terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Produtos sazonais


Antes que este Inverno nos visite lembramos alguns frutos, legumes e flores que podem ser colhidos, em Portugal, em época de amadurecimento. A saúde, a sensualidade e a economia agradecem.

Recolha* e fotografia Dina Cristo

Janeiro:
Couves, espinafres
Amores-perfeitos, camélias, jacintos, túlipas, violetas

Fevereiro:
Bróculos, couve-flor, couve-de-Bruxelas, cenouras
A amores-perfeitos, violetas

Março:
Azedas, cebolas brancas, cebolinhos, rabanetes
Campainhas brancas, goivos, narcisos, túlipas serôdias

Abril:
Lilases, margaridas

Maio:
Cerejas, nêsperas
Alcachofras, cebolas verdes, ervilha, espargos, fava

Junho:
Alperce, ameixa, pêssego
Aipo, alface, alho, batata, cebola, repolhos,
Cravos, rosas

Julho:
Ameixas, cerejas, damascos, figos, ginja, melão, melancia, meloa, pera
Aipo, alface, alho, beringela, beterraba roxa, cebola, cenoura, couves, espinafre, feijão-verde, tomate

Agosto:
Amoras, maçã, morangos, pera rocha, uvas,
Rosas

Setembro:
Amêndoa, figos, maçãs, peras, uvas
Batata doce, cebolas maiores, feijões

Outubro:
Abóbora, avelã, castanha, clementina, laranja, melão, noz, tangerina
Chuchus, feijões,
Dálias, rosas

Novembro:
Dióspiros, kiwi, romã,
Azeitona, beterraba

Dezembro:
Limão
Abóbora, batata doce.

*Com base no Borda D´Água

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Hrani-Yoga


Num mês em que se comemorou o Dia Mundial da Alimentação ouvimos os conselhos de Omraam Aivanhov sobre um tipo de yoga pouco conhecido e que pode ser praticado à mesa, uma ocasião acessível a todos e favorável ao aperfeiçoamento humano.

Texto Dina Cristo

«(…) cada homem é acompanhado por todas as almas dos animais cuja carne comeu»,[1] uma presença que se manifesta em estados como a crueldade, a sensualidade, a brutalidade, a destruição ou o medo. Pelo contrário, toda a erva que tem semente, como refere o Génesis, é indicada para alimentação humana; os frutos e legumes têm a vantagem de absorver a luz solar directamente e quase sem resíduos. Omraam indica como excepção à regra de não comer animais, o peixe, dado o seu sistema nervoso, rudimentar, e a presença do iodo, benéfica.
Este é um exemplo do tipo de dieta indicada para o Ser Humano. Mas mais importante do que o que comer, afirma Omraam, é a quantidade do que se ingere. Esta deve ser a conveniente e razoável. Tudo o que for para além do necessário, da moderação ou do limite e entrar no desregramento ou excesso sobrecarrega o organismo, bloqueia a digestão, provoca sensação de peso, sonolência, conduz à insaciedade e à doença. Pelo contrário, se parar antes de ficar cheio e sair da mesa com um ligeiro apetite a pessoa sentir-se-á mais leve, viva, bem-disposta e capaz de trabalhar.
O mais importante é mesmo o modo como se deve comer. Omraam refere que se pode diminuir a dose de comida, para metade ou até mesmo para um quarto se se aprender a comer correctamente. O jejum, por exemplo, é fundamental para limpar o organismo, dos resíduos que nele se acumulam e o obstruem, e assim purificá-lo. Para retirar dos alimentos os seus elementos vitais e depois os assimilar é necessário que eles se abram e, neste caso, o “mordente” é a ligação prévia, através de todos os sentidos, e a preparação, pela bênção e oração.

Relaxamento alimentar

Comer lentamente e mastigar bem, para que a língua assimile os elementos mais puros, e respirar profundamente, para melhorar a combustão dos alimentos, são outros dos cuidados a ter durante e no final das refeições. Nutrir-se em paz e em silêncio, preenchido com pensamentos conscientes e concentrados, nomeadamente nas suas qualidades, e sentimentos amor e gratidão, é essencial para se conseguir captar as energias mais etéricas que irão alimentar integralmente o Ser Humano.
Para Omraam, todo o alimento é sagrado. Luz solar condensada, a sua energia só é libertada e assimilada consoante a atitude da pessoa for mais ou menos consciente e amorosa: «O segredo para que os alimentos se abram consiste em aquecê-los, e o calor é o amor»[2]. Um pensamento concentrado dar-lhe-á lucidez e clareza mental e um coração agradecido facultar-lhe-á boa disposição. A refeição é uma espécie de alquimia que permite transformar a energia contida em cada alimento em luz e amor. Mas se se recebe força, vida e saúde, também se possibilita a transformação, subtilização e evolução da matéria – é uma troca.
Além da comunhão, a refeição é também, para Omraam Mikhael Aivanhov, um tipo de yoga, fácil e com resultados eficazes, o Hrani-Yoga, já que saber comer exige atenção, concentração e (auto)domínio. O autor explica como cada refeição é uma oportunidade para relaxar, abrir o coração, desenvolver a inteligência, aplicar a vontade e religar-se aos quatro elementos, como o sol, do qual, defende, nos deveríamos alimentar. Também cada Ser Humano deveria alimentar-se e alimentar, em simultâneo, o sol de todos os outros humanos, o seu melhor, a alma, depois de limpa e retirada a casca, a personalidade.
Recolher-se enquanto come e fazê-lo num estado de harmonia, determinará a actividade seguinte. Respeitar os alimentos e magnetizá-los, para que vibrem amigavelmente, sejam bem absorvidos e deles se retirem as partículas mais preciosas, que irão alimentar o sistema nervoso e todos os órgãos, é fundamental. Uma refeição mesurada para não fatigar o corpo físico e estimular quer o corpo etérico quer o plexo solar, o “cordão umbilical” que liga a Humanidade à sua Mãe, Natureza, é um dos conselhos dados por Omraam Aivanhov neste livro, redigido a partir de conferências proferidas pelo autor.



[1] AIVANHOV, Omraam- O yoga da alimentação. Éditions Prosveta e Publicações Maitreya. Coleção Izvor, 2013, pág.58. [2] Idem, pág. 104.

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nutrição inteligente


Antes do Dia Mundial da Alimentação, este Sábado, lembramos a necessidade de se incluir na dieta nutrientes como as algas ou os óleos vegetais, a pressão a frio e crus, para uma nutrição mais racional.

Texto Alberto Suarez Chang

A levedura de cerveja é uma fonte de proteínas completas. Contém 15 dos 20 aminoácidos de que necessitamos para fabricar todas as proteínas indispensáveis ao bom funcionamento do nosso organismo. Sobretudo indispensável para quem decida ter um regime vegetariano já que pode complementar os aminoácidos carentes na soja e outros grãos. Contém uma boa quantidade de quase todas as vitaminas do complexo B, principalmente thiamina, riboflavina, niacina, ácido pantoténico, piridoxina, biotina e ácido fólico.
Os sintomas da deficiência deste importante complexo incluem fadiga física e mental, perda de apetite, irritabilidade, nervosismo, depressão, problemas de pele, fissura dos lábios, etc. Também contém traço de minerais essenciais como ferro, zinco, selénio e crómio. Principalmente deste último a levedura é uma das suas mais ricas fontes. O crómio é um co-factor essencial para a actividade e eficácia da insulina, portanto fundamental para o metabolismo da glucose.
A insuficiência deste tipo de micro-elemento (que acontece com frequência com o consumo de hidratos de carbono refinados) eleva o nível de açúcar no sangue, produz hipoglicémia, intolerância de glucose nos diabéticos, endurecimento das artérias, aterosclerose e problemas no metabolismo de aminoácidos.
(Micro)algas
As algas - verdes, vermelhas (nori) ou castanhas (laminárias, wakame, kombu, etc.) e praticamente todas as algas comestíveis - contêm uma grande concentração de vitaminas, tais como B1, B2, B3, B12, C e caretenóides. A vitamina B12 ou cyanocobalamina, essencial para o crescimento do tecido nervoso da mielina e para a formação de glóbulos vermelhos, é encontrada pela primeira vez em fontes não animais. Também contêm uma importante quantidade de minerais. Em algumas delas representam entre 10 e 30% do peso da alga seca; de todos eles, talvez o iodo seja o mais importante.
O iodo actua sobre a tiróide para a produção de certas hormonas que asseguram o processo metabólico normal do organismo. Tanto a sua deficiência como o seu excesso podem bloquear o seu bom funcionamento e produzir o bócio, hipertiroidismo ou hipotiroidismo e toda uma série de problemas relacionados com isto. O iodo orgânico das algas é um excelente protector contra substâncias radioactivas como o strontium 90 e o iodo radioactivo 131, posto que bloquearia a sua absorção por competição. De todas estas algas, o kelp, da espécie das laminárias, vem sendo utilizado em terapia nutricional devido à sua grande concentração de outros traços de nutrientes essenciais, como hidratos de carbono, proteínas, vitaminas e minerais (principalmente iodo, magnésio, potássio, cálcio, fósforo, ferro e zinco).
As algas também contêm polisacarídeos como os alginatos que são utilizados eficazmente no tratamento de úlceras e queimaduras. Outro componente, o ácido algínico, é usado em processos de desintoxicação de metais pesados como chumbo, mercúrio e cádmio, assim como protector contra radiações de strontium. Entretanto, descobriu-se um componente polisacarídeo sulfatado, chamado fucoidan, com propriedades antitumorais (responsável pelo baixo risco de cancro no seio no Japão), anticoagulantes e fibrilíticos. Outro composto activo, o sulfato dextran, tem propriedades anti-virais (desactiva o vírus da herpes simples) e anti-microbiano de amplo espectro. E, por último, o cicloendesmol, um composto antifúngico utilizado contra a cândida albicans.
Devemos mencionar aqui três micro-algas realmente importantes por conter uma grande quantidade de substâncias nutricionais e terapêuticas: a chlorella, a spirulina e a alga “azul-verde” (aphanizaomenon flos aquae).
A chlorella pyrenoidosa é uma alga verde unicelular, com um altíssimo conteúdo de clorofila (28,9 g por kg) e vitaminas (C, beta caroteno, B12 e todo o complexo B), minerais (fósforo, magnésio, cálcio, manganês, zinco e cobalto), ácido lipóico, ácidos nucleicos, proteínas completas 60% (todos os aminoácidos em boa proporção à excepção de metionina), enzimas e outras substâncias terapêuticas como o glicolipidio chlorellin, que demonstrou possuir uma actividade antiviral, imunoestimulante e antitumoral pela sua indução à produção de interferon 10 e a activação das células B e T (linfócitos).
A chlorella, graças à clorofila, estimula a formação de eritrócitos no sangue e acelera a produção de fibroblastos, as células responsáveis pela cicatrização de feridas. Os derivados de clorofila inibem as enzimas proteases, responsáveis pela inflamação e outros danos que causa a pancreatite. Também a clorofila tem uma actividade “lipotrópica”, ou seja, estimula a excreção de colesterol. Por último, a chlorella tem uma grande capacidade de desintoxicação de metais pesados, como o cádmio 14, mercúrio, urânio e chumbo. Assim como também remove pesticidas como o polychlorbiphenyl (PCB) e insecticidas como o chlordeconel.
A spirulina máxima é uma micro alga unicelular que pertence ao grupo das cyanophyceae que crescem sobretudo nas superfícies de lagos de água alcalina. Tem uma das percentagens mais altas de proteínas completas (60%), ou seja, possui todos os aminoácidos em proporção correcta. É uma das fontes mais extraordinárias de vitamina B12 (duas vezes mais do que o fígado) e de uma quantidade significativa de outras vitaminas do complexo B, principalmente a thiamina (B1) e riboflavina (B2). Contém também a provitamina A: betacaroteno e outros 16 diferentes tipos de caretenoides. Tem uma boa proporção de ácidos gordos essenciais ou poli-insaturados ómega-3, ómega-6 e gamma linolenic acid (GLA) assim como grandes quantidades de phicocyanins (estimulante do sistema imunitário), glicolipídeos, sulfonolipídeos, rhamnose e muitos minerais tais como magnésio, ferro, potássio, etc. Terapeuticamente utiliza-se em casos de vitaminose, úlceras, hipoglicémia, deficiência do sistema imunitário e prevenção de tumores.
A alga “verde-azul” pertence ao mesmo grupo de micro algas que a spirulina. Crescem na água fresca do lago Klamath, uma remota área ao Sul do Oregon (EUA). Como a spirulina, esta alga contém mais de 60% de proteínas completas, clorofila, betacaroteno, complexo B (sete vezes mais de B12 do que a spirulina) e toda a gama de minerais.
O gérmen de trigo é o embrião do grão, contém todos os recursos vitais que permite que uma nova planta se desenvolva. É rica em vitamina B (B1:1,7mg/100gr; B2: 03mg/100gr, B3, B6: 1mg/100gr, ácido fólico 398mcg/100gr)), vitamina E, aminoácidos como lisina (1,660mg/100gr) metionina, minerais como ferro (9,1mg/g), magnésio (285mg), fósforo (1,044mg) ou zinco (13,2mg) e proteínas (28g/100gr).
O pólen é uma fonte de vitalidade muito rica de vitaminas, ácidos aminados e proteínas pré-assimiladas. Pode-se usar com outros adaptogénicos como regulador energético.
Óleos vegetais
As gorduras, em várias formas, são outro dos factores nutricionais que o nosso organismo necessita para funcionar correctamente. Alguns deles, os ácidos gordos essenciais (ómega-3 e ómega-6) produzem substâncias biológicas de capital importância sem as quais o nosso organismo não funciona. Grosso modo, poderíamos classificar as gorduras em três tipos: saturados, monosaturados e poli-insaturados.
As saturadas encontram-se maioritariamente em produtos animais como a manteiga de porco, derivados lácteos (queijo e manteiga), carne e em menor grau nos vegetais, com a excepção da manteiga de coco. As monosaturadas encontram-se principalmente representadas no azeite de oliveira. O azeite tem que ser extraído a frio, só através de processos mecânicos, e não refinado para ser denominado “virgem”. Só assim podemos aproveitar as suas componentes medicinais, como o ácido oleico, vitamina E, squalene, phytosterols e caretenoides - todos eles protectores de enfermidades cardiovasculares e tumorais. Por último, os poli-insaturados são todos os óleos vegetais (em estado líquido à temperatura ambiente) provenientes do milho, girassol, colza, sésamo, soja e outros.
Os ácidos gordos essenciais pertencem a este tipo de gordura, contudo, nem todos os poli-insaturados são essenciais: alguns óleos vegetais podem sofrer alterações perigosas, sobretudo quando são refinados, processados com calor ou utilizados para frituras. Os ácidos gordos essenciais dividem-se em dois grupos: o ácido linoleico (ómega-6), presentes principalmente nos óleos de girassol, milho e soja, e o ácido alfa linoleico (ómega-3) que se encontra em maior proporção no óleo de linho, e em menor percentagem no óleo de soja, avelãs, nozes e abóbora. Este ácido alfa linoleico converte-se no nosso organismo em ácido eicosapentaenoico (EPA, que se encontra em boa quantidade nos peixes de água fria, salmão, atum, trutas e cavala) e este ácido, por sua vez, converte-se numa importante hormona, a prostaglandina E-3. Muitíssimos estudos hoje em dia demonstram que o consumo destes peixes reduz significativamente o risco de enfermidades cardiovasculares. Por sua vez, este ácido linoleico transforma-se em ácido gama linoleico (desde que não encontre nenhum bloqueio na sua transformação) e este ainda, por sua vez, em “prostaglandina E-1. O ácido gama linoleico encontra-se presente nos óleos extraídos de plantas como borago officinalis e primula veris.
A actividade biológica dos ácidos gordos essenciais é vastíssima, contudo, alguma dela tem de ser mencionada. Eles formam parte da membrana celular, contribuindo para a sua fluidez e transportando oxigénio através das membranas assim como o crescimento e divisão celular; formam parte do tecido nervoso, afectam o desenvolvimento e função cerebral (incrementa a capacidade de aprendizagem), moderam as emoções, aliviam as depressões e equilibram a hiperactividade infantil. As prostaglandinas E-1 e E-3 são anti-inflamatórias, estimulantes do sistema imunitário (infecções) e moderam os problemas auto-imunes (como diabetes ou artrite reumatóide).

Atmosfera relaxada

O ruído ao qual estamos expostos quase todos no quotidiano é um dos factores mais esgotantes e perturbadores do sistema nervoso. No momento de almoçar ou jantar deveríamos apagar a televisão ou o rádio, baixar o volume do telefone (principalmente não atender) e distanciarmo-nos o mais possível de todas as fontes de ruído que ultrapassem os 60 decibéis (um restaurante que dê para a rua passa dos 80 decibéis). Então, devemos procurar o lugar mais tranquilo, harmonioso e confortável para podermos comer.
Por menos ideal ou bonita que possa ser a casa onde vivamos deveríamos sempre tratar de nos rodear de cores agradáveis e da beleza das plantas e flores. Por outro lado, deveríamos evitar comer quando estivéssemos apressados, ansiosos, irritados ou com falta de apetite. Ao comer em tais condições não se mastiga nem se saliva a comida apropriadamente e, por isso, a digestão perturba-se e dá origem a uma série de problemas gástricos, tais como gases, acompanhados de uma sensação de peso e sonolência o resto do dia. E, por último, os pratos têm que ser apresentados esteticamente de forma que sejam apetecíveis aos olhos.
Água pura
Não nos esqueçamos de que somos constituídos por uns 70% deste importantíssimo elemento: algo assim como 40 litros, dos quais 25 litros estão dentro das nossas células e 15 litros fora delas, no fluído extra-celular e no sangue. Esta quantidade deve permanecer aproximadamente constante para não afectar o equilíbrio metabólico. Em condições normais, perdemos no mínimo um litro de água e, dependendo do clima ou do tipo de actividade, como desportos, podemos perder um pouco mais de um litro e meio. Por isso devemos ingerir a cada dia pelo menos um litro e meio. Um défice de oito litros, o que só acontece com mais de seis dias de privação, pode ser fatal.
A composição da água varia de acordo com a fonte de onde provém. Algumas terão um conteúdo rico em magnésio, outras em cálcio, outras terão traços de lítio, etc. Infelizmente, a água encanada que bebemos contém também – assim como o ar e a terra – uma grande quantidade de substâncias tóxicas. Estas provêm em primeiro lugar das infiltrações que sofrem as camadas de água subterrânea, de pesticidas, herbicidas, fertilizantes (nitratos), detergentes, solventes e outros derivados petroquímicos. Em segundo lugar pelo material de canalização temos metais pesados como o chumbo e o cobre. E finalmente pelo tratamento que sofrem as águas potáveis como o sulfato de alumínio e cloro piora a sua toxicidade e muitas pessoas começam a ficar sensíveis a isso.
Para resolver este problema temos três alternativas. A primeira, reabastecer-se numa fonte de água que esteja o mais longe possível de qualquer indústria. Isto é um privilégio para uma grande maioria. A segunda, comprar garrafas de água mineral ou de fontes cuja composição química e bacteriológica estejam na etiqueta. E, por último, utilizar um filtro profissional, como o de “reverse osmosis”, que remove absolutamente todos os pesticidas, cloretos, metais pesados e micróbios. Só que também remove minerais importantes como o magnésio, cálcio e outros, portanto ter-se-ia que tomá-los como suplemento.
A “toxicidade” interna tem como primeira causa a acumulação de tóxicos do meio ambiente no nosso corpo. O ar que respiramos nas grandes cidades contém finas partículas de mil substâncias poluentes, a água da rede contém químicos perigosos.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Mel


De amarelo dourado, símbolo da perfeição e imortalidade, o produto meloso está este fim-de-semana na 20ª Feira da Castanha e do Mel da Lousã e provamo-lo aqui através de um apicultor da região.


Texto e fotografia Fernando Ventura


O mel é o néctar de algumas flores. E, à maioria das pessoas, sugere sempre qualquer coisa de bom. Qualquer coisa que dá saúde. Que dá força para trabalhar. Porque, realmente, tem influência na força muscular. Para alguns é também qualquer coisa de mítico.
Composto, principalmente, por frutose e glicose, contém uma combinação de vários minerais, vitaminas e enzimas que o tornaram o alimento e o remédio, por excelência, ao longo dos milénios.
Na antiguidade era considerado o alimento dos Deuses. Há poucos anos, os jornais noticiavam que um homem decepou um dedo. Ao recorrer ao Hospital local, foi-lhe dito que já não havia nada a fazer. Mas ele não desistiu. Foi para casa, correndo, enrolou o dedo com ligaduras envolvidas em mel e o dedo soldou e o nosso amigo paciente, embora sem sensibilidade no dedo e sem o poder dobrar, manteve os cinco dedos da sua mão.
Vale a pena lembrar aqui que Alexandre Magno, quando morreu numa campanha militar, no Oriente, e o quiseram sepultar na sua terra natal, foi transportado, totalmente envolvido em mel, durante meses, para evitar a sua decomposição.
Como alimento, estou convicto, é o maior dos melhores que a natureza nos dá. Contudo, existem pessoas que dizem dar-se mal com ele e a razão está nas misturas: o Mel é incompatível com vegetais e gorduras, daí as queixas. Mas é a maravilha das maravilhas quando utilizado no chá, nas bebidas, nos flocos, nas torradas e nos sumos em geral. Todavia, deve ter-se, sempre, o cuidado de não o aquecer a temperaturas superiores a 40º, para que não perca as suas importantíssimas propriedades medicinais. Outra particularidade é a cristalização. Fenómeno que se prende com a sensibilidade que os seus elementos possuem, em contacto com o frio. Apenas quatro ou cinco plantas, conhecidas, dão mel que não cristaliza.
O valor do Mel é tal que não se estraga, mesmo que passem, sobre ele, milhares de anos, como aconteceu com o Mel encontrado no túmulo de um Faraó. Não há alimento igual. Tudo se estraga com o tempo. O Mel não. Porquê?

As abelhas e o mel
Desde que o ser humano existe que se serve do trabalho das abelhas. O Homem, na sua caminhada para a perfeição, ganhou inteligência e apercebeu-se que podia roubar Mel e cera às abelhas. Primeiro a nu, como ainda hoje os ursos fazem e, depois, fazendo fogueiras junto das tocas ou grutas, onde se localizavam as colónias de abelhas, como, mesmo actualmente, alguns nativos da América do Sul, da África e da Oceânia continuam a fazer. Gravuras rupestres, em grutas da Andaluzia, demonstram que isto já acontecia há 30.000 anos.
A abelha era, assim, considerada mais um insecto selvagem, entre muitos. Mas... o Homem logo se apercebeu que podia dominar e controlar o seu trabalho e a sua produção. Transformou-as então em mais uma espécie viva, considerada doméstica. Temos provas irrefutáveis do que acabo de afirmar. Na História do Egipto dos Faraós, dos Gregos, Romanos, Árabes e dos Hebreus. Aqui fala-nos a Bíblia, em diversas passagens. Mas, de todas elas, a que mais me impressiona é aquela que afirma que Jesus será alimentado de leite e Mel.
Todos estes Povos construíram colmeias, em diversos materiais, para alojar os enxames. Os Romanos deram-nos, a nós Portugueses, o nosso ainda actual cortiço que, curiosamente, continua a ser construído, como há 2.000 anos, sendo os pregos que o sustentam (chamados vírus) de madeira.
Tudo isto para dizer que todo o ser Humano, que se preze, deve defender a vida de todos os animais, especialmente os considerados domésticos, cabendo às abelhas, porventura, o primeiro lugar, pois elas fornecem-nos vários produtos de grande importância, para a nossa existência, tanto no plano alimentar como no medicinal. Entre eles, passo a destacar: mel - pólen - própolis - geleia real - apitoxina.
Os maiores comedores de Mel, que a História regista, chamam-se Ecaron Olgy, de nacionalidade Russa, que viveu 148 anos, e Thomas Parr, de nacionalidade inglesa, que viveu 152 anos. Devemos, pois, estar gratos às abelhas, por todo o seu trabalho de polinização. Como proferiu Einstein: "Se as abelhas desaparecerem, dentro de pouco tempo, o Homem, também desaparecerá".

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Comer animais?


A alimentação humana à base de carne está a cada dia que passa a ser posta em causa. Mas nem todas as pessoas estão em condições de mudar. Quando se assinala, este Domingo, o Dia Mundial do Respeito pelos Animais, vamos ver quem pode ou deve adoptar uma dieta vegetariana e porquê.


Texto e fotografia Dina Cristo



Criar e matar animais para depois os comer tornou-se um hábito ancestral, (muito) poucas vezes questionado. Sempre assim foi e há-de continuar a ser, diz o povo: “já a minha avó….”. Habituados à escassez aquando da Grande Guerra, os nossos antepassados viam na carne um luxo, algo apropriado para momentos de festa, aliado a uma certa ideia de estatuto económico-social. Mais tarde, com a produção industrial, o seu custo baixou consideravelmente e o acesso generalizou-se. Passou, então, a fazer parte da ementa quotidiana.
Chegámos, assim, ao ponto em que, nos primeiros anos deste século, cada português consome, em média, cem quilos de carne, por ano. “A maior parte das pessoas pensa que uma refeição sem carne está incompleta, pois, desde tempos imemoráveis, considera-se axiomático ser a carne o alimento mais revigorante que possuímos. Todos os outros alimentos são considerados como simples acessórios de um ou mais pratos de carne no cardápio. Nada mais errado (…)”, escrevia Max Heindel há cem anos.
Ao excesso de carne no prato tem vindo a opor-se um movimento (inter) nacional que chama a atenção para os malefícios do uso, e sobretudo do abuso, do regime alimentar carnívoro. Peter J. D´Adamo tem estudado a dieta mais adequada para cada tipo de sangue e conclui claramente a natureza vegetariana dos indivíduos de tipo de sangue A, ao contrário do tipo O, carnívoros, e do tipo B, que toleram bem a proteína animal, e do tipo AB, que precisam de conjugar a dieta carnívora com a vegetariana.
Os riscos para a saúde são uma dos três razões mais habitualmente apontadas. A carga hormonal e de antibióticos, a alimentação artificial e as condições cruéis a que os animais são sujeitos nas produções intensivas têm vindo a ser denunciadas um pouco por todo o mundo: «Na produção pecuária utilizam-se aditivos e medicamentos de toda a espécie (…) para acelerar o crescimento dos animais e para combater doenças que são, frequentemente, consequência directa da imobilidade, dos maus tratos e da alimentação incorrecta dos animais», escrevia Gabriela Oliveira, no Outono de 2002, na revista “Biosofia” (uma das candidatas ao Prémio Informação Solidária 2009)[1].
As doenças entre os animais abatidos para consumo humano, como a BSE ou actualmente a gripe das aves, são vistas não como um acaso mas uma consequência do tratamento atroz a que os animais são submetidos. O gado deixou de se alimentar livremente nos campos para passar a ser “inchado” em condições degradantes e sujeito às mais diversas técnicas de tortura para lhes aumentar a produtividade e, portanto, os lucros empresariais: «(…) desde que haja possibilidade de ganhar dinheiro com a carne ou com a pele de um animal, o homem perde todo o respeito por sua vida e se converte no ser mais perigoso da terra, alimentando-os e criando-os para ganhar dinheiro, impondo sofrimentos e tormentos a um ser com direito à vida, para amontoar ouro»[2].
Humberto Álvares da Costa denunciava, há dez anos, o problema da assimilação dos desejos animalescos: «(…) também a matéria dos animais é viva e inteligente, mesmo depois de os assassinarmos, e introduzir no nosso corpo os desejos e o modo de sentir dos animais. Quem quer libertar-se, necessita de abdicar de comer animais ou tudo aquilo que promova desejos exacerbados (…)»[3]. Se se juntar a capacidade de antevisão dos animais à sua ida para os matadouros, autênicos campos de concentração, teremos o quadro de animosidade humana, agressividade e ferocidade comum.
Os cadáveres estão impregnados de toxinas, não só pela forma como são crescidos intensivamente, mortos e também, depois, ingeridos: «É natural que desejemos o melhor como alimento, mas todos os animais têm em si os venenos da putrefacção. O sangue venoso está cheio de substâncias venenosas que ele vai adquirindo no seu caminho através de todo o organismo e que normalmente deveriam ser expelidas através da urina e da transpiração. Estas substâncias repugnantes se encontram em todas as partes da carne, e quando comemos esses alimentos enchemos nosso corpo com essas toxinas venenosas. Muitas enfermidades são devidas ao nosso emprego da carne»[4], expunha o autor de "Conceito de Rosacruz do Cosmo".
Num artigo que recentemente publicámos, Alberto Chang explica os mesmos perigos: «As proteínas animais consumidas em excesso deixam resíduos tóxicos nos tecidos, tais como as purinas e ácido úrico, que podem causar putrefacção intestinal, acidificação e diminuição do cálcio e magnésio no organismo. Muitas vezes consomem-se os hambúrgeres bastante fritos ou cozidos e o problema agrava-se mais, visto que ao perder a vitamina B6 e outros nutrientes dá-se o aparecimento de uma substância tóxica: a homeocisteína, implicada na origem da arteriosclerose. Por outro lado, a carne tostada vem a produzir uma substância extremamente tóxica: o benzo-alfa-pirene, implicado na formação de cancro»[5].
Além das incompatibilidades alimentares, da multiplicação de proteína (um dos erros mais comuns à mesa, como é exemplo o bife com ovo), e da forma incorrecta de os cozinhar (demasiado fogo que elimina os nutrientes), o seu excesso deixa, pois, um rasto de veneno pelo organismo: «A carne que se consome», afirma Gabriela Oliveira, autora do livro “Alimentação Vegetariana Para Bebés e Crianças”, «mais não é que um bocado de cadáver impregnado de toxinas e de emoções primárias, resultado de uma vida escravizada e de uma morte violenta»[6]. Daí a tendência das crianças vegetarianas, como sublinha, para ser «(…) mais equilibradas, calmas e afectuosas (…)»[7]

Nutrição vegetariana 

A dieta vegetal ou frugívora é mais saudável, sobretudo se for crua, pois mantém a vitalidade do alimento, e é, muita dela, um antisséptico natural em alto grau (caso do ananás, laranja ou limão), limpando e purificando o sistema orgânico e elevando as vibrações do corpo. «Não devemos, todavia, chegar à conclusão de que cada um de nós teria que deixar de comer carne e dedicar-se a comer vegetais crus. Em nosso estado actual [1909] de evolução são muito poucos os que podem fazê-lo. Temos que cuidar de não elevar muito rapidamente as vibrações de nossos corpos porque, para continuarmos nosso trabalho nas condições actuais, precisamos ter um corpo apropriado para as tarefas que devemos realizar»[8].
Na verdade, o maior poder alimentício não está na carne. A sua proteína requer muitas enzimas digestivas (que o tipo de sangue O dispõe), pelo que a parte não digerida, que fica retida nos intestinos, apodrece e provoca maior acumulação tóxica; acidifica o organismo, origina uma menor actividade, maior excitação e desgasta o corpo. Só as pessoas que a consomem sentem necessidade de um estimulante espirituoso que embriaga, o vinho. Pelo contrário, os vegetais são elementos de mais fácil digestão, fornecem mais energia e a sua nutrição é mais prolongada.
No Génesis (1.29), é referido que a humanidade se deverá alimentar de vegetais: «E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dá semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto de árvore que dá semente, ser-vos-á para mantimento». Uma alimentação para a qual está vocacionada: «Os seres humanos podem alimentar-se de todo o tipo de alimentos, mas possuem características digestivas fisiológicas mais próximas do herbívoro que dos carnívoros. Exemplo disso é o número dos dentes incisivos, molares e pré-molares, e um tracto digestivo longo, adaptado à digestão de legumes, frutas e cereais, e em menor grau à digestão de proteínas animais»[9].
Além do envenenamento, embrutecimento e várias doenças, há um “segundo” argumento a desfavor da alimentação à “base” de animais: o ambiente. O Partido pelos Animais, na Holanda, e o documentário “Uma verdade mais do que inconveniente” sublinham o responsabilidade da indústria da pecuária nas emissões de gases no mundo (18%), acima do impacto dos transportes (13%), e na degradação dos solos e da água. Cada quilo de carne de vaca consumido equivale a 16 mil litros de água gastos: «Neste contexto, adoptar uma alimentação tendencialmente de base vegetariana permite, para além de reduzir o impacte sobre o solo, sobre a biodiversidade, sobre a energia e sobre as alterações climáticas, poupar água»[10], relembrava a Quercus no início deste ano. A quantidade de árvores abatidas para dar lugar a campos de cultivo que sustentem alimentação para os animais é outro factor de risco ambiental planetário.
Matar é desumano A terceira “vaga” de contestação é ao nível ético. O ideal de respeito pela vida dos animais e a prática de uma alimentação vegetariana têm sido ensinados e defendidos pelos grandes vultos da nossa história (inter)nacional. S. Francisco de Assis, seu padroeiro, é um dos mais conhecidos. Mais tarde, Leonardo Da Vinci profetizava que dali a alguns séculos qualquer ser humano que matasse um animal seria (re)criminado e condenado tal como “hoje” acontece quando a vítima é um humano.
«Tanto a espiritualidade oriental como a ocidental têm tradições que favorecem o vegetarianismo como expressão de sensibilidade moral e espiritual. No Ocidente, a exclusão de produtos animais foi ensinada pelos antigos pitagóricos, por algumas austeras ordens religiosas medievais e pelos rosacruzes»[11]. Em Portugal, Agostinho da Silva foi um exemplo de inofensividade à mesa e a tradição religiosa nacional reserva as Sextas-Feiras da Quaresma, especialmente a Santa, para a abstinência carnívora.
Já no século XIX, Helena Blavatsky se indignava perante o sofrimento sobre os animais: « (…) a caça se tornou um dos entretenimentos mais nobres das classes superiores. Assim – pobres inocentes pássaros feridos, torturados e mortos aos milhões a cada outono, tudo em países cristãos, para a recreação do homem. Disso também surgiu a maldade, e frequentemente a crueldade a sangue frio (…) Em todos os países que o europeu passa a dominar, começa a matança de animais e o seu massacre inútil»[12].
No início do século XX, Max Heindel questinava: «Se tivesse que ir a esses lugares sangrentos, onde todos os dias se cometem horrores para poder satisfazer os costumes anormais e daninhos, que causam muito mais vítimas que a sede de álcool; se tivesse que manejar o cutelo impiedoso e mergulhá-lo nas carnes palpitantes de suas vítimas, quanta carne comeria? Muito pouca. Mas para fugir desse trabalho repugnante, obrigamos nossos semelhantes a trabalhar nos sangrentos matadouros, matando milhares de animais dia após dia»[13].

Animais sensíveis 

Um dos maiores combates de quem defende os animais é o reconhecimento do seu carácter senciente, ou seja, de seres capazes de sentir dor e de sofrer. «Torna-se hoje visível que muitos animais, se tiverem espaço/condições psicológicas e materiais, revelam um potencial imenso, demonstram verdadeira inteligência, sentimentos refinados e complexos, e impressionante sentido estético”[14].
Nos nossos dias, a contestação face ao tratamento dos animais como se fossem objectos ou coisas à mercê dos caprichos do Homem alastra conforme desperta a sensibilidade das crianças, homens e mulheres. Reflexo de uma renovada consciência que, por compaixão, pretende evitar o sofrimento desnecessário dos animais que, doravante passam a ser vistos como criaturas vivas, a quem se deve respeito e protecção.
Hábitos alimentares que até há pouco tempo foram vistos como normais - por indiferença, inconsciência ou desumanidade - são hoje cada vez mais considerados verdadeiras atrocidades, barbaridades, massacres, assassinatos, aberrações, tornando-se cada vez mais difícil justificar os cerca de 60 biliões de animais usados em quintas industriais e o crescente mercado negro (ilegal) de animais (selvagens).
Desde sempre seres humanos de elevada estirpe optaram por um regime vegetariano, mas ultimamente têm vindo a somar forças. Em Portugal, a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal, a "Animal", associação criada há 15 anos no Porto, têm vindo a lutar pelos direitos dos animais, como o de não serem sujeitos à violência, à privação da liberdade física e de não serem mortos. A nível internacional, está a decorrer uma campanhaPara mim os animais importam”, que conta com quase dois milhões de assinantes. A nível governamental, cerca de 200 países assinaram um compromisso, decorrente da conferência da Manila, em 2003, tendo em vista uma Declaração Universal do Bem-Estar Animal.
Também os portugueses se mostraram mais sensibilizados com o sofrimento animal ao ponto de o “Aqui e Agora”, da SIC (outro dos nomeados para o PIS 2009) lhes ter dedicado dois programas, com elevados níveis de participação. Na Anadia, por exemplo, há um casal que tem como animal de estimação uma porca e a cada esquina vemos mais pessoas dedicadas ao convívio com os animais.
Tendo em vista o desenvolvimento humano será de esperar que a humanidade passe a etapa do carnivorismo, como já ultrapassou a do canibalismo. Com uma sensibilidade mais apurada, de acordo com Max Heindel, os seres humanos sentirão horror face a um passado que, então, encararão como bárbaro e tenderão, então, a sacrificar-se a si mesmos, em detrimento dos animais, e a criar, em vez de destruir: «(…) chegará o dia em que sentiremos profunda repugnância ante o pensamento de converter nossos estômagos em cemitério de cadáveres dos animais assassinados. Todos os verdadeiros cristãos se absterão de comer carne por pura compaixão e compreenderão que toda vida é a Vida de Deus e que é errado causar sofrimento a qualquer ser sensível»[15].

Mudança de regime alimentar? 

Max Heindel chama a atenção para a alteração repentina da base alimentar humana: «(…) Seria errado, no entanto, que se mudassem os hábitos alimentares usados durante anos, para seguir outro regime, sem análise prévia e cuidadosa do que melhor possa servir aos objectivos pretendidos. A simples eliminação da carne, da alimentação corrente das pessoas omnívoras, causaria certamente desequilíbrios na saúde da maioria. A única maneira segura de o fazer é, em primeiro lugar, estudar o assunto cuidadosamente e experimentar o novo regime»[16].
Quem tem o tipo de sangue A (de origem sedentária, quando o homem se tornou agricultor) pode fazê-lo e, no caso de aspirantes a uma vida espiritual, devem-no: “Nenhum indivíduo que mate consegue progredir alguma coisa no caminho da santidade. Note-se, todavia que, ao comer carne, agimos pior do que se matássemos. Com efeito, para evitar cometer pessoalmente essas matanças, obrigamos o semelhante, forçado por necessidades económicas, a dedicar a sua vida inteira ao assassínio. Essa actividade brutaliza (…) Matar, para um aspirante aos ideais elevados, seja pessoalmente ou por interpostas pessoas, é uma coisa completamente inaceitável. Contudo, podem ser usados vários produtos animais muito importantes, como o leite, o queijo e a manteiga»[17].

Alternativas 

Como refere Max Heindel no sub-capítulo "Ciência da nutrição", na sua obra máxima: «Em termos gerais, de todos os alimentos sólidos, os vegetais frescos e as frutas maduras contêm a maior proporção de substâncias nutritivas e a menor quantidade de substâncias nocivas»[18]. Devido ao seu grau de consciência (sono com sonhos), superior ao dos vegetais (sono sem sonhos), os animais tendem a individualizar-se, a resistir à sua assimilação e a libertar-se mais depressa, daí a decomposição rápida, pelo que a sua ingestão exige maior quantidade de comida e refeições mais frequentes.
Existem formas alternativas, mais éticas, ecológicas e saudáveis, de obter proteínas completas, ou seja, alimentos que contêm, nas proporções correctas, os aminoácidos essenciais (isoleucina, leucina, lysina, methionina, fenylalanina, threonina, tryptofan e valina) produzidos unicamente através da alimentação (e não elaborados espontaneamente pelo organismo, como é o caso dos 14 aminoácidos não essenciais). A combinação do arroz com feijão, favas, ervilhas ou grão, por exemplo, é uma das formas de o conseguir. Também há fontes unicamente vegetais de proteína muito rica, em qualidade e quantidade, como é o caso dos derivados da soja, desde que não geneticamente modificada, como o tofu.
Em “O livro essencial da cozinha vegetariana” são dados exemplos de como variar e combinar alimentos: “A mistura de leguminosas, cereais, frutos secos e sementes proporciona ao organismo os aminoácidos necessários para produzir proteínas completas: feijão encarnado com arroz, grão-de-bico com couscous, sopa de ervilhas secas com pão, hamburguer de lentilhas com pão, manteiga de amendoim com tosta, tostas com feijões guisados (…)”[19]. Também “Na maior parte das sociedades a cozinha típica inclui diversas formas de combinar as proteínas complementares”[20], como arroz com tofu, massa e queijo, muesli com leite ou feijões com legumes[21].
A dieta vegetariana, nos seus diferentes formas e graus, constitui uma solução para muitos dos problemas actuais; alia a via da não-violência, o desenvolvimento humano e uma vida saudável e será difícil argumentar que não é viável - «As nações vegetarianas do Oriente são um argumento incontestável contra os que defendem a dieta carnívora”[22] – ou exequível, pois a lista de restaurantes vegetarianos cresce não só pela região de Lisboa mas por todo o país.


[1] OLIVEIRA, Gabriela – Nascer e crescer vegetariano in Biosofia, Outono 2002, p.34. [2] HEINDEL, Max – Princípios ocultos de saúde e cura, Cap. X, p.9. [3] COSTA, Humberto Álvares – Vegetarianismo e o Novo Homem in Biosofia, Outono 1999, p.46. [4] HEINDEL, Max – Princípios ocultos de saúde e cura, Cap.X, p.8. [5] Editado pela Arte Plural em 2006. [6] OLIVEIRA, Gabriela – Nascer e crescer vegetariano in Biosofia, Outono 2002, p.34. [7] OLIVEIRA, Gabriela – Nascer e crescer vegetariano in Biosofia, Outono 2002, p.33. [8] HEINDEL, Max – Princípios ocultos de saúde e cura, Cap. X, p.9. [9] A importância da soja na alimentação humana, Rosacruz, nº 386, p.29. [10] QuercusAmbiente Janeiro/Fevereiro 2009, pág.29. [11] ROSACRUZ – A importância da soja na alimentação humana in Rosacruz, nº386, p.29. [12] Citado de http://www.filosofiaesoterica.com/ [13] HEINDEL, Max - Princípios Ocultos de Saúde e Cura (Cap.X). [14] ANACLETO, José Manuel – Animais in Biosofia, nº33, p.3. [15] HEINDEL, Max – Princípios ocultos de saúde e cura, Cap. X, p.10. [16] HEINDEL, Max - Método para adquirir conhecimento directo, p.352. [17] HEINDEL, Max - Método para adquirir conhecimento directo, p.351. [18] HEINDEL, Max – Conceito Rosacruz do Cosmos, p.350 [19] O livro essencial da cozinha vegetariana, Konemann, 2000, p.22/23. [20] O livro essencial da cozinha vegetariana, Konemann, 2000, p.20. [21] Outros exemplos. hummus com pão lavash, salada de feijão e tabouli, dhal com pão pita ou com arroz, felafel com pão pita ou feijões com milho. [22] HEINDEL, Max – Princípios ocultos de saúde e cura, Cap. X, p.8.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Nutrição racional

A dois passos do Dia Mundial da Alimentação lembramos alguns princípios básicos para uma boa nutrição: comer alimentos não processados nem refinados ou contaminados com agrotóxicos, ingerir hidratos de carbono lentos, proteínas completas (com moderação e de forma variada), vegetais crus, sementes e grãos germinados, alimentos lactofermentados e probióticos. Agora mais atentos, devido à gripe A, comecemos pela necessidade de romper com os maus hábitos alimentares.

Texto Alberto Suarez Chang fotografia Dina Cristo

A nutrição é uma ciência completa e uma arte de usar os alimentos com equilíbrio. Com uma dieta carente de proteínas completas, hidratos de carbono, vitaminas e minerais, seria impossível estar livre de enfermidades e gozar de um óptimo bem-estar físico e mental. Para isso é fundamental saber a composição de cada alimento, as compatibilidades alimentícias, o modo adequado de prepará-lo e estar consciente de que a qualidade é muito mais importante do que a quantidade. Por exemplo, uma cenoura contém uma grande quantidade de betacaroteno, sobretudo se provém da agricultura biológica, porém esta pode diminuir se não for consumida rapidamente ou pode ser destruída completamente se for cozida mais de cinco minutos.
Os queijos, sobretudo se são de leite cru, são uma excelente fonte de proteínas, porém quando se abusa deles, podem estimular uma excessiva produção de mucos; se são consumidos junto com os doces podemos bloquear a absorção de proteínas e formar uma glicosilação. Este processo causa uma modificação anormal na estrutura e funcionamento de muitas outras proteínas de células e tecidos, acelerando, por exemplo, as complicações oculares dos diabéticos.
Todavia, apesar de termos uma alimentação razoavelmente aceitável, não conseguimos ter um aporte suficiente de vitaminas, minerais e outros nutrientes que nos permitam libertarmos a toxicidade ambiental, reparar o desgaste celular, reforçar o sistema imunitário e restaurar o sistema nervoso do stress da vida moderna.
Necessitamos urgentemente de incorporar na nossa dieta quotidiana certos alimentos com uma alta concentração de nutrientes essenciais, tais como a levedura de cerveja (rica em complexo B e aminoácidos), gérmen de trigo (vitamina E), pólen de flores, algas marinhas (iodo e ácido algínico), iogurte (proteínas e acidófilos), azeites polinsaturados de colza ou sésamo com pressão a frio (precursor de prostaglandinas E1), assim como aumentar o nosso consumo de frutas ricas em vitamina C, como o kiwi, a papaia, a toranja, o maracujá, também alhos, brócolos, repolho roxo e os abacates (excelentes fontes de antioxidantes sulfurados, selénio e glutatião).
Todos estes supernutrientes podem ser suficientes na maior parte dos casos porém, quando sofremos de um processo infeccioso ou degenerativo (como artrite) ou quando a quantidade de metais pesados e outros xenobióticos é alta no nosso organismo, necessitamos de uma suplementação extra de todos os nutrientes essenciais tais como os antioxidantes (vitamina E, C, selénio), minerais (magnésio e zinco) e o complexo B em doses mais fortes.
Infelizmente o preço da vida moderna e do progresso, nós mesmos temos que pagar pois as leis e as resoluções governamentais, que deveriam proteger o meio ambiente e o povo, são inexistentes.

Maus hábitos

A maioria das pessoas não se preocupa com o conteúdo alimentício do que consome. Só se interessa com a sensação hedonista que produzem certos alimentos do seu agrado. Isto leva, por um lado, a uma limitação de nutrientes e, portanto, a uma desnutrição e, por outro, a um excesso perigoso de certas substâncias, como as gorduras saturadas (carnes e lácteos), gorduras peroxidadas (frituras) ou, pior ainda, gorduras “trans” (como as margarinas usadas nos bolos), açúcar refinado (doces, gelados), produtos torrados (café) ou defumados (chouriço, presunto, salmão).
Muitas pessoas sentem que não podem funcionar apropriadamente sem tomar uma ou várias chávenas de café logo de manhã. Pensam que lhes dá energia. A cafeína é uma substância aditiva que estimula em exagero o sistema nervoso central e afecta a função de órgãos vitais como o coração, os rins e as supra-renais.
Aqueles que mudam os seus hábitos alimentares só o fazem quando têm graves problemas de saúde, outros inteligentemente compreenderam que uma boa nutrição é o melhor preventivo de enfermidades e a melhor maneira de aumentar a capacidade mental e o bem-estar físico.
Alimentos naturais
A maior parte dos alimentos que encontramos nos supermercados são desnaturalizados, desvitalizados e carentes de nutrientes essenciais devido em primeiro lugar a práticas lucrativas da agricultura convencional e em segundo lugar ao processo de industrialização que sofrem quase todos os produtos de consumo hoje em dia.
Comemos frutas, verduras, carnes e produtos lácteos com pesticidas e metais pesados que causam graves problemas de saúde a longo prazo. Por exemplo, os insecticidas organoclorados, como o lindane e aldrin, consumidos quotidianamente, produzem uma intoxicação crónica e podem provocar problemas neurológicos como dores de cabeça, com náusea, vertigem, confusão mental, perda de memória, ansiedade, astenia e mal-estar geral.
Outros insecticidas, os organofosfatados e os carbamates, bastante utilizados em quase todo o tipo de cultivo (legumes, árvores frutíferas, vinhas, etc.) são poderosos neurotóxicos devido à sua forte lipossolubilidade. Eles interferem com a acetilcolinesterase, a enzima que regula a acetilcolina, um neurotransmissor responsável por muitas e importantes funções, como a faculdade de concentração, aprendizagem, memória, movimentos musculares (tónus muscular), vasodilatação das artérias e capilares, reforço da contracção do tubo digestivo e a hipersecreção dos brônquios.
Em seguida, os alimentos são conduzidos a “armazéns” onde passam por um processo de esterilização com aditivos (preservantes anti-fúngicos) ou são irradiados. Com o bombardeio de iones radioactivos a fruta, os vegetais ou a carne podem preservar-se por mais tempo do que a putrefacção normal e, portanto, podem ser vendidos em lugares mais distantes. Todavia, com este processo, os alimentos, já contaminados e desvitalizados da primeira fase, sofrem mais problemas: durante a sua irradiação produzem-se “radiolitos” (que podem ser tóxicos para a saúde), os vírus e as bactérias podem mudar e chegar a ser mais resistentes, os micotóxicos, como a aflatoxina (poderoso carcinogénio) aumentam a sua toxicidade e, como se isto fosse pouco, a maioria das vitaminas são erradicadas.
O pão e as massas brancas são alimentos que perderam, durante o refinamento da farinha, a maioria dos seus nutrientes (pois a cutícula do trigo contém grande quantidade de complexo B e minerais).
As condições da vida moderna nas grandes metrópoles não nos permitem ter as condições para uma boa alimentação. Uma grande maioria dos que trabalham nas cidades têm de recorrer a restaurantes ou levar sandes para almoçar. Não são muitos os privilegiados que têm um jardim e todavia entre eles são poucos os que têm uma horta biológica. Então não temos outra alternativa do que encontrar um bom fornecedor de produtos biológicos certificados.
Hidratos de carbono lentos Os hidratos de carbono ou glúcidos assimiláveis estão divididos em três grupos: monossacarídeos - são a glicose, frutose e galactose; dissacarídeos - são a sacarose (molécula de glicose e frutose), maltose (duas moléculas de glicose) e lactose que está no leite (galactose e glicose) e glúcidos complexos – são moléculas mais complexas de glicose como os amidos (glúcidos vegetais) e em certa medida pelo glicogénio (glúcido animal).
Todos os glúcidos são transformados em glicose pela acção da digestão e na actividade hepática. A rapidez com que a glicose se torna utilizável depende de dois factores: o tempo que permanece no estômago e a velocidade com que a digestão se processa antes de passar no sangue. De referir que a velocidade a que decorre o esvaziamento do estômago (tempo gástrico) é um dos factores mais importantes.
Aquele tempo condiciona a velocidade de distribuição, no intestino delgado, da glicose previamente produzida no estômago. Estas duas operações devem efectuar-se o mais lentamente possível a fim de evitar a glicemia. O glúcido lento por excelência e aqueles que são ricos em glúcidos complexos são, por exemplo, as massas (97 minutos), arroz (86 minutos) ou pão (81 minutos). Para ser mais lenta pode incluir lípidos, como queijo, manteiga, azeite, nozes e outros polinsaturados.
Proteínas completas As proteínas são substâncias complexas com as quais se formam os músculos, os órgãos, as unhas, o cabelo, o colagéneo, as enzimas e toda a estrutura celular do nosso organismo. São constituídas por pequenas unidades, os aminoácidos. Existem 22 tipos de aminoácidos, dos quais 14 são elaborados no organismo, sendo os outros oito obtidos mediante a alimentação e, por isso, considerados essenciais. Eles são a isoleucina, leucina, metionina, fenilalanina, triptofano e valina.
Uma proteína é considerada completa quando contém os oito aminoácidos em proporção correcta. Por exemplo, os ovos, a carne, o peixe, os queijos e o iogurte. Sem dúvida, o peixe é a melhor forma de proteína completa, no sentido de que é mais digerível; é rico em ácidos gordos essenciais (ómega-3) e menos tóxico se comparado com a carne vermelha, que contém colesterol.
As proteínas animais consumidas em excesso deixam resíduos tóxicos nos tecidos, tais como as purinas e ácido úrico, que podem causar putrefacção intestinal, acidificação e diminuição do cálcio e magnésio no organismo. Muitas vezes consomem-se os hambúrgeres bastante fritos ou cozidos e o problema agrava-se mais, visto que ao perder a vitamina B6 e outros nutrientes dá-se o aparecimento de uma substância tóxica: a homeocisteína, implicada na origem da arteriosclerose. Por outro lado, a carne tostada vem a produzir uma substância extremamente tóxica: o benzo-alfa-pirene, implicado na formação de cancro.
Os ovos são fontes excelentes de proteína completa e lecitina. Devem ser cozidos na água, uma vez que perdem a lecitina quando fritos. Os queijos, porém, sobretudo o iogurte, contêm uma boa quantidade de proteínas pré-digeridas.
A quantidade de proteína depende de factores individuais. Assim, uma mulher em gestação ou que amamenta um filho, um menino em fase de crescimento, um atleta ou um trabalhador manual necessitarão de maior quantidade de proteínas do que outros.
Procure variar as fontes proteicas a cada dia. Por exemplo, um dia coma peixe, outro dia uma omeleta, no dia seguinte um assado de carneiro ou frango e, por último, outro dia só feijão com arroz. O feijão contém grande quantidade de proteínas, porém são incompletas, falta-lhes os aminoácidos triptofano e fenilalanina, que podemos encontrar no arroz e falta a este os aminoácido lisina e isoleucina, os quais se encontram em boa quantidade no feijão, de maneira que ao serem consumidos juntos se completam.
Outro ponto relacionado com o consumo de proteínas é a maneira de combiná-las com outros alimentos. O sistema digestivo adopta a sua secreção de acordo com as exigências de cada alimento. Os alimentos feculentos (como a farinha, o seitan) necessitam de uma secreção gástrica diferente dos alimentos proteicos. A pepsina, a enzima que reduz as proteínas nos seus elementos mais simples, necessita de um meio ácido para estar activa. Portanto, uma secreção gástrica ácida (ácido clorídrico) acompanha a ingestão de proteínas. Em troca, a ptialina ou amilase salivar, que se encarrega de decompor os almidones e polisacarídeos em monosacarídeos, necessitam de um meio alcalino. Então, o correcto para o nosso organismo seria consumir as proteínas e os amiláceos em comidas separadas.
Os alimentos intervêm sobre a nossa capacidade de atenção e memória. Existem numerosos estudos que põem em evidência a correlação que existe entre o melhoramento da atenção (e toda o desempenho mental) depois do consumo de proteínas e o surgimento de um estado sonolento após o consumo de glúcideos. O mecanismo biológico é complexo, porém podemos simplificá-lo assim: as proteínas induzem a uma competência entre vários aminoácidos neutros de cadeia larga como a leucina, valina, tirosina, fenilalanina e triptofano, acedendo a moléculas que serão transportadas ao cérebro através da barreira hemato-meníngea. Isto dá como resultado uma redução no fluxo intracerebral de triptofano e, por conseguinte, uma diminuição na síntese de serotonina, o neurotransmissor que regula o sono.
Por outro lado, o consumo de glucídeos activa o sistema monoaminérgico e serotoninérgico através da insulina, a qual permite uma entrada massiva no tecido muscular de certos aminoácidos neutros, porém pouco ou nada de triptofano. Este facto faz com que o triptofano aumente no plasma e passe a barreira encefálica para acrescentar o estado de serotonina de quem é precursor. Então, deveríamos comer proteínas ao pequeno-almoço e ao almoço. Pelo contrário, se comêssemos pão refinado com compotas doces e café teríamos um estímulo energético por algumas horas para em seguida cair num estado de sonolência.
Vegetais crus Pelo menos, 50% da nossa dieta deveria conter saladas de folhas verdes, pimentões, cenouras, etc. Os brócolos assim como a couve-flor e a couve-de-bruxelas só podem ser cozidos ao vapor apenas durante dois minutos, caso contrário, as suas propriedades vitamínicas e os “fitoquímicos” destroem-se parcialmente. A cozedura destrói enzimas, ácidos gordos polinsaturados, uma parte de proteínas e o valor nutricional da maior parte dos alimentos. Por exemplo, a boa quantidade de vitamina E, proteínas e ácidos polinsaturados das oleaginosas, como as amêndoas, avelãs e sésamo, são totalmente destruídas a temperaturas acima dos 90º.
Germinar grãos e sementes (trigo, soja, alfafa) é a melhor forma de potencializar a quantidade das suas vitaminas e minerais, assim como melhorar a qualidade das suas proteínas.
Probióticos A fermentação do ácido láctico através de leveduras, bactérias e outros microrganismos é um procedimento universalmente praticado para conservar naturalmente os alimentos, uma vez que, devido à sua acidez, impede o desenvolvimento de germes de putrefacção. Por outro lado, e talvez o mais importante, os alimentos lactofermentados, como chucrute, picles, miso e outros vegetais fermentados em ácido láctico, sofrem uma transformação no valor dos seus nutrientes. Por exemplo, na soja e noutros grãos sintetizam-se grandes quantidades de vitamina B12 e enzimas que favorecem a sua assimilação.
Outro alimento lacto-fermentado é o iogurte. Aqui as propriedades do leite são melhoradas pois as proteínas são pré-assimiláveis e, por outro lado, o iogurte feito com leite fermentado com lactobacilos acidófilos ou bifidobacterium bifidum tem propriedades terapêuticas e por isso se denomina “probiótico” (pró-vida).
Os lactobacilos acidófilos têm a capacidade de restaurar a saúde e promover o equilíbrio do nosso ecossistema intestinal intoxicado com bactérias de putrefacção e outras patogénicas, resultado da utilização de antibióticos, contraceptivos orais, demasiado uso de açúcar, seguido de consumo excessivo de carnes e lácteos contaminados com resíduos de antibióticos e esteróides. Recentes investigações demonstram que os lactobacilos acidófilos destroem também a E coli, uma das bactérias mais tóxicas do nosso tracto intestinal. Os acidófilos rompem a lactose em ácido láctico e neste meio é impossível a sobrevivência de bactérias que produzem gases e putrefacção.
Por outro lado, os acidófilos têm outro papel importante: o de sintetizar o “complexo B” no nosso sistema. Estimulam o sistema imunitário (desactivam bactérias patogénicas quando estão na presença de ácido fólico e riboflaviba), tratam e previnem a geração e propagação de “cândida albicans” e outras infecções micóticas, em casos de diarreias corrige a proliferação de bactérias gram-negativas, protegem contra infecções urinárias recorrentes, reduzem o risco de cancro do cólon, assim como em casos de asma, problemas hepáticos e má absorção de proteínas.

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