título e à identidade dos autores – serve para recordar que apenas a arte é importante.” Duas semanas depois, 22 de Julho de 1986[14], Rui Monteiro deu ao álbum dos Cocteau Twins, Victorialand, uma classificação de quatro estrelas.
A 25 de Novembro de 1986
[15] o semanário dedicou um longo artigo sobre a editora 4AD. Em “O secreto refúgio da 4AD", João Lisboa falava do estranho mundo da pequena editora independente, da criação, dos artistas, da música. “Escondida, secreta, defendendo-se ferozmente do contágio com as realidades menos decentes do mundo exterior (…)”. Os Cocteau Twins foram referência obrigatória no artigo, “Mesmo quando o seu grupo que maior notoriedade até agora atingiu – os Cocteau Twins – [a 4AD] acede relutantemente a falar para a Imprensa (…)”.

Foram feitas também referências aos elementos da banda (Elizabeth Fraser, Simon Raymonde), às participações noutros projectos e aos álbuns: “Assim, Elizabeth Fraser (dos Twins) participa em gravações dos Wolfgang Press ou Dif Juzz, Richard Thomas (destes últimos) aparece em Victorialand dos Cocteau Twins (LP em que, sem problemas, o baixista Simon Raymonde não se inclui). (…) Filigree and Shadow é a ressurreição do projecto [This Mortal Coil] com data de Setembro do ano corrente [1986]. (…) Os temas de outros autores são literalmente reinventados e transfigurados: (…) A última versão é de um tema de Van Morrison, Come Here My Love (…) totalmente desmaterializado pela voz da igualmente desconhecida Jean e pelos teclados de Simon Raymonde (…)”.
Outra referência ao grupo estaria num artigo sobre um outro projecto da mesma editora intitulado Dead Can Dance. A sonoridade próxima dos grupos e as semelhantes vozes dos elementos femininos foram o motivo de tais referências: “Ouvindo o seu registo [Spleen and Ideal] com atenção são patentes as influências do canto gregoriano, e alguns ouvintes mais atentos não deixarão de notar as semelhanças no caminho escolhido com as vias traçadas, por exemplo, pelos Cocteau Twins em algumas das suas produções (...) O electrónico som melodioso de fundo, completa a voz de Lisa [Gerrard dos Dead Can Dance] como um emaranhado de sons (ao idêntico dos Cocteau Twins de Liz Fraser)”.

Manuel Falcão colocava também em causa, no semanário do dia 9 de Dezembro de 1986
[16] (nº 110), a importância de ambos (Cocteau Twins e Dead Can Dance) como referências principais da editora naquela época, “Na Via Láctea, seara espacial onde navegam as coisas raramente puras, uma estrela de brilho claro pertence aos Dead Can Dance: o duo que tende a tornar-se o porta-estandarte da 4AD já que os Cocteau Twins repetindo paisagens, parecem tombar do regaço onde eram acariciados pelos músiconovistas.”
Numa pequena notícia, o Blitz na sua edição de dia 30 de Dezembro de 1986
[17], revelou a posição do álbum Victorialand nas listas do semanário britânico New Musical Express (NME). O álbum ficava-se pela 15ª posição, num total de 30.
Na edição do dia 15 de Dezembro de 1987
[18] era dada uma classificação de quatro estrelas ao álbum Garlands. A reedição tinha sido em LP, cassete e CD, estava na secção “Tabela Escaparate”.
Uma pequena análise à reedição do álbum Head Over Heels saiu dia 16 de Fevereiro de 1988
[19]. Nessa edição o jornal dava uma classificação de duas estrelas, com a seguinte justificação: “Nem tudo o que é luz é ouro, paciência acabou-se o tempo dos encantos, os Cocteau Twins não conseguiram dar a volta que estava a ser preciso. Se a atracção permanece, o fascínio perde-se. São os incondicionais quem mais sofrem.”
Na semana seguinte ao lançamento das reedições de dois dos álbuns da banda (Treasure e Head Over Heels), o Blitz fez uma simples referência. Foi a 15 de Março de 1988 (nº 176, p. 6)
[20] na secção Discos Editados. Outra alusão ao grupo apareceu dia 19 de Abril de 1988[21], aquando da saída de uma edição da 4AD intitulada de “Le Mystiere Des Voix Bulgares, volume 2”. Na análise ao álbum a referência, ao grupo, seria a citação do radialista Andy Kershaw, “Isto é popular porque vem da 4AD. É popular porque surgem conexões com a 4AD/Cocteau Twins…”
Os Cocteau Twins foram também referenciados na publicidade a uma fanzine. Na rubrica “Edições à Margem”, da edição de 22 de Março de 1988
[22], aparecia um texto sobre a fanzine da Rádio Universidade Tejo chamada Ibérico. Entre vários grupos, de música moderna, com que a revista se identificava estavam os Cocteau Twins.
Mais tarde, a 30 de Agosto de 1988
[23], saiu a notícia de que Blue Bell Knoll era lançado no mercado dia 19 de Setembro. A notícia confirmou-se a 6 de Setembro[24], com o título “Novo álbum dos Cocteau Twins” e constou do seguinte: “Os Cocteau Twins editam dia 19 de Setembro o seu primeiro álbum desde há dois anos e meio sob o título genérico Blue Bell Knoll. O álbum inclui dez temas. No lado A: Blue Bell Knoll, Athol-Brose, Carolyn’s Fingers, For Phoebe Still a Baby, e The Itchy Glowbo Blow. No lado B: Cico Bluff, Sucling The Mender, Spooning Good Singing Gum, A Kissed Out Red Floatboat, e Ella Megablast Burls Forever.”
A propósito do lançamento de Blue Bell Knoll o Blitz fez um especial sobre o grupo. Na edição do dia 11 de Outubro de 1988
[25] era dado algum destaque ao conjunto escocês, com uma fotografia de Simon Raymonde junto de Elizabeth Fraser[26] e invulgares comparações ao álbum: “Um dia destes há-de haver alguém que explique que o prazer retirado dos discos deste grupo se assemelha estranhamente a onanismo obsessivo. Mas até que tal ente se disponha a escrever, deixem-se ficar com os vossos prazeres íntimos.”[27]
O especial à banda continuou com um artigo de página inteira. No artigo “Situação azul: gémeos (e uma sereia)”
[28] Jorge Pires deixava no ar questões acerca do futuro dos Cocteau Twins dando ênfase, uma vez mais, a todo o mistério que sempre envolveu a banda. Na edição seguinte, dia 18 de Outubro de 1988[29], o jornal revelou as preferências do britânico NME sobre o mês de Setembro. Blue Bell Knoll ficou na lista.
Os balanços da década foram divulgados nas edições de 14
[30] e 21 de Fevereiro de 1989[31] respectivamente. Elizabeth Fraser foi considerada tanto pelo grupo de jornalistas do Blitz como pelo público, através de votação, como melhor voz estrangeira: “Vá lá que nos entendemos todos na escolha de melhor cantora estrangeira, Elizabeth Fraser.” Na mesma categoria estavam Lisa Gerrard (Dead Can Dance) e Kate Bush. (…) Conte-se, por exemplo, (…) como Elizabeth Fraser foi campeã com quase 10 voltas de avanço (o que quer dizer quase 100 votos sobre o conjunto formado por Kate Bush e Lisa Gerrard).”
A vocalista dos Cocteau Twins seria novamente citada pelo semanário, desta vez no jornal de dia 17 de Junho de 1989
[32]. Pinheiro de Almeida escreveu: “Há quem diga que a nova voz, Sarah MacLachlan, é uma mistura do melhor de Kate Bush, Enya, e Liz Fraser.” O dia 29 de Dezembro de 1989[33] (nº 269) foi marcado no Blitz com uma edição dedicada, quase na totalidade, à 4AD. Fazia-se o balanço dos 10 anos da editora, referências aos Cocteau Twins não faltaram.
Numa breve notícia acerca dos Lush, outro grupo da 4AD, a 13 de Março de 1990
[34], foi citado o nome de Robin Guthrie pelo seu papel como produtor do EP do grupo. O mesmo Robin Guthrie foi de novo referido, mas desta vez acerca de um mini-LP que iria ser editado pelos A.R.Kane. Robin Guthrie participou nessa obra, não especificando, no entanto, o jornal que função teria o guitarrista dos Cocteau Twins. A publicação data de 26 de Junho de 1990[35].
A notícia de um novo álbum dos Cocteau Twins foi publicada no dia 3 de Julho de 1990
[36] dizendo o seguinte: “De momento ainda sem título, os redondinhos dos Coteau Twins estão a finalizar as misturas do seu próximo álbum, a ser editado em Setembro. Antecedido por um “single”, este novo LP baseia-se em canções de orientação mais pop, com aquelas coisas sussurradas por Liz Fraser, desta vez, mais perceptíveis. Uma digressão mundial está também a ser preparada. Até que enfim e abram-se alas!”
Quatro semanas mais tarde, os Cocteau Twins eram novamente referenciados (31 de Julho de 1990
[37]), desta vez sobre uma digressão pelo Reino Unido. Essa digressão seria coincidente com a edição do álbum de originais seguinte, que sairia em Outubro. O álbum mais recente do grupo era analisado passado pouco mais do que um mês, a 18 de Setembro de 1990[38]. Com o título “Subir para baixo”, Miguel Francisco Cadete daria uma classificação ao álbum Heaven or Las Vegas de dois pontos em cinco possíveis.
Duas semanas depois, a rubrica “Picadas”, (9 de Outubro de 1990
[39]) do Blitz, apresentava uma lista de artistas que nessa semana tinham lançado singles ou álbuns. Entre estes encontravam-se os Cocteau Twins com o “single” Iceblink Luck, retirado do álbum Heaven or Las Vegas: “Com novos sete e doze polegadas estão os COCTEAU TWINS (Iceblink Luck)”. Foi também feita referência às posições alcançadas com o álbum e primeiro “single”: “O último disco dos COCTEAU TWINS, brilhantemente intitulado Heaven or Las Vegas, encontra-se actualmente em primeiro lugar no top independente de álbuns do Reino Unido, e o single Iceblink Luck, entretanto retirado do LP, está posicionado no oitavo posto da respectiva tabela de singles.”
O dia 23 de Outubro de 1990
[40] trouxe uma análise, mais positiva no semanário, do primeiro “single” extraído do álbum Heaven or Las Vegas. Fernando Santos Marques atribuiu uma pontuação de três.
As preferências da revista britânica Q, para o ano de 1990, eram reveladas a 18 de Dezembro
[41]. Na lista de 50 nomes da revista constaram os Cocteau Twins com Heaven or Las Vegas. A lista estava ordenada alfabeticamente.
As escolhas dos semanários Melody Maker e NME também foram divulgadas pelo jornal português a 31 de Dezembro de 1990
[42]. Enquanto que para o Melody Maker “o ano musical foi «brilhante»”, nos 30 discos do ano os Cocteau Twins ficaram no 4º posto com Heaven or Las Vegas, já para o NME a lista de melhores do ano reflectiu-se numa lista de 50 nomes. O grupo liderado por Elizabeth Fraser ficou-se pelo meio da tabela (28º posto).
A análise (19 de Fevereiro de 1991
[43]), por parte do jornalista Miguel Santos, ao álbum de outra banda da 4AD, os Lush, foi pretexto para mencionar os Cocteau Twins, “A acrescentar, apenas, o facto de que este etéreo grupo se justifica por, juntamente com os seus amigos Cocteau Twins, serem grandes admiradores desses autênticos fabricantes de hits populares vindos das altas terras frias do Norte da Europa.”, e um dos seus elementos, “(…) (nem sequer Robin Guthrie, dos Cocteau Twins, soube ajudar) [acerca da importação deste grupo e não de outro da mesma editora]”.
O abandono da editora por parte dos Cocteau Twins foi motivo de notícia no Blitz a 2 de Abril de 1991
[44]. Na notícia foi dito: “Uma das bandas de ponta da independente britânica 4AD, os COCTEAU TWINS (ex-libris do som típico da companhia desde há dez anos), abandonaram a editora que os viu crescer, devido sobretudo, a problemas económicos. Nos Estados Unidos, os Twins assinaram contrato com a Capitol.”
Com o título “As veias de um sonho”, acerca do terceiro registo do projecto This Mortal Coil, escreveu-se, a 7 de Maio de 1991
[45], que: “(…) ao contrário do que algum de vós ainda pensa, This Mortal Coil não é, nunca foi o alter ego dos Cocteau Twins nem sequer é mais um grupo da casa 4AD. E Blood confirma-o.” Seguidamente, a 17 de Setembro de 1991[46], o jornal revelou a edição de uma caixa de CDs, parceria 4AD/Capitol, com todos os “singles” e EP do trio. A caixa continha também um CD bónus com três temas originais.
A caixa do grupo seria de novo notícia a 24 de Dezembro de 1991
[47]. Com o título “Cocteau Twins e David Sylvian luxuosos”, foi noticiada a chegada da caixa ao mercado português, assim como mais informações respeitantes à mesma: “Já chegou ao mercado português a caixa de dez CDs, Cocteau Twins, que retrata a maior parte da carreira da banda de Elizabeth Fraser. A caixa, editada pela Momentum Music, reúne temas dos LPs, EPs e singles do grupo, para além de algumas raridades como Dials, o instrumental Oomingmak (ambos inéditos), Crowded (editado originalmente na compilação da 4AD Lonely Is A Eyesore) e High Monkey Monk (que saiu na compilação Gigantic Two, organizada pelo Melody Maker).” O preço, previsto, da respectiva caixa foi de 18 contos.
O assinar de contrato da banda de Grangemouth com a Fontana Records e a promessa de um novo registo de originais levou a uma pequena notícia por parte do jornal. A 7 de Abril de 1992 o Blitz dava conta, além da assinatura do contrato, dos “oito meses de privação” em que o grupo esteve, e dos “seis álbuns em nove anos” gravado para a 4AD.
O jornalista Hugo Moutinho, na edição de 11 de Abril de 1992
[48], fez a análise ao álbum dos Lush (“Spooky"). O baixista do grupo escocês, Robin Guthrie, foi referido devido ao seu papel como produtor do álbum: “Há certos produtores (normalmente aqueles que também são músicos) que, como por magia, conseguem pôr as bandas que produzem a soar à sua banda. Com Robin Guthrie aconteceu mais ou menos isso, já que a sua influência levou os Lush para um caminho a que já deram o nome de «vaga pós-Cocteau Twins»”. As referências das músicas entre os grupos também não faltaram, “Spooky revela-se, acima de tudo, como uma ponte imaginária entre os Cocteau Twins (o que é óbvio) e os My Bloody Valentine.” O jornalista não teve problemas em assumir o que achava do grupo escocês, “(…) ainda que, o espírito invisível dos Cocteau Twins (banda que, honestamente, abomino) estivesse presente.”
Dezasseis meses depois, a 10 de Agosto de 1993
[49], chegaram notícias do novo álbum do grupo. Intitulado Four Calendar Cafe, o disco saiu a 27 de Setembro sendo antecedido por um “single” de nome Evangeline. O mesmo inclui dois temas que não fizeram parte do álbum, Mud and Dark e Summerblink. De destacar ainda o facto de o disco ser “o primeiro da banda para uma editora estabelecida – Fontana (Polygram) – e todo o trabalho de artes gráficas” ser da responsabilidade da banda.
No dia 21 de Setembro de 1993
[50] saiu a análise, por Pedro Fradique, ao tão esperado álbum de Liz Fraser e companhia. O artigo teve o nome de “O paradigma perdido”.
Quando saiu o álbum dos Dead Can Dance, “Into The Labyrinth”, Miguel Cunha fez, no final do artigo, uma pequena comparação desse com o dos Cocteau Twins, Heaven or Las Vegas. O jornalista dizia que era “francamente melhor do que o último dos Cocteau Twins”. O artigo saiu a 28 de Setembro de 1993
[51].
Na primeira terça-feira de Fevereiro de 1994
[52], dia 8, saiu uma notícia sobre um concerto da banda no nosso país. Outra informação veiculada nesse mesmo texto foi a do lançamento de outro single (Bluebeard).
A referência seguinte aos Cocteau Twins surgiu na análise, por Pedro Gonçalves, ao disco dos Future Sound Of London, intitulado “Lifeforms”. Já quase no fim do artigo surgiu a referência: "Perto das sensações de frescura que, em tempos, me assaltavam com a audição de lirismos cantados pela senhora Cocteau Twins, Liz Fraser (e não será por acaso que é dela um forte contributo na versão EP de “Lifeforms”), os Future Sound Of London aparecem, através deste depoimento, à cabeça de potenciais candidatos a disco do ano, na área de ambient-house.” A análise saiu a 20 de Setembro de 1994
[53].
O artigo intitulado de “O Mel e o Fel”
[54] (4 de Outubro de 1994) serviu de análise ao concerto da banda Lush em Portugal. No artigo estava uma pequena nota acerca dos Cocteau Twins, “fugindo amiúde de melancolias enunciadas por dedilhadas à Cocteau Twins (bem patente nos registos discográficos)”.
A comparação Cocteau Twins/Dead Can Dance, de resto sempre presente em análises de qualquer obra de cada um dos grupos, foi retomada em 13 de Dezembro de 1994
[55]. Desta vez foi a arte de Dead Can Dance a ser posta em causa: “Longe vão também os tempos em que os Dead Can Dance construíam mantos de filigranas que, juntamente com alguma obra dos Cocteau Twins, caracterizaria o «som 4AD».”
Na análise ao disco a solo de um dos elementos dos Dead Can Dance (Lisa Gerrard, no dia 24 de Agosto de 1995
[56]), foi mais uma vez referida a capacidade criativa de ambas as bandas: “Pergunta: porque é que os discos lançados pela 4AD já não despertam o interesse que em tempos chegaram a merecer, um após o outro? Resposta: porque as fórmulas repetidas, mesmo que bem engendradas, acabam por cansar. Foi esse cansaço que derrotou projectos como os Cocteau Twins ou Dead Can Dance, duas das imagens de marca da editora londrina.”
Pouco dias antes da vinda do grupo a Portugal, no dia 23 de Abril de 1996
[57] era analisado por Miguel Cunha Milk & Kisses, na época o mais recente álbum dos Cocteau Twins. A classificação atribuída ao disco foi de dois em cinco possíveis.
A referência seguinte à banda aconteceu na edição de 27 de Maio de 1997
[58], aquando da análise ao álbum “A new stereophonic sound spectacular” do grupo Hoover[59]: “Numa primeira análise, os Hoover soam como uns Cocteau Twins com samples e sistema home-theatre (“Innervoice” é o mais claro exemplo disso), um som muito mais envolvente e perverso do que a pop cristalina do grupo de Liz Fraser mas, por vezes, tão melancólica e profundo como aquela.”
Na análise ao álbum “The Space Between Us” de Craig Armstrong (3 de Fevereiro de 1998
[60]) foi feita uma referência a Elizabeth Fraser devido à sua participação no álbum: “Se exceptuarmos os dois únicos temas em que existe contribuição vocal – “This Love”, com Elizabeth Fraser, a voz cristal dos Cocteau Twins (…)”.
Outra das participações de Liz Fraser, em álbuns de outros artistas, foi motivo de referência. Neste caso na análise ao concerto de apresentação do 3º álbum de originais dos Massive Attack, “Mezzanine”: “Sem Liz Fraser (dos Cocteau Twins), que cantou em algumas canções de Mezzanine (…) Se havia quem pensasse possível a presença de Liz Fraser neste espectáculo de lançamento de “Mezzanine”, natural se tornou que as atenções recaíssem na solução encontrada para a substituição, tanto da vocalista dos Cocteau Twins como da própria Shara Nelson”. O artigo saiu a 14 de Abril de 1998
[61]. Poucas páginas depois[62] saiu uma entrevista com um dos mentores do grupo, Robert Del Naja(3D), oriundo de Bristol. A certa altura, da entrevista, o artista é questionado acerca das participações no álbum[63].
Elizabeth Fraser foi de novo referida por causa dos Massive Attack, neste caso foi a vinda deles a Portugal para apresentação do álbum Mezzanine (10 de Novembro de 1998
[64]). Sónia Pereira questionou Del Naja sobre se traziam convidados especiais, à qual o membro do grupo respondeu: “Sim, sem dúvida. O Horace [Andy] vai estar de certeza connosco, e, se tivermos sorte, pode ser que a Elizabeth também esteja, embora seja pouco provável. Tentámos persuadi-la, mas ela teve um bebé recentemente e, não sei, se calhar vai ser complicado, mas estamos a tentar tudo.”
A falta da Elizabeth Fraser no concerto dos Massive Atack foi também motivo de referência aquando da análise do mesmo: “A voz feminina, por sua vez, tanto nos entrega relíquias soul como aproximações à pop, substituindo a aguardada presença de Elizabeth Fraser (…)”. O jornalista Pedro Gonçalves transmitiu, assim, a 17 de Novembro de 1998
[65], o concerto que presenciou no Pavilhão Atlântico Multiusos de Lisboa.
Na vinda dos Massive Attack ao nosso país para o concerto no Festival Sudoeste, foi feita uma retrospectiva da banda (3 de Agosto de 1999
[66]). Nesse mesmo resumo foi inevitável falar de Elizabeth Fraser: “O tal álbum número 3 viria a chamar-se “Mezzanine” e, em nova entrevista concedida por 3D ao Blitz em Abril de 1998, falava-se em detalhe do processo criativo, (…) da forma como músicos e cantores convidados (no caso deste álbum, o habitual Horace Andy e Elizabeth Fraser dos Cocteau Twins) interagem criativamente e contribuem para cada tema.” Era dado assim o “background”, por Jorge Manuel Lopes, para quem fosse assistir ao concerto do grupo.
Mais uma vez a ausência da vocalista dos Cocteau Twins no concerto dos Massive Attack, do Festival Sudoeste, foi notada pelos jornalistas do Blitz. Uma semana depois
[67] escreveram que “apesar da presença da cantora Valerie Etienne no elenco de palco e compreendo que sem a presença de Tracey Thorn, Nicolette ou Liz Fraser não vale a pena recorrer a uma substituta (…)”.
Várias sessões para a BBC, transpostas para disco, foram objecto de análise por parte de Jorge Mourinha. BBC Sessions, único registo ao vivo e oficial do grupo escocês, foi ‘examinado’ pelo jornalista tendo recebido, no final, uma pontuação de seis em dez possíveis. A análise saiu a 12 de Outubro de 1999
[68].
Mais tarde, a 18 de Janeiro de 2000
[69], saiu um extenso artigo sobre Tim Buckley, intitulado de “Pai Herói”. No “lead” foi feita a referência a Elizabteh Fraser enquanto intérprete do projecto This Mortal Coil: “De Tim Buckley recordam-se duas coisas: Song To The Siren, que os This Mortal Coil imortalizaram na voz de Elizabeth Fraser; e o filho Jeff Buckley, que nos deixou cedo demais – tal como o pai, aliás”.
Na secção “MP3litz” do dia 16 de Maio de 2000
[70] é dada a informação de que nasceu uma parceria da 4AD com o site de vendas online Atomic Pop. Com essa parceria os grupos da 4AD, Cocteau Twins incluídos, teriam as suas músicas disponíveis para venda para qualquer utilizador.
A propósito da edição de “Stars and Topsoil, a Collection (1982-1990)”, o jornalista Jorge Mourinha escreveu um artigo (14 de Novembro de 2000
[71]) onde fez uma síntese a toda a carreira dos Cocteau Twins. O artigo chamou-se “Cocteau Twins, o jardim secreto”.
Concertos A banda escocesa esteve em Portugal duas vezes (1994 e 1996) num total de cinco actuações, no entanto apenas foram analisados dois concertos. Na edição anterior a cada concerto houve um resumo do percurso da banda. Contudo, várias notícias surgiram sobre a vinda da banda ao nosso país.
A primeira notícia de uma possível vinda do grupo surgiu na edição de 18 de Junho de 1985[72]. Com o título “Cocteau Twins em Lisboa”, noticiou-se na altura que as negociações para a vinda do grupo a Portugal estavam “bem encaminhadas”. Os únicos pormenores que faltavam ajustar eram as datas e o respectivo contrato. Os dados da notícia tinham sido apurados pelo jornal junto da representante da editora da banda.

No dia 8 de Fevereiro de 1994
[73] saiu uma notícia, “Cocteau Twins e 4 Non Blondes em Portugal”, que dava conta de um concerto da banda em Portugal, no âmbito de Lisboa 94 – Capital Europeia da Cultura. Segundo a notícia o concerto teria lugar no Verão. Outra informação veiculada nesse mesmo texto foi a do lançamento de outro “single” (Bluebeard).
A confirmação dos concertos no nosso país chegou no Blitz passado dois meses
[74]: “(…) estão também confirmados os concertos dos Cocteau Twins (já durante este mês de Abril, marcados definitivamente para dia 27 em Lisboa, dia 28 no Porto e dia 30 em Braga) (…) Todos estes estão agendados para locais com capacidade inferior a cinco mil pessoas.”
Sob o título “Lloyd Cole e Cocteau Twins – outra vez por cá” o Blitz (19 de Março de 1996
[75]) noticiou a vinda do grupo ao nosso país para mais uma actuação: “Outro regresso a Portugal é marcado pelos Cocteau Twins, que vão estar em Portugal no dia 3 de Maio para um espectáculo único no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Este concerto é da responsabilidade da R&B.”
A confirmação do concerto veio na primeira terça-feira do mês seguinte (2 de Abril de 1996
[76]). Noticiou o jornal, com o título de “Cocteau Twins confirmados”, o seguinte: “Os Cocteau Twins viram esta semana ser confirmados os seus concertos em Portugal – já anteriormente noticiados pelo Blitz -, dia 1 de Maio no Coliseu do Porto e dia 3 do mesmo mês no Coliseu dos Recreios, com a organização da Ritmos & Blues.”
Um dia antes do espectáculo de 27 de Abril de 1994, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, Miguel Francisco Cadete fez uma retrospectiva da história da banda com um artigo intitulado de “Fora d’horas”
[77]. Sobre o concerto propriamente dito, o jornalista António Pires (3 de Maio de 1994[78]) apresentou aos leitores a sua apreciação. A análise saiu no artigo intitulado “O éter e o chumbo”.
Na segunda vinda dos Cocteau Twins a Portugal, muitas questões, acerca da banda, foram desvendadas através de uma entrevista efectuada ao baixista, Simon Raymonde: “O milagre da reunião” foi o título da entrevista publicada a 30 de Abril de 1996
[79]. Sobre aquele que foi, até hoje, o último concerto efectuado pela banda em território nacional – a 3 de Maio de 1996 no Coliseu dos Recreios com primeira parte do grupo português Cool Hipnoise – Jorge Manuel Lopes escreveu no Blitz de 7 de Maio de 1996[80] a sua versão do acontecimento. “Fazer o céu” foi o título dado, pelo jornalista, ao artigo. D. Rosa Esta secção do jornal serviu para os leitores esclarecerem as dúvidas que tinham sobre os seus artistas favoritos, bem como dar também informações que pudessem/quisessem partilhar com outros leitores.
No dia 19 de Outubro de 1993[81], um leitor perguntou sobre a existência de um CD de uma banda chamada Felt. O leitor estava interessado numa música de nome “Primitive Painters”, em que Liz Fraser cantava. A resposta foi que esse CD-single não estava disponível em Portugal, e que o leitor poderia optar pelo álbum da banda que continha a música, “Ignite the Seven Cannons”. Esse álbum foi produzido por Robin Guthrie, “daí a participação especial de Liz Fraser”.

Na edição de 30 de Novembro de 1993
[82] surgiram perguntas acerca da discografia completa dos Cocteau Twins e participações dos elementos e/ou grupo noutros projectos.
A(o) jornalista foi questionada(o) como era possível adquirir o “single” Snow à qual a resposta foi que não era possível porque, além de ter sido apenas editado na Grã-Bretanha, já tinha sido retirado do mercado. O single continha as músicas Winter Wonderland e Frosty The Snowman. Estas dúvidas surgiram a 3 de Maio de 1994
[83]. Nessa mesma edição na rubrica K7 Pirata[84] foram reveladas algumas das escolhas de Simon Raymonde, baixista dos Cocteau Twins.
No mês seguinte
[85], um leitor pergunta à D. Rosa sobre se “será ainda possível encontrar ainda a [caixa de singles] Pandora Box?” D.Rosa responde que “quanto à Pandora Box, ou seja, a caixa reunindo todos os CD singles do grupo para a 4AD, está já fora do mercado dado que apenas foi publicada em quantidade limitada. Mas os 10 CD singles que a compunham foram lançados individualmente e podem ser encontrados ou encomendados com alguma facilidade.”
Sobre a participação de Liz Fraser na canção Song To The Siren (19 de Julho de 1994
[86]), do projecto This Mortal Coil, a D. Rosa foi também questionada. A resposta à questão foi que Liz Fraser tinha apenas participado nessa canção[87]. Mais uma explicação foi dada sobre a discografia dos Cocteau Twins. A questão foi posta no Blitz de 25 de Outubro de 1994[88].
A 28 de Novembro de 1995
[89], um leitor questionou a D. Rosa sobre a discografia dos Cocteau Twins, a resposta, neste caso, foi ainda mais completa do que os outros esclarecimentos anteriores. Numa outra edição a morada da banda foi pedida por um leitor à D. Rosa. A edição data de 2 de Julho de 1996[90].
A 17 de Novembro de 1998
[91] um leitor questionou a D. Rosa sobre os alinhamentos de alguns concertos de bandas em Portugal, entre eles os Cocteau Twins. No entanto a(o) jornalista não tinha informações disponíveis. Uma leitora, além de referir os projectos em que Elizabeth Fraser tinha participado, questionou, na edição de 7 de Dezembro de 1998[92] do semanário, a D. Rosa sobre o que na altura estava a ser feito pela vocalista dos Cocteau Twins.
A música do anúncio do perfume “Noa” foi também alvo de consulta. A D. Rosa respondeu assim a um leitor, na sua coluna do dia 6 de Abril de 1999
[93]: “É Song To The Siren, da autoria de Tim Buckley, gravada pelos This Mortal Coil (aqui compostos por Elizabeth Fraser e Robein Guthrie dos Cocteau Twins). Está no álbum de 1984 It’ll End In Tears (4AD CAD 411 CD) que encontra nas boas discotecas.”
A D. Rosa, a 6 de Março de 2000
[94], esclareceu uma leitora em relação à biografia e discografia do projecto This Mortal Coil. Sobre o contributo dos Cocteau Twins, a(o) jornalista escreveu na resposta: “O momento mais célebre da existência dos This Mortal Coil ocorreu logo em 1983 com a primeira edição do projecto, uma versão de Song To The Siren, de Tim Buckley, cantada por Elizabeth Fraser dos Cocteau Twins; (…)” .

[1] Edições 220 a 334 e 401 a 426 [2] Nº 3/página 4 [3] Nº 7/página 5 [4] Nº 8/página 6 [5] Nº 12/página 16 [6] Nº 15/página 4 [7] Nº 28/página 13 [8] Nº 31/página 14 [9] Nº 61/página 9 [10] Nº 64/página 4/5 [11] Nº 65/página 6 [12] Nº67/página 3 [13] Nº 88/página 10 e 11 [14] Nº 90/página 17 [15] Nº 108/páginas 10 e 11 [16] Nº 110/página 9 [17] Nº 113/página 3 [18] Nº 163/página 7 [19] Nº 172/página 7 [20] Nº 176/página 6 [21] Nº 181/página 20 [22] Nº 172/página 17 [23] Nº 200/página 2 [24] Nº 201/página 6 [25] Nº 206 [26] Capa [27] Página 6 [28] Página 7 [29] Nº 207/página 3 [30] Nº 224 [31] Nº 225 [32] Nº 243 [33] Nº 269 [34] Nº 280/página 3 [35] Nº 295/página 2 [36] Nº 296/página 2 [37] Nº 300/página 2 [38] Nº 307/página 19 [39] Nº 309/página 2 [40] Nº 312/página 18 [41] Nº 320/página 2 [42] Nº 322/página 2 [43] Nº 329/página 10 [44] Nº 335/página 2 [45] Nº 340 [46] Nº 351/página 2 [47] Nº 373/página 3 [48] Nº 380 [49] Nº 438/página 2 [50] Nº 464/página 27 [51] Nº 465/página11 [52] Nº 484/página3 [53] Nº 516/página 26 [54] Nº 518/página 10 [55] Nº 528/página 25 [56] Nº 565/página 24 [57] Nº 599/página 29 [58] Nº 656/página 34 [59] O álbum que aparecia no Blitz tinha este como nome do grupo, no entanto, hoje em dia o nome que consta no álbum é Hooverphonic, visto que mudaram o nome da banda. [60] Nº 692/página 30 [61] Nº 702/página 11 [62] Páginas 20, 21 e 22 [64] Nº 732/página 22 [65] Nº 733 [66] Nº 770/página 25 [67] Nº 771/página 10 [68] Nº 780/página 33 [69] Nº 794/página 28 [70] Nº 811/página 48 [71] Nº 838/página 30 [72] Nº 33/página 3 [73] Nº 484/página 3 [74] Nº 492/página 3 [75] Nº 594/página 2 [76] Nº 596/página 7 [77] Nº 495/página 14 [78] Nº 496/página 13 [79] Nº 600/páginas 16 e 17 [80] Nº 601/página 10 [81] Nº 468/página 11 [82] Nº 474/página 14 [83] Nº 496/página 10 [84] Nesta rubrica, a D. Rosa interpelava pessoas ligadas ao mundo da música pedindo-lhes uma selecção de músicas na duração de uma cassete. [85] Nº 503/página 10 [86] Nº 507/página 10 [87] Esta explicação não é completamente correcta, visto que, Elizabeth Fraser participou também na música Another Day, do álbum It’ll End In Tears. [88] Nº 521/página 10 [89] Nº 578/páginas 14 e 15 [90] Nº 609/página 27 [91] Nº 733/página 26 [92] Nº 736/página 28 [93] Nº 753/página 31 [94] Nº 801/página 32

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