quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Fátima" no JN

Em plena visita papal, editamos um texto, elaborado em 2002, sobre os artigos publicados no “Jornal de Notícias”, no dia 13 de Maio, entre 1964 e 1984, relativos às celebrações da aparição da Virgem Maria aos três pastorinhos.


Texto Ana Rasteiro Brites fotografia Dina Cristo


A 13 de Maio de 1917 estavam os três pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia, a guardar o seu rebanho na Cova da Iria, em Fátima, quando de repente um clarão brilhou no céu.
Em frente deles estava uma Senhora muito nova e “extraordinariamente bela, mais brilhante do que o sol” sobre uma pequena azinheira. A Senhora pediu-lhes que se encontrassem naquele lugar, no dia 13 de cada mês, ao meio-dia.
Os três pastorinhos combinaram não dizer nada a ninguém sobre o que tinham visto, no entanto Jacinta não se conteve e dissera à sua mãe que tinha visto Nossa Senhora. Então os três pastorinhos tiveram muitos problemas, pois ninguém acreditava neles.
No dia 13 de Junho apareceu a Virgem novamente sobre a azinheira, onde disse a Francisco e Jacinta que iriam brevemente para o céu, ao contrário de Lúcia que iria continuar na Terra.
No mesmo dia do mês seguinte já estavam mais de 2000 pessoas aquando da aparição de Nossa Senhora e disse-lhes que “No mês de Outubro, farei um grande milagre, para que todos acreditem”.
Tal como tinha sido prometido, no dia 13 de Outubro de 1917 a Virgem fez um milagre, para que todos acreditassem, com “A Dança do Sol”.

Década de 60

Na edição do “Jornal de Notícias” do dia 13 de Maio de 1964, Quarta-Feira, é dada uma ideia do que se passa em Fátima durante este dia: “Fátima é desde ontem à tarde e continuará a ser até ao princípio da tarde de hoje o altar do mundo onde ajoelha e reza gente de todas as latitudes, de todas as raças, de todas as condições sociais, de todas as idades”.
Nessa altura Fátima é o palco de “uma expressão conjugada de fé que não conhece os limites do sacrifício”.
Em 1965 “Fátima é inegavelmente um fenómeno”, mais uma vez milhares de peregrinos chegam nesta altura ao chamado “Altar do Mundo”.
Nesse ano, a peregrinação termina de uma forma especial, com a “solene entrega da Rosa de Ouro concedida pelo Papa Paulo VI e entregue por D. Fernando Cento “ao santuário”.
Segundo o Papa Paulo VI o “que todos os anos se vê em Fátima é a prova segura de que “enquanto houver portugueses a Virgem será sempre o seu amor”.
Todos os anos Fátima é palco de penitências, muitas delas são pagas de joelhos, por mulheres e homens sozinhos ou com filhos ao colo, por jovens e até mesmo por idosos.
Em 1966 “Vinte e um prelados portugueses e fiéis de todo o mundo reunidos em Fátima na grande peregrinação de Maio”, na qual “tomaram parte representações de quase todos os países católicos do mundo”.
Tal como acontece todos os anos, e este não é excepção, “a procissão das velas constitui uma impressionante manifestação de fé”, onde se encontram milhares de pessoas a observar o andor de Nossa Senhora iluminado.
Este acontecimento é retratado pelo “Jornal de Notícias” como uma “emocionante expressão de fé, espectáculo de extraordinário significado e beleza que atingiu (…) um raro esplendor”.
Em 1967 “Portugal recebe o Papa!”.
Foi um dia muito importante em Fátima, o 13 de Maio de 1967, uma vez que o Papa Paulo VI veio a Fátima participar nas celebrações do 13 de Maio, nomeadamente na procissão do “Adeus”.
Um outro factor, não menos importante, que marcou o 13 de Maio deste ano, foi o facto de que Lúcia, “única vidente ainda viva”, assistiu na tribuna papal às cerimónias em honra de Nossa Senhora.
Em 1968 é a vez de “Fátima no fecho do ano jubilar”.
Em Fátima, no Altar do mundo, “onde se multiplicam de ano para ano testemunhos da grande força da fé católica, vivem-se as horas do encerramento do cinquentenário das aparições de Nossa Senhora”.
É também muito retratado pelo jornal as considerações feitas sobre a visita do Papa Paulo VI a Fátima no ano anterior, tal como a inauguração da sua estátua no presente ano, nomeando-o de “Papa peregrino”.
No último ano da década de 60 Fátima é, novamente, como se repete há 52 anos, o Altar do Mundo, onde decorre “a mais grandiosa e expressiva manifestação de fé”.
“A peregrinação deste ano ao santuário de Fátima será efectivamente das mais comovedoras de sempre”.
Segundo o enviado especial do JN a peregrinação de 1969 foi deveras marcante, pois jamais se verificaram “tão numerosos actos de dura penitência”, “meia centena de mulheres de todas as condições sociais – percorrendo de joelhos, em cumprimento de promessas, esse longo caminho que vai da Cruz Alta à capelinha das Aparições”.
No 53º aniversário das aparições são muito menos os fiéis que acorrem ao santuário de Fátima no 13 de Maio, devido ao tempo incerto com aguaceiros. No entanto, todas as celebrações foram realizadas ao ar livre como estava previsto.

Década de 70

Em 1970 a peregrinação nacional teve como intenção “pedir a beatificação dos videntes Jacinta e Francisco Marto, no cinquentenário da sua morte”.
“Portugal e o mundo peregrinos em Fátima”. Em 1971 encontram-se novamente em Fátima peregrinos de todo o mundo “De joelhos, em volta da Capela das Aparições”, “promessas feitas em horas de angústia – cumprem-se num arrastar dramático, doloroso. Padece agora o corpo – porque a alma se viu aliviada”.
“Fátima reza pela paz no mundo” e volta a ser palco, em 1972, de uma grande afluência de peregrinos: “De todo o mundo peregrinos convergem para Fátima”, uns a pé, outros de carro, “vai-se de muitas maneiras – vai-se por devoção e fé”.
Em 1975 há “Crentes de todo o mundo em Fátima” e a 13 de Maio atinge-se, segundo o enviado especial do “Jornal de Notícias”, “A maior peregrinação dos últimos anos” cuja explicação assenta no facto de que “o 12-13 do corrente mês é um fim-de-semana” e também porque é o Dia Mundial da Oração pelas Vocações.
Em 1974 há “Peregrinos de cravo ao peito” e Fátima é palco de inúmeras manifestações de fé, “num Portugal renovado pela liberdade”.
“Gente deste Portugal rejuvenescido há 18 dias apenas, rezará pelo futuro”. “Os peregrinos de Fátima associaram a esperança comum à fé que os une neste ano da graça em que Portugal teve a liberdade como bênção”.
O tema da peregrinação de 1975 é a reconciliação: “Os portugueses chegam para rezar pela «reconciliação de uma sociedade em conflito»”. Segundo o enviado especial do JN encontram-se muitos ex-combatentes por entre os penitentes que “caminham ou se arrastam” para o santuário de Fátima.
Em 1976, Fátima continua a ser o “altar, ponto de encontro da gente com fé”.
O Cardeal Sebastião Bagio, perfeito da Sagrada Congregação dos Bispos, veio “de Roma à Cova da Iria para presidir à peregrinação destinada a orar e a reflectir sob o tema «Vamos construir a civilização do amor»”.
No dia 13 de Maio de 1977 comemora-se o 60º aniversário da aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos.
Fátima é novamente o altar de inúmeras manifestações de fé, “fé esta que todos os anos faz convergir milhares de peregrinos à Cova da Iria”. O título de primeira página é “Peregrinos do mundo inteiro em oração pela unidade da Igreja”.
Segundo José Coimbra, o enviado do JN em 1978, “Milhares de peregrinos de todo o mundo encontram-se desde ontem no santuário da Cova da Iria para prestar homenagem à Senhora de Fátima, no 61º aniversário das aparições”. O título era “Orações solicitaram sociedade mais justa”.
“Uma das maiores peregrinações de sempre – meio milhão de fiéis rezam em Fátima” deu-se em 1979, no Ano Internacional da Criança: “foi às crianças que a Virgem falou”.
Segundo o enviado especial do jornal esta foi “uma das maiores peregrinações de sempre senão a maior – número só atingido em 1967, quando aqui se deslocou o Papa Paulo VI”.
Novamente Fátima se transformou no altar do Mundo onde “se respira um ambiente de estranho misticismo, que se espelha no semblante de cada um dos peregrinos, cujos olhos irradiam esperança”.

Década de 80

Em 1980, “Multidão orou toda a noite à luz das velas na Cova da Iria”.
“Fátima viveu mais um dia 13 de Maio” do ano seguinte com um vasto número de peregrinos que como sempre vêm de vários pontos do país” e cujo tema da peregrinação era “Nós os cristãos não podemos viver sem o domingo”.
No ano de 1980 Fátima contou com a presença do Cardeal espanhol D. Marcelo Gonzalez Marti que, segundo o enviado especial do “Jornal de Notícias”, fez um apelo “para que humildemente a venerem, já que Ela tem uma imagem universal e por isso mesmo não é de Portugal ou de Espanha MAS sim de todo o Mundo” – Nossa Senhora.
Em 1981, “Milhares de peregrinos não olham aos sacrifícios da sua devoção”. O tema da peregrinação deste ano é “Celebrando o domingo, edificamos a Igreja com Maria”.
O “Jornal de Notícias” testemunhou novamente mais um ano em Fátima cheio de sacrifícios – são inúmeros os casos de devoção. As pessoas chegam a Fátima de diversas formas, “desde as pernas ao autocarro, passando pela bicicleta, de modo que à chegada a Fátima eram frequentes os abraços e até as lágrimas, quando vizinhos e familiares se voltavam a ver”.
Em 1983, “sob novo «milagre do sol», a presença do Papa foi constante”.
Segundo o “Jornal de Notícias” “Em Fátima assistiu-se, ontem à tarde, a um novo «milagre do sol», pelo menos assim o afirmavam muitos milhares de peregrinos”, pois precisamente às 19h, aquando do início oficial da peregrinação “o sol rompeu as nuvens negras que todo o dia ensombraram a região, vindo iluminar a Capelinha das Aparições”. Também foi muito evocada a presença do Papa João Paulo II, há precisamente um ano.
“Fátima constitui apelo à renovação da Igreja, para que ela possa oferecer uma imagem correcta de si mesma”, foram as palavras do Arcebispo de Évora em 1984.
Como já é hábito, em todos os 13 de Maio, “Ontem (…) todos os caminhos de Portugal iam dar a Fátima” e “o facto de se estar num fim-de-semana, e de fazer bom tempo, deverá ter contribuído para que o santuário se apresentasse ontem à noite repleto”.

Comparação

No decorrer destes 20 anos na edição de 13 de Maio do “Jornal de Notícias” o espaço dado ao fenómeno de Fátima não é uniforme nem homogéneo, pois não há uma regra, nem sempre existem as mesmas páginas ou número de palavras.
A importância dada às aparições de Fátima, a nível espacial e formal, varia consoante a menor ou maior relevância que o acontecimento tenha, tanto para o jornal como para a sociedade.
No entanto, em todos estes jornais houve sempre um espaço reservado na primeira página para este acontecimento, o que demonstra de alguma forma a importância que tem para a população, nomeadamente para os leitores do jornal.
No que respeita ao discurso do “Jornal de Noticias”, antes e após o 25 de Abril de 1974, sobre o 13 de Maio, existem algumas diferenças.
Logo na primeira edição após a data histórica verificam-se algumas alterações no discurso. Até ao 25 de Abril a imprensa não publicou nada que fosse contra o regime político vigente – era tudo a favor nada contra o Estado.
No entanto, no JN de 13 de Maio de 1974, 18 dias após a revolução afirma-se que com a mudança do regime não mais “haverá soldados bravos rapazes de Portugal renovado, envergando tantos fatos de guerra”. Nesta mesma edição do jornal da cidade invicta também se denota uma crítica à Igreja: “E repórter encontra em Fátima toda uma estrutura material-comercial que tende a modificar um lugar espiritual”. Na edição de 13 de Maio de 1975, o tema é a “reconciliação numa sociedade em conflito”.
No “Jornal de Notícias” de 13 de Maio de 1976 há uma crítica a Fátima ou, mais precisamente, a tudo o que a envolve: “Por um lado foi o altar, ponto de encontro de gente com fé; por outro mais não passou do que pólo de atracção de gentes para as quais a fé (dos outros) é filão que se explora até à exaustão”.
“Orações solicitaram sociedade mais justa” é o que se pode verificar no JN de 13 de Maio de 1978. Na edição de 1974 temos outra frase crítica: “devemos amar a época que vivemos mas é necessário transformá-la”.
Antecedentes
A implantação da República em 1910 toma inúmeras medidas com vista à abolição da Igreja Católica. Põe fim à instrução religiosa nas escolas, fecha conventos, mosteiros, passando os seus bens para o Estado, encerra a faculdade de Teologia em Coimbra, suprime os 26 feriados religiosos, as prestações de juramento nos tribunais e expulsa os jesuítas.
Deste modo o Estado desperta o anticlericalismo, pois quer castigar a Igreja Católica pelo seu comprometimento com a monarquia. Consequentemente o clero virou-se contra a República. Esta revolta é apoiada por Salazar como se verifica no seu discurso pronunciado a 23 de Novembro após a sua ascensão a membro do Conselho: «Pode afirmar-se, (…) que a república portuguesa essência anticatólica e que a sua neutralidade representava uma mentira, o que era grave para a república e para a Igreja num país de população e de tradição católicas”.
Numa situação de anticlericalismo por parte da República e de uma situação de anti-republicanismo por parte da Igreja, entre 1910 e 1926, a aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos em 1917 tem duas interpretações diferentes.
Em 1922 é lançada “A Voz de Fátima”.
Em 1924 inicia-se a construção do Santuário de Fátima que recebe milhares de peregrinos, tanto portugueses como estrangeiros, que para ali se deslocam, permanentemente.
Em 1929, a 13 de Maio, o Presidente da República e o chefe do Governo assistem à cerimónia de celebração do culto.
Em 1931 está presente um milhão de pessoas para a celebração do 14º aniversário da aparição.
Portugal é consagrado ao Imaculado coração de Maria a 13 de Maio de 1938.
É atribuído em 1965 por Paulo VI a Rosa de Ouro ao santuário.
Segundo os opositores do regime “Salazar anexou a Virgem” e Fátima é considerada, juntamente com o fado e o futebol, um dos três F maléficos do Estado Novo.
Salazar utilizou a Igreja para chegar ao poder, pois as suas ideias de base eram conservar o catolicismo como apoio, dando-lhe algumas vantagens em troca da cristianização da população, uma vez que um povo que seja crente é mais fácil de dominar.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Educação Moral



Começa na próxima semana a 30ª campanha de Natal dos cerca de 500 alunos da disciplina de Educação Moral Religiosa Católica (EMRC) da Escola Secundária de Peniche (ESP). Oportunidade para conhecermos, através do seu fundador, as actividades que preenchem, ao longo de todo o ano lectivo, estas aulas que, sendo opcionais, têm inscritos cerca de 80% dos estudantes daquele estabelecimento de ensino.


Texto Francisco Domingos fotografia Dina Cristo

Em conjunto com os alunos sonhámos, partilhámos, ousámos. Nasceram coisas bonitas. Muito bonitas.

Campanhas de Natal – a favor dos mais desfavorecidos e desprotegidos, dos mais pobres e dos mais doentes, da família da rua, ali ao lado, ou do povo lá longe em Timor-Leste, Moçambique ou Guiné/Bissau.

Foram "Coração em Moçambique", "Peniche no Coração", "Voa mais Alto", "Mil cartas por Timor" e, mais recentemente, a emblemática "Uma Escola no Coração", em que três escolas de Peniche – Escola Básica dos 1º, 2º e 3º ciclos, Escola Básica dos 2º e 3º ciclos D. Luís de Ataíde e Escola Secundária – se uniram para construir uma escola em Bajob, na Guiné-Bissau.

Festas de Natal – desde sempre ligadas à campanha de Natal, cujo ponto mais alto acontece no momento em que os alunos representantes de cada turma colocam no palco, aos pés do Menino Jesus, o fruto da campanha de suas turmas. São momentos únicos, vibrantes, fascinantes.

Festa Anual – 1 de Maio – Começou por ser, ainda na década de 80, uma simples festa dos alunos do 12º ano, finalistas na disciplina de Moral. Hoje é muito mais que isso. Com efeito, finalistas e demais alunos, professores, funcionários, pais, encarregados de educação e antigos alunos, associam-se à volta do altar da eucaristia em gesto e jeito de acção de graças. Nesta festa destaca-se a presença fidelíssima de um grupo muito especial: os nossos dedicadíssimos antigos alunos da disciplina de Educação Moral. São fantásticos, sublimes. Estão felizes e orgulhosos por um dia terem sido alunos de "R.M." (Religião e Moral) da Escola Secundária de Peniche. Uns vêm de longe de suas universidades, outros da aldeia aqui perto. Aqueles trazem seus filhos, ainda de colo, estes, são já os pais dos alunos ali ao lado, agora finalistas. É um ambiente maravilhoso. 'Um encanto para os olhos e para o coração'. Uma festa fantástica, seguramente uma das maiores e mais bonitas da cidade de Peniche.

Visitas de estudo – No sentido de evitarmos um número excessivo de saídas (há que haver bom senso e equilíbrio) somos fidelíssimos apenas a duas visitas – "visitas de amor" – como lhe chamamos: Doentes Profundos em Fátima e Reclusos do Estabelecimento Prisional de Caldas da Rainha.

Intercâmbios de Escolas – Desde há alguns anos que mantemos um intercâmbio muito interessante e sobretudo muito original: Uma escola secundária – Peniche – e uma escola do ensino básico, 2º e 3º ciclos – Josefa de Óbidos. Duas escolas que, pesem embora as suas naturais e múltiplas diferenças, são, como alguém um dia escreveu, "instituições, que, com seus alunos, professores e funcionários, constituem um raro exemplo de uma relação verdadeiramente notável". E tudo isto, sob os auspícios da disciplina de EMRC, o que é, sublinhe-se, uma coisa verdadeiramente extraordinária.

Aos professores do ensino secundário que queiram uma actividade verdadeiramente radical sugerimos uma… peregrinação. Isso mesmo: uma peregrinação a Fátima a pé. É uma experiência absolutamente única. Trata-se de um acontecimento notável que irá decididamente marcar, (leia-se revolucionar) a vida do adolescente.

Uma aventura? Sim, é possível, mas apenas nos primeiros quilómetros. Depois surgem as primeiras dificuldades, as primeiras bolhas. Começa então a caminhada interior. A verdadeira caminhada. As marcas, são agora mais profundas e não se eliminam com uma simples agulha ou massagem. É que as "bolhas do coração", também deixam marcas, desta vez, para toda a vida.

Mais de duas dezenas de peregrinações, mais de um milhar de alunos conduzidos até junto de Maria, dão-nos toda a segurança para saber do que estamos a falar.

O lema que escolhemos para a última peregrinação que realizamos, a 21ª, ajuda-nos a perceber claramente tudo isto: "Fátima a Pé é um milagre de Fé".

São cem quilómetros ao encontro da nossa Padroeira. Nossa Senhora de Fátima, por sugestão dos alunos, é desde 1999, a Padroeira do Alunos e Antigos Alunos de E.M.R.C. da nossa escola.

Fechamos este capítulo com uma sugestiva frase de um nosso antigo aluno, hoje professor de Moral na Escola Josefa de Óbidos: "Fátima a Pé é a rainha das actividades da disciplina de Moral da Escola Secundária de Peniche".

Deixando agora de lado o campo dos actividades, vamos agora deter-nos, um pouco, sobre alguns elementos que fazem parte de um precioso legado que a disciplina tem cultivado ao longo dos anos e que se têm revelado de fundamentais na construção de uma mística e de um espírito muito próprios do aluno de Moral deste estabelecimento de ensino.

O nosso hino. De facto, temos um hino. Um hino que se torna resposta ao chamamento do "Senhor das margens do lago". É cantado e respeitado religiosamente por todos. Para evitar a sua banalização cantamo-lo apenas em momentos muito especiais: na Eucaristia de nossa Festa Anual e na Peregrinação a Fátima a pé, à chegada ao Santuário. São dois momentos fantásticos.

O nosso lema: "Deixa por onde fores caminhando brilhante sinal da tua bondade". Da autoria de uma turma de finalistas do 12º ano, o lema desde há muito, foi consagrado como a magna carta do aluno de Moral da Secundária. E, por oportuníssima sugestão do Sr. Presidente do Conselho Executivo, encontra-se gravado num quadro de rara beleza, estrategicamente colocado, junto à porta de entrada, no exterior da sala de Moral. Trata-se de uma referência notável e decisiva na construção da nossa mística e da nossa identidade.

Intencionalmente deixámos para o fim o elemento mais emblemático de todo o nosso património: "O livro d´Ouro"! Guardião sagrado da nossa História e da nossa Memória. Ali podemos recordar os primeiros passos… os primeiros alunos… As primeiras histórias… A nossa vida. Toda a nossa vida. Um tesouro de recordações e de emoções.

O 1º volume, 1976-1982, encontra-se "religiosamente" emoldurado e colocado em espaço nobre na nossa sala de aula. "Olha o meu pai", ou "olha a minha mãe" ou ainda "o meu irmão também está no Livro d´Ouro". Estas sã algumas das expressões de espanto e de emoção, por cada vez que, no início de cada ano, abrimos o Livro d`Ouro e o apresentamos aos novos alunos do 10º ano.

A mensagem foi lançada. Todos percebem. O desafio é unanimemente aceite. Com entusiasmo, com emoção, e, porque não dizê-lo, com uma ponta de orgulho até. A eles, novos alunos, compete dar continuidade à nossa história.

Estamos certos de que outras histórias fantásticas, outras páginas igualmente belas, outros sonhos, outros projectos irão com certeza surgir. Naturalmente com novos protagonistas, é claro, porém, os mesmos autores de sempre: os Alunos da Disciplina de EMRC da ESP. Uns e outros com um coração do tamanho do mundo.

De referir que estamos a elaborar o 6º volume de “O Livro d´Ouro, que deverá ser oficialmente apresentado na próxima Festa dos Alunos de Moral, dia 1 de Maio. Nele poderemos recordar, entre outras actividades, Campanhas e Festas de Natal, Festa Anual 1 de Maio, Peregrinações a Fátima a pé, Visitas de Amor, Página de Sonho (estudantes que contraíram matrimónio, um e outro alunos de moral), alunos a quem Deus já chamou…

Parece-nos agora igualmente importante referir um outro elemento e pelo qual nos batemos durante anos. Trata-se da nossa Sala de Moral. Não a consideramos um privilégio alcançado, pese embora a clara falta de espaços na escola, antes, uma evidente necessidade, face ao volume e à natureza de alguns projectos a reclamarem um espaço próprio, devidamente adequado e equipado.

Esta tratou-se de uma conquista fundamental para a Disciplina. Equipada quase na sua totalidade pelo esforço financeiro e outros dos nossos alunos, é hoje considerada a melhor sala de aula da nossa escola.

Finalmente, e se nos é permitido, gostaríamos de dedicar este trabalho aos professores de EMRC que um dia passaram pela Escola Secundária de Peniche. Bem hajam, estimados colegas, por tudo quanto nos deixaram.
Gostaríamos também de o dedicar aos nossos queridos alunos de quem tanto gostamos e amamos. Bem hajam, por tudo, tudo, quanto de vós recebemos. Para nós, são os melhores alunos do mundo.

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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Dinâmica radiofónica


Nesta quinta e última parte da entrevista, Etelvina Lopes de Almeida recorda as qualidades da oposição e as vantagens da rádio.

Entrevista Virgílio Luís Silva

Existe uma referência no final da década de 50, que tem a ver com o conto da cadeira. Salazar caiu mesmo da cadeira onde esta sentado?
Acho que sim. Ela já não estava muito bem.
Foi isso que deu origem ao conto?
Eu acho que o que deu origem deve ter sido uma trombose, uma coisa assim que lhe deu e o fez cair.
Já em 1960, para além da Sociedade Portuguesa ter sido marcada pela guerra de África, os movimentos que existiram, por exemplo na música, na Inglaterra, com os Beatles.
Foram entusiasticamente recebidos cá. Era qualquer coisa de liberdade que chegava aqui.
Como é que a Censura via isso na rádio? Deixavam-vos passar essas músicas?
A gente passava. Não estavam censurados.
Não percebiam inglês?
Não percebiam inglês! O problema está nisso. Porque razão a oposição não foi destruída? Porque a oposição usava a inteligência e usava a cultura, e eles usavam a força. O problema é este.
Há uma coisa que eu tenho de lhe dizer, não sei se lhe interessa, pode interessar para a rádio também porque se fizeram palestras, fizeram-se folhetins e isso tudo. Houve a certa altura, no final da Guerra de Espanha, uma abertura intelectual em Portugal, com livros que vinham de fora, clandestinos. E também livros que se estavam a editar em Portugal, que se vendiam por debaixo do balcão. Sabe o que significa esta frase, por debaixo do balcão? Eram livros expostos, mas que eu sabia que uma determinada livraria, sabe é o Tam Tam, estava a editar um livro e chegava lá e dizia que estava interessada no livro. Depois passava pela livraria, punha o dinheiro em cima do balcão, ia aos fundos e davam-me o livro. Ora, eu recebia livros através de um amola tesouras que mos trazia de França e de Espanha e assim chegavam a minha casa. Um livro sensacional, que teve uma repercussão espantosa em Portugal, chamava-se “O drama de Jean Barois, você leu alguma vez? Eu recomendo-lhe vivamente. É um livro desta época, mas é um livro sensacional - Roger Martin Du Gard.
Vieram livros, por exemplo com a 24ª Hora do Steinbeck e veio Jorge Amado. Teve uma influência extraordinária. Foi proibido aqui “Os Capitães da Areia”, foi proibido “O Mar Morto”, foi proibido, no entanto a gente recebia os livros, tinha 24 horas para o ler e para passar a outro. Isto trouxe à oposição uma ânsia de cultura do que se passava nos outros países, que nos enriquecia. Não andávamos de bandeirinha na mão como hoje. Hoje não se faz oposição nenhuma, porque as pessoas não se preparam em ideias. Mas nós naquela altura preparávamos as nossas ideias. Nós sabíamos porque é que estávamos a lutar. E então em Portugal tivemos o Soeiro Pereira Gomes, o Alves Redol, o Manuel da Fonseca.
Esses escritores escreviam e os livros eram editados quase clandestinamente ?
Clandestinamente? Muitas vezes eram apreendidos. É por isso que nós íamos buscar o livro, antes da Censura saber que ele estava cá fora. É isso que se chama por debaixo do balcão.
Essa importância, essa linha de orientação, com aquelas músicas e os respectivos movimentos musicais dos anos 50 e 60, isso foi dando uma abertura cada vez maior à cultura portuguesa, não só pelos livros, mas também pela música.
Em todo o caso eu devo dizer-lhe que a música de uma maneira geral tocava a juventude que sabia inglês, os livros tocavam outra área, de pessoas já mais conscientes, já mais preparadas para a luta democrática, digamos assim.
A D. Etelvina acha que na década de 60, com esse advento da música e os movimentos jovens característicos da época, com a miniaturização dos equipamentos permitindo o seu transporte, acha, que com tudo isso, a rádio foi perdendo peso?
Eu acho que a rádio ainda hoje não perdeu o seu lugar. Fui uma pessoa de rádio, continuo a ser uma pessoa de rádio, continuo a dizer que a televisão não destruiu a rádio. A rádio continua a ser a rainha da informação enquanto ela for correcta. Eu vou-lhe dar um exemplo. Eu estou em casa a ouvir um noticiário da TV, mas eu não posso ouvir o noticiário da TV enquanto vou daqui para Tábua. Com a rádio durante a viagem vou mudando de canal e vou ouvindo os noticiários consoante o canal. Portanto a TV obrigou-nos a uma posição estática. A rádio continua a permitir-nos dinâmica.
Mas quando a televisão aparece em Portugal em 1957, acha que a rádio possa ter perdido alguma influência com a televisão como elemento de novidade?
Sim, isso evidentemente. Houve muitas pessoas que acharam que a televisão era o supra-sumo.
Mas D. Etelvina, eu não estive em 1957, como bem pode imaginar, na Feira Popular para assistir à primeira emissão da televisão. Estou a imaginar o que terá sido, e estou também a imaginar o que terá sido também no Porto a emissão experimental que aí decorreu.
Foi o que terá sido uma coisa nova que chega. O cometa que está no ar agora. É isso! As pessoas ficaram deslumbradas com aquilo tudo, mas evidentemente terminado o programa sente-se o vazio. Ao passo que a rádio estava lá. É contínua. Agora, tudo depende daquilo que a gente dá às pessoas. Eu por exemplo, sou incapaz de ver “A Noite da Má-língua”, sou incapaz de ver aquele programa que é o “Confissões”, da Teresa Guilherme, não posso, o meu cérebro não admite aquilo. No entanto gosto imenso de ver o Miguel Sousa Tavares, acho que ele tem uma inteligência extraordinária. Gosto imenso dele. Gosto muito da mulher dele (Laurinda Alves), que tem também um programa muito bom e sou capaz de ver um “Rei do gado” porque está muito bem feito. Está muito bem feito e tem até conteúdo revolucionário, muito bem dado, assim como quem não quer a coisa. Até se mata um senador. Portanto, um programa que tenha conteúdo, que tenha texto, que tenha actores, que me interesse, eu vejo. Agora não perco o meu tempo a olhar para o ecrã com uma coisa que é negativa quando tenho um rádio que me dá pelo menos música. É por isso que eu continuo a ser uma mulher de rádio.
No final dos anos 60, em 68 existiram problemas em França com os estudantes. Como é que isso foi visto cá pela rádio?
Isto foi feito cá pela grande esperança. Pela grande esperança da oposição. Porque estávamos na altura da guerra de África. Portanto as coisas todas... Nós tínhamos passado a guerra de Espanha que havia sido um caminho onde se desenvolveram as experiências para a Segunda Grande Guerra. Isso aprendemos nós. Ficamos com a marca do fascismo italiano e do hitlerismo alemão, ficamos com a mocidade portuguesa que foi feita à semelhança das hostes do Hitler. Foram pessoas lá, de cá do governo, estudar a maneira de como é que se faziam as juventudes hitlerianas e depois vieram para cá e copiaram. Houve muita gente, muitas famílias que não quiseram que os seus filhos fossem. Por isso os miúdos foram castigados e depois a oposição quando viu o “S” de Salazar na fivela dos cintos, fizeram anedotas e dizia-se a propósito “Somos Socialistas Sem Salazar Saber”. Estas coisas, percebe, é que era. Fazer revolução com um sorriso é muita mais útil que à pancadaria.
O cinema, nesta altura dá um contributo à rádio. O Arthur Duarte e os outros. O desporto na rádio acaba por ser importante.
Nessa altura também se dizia que a nossa vida era desporto, Fátima e outra coisa ... agora não me lembro. O que se dizia Deus, Pátria e Família, numa vertente, também se dizia Desporto, Fátima e... Bem não sei, não me lembro já.
As reportagens de Fátima também marcaram a rádio nos anos 50. Dá-me a sensação que os anos 50 são marcados pelas reportagens de Fátima, pelo Desporto, e prova disso é o “Leão da Estrela” do Arthur Duarte. Aliás o cinema português teve essas particularidades. Quando a rádio começa a aparecer em Portugal o fenómeno é transposto para o cinema “O Pátio das Cantigas”, “A Menina da Rádio”, “O Leão da Estrela” e outros.
Havia muita gente apaixonada, tinham de ir, toda a gente tinha de cantar na rádio, como agora toda a gente quer ir para a “Chuva de Estrelas”. É a mesma coisa. O fenómeno é o mesmo.
A imagem que tenho da rádio, e pode ser uma imagem totalmente errada da minha parte, é de que a rádio até 1950 em muitos programas era feita com recurso a orquestra, coro e com o locutor a servir de ponte entre os elementos da programação.
Os programas directos. Só os programas directos. Na altura já existia a hipótese de se montar os programas. Os directos eram assim. Eu fiz muitos assim na Rádio Renascença.
Como é que a rádio noticiou alguns avanços da ciência e da medicina, como foi por exemplo a descoberta da vacina da poliomielite, o aparecimento da pílula contraceptiva, da descoberta da cortizona.
Da pílula nada. Não se podia falar nisso. Da vacina da poliomielite dava-se a notícia, quando muito entrevistava-se o cientista. São notícias, como agora dão as notícias da SIDA. Só que com a SIDA nós vamos saber mais, vamos saber onde estão as pessoas, vamos fazer as imagens. Ainda no outro dia vi uma coisa horrível. Na América para apanharem um homem com SIDA, lançaram um jacto de água para o conseguirem prender. Acho horrível. Essas imagens de TV, acho horríveis. Você repare uma coisa. A TV desde que começa até que acaba um noticiário é tudo mau. Você já tinha reparado nisso?
Mas repare. Tudo o que está a acontecer com a polícia, com a sociedade, tem significado. Tem o significado de desautorizar a polícia. Ora enfim, eu fui educada desde pequena, que quando tivesse um problema qualquer na rua me dirigisse a um polícia, porque o polícia era o homem que me defendia. Agora nós não podemos ter essa ideia.
Sra. D. Etelvina, muito obrigado pela sua ajuda.
Disponha sempre.

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terça-feira, 21 de maio de 2013

A Comunicação Oculta VII



Terminamos este ensaio com o sétimo artigo, sobre a Evocação e a Invocação, neste Dia Mundial da Comunicação.
 
Texto e desenho* Dina Cristo
Para que haja uma verdadeira Comunicação – circular, directa, bidireccional, recíproca e transpessoal - é indispensável a vontade de quem emite e a abertura de quem recebe. Na Comunicação entre a Hierarquia e a Humanidade (parte do triangulo também constituído por Shamballa) esta dimensão entre Evocação e Invocação tem lugar. 

Segundo Maria Flávia de Monsaraz[1], depois de terem evocado, chamado e relembrado os Humanos, os Homens Perfeitos, que atingiram a sexta Iniciação, estão actualmente a responder-lhes. Ao estímulo inicial, de impressão mental de novos ideais, os Homens responde(ra)m invocando, pedindo protecção e inspiração; de início de forma vaga, difusa e irregular e depois num apelo mais convicto e focalizador, com desejo (d)e maior grau de consciência.

A Comunicação Universal é esse espaço-tempo de comunhão entre quem invoca, pede, implora ou suplica, como os Humanos, e quem evoca, chama, relembra e responde, como os Super-Humanos. Estes, ao activarem a recordação da informação, estimulam na família humana a vontade de Comunicar. Por sua vez, esta emite orações, mantras ou meditações que os Mestres recebem, dirigem e transmutam.

Alice Bailey descreve assim o processo: «Aqueles que exigem salvação chamam em altas vozes. Suas vozes penetram no mundo sem forma e lá evocam resposta. Aqueles que, há muitos eons, se comprometeram a salvar e servir, respondem. Seus gritos também se fazem ouvir e, ressoando, penetram nos escuros, distantes lugares nos mundos da forma. Assim estabelece-se um vórtex que se mantém vivo pelo constante soar dos dois sons. Então é feito o contacto, e no espaço e durante algum tempo, os dois se tornam um – As Almas que Salvam e as Unidades a serem servidas»[2].

A evocação manifesta-se através da Arte (nomeadamente da Música), da Imaginação, dos Mitos, da Magia, da Telepatia, dos Rituais, dos Símbolos (como a cabala, as cores, os números ou o tarot), dos Sonhos e dos Mensageiros, desde os (Arc)anjos aos Iniciados, passando pelos profetas, filósofos e Mestres; todos têm transmitido a mensagem de uma Nova Civilização, a terceira, baseada no Amor/Sabedoria, depois da primeira inspirada em Buda, o Conhecimento, e da segunda, em Cristo, o Amor.

Trata-se de verdadeira Religião, da religação à Fonte, o regresso à Origem, ao Ser (trazendo iluminação, reintegração e participação); o Retorno do Cristo, do Desejado (em Portugal) e da proclamada Idade do Espírito Santo, Quinto Império, Era de Aquário, Idade de Ouro, uma Época de (Re)Descobertas Espirituais, de peregrinação até à Individuação, de C. G. Jung, à Grande Obra, dos Alquimistas, ou à Cristificação, de Max Heindel.

Jean Shinoda Bolenexplicou-o com base na Mitologia: a Deusa Métis, Sophia que fora engolida por Zeus e esquecida, é recuperada e, com ela, a vinculação à Terra, à Vida, ao Ritmo Natural (dos ciclos e estações), aos Outros, o desenvolvimento da Ecologia e de uma consciência global e solidária, própria de uma cultura matriarcal, baseada no amor e na liberdade, que privilegia as relações externas e reacções internas - representada no Deus afectuoso e clemente do Novo Testamento.

Annie Besant ilustra esta Lei do Retorno, o Feed-back: “Assim como um imã possui o seu “campo magnético”, uma área dentro da qual todas as suas forças atuam, grandes ou pequenas de acordo com a sua força, assim também todo homem possui um campo de influência dentro do qual agem as forças que ele emite, e essas forças agem em curvas que retornam para aquele que as emite, que retornam ao centro de onde emergiram”[3].

Actualmente, a Web, com os seus grupos electivos, facilita a emergência de uma Nova Era que, segundo o Centro Lusitano de Unificação Cultural[4], é dirigida pela alegria, maleabilidade, suavidade, comunhão, compreensão, integridade e paz – sete tónicas de uma Era de Comunicação Fraternal[5], propícia ao desenvolvimento da Informação Solidária, que relate esta Religação a Si, aos Outros e à Natureza.

* Anos 70
BIBLIOGRAFIA 
ANACLETO, José Manuel – Transcendência e imanência de Deus. CLUC. 2002
ANACLETO, J. Manuel – Duas grandes pioneiras. CLUC. 1999.
AVELINE, Carlos Cardoso – A informação solidária. Edifurb. Blumenau. 2001
BAILEY, Alice – Astrologia esotérica. Tomo II. Association Lucis Trust. Genebra. 1999.
BAILEY, Alice – Um tratado sobre os sete raios. Tomo I. Vol.III. Association Lucis Trust. Genebra. 1997.
BHAGAVAD GUITA – Bhagavad Guita. Editora Estampa. 2ª ed. 1999.
BESANT, Annie – O enigma da vida. Editora Pensamento. S. Paulo. 10ª ed., 1997.
DALICHOW, Irene; BOOTH, Mike – Aura-soma. Editora Margarita Schack. 1997.
COLLINS, Mabel – Luz no caminho. Editora Teosófica. 3ª ed. 2001.
COSTA, H. Álvares – As sete leis fundamentais – uma visão geral segundo o hermetismo, Cabalismo, Pai Nosso e Teosofia. STP. 1997.
EVANGELHO SEGUNDO TOMÉ – Evangelho segundo Tomé. Editora Estampa. 1992.
GOVERNO, Isabel – Logos, devas e elementais. CLUC. 2002.
GIBRAN, Kahlil – O profeta. Editora Pergaminho. 2004.
HEAD, G.R. – Apolónio de Tiana. Editora Teosófica. Brasília. 2000.
HEINDEL, Max – Astrologia científica simplificada. FRC. 1985.
HEINDEL, Max – O véu do destino. FRC. 1996.
HEINDEL, Max – Conceito Rosacruz do Cosmo. FRC. 3ª ed., 1989.
INTRODUÇÃO AO SUM – Introdução ao sum. CLUC. 1994.
INTRODUÇÃO À SABEDORIA E TÉCNICA GRUPAIS – introdução à sabedoria e técnica grupais. CLUC. 1990.
LEADBEATER, C.W. – Os sonhos. Editora Pensamento. São Paulo.
MENDANHA, Victor – História misteriosa de Portugal. Ed. Pergaminho. 6ª ed. 2001.
MONSARAZ, Maria Flávia – Vénus. Marginália Editora. 2004.
NO DOMÍNIO DO ESPAÇO-TEMPO – No domínio do espaço-tempo. CLUC. 2000.
NO TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO – No templo do Espírito Santo. CLUC.
NOVOS DIÁLOGOS HERMÉTICOS – Novos diálogos herméticos II. CLUC. 1994.
PARA UM MUNDO MELHOR – Para um mundo melhor. CLUC. 1997.
PÉROLAS DE LUZ – Pérolas de luz. Vol II. CLUC.
QUINTA DA REGALEIRA -  Quinta da Regaleira. Fundação CulturSintra.
RITUAL DE CIRCULAÇÃO DE LUZ – Ritual de circulação de luz. CLUC. 2001.
ROBERT, Denis; ZARACHOWICZ, Weronika – Noam Chomsky – duas horas de lucidez. Editora Inquérito. 2002.
TRAVASSOS, Lubélia de Fátima – Os manuscritos do Mar Morto. Os essénios. Editora. 1997. 

Revistas: 
Biosofia, N.º8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27,
Portugal Teosófico, n.º76, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89 (2003).
De Aqui e de Além, n.º1, 2, 3, 4, 5, 6, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 16, 17, 18.
Rosacruz, n.º358, 363, 370, 371, 372, 373, 374, 375, 376, 377, 378, 379, 

CD:
 MONSARAZ, Flávia – A religião do novo mundo. S/d. S/ Ed. 49:58.


[1] MONSARAZ, Maria Flávia – A religião do Novo Mundo – Faixa Hierarquia Planetária. CD [2] BAILEY, Alice – Astrologia esotérica, Tomo II, Association Lucis Trust, Genebra, 1999, p.206. [3] BESANT, Annie – O enigma da vida. Editora Pensamento. S. Paulo. 10ª ed., 1997, pág. 175. [4] Cf. CLUC – No Templo do Espírito Santo, CLUC, 1992, pág. 149 [5] A concretização do Espírito da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade

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sábado, 23 de junho de 2012

Rádio Clube de Moçambique II


O Centro Emissor da Matola

Nesta segunda parte, apresentamos a(s horas de) programação na sede do RCM, na capital, bem como a local, nos Emissores Regionais que se vão instalando: Nampula, Quelimane, Cabo Delgado, Dondo, Tete, Vila Cabral, Inhambane.

Texto Dina Cristo


Se em 1963 a emissão abre às 6h 30m (7h 30m no Domingo) e fecha às 23h 05m, com interrupção de hora e meia ao início da tarde, durante a semana, transmite quatro serviços de notícias, entre 10 a 15 minutos, dez anos mais tarde o programa principal inicia-se às 5h 56m e segue, ininterruptamente, até às 0h 10m, com nove noticiários, dois dos quais de meia hora.

Em termos globais, tendo em conta o plano de cobertura de rede em Moçambique, que se vai implementando, ao longo do período em estudo, há um progressivo aumento do número de horas de emissão. Se estas, em 1960, não atingem as dez mil horas, em 1972 ultrapassam as 60 mil.

As extensões das emissões vão aumentando também em função dos novos programas que, entretanto, vão sendo criados, ao longo da década de 60, nomeadamente o C e o D, totalizando quatro desdobramentos, com diferentes horários e cumprimentos de onda.

O programa A, em língua portuguesa, comercial, é o mais importante e propício aos programas ao vivo. Em 1968 é constituído 47,1% por canções e música ligeira, num ano que conta com 11,1% de noticiários e reportagens e 8,5% de publicidade. Em 1970 colabora regularmente com estações de Angola, Cabo Verde, Guiné, São Tomé, Macau e Timor, que transmitem gravações de algumas rubricas vivas.

O programa B, em língua africânder e inglesa, comercial, com dezoito horas de emissão, desde 1963, é transmitido em 24h diárias, desde o dia 1 de Março de 1964. Em 1968 integra 6.866 h de canções e música ligeira e 1.115 h de publicidade.

O programa C, em língua portuguesa, de carácter artístico e cultural, não comercial (sem publicidade), iniciado a 15 de Dezembro de 1962, é emitido através não só da Onda Média (OM) mas também da Onda Curta (OC) e Modulação de Frequência (FM), sendo captado na Metrópole. É composto essencialmente por música coral, de câmara, instrumental, ópera, canções, com destaque para a sinfónica. De acordo com o relatório de 1967 , 10% são programas falados, 4,2% noticiários e 2,6% teatro e contos; em 1968 tem 140h de ópera e 506h de música sinfónica, sendo transmitido em alta fidelidade e estereofonia.

O programa D cobre sobretudo a capital, num raio de cerca de 70 km durante o dia (um pouco mais à noite), durante nove horas, de acordo com o relatório referente ao exercício do mesmo ano, em que predomina a música ligeira e as canções, com 1960 h de emissão. A estação, no ar desde 2 de Janeiro de 1968, é criada com fins comerciais, para aumentar as receitas, aliviar a publicidade do programa A e melhorar a produção das agências publicitárias concorrentes.

Entre a programação, há teatro, folhetins, diálogos, programas infantis (como o “Teu programa”, de Maria Helena Jardim, iniciado em 1961, com rubricas à descoberta de valores no âmbito da poesia e da pintura) - crónicas, nomeadamente internacionais, palestras, como “Cinco minutos de espiritualidade” (proferida pelo Arcebispo de Lourenço Marques, D. Custódio Alvim Pereira, por exemplo sobre a visita do Papa Paulo VI a Fátima ou o Concílio Vaticano II ) e discos pedidos, que em 1957 recebem quase 28 mil solicitações. Em 1958, «Devido à afluência de senhas, só nos é permitido atender, 120 dentre todas recebidas, escolhidas por sorteio».

Figuras e factos da história de Moçambique, sublinhando a presença portuguesa também são motivo de atenção, como em “Terras de Portugal”, no ar desde 3 de Abril de 1963, no programa A: «Costumes. Artesanato. Folclore. Vindimas do Douro e lendas de Macau. Praias do Algarve e encantos da Madeira. Festas minhotas e mornas de Cabo Verde. S. João no Porto e povos de Angola. Moinhos metropolitanos e relíquias históricas da Ilha de Moçambique. Última Nata de Goa».

Alguns programas são assegurados por várias produtoras independentes, entre as quais as Produções Elmo (programa Tic-Tac), Produções Somar e Produções Golo (passatempos e relatos de futebol), que representam, em Moçambique, os parodiantes de Lisboa.

Igualmente a informação, jornais falados e reportagens, são presença constante, com o auxílio da Agência France Press, recebida desde 1963. O “Jornal de actualidades”, uma vez por semana, começa em 1958. Em 1968, no “Jornal da noite” abordam-se temas como a agricultura (os cereais), a indústria, os transportes e comunicações (como os caminhos de ferro). Dois anos mais tarde, para além do seu editorial próprio, “Nota do dia”, na rubrica “Volta ao mundo”, presta igualmente informações ligadas à arte, à ciência, ao cinema, à educação, à literatura, à medicina, à política, à sociologia, à tecnologia, ao trânsito e ao turismo.

As reportagens acompanham habitualmente os membros do Governo Central, o Governador-Geral ou Secretários Provinciais. Depois da visita do Presidente da República, Almirante Américo Tomás, em Julho de 1964, é a vez, em 1969, da cobertura da visita do Presidente do Conselho, Marcello Caetano, a Moçambique e das visitas de Baltazar Rebello de Souza às principais regiões do território, transmitindo directamente «(…) não só os actos oficiais como as manifestações populares (…)».

Em 1971 há 572h 45m dedicados aos noticiários e às reportagens, como a transmissão directa de todos os discursos pronunciados pelo Presidente da República, vários ministros, nomeadamente o do Ultramar, e outras individualidades (como o Presidente Banda do Malawi), o concurso Eurovisão da Canção, concertos e colóquios. Também são cobertos os grandes acontecimentos mundiais. No caso da alunagem, a cobertura, directa, teve 30 h de reportagem permanente, desde as 19h 30m do dia 20 de Julho de 1969 até às 7h 30 m do dia 21 abrangendo a retransmissão de reportagens de três origens diferentes, nas quais se inclui o serviço da EN.

Após a guerra em Angola, passa a haver programas de variedades e informativos. O “Jornal das Forças Armadas”, iniciado no dia 7 de Março de 1963, dedicado aos soldados, marinheiros e aviadores, produzido por Fernando Rebelo, responsável pela locução com Lisete Lopes, visa a recreação. O programa divulga biografias de heróis nacionais, como Sacadura Cabral, informações sobre os combates, correspondência, nomeadamente das madrinhas de guerra, que dão amparo moral, faz concursos e transmite poemas escritos e discos pedidos pelos militares. Magalhães Monteiro, enviado especial a Angola no início do conflito, sublinha a ideia de que um soldado indígena morto é mais um herói português tombado.

Emissores regionais

Ao nível da programação local, os centros emissores são estações que servem «(…) pequenos núcleos de população civilizada e grandes áreas povoadas por população não civilizada», estão aptos a retransmitir as emissões provenientes da capital, onde são preparadas, assegurando a cobertura do país, com a radiodifusão de um programa único. Os desdobramentos fazem-se num trabalho em cadeia, cooperativo, com a sede e para cujo custeamento foi criada uma taxa de radiodifusão. No caso do ER de Cabo Delgado os encargos são suportados pelos subsídios do Governo do Distrito, das Comissões Municipais, pelas circunscrições, pela publicidade e por pequenas receitas, como donativos.

O Emissor Regional do Norte, em Nampula, é inaugurado a 19 de Novembro de 1953. Em 1968, Pires Teixeira, escreve: «Os grandes dias da portugalidade, os grandes momentos de exaltação lusíada, as grandes manifestações de fé, assinalaram sempre, sem uma falha, a presença inestimável do Emissor, pundonoroso no cumprimento das suas obrigações e no respeito pelas suas imensas responsabilidades».

A 3 de Setembro de 1958 é inaugurado o Emissora da Zambézia, em Quelimane. O de Porto Amélia, em Cabo Delgado, no valor de 800 contos, é estreado a 20 de Abril de 1960.

Em Outubro de 1970 tem início o Centro Emissor do Dondo, que, em 1971, emite mais de sete mil horas. A 29 de Outubro de 1972, embora em instalações temporárias, é inaugurado o ER de Tete, uma cerimónia com a presença, além da Direcção do RCM, do Ministro do Ultramar, Silva Cunha, do Governador-Geral, Pimentel dos Santos, do Comandante-Chefe das Forças Armadas, Kaulza de Arriaga e dos Secretários Provinciais de Comunicações e Obras Públicas.

No mesmo ano, a 12 de Dezembro de 1972, é inaugurado o ER de Vila Cabral, no distrito de Niassa. Fazem parte da comitiva, o Secretário Provincial das Comunicações, Vilar Queirós, da Educação, Marques e Almeida, de Emprego, Wanonn Pinto e o director dos CTT, Armindo Fontes, instituição que os supervisionava. Além do Delegado Gerente, fazem parte dos quadros do pessoal, cinco locutores, cinco técnicos e uma secretária, instalados numa casa pré-fabricada. Nos dois últimos (Tete e Vila Cabral) são instalados emissores de 5 kw de OM e antenas concebidas e fabricadas no RCM.

Antes de terminar o ano de 1973, em 23 de Novembro, é inaugurado o ER de Inhambane. O Governador-Geral faz-se representar pelo Secretário Provincial das Comunicações que, por sua vez, põe no ar o emissor por intermédio da esposa do Governador do Distrito. Apesar da sua crise financeira e dos encargos que representa, o RCM decide antecipar os planos para a cadeia de emissores, com mais um elo, cooperando com a nação num momento crucial: «Esta magnífica instituição, integrando-se perfeitamente dentro das preocupações do Governo de Moçambique, não hesitou em alterar estruturalmente os seus planos para seguir aquilo que o Governo estabeleceu como primeira prioridade», profere o Secretário Provincial das Comunicações, Vilar Queiróz, durante as cerimónias.

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