quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Prémio Informação Solidária


No início do terceiro ano de actividade, abrimos as votações aos nomeados para o primeiro Prémio Informação Solidária (PIS) em Portugal.

Texto Dina Cristo fotografia e escultura Cristina Lourenço

São sete os (programas de) órgãos de comunicação social portugueses nomeados para o 1º PIS 2009 que criamos: Imprensa - "Biosofia", "Cais" e "Tempo livre"; Internet - "IM Magazine"; Rádio - "Mais cedo ou mais tarde" (TSF); Televisão - "Aqui & Agora" (SIC) e "Sociedade civil" (RTP2). A partir de agora, e durante exactamente três meses, os internautas podem votar na sondagem. A entrega do prémio, simbólico, uma estatueta - na fotografia - da autoria de Cristina Lourenço será entregue em Dezembro. Dar a conhecer a IS praticada em Portugal, reconhecer o seu trabalho, valorizar a inovação e incentivar a sua prática são os principais objectivos da distinção.
Como referiu Carlos Cardoso Aveline, pensador desta escola, no seu livro editado em 2001, “A informação solidária – a comunicação social como prática de uma nova ética”, a Comunicação Social da Nova Era possui sete características essenciais: «1)- Ensina como o cidadão pode assumir mais responsabilidade sobre sua vida, mostrando hábitos saudáveis e dando conhecimentos que permitem viver com sabedoria. 2)- Aponta soluções e alternativas para os problemas que aborda. Descreve atos generosos, destaca pessoas que agem com altruísmo. Inspira sentimentos positivos. 3)- Descreve o ser humano com suas crises e contradições, mas mostra que ele está voltado para o bem e que busca a felicidade. 4)- Obedece ao poder da verdade. Põe limites ao jogo de conveniências, abre espaço para leitores e espectadores, e ganha prestígio seguindo um bom padrão ético. Conquista espaço por sua coragem editorial. 5)- Dá destaque a causas nobres e projectos sociais altruístas. 6)- Fala a partir dos dois hemisférios cerebrais, especialmente o direito, que é positivo, intuitivo, criador e voltado para o futuro. 7)- Não tem medo de enfrentar as questões cruciais, porque confia no ser humano e no futuro.»
Como declarei à ESEC TV, em 2007, aquando da Conferência que antecedeu a criação deste projecto informativo, a IS apresenta uma nova forma de fazer informação, com critérios inovadores. Depois do conflito, da guerra, do ódio, do crime e da superficialidade, os novos valores-notícia da harmonia, da paz, do amor, da generosidade e da consistência começam a ser recuperados. Esta corrente defende igualmente a mudança de fontes philodoxas, amigas da opinião, para outras, philosophas, amigas do saber, privilegiando novos actores sociais mais altruístas.
Inovação informativaAtravés da IS mudam os objectivos, que deixam de ser apenas e desmedidamente os lucros, mas também os modos de produção, distribuição e recepção da informação. Doravante, com o esgotamento do sistema industrial, por um lado, e a expansão da rede digital, por outro, estão criadas as condições para se investir numa informação correcta, orientada pela ética, por dever, assente no paradigma do belo, bom e bem.
Deixa de estar apenas baseada nos fenómenos de efeitos pontuais para passar a estar ancorada num tripé em que se ocupa, para além do contexto dos acontecimentos, também das suas causas e consequências. Mais do que triangular, trata-se de uma informação que “vai mais fundo”, nas palavras de Gabriela Oliveira, jornalista freelancer, vocacionada para a integralidade da vida, dos seres ou da actualidade.
Sem se centrar, forçar ou explorar a subjectividade e a emoção, a IS não as esconde. Mais feminina, intuicional, a Informação Solidária faz uso do 6º sentido, latente, prescindindo da prioridade à informação política (partidária), económica, desportiva (futebol) ou internacional (conflitos). É uma informação especialmente vocacionada para pessoas (hiper)sensíveis, cuja natureza é ferida pelo excesso de estimulação, sobretudo visual e/ou sonora.
Mais humana, natural, simples e extensiva, é também mais artesanal, lenta e com alma. Adequada ao movimento de transição, com aposta na escala local, mas sem esquecer a dimensão planetária, é uma informação com preocupações ecológicas, sustentáveis, alternativas, comprometida, interventiva, independente e participativa. De carácter eminentemente voluntário, criteriosa e cooperativa, dirige-se a um público mais consciente e responsável que pretende desenvolver.
Mais de dois anos após termos dado início a este projecto informativo, inspirado na IS, a palavra "solidário", sobretudo depois da explosão da crise, deixou de parecer tão estranha. Se a expressão "fraternidade", ideal promovido pela Revolução Francesa, parece ter caído em desuso, com o crescimento do digital aumentam as oportunidades colaborativas, em rede, também ao nível jornalístico. Hoje, as questões da solidariedade social começam a integrar a agenda mediática, evocam-se os órgãos de comunicação social cooperativos, criam-se regiões solidárias, organizam-se festivais solidários e até o Google se tornou solidário.
Como escreveu Oscar Quiroga no seu "Diário de bordo" de 2 de Julho deste ano «(..) as coisas estão mudando, e para melhor. Por todo lado há humanos cheios de espírito e boa vontade que fazem o necessário para servir seus semelhantes, mas com certeza não merecem uma nota de rodapé nos jornais, porque a horda de seres estimulados pela crítica agressiva são os consumidores de notícias e não lhes interessa constatar que há espírito e boa vontade no seio humano. Porém, o número de pessoas de bem cresce diariamente e logo chegará o dia em que se tornará maioria e, pela magia das leis do mercado, provocará a mudança de tom das notícias veiculadas diariamente».

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