quarta-feira, 17 de abril de 2013

Revolução (pre)meditada


O próximo 25 de Abril vai passar pela Web. Resgatar a liberdade e antecipar visões de futuro são algumas propostas da Informação Solidária (IS).

Texto e fotografia Dina Cristo

Um conjunto de websites de IS, entre os quais a “Biosofia”, vencedora do IV Prémio IS, entregue esta semana, estão a promover uma celebração do 25 de Abril, através da partilha em rede social, que visa resgatar os ideais de todos os que lutaram pela liberdade, reflectir sobre o destino de Portugal e contribuir para o seu despertar.
Os cidadãos (e)s(t)ão convidados, naquele dia, entre as 5h e as 23h, a reunirem-se numa associação, em silêncio, com ar puro, e visualizarem, com base num texto de Carlos Cardoso Aveline, a transmutação do sofrimento acumulado em aprendizagem bem como a transfiguração dos “media” em defesa dos interesses da população e a lealdade dos líderes políticos ao povo português.
O desafio é celebrar a data da revolução dos cravos e aproveitar para construir o futuro, assente na ética, na responsabilidade e na cooperação, concretizando a nova civilização solidária, da liberdade, igualdade e fraternidade, através da força da concentração do pensamento.
A data de uma revolução tranquila pode assim transformar-se noutra silenciosa, que através da visualização e imaginação pode contribuir para a materialização do sonho filantrópico, de uma nova sociedade de auto-determinação e, ao mesmo tempo, de ajuda mútua.
Um dos objectivos é, através da expansão da consciência de “um punhado de cidadãos atentos”, que desenvolvem de forma correcta o poder da sua vontade, promover a regeneração de Portugal e acelerar o surgimento de uma comunidade global solidária, antecipando um novo dia, ao despoletar reacções em cadeia.
Esta época primaveril, em que Portugal completou 870 anos de existência, é uma oportunidade de - ao somar às informações de Teixeira de Pascoaes sobre a vocação do país os conselhos de Helena Blavatsky e as previsões de perda de soberania e ganho de interdependência, com um novo governo, regime e constituição até finais do próximo ano - não só meditar sobre a Revolução de há 39 anos como premeditar a emergente (cujos avisos se podem ler nas ruas de qualquer cidade) de forma construtiva e benéfica para todos.

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vida com Graça


Arranca amanhã a segunda peregrinação, em Portugal, em nome de Graça. Vamos saber porquê neste Dia Mundial da Poupança.



Texto e fotografia Dina Cristo



Começa amanhã uma peregrinação denominada “Terra Nova a Despertar” promovida pelo Movimento “Por uma Terra Livre”. De diversos locais de Portugal, os vários grupos juntam-se Terça-Feira, dia 6, em Sintra, de onde partirão, em conjunto, até Lisboa, onde se irá comemorar, dia 9, desta Sexta-Feira a oito dias, o Dia Global da Graça.



Este Dia foi promovido em 2005 por Sabine Lichtenfelds, desde a sua primeira peregrinação internacional a Israel, à qual se seguiram a Jerusalém, em 2007, à Colômbia, em 2008 e 2010, e em Portugal, em 2009. Este ano, a caminhada a pé decorrerá ao longo do mês de Novembro, entre oito a 29, desde o Mar da Galileia até ao Mar Morto, em nome da paz.



Embora o nove de Novembro seja o dia em que se iniciou a perseguição pública aos judeus, cerca de meio século depois também caiu o muro de Berlim. Apesar do profundo sofrimento humano inerente, na base da proposta do Dia Global da Graça está a queda de todos os muros, incluindo os internos, que separam os seres humanos.



Em vez de manifestações contra a vingança, o Movimento propõe uma caminhada a favor da reconciliação entre todos os seres - uma revolução suave, gentil e pela positiva, no âmbito «(…) da construção de uma sociedade pós-capitalista e de um futuro sem guerra», lembra o grupo português em Tamera, uma comunidade guiada pelos princípios do amor, do apoio mútuo, da verdade e da vida, entre outros

Para Dieter Duhm, trata-se de comemorar a ascensão de uma nova humanidade e forma de habitar o planeta, sem ódio e sem violência. «A energia, a água, e os alimentos estão gratuitamente disponíveis para todos os seres humanos se seguirmos a lógica da natureza e não a lei do capital»*, afirma o co-fundador de Tamera, natural de Berlim, no seu apelo deste ano.

Em vez do pressuposto da economia capitalista de que os recursos são escassos, a nova economia (como a dos recursos, espiritual, social e solidária) parte do princípio que os meios são suficientes e até abundantes, pelo que, em vez de competir, vale a pena cooperar, com benefício para todos. É um dos aspectos da Graça divina, a disponibilidade e a gratuitidade – ser grátis, de graça.



Conceito

Graça é também a protecção divina, o carisma e a caridade, a compaixão, a misericórdia, o amor. Ela é a providência divina que disponibiliza à humanidade todos os bens necessários à sua existência material e espiritual. Graça é um dom ao qual o Ser Humano deve estar grato, gratificado, agradecido, em especial no (Equinócio de) Outono, época de recolha das sementeiras, representada na cornucópia, símbolo da abundância, fertilidade e riqueza.



Em Portugal ela é aludida em nomes, ruas, igrejas, freguesias, provérbios, cultos, orações e expressões como “ser um desgraçado”, “ter graça”, “engraçar”, “estado de graça”, “Qual é a sua graça?” ou “por obra e graça do Espírito Santo”. Neste caso é uma referência à Lei da Graça ou lei das analogias, correspondente ao excerto do “Pai Nosso”, “Assim na terra como no céu”, e que, segundo H. Álvares da Costa(1), permite acesso ao Eu Superior.

Qual espelho, o inferior reflecte o superior, como na alegoria da caverna de Platão ou inscrito na lei hermética “Assim como é em baixo é em cima”. É a Graça que torna visível a luz, a vontade divina, o cosmos, o universo, espelho do Logos, o Verbo Criador, por sua vez reflexo da mente divina. É a segunda lei, a do Filho do Homem, Jesus Cristo, ou o Cristo no Ser Humano, o que lhe permite trazer o céu à terra.



A lei da Graça, base da Alquimia, permite, assim, abrir um canal e transferir a energia do superior para o inferior e revelar o Dharma, o dever de cada um, bem como transfigurar o karma, a lei do Filho da Mulher, que não conhece o pai, um nível determinístico, ao contrário da Graça, nível de livre arbítrio e potencia, em que se conhece o Pai do céu, Zeus ou Júpiter.



A premissa de que o que acontecer no âmbito do Macrocosmos se reflecte no microcosmos é precisamente a base da astrologia, para a qual Júpiter representa o entusiasmo, a fé, a esperança, o optimismo, as longas viagens, a participação e envolvimento da alma na vida social, de forma espontânea, alegre e altruísta e, sobretudo, a expansão, a abundância, a bem-aventurança, a protecção espiritual que, numerologicamente, está no zero.



Júpiter corresponde, em termos cabalísticos, à sephiroth Héssed, regida por Tsadkiel, locus das Dominações e plano da misericórdia ou compaixão, o reconhecimento de que todos são parte do corpo de Cristo, numa espécie de lei da gravidade espiritual. É a lei do Cristo-Rei, que protege os desfavorecidos e se comemora no próximo dia 25.



O amor, a misericórdia e a esperança estão também presentes no cântigo "Amazing Grace", escrito no séc.XVIII e com inúmeras versões, entre as quais as dos “Moonriders”, grupo formado em Tamera, no CD “Level Eden”, lançado em 2011. Graça é também o tema principal dos programas de rádio de Join John, “The power of Grace in your life”, com a convidada Cheryl Richardson, autora do livro “The unmistakable touch of Grace”, e de Sonia Choquette, "Grace, guidance and gifts", ambos na Hay House Radio.

«Se viverem a Graça de Cristo talvez possam ser os portadores da Graça Divina, para um mundo sedento de paz, fraternidade e ciência e uma nova sociedade nasça dos escombros das ruínas morais», afirmava há vários anos H. Álvares da Costa(2). Hoje, «As forças de transformação são mais fortes do que toda a violência. Abalam-se os montes, os mares, e os corações dos seres humanos. Das ruínas dos antigos sistemas cresce o espírito de uma nova comunidade planetária», afirma Dieter Duhm, no seu manifesto.



A Graça abre as portas da confiança cósmica, de acordo com Sabine Lichtenfelds, autora, entre outros, do livro "Grace - Pilgrimage for a Future without war". Por isso, os promotores irão fomentar a segurança para além do dinheiro, encorajando o espírito aventureiro, o contacto, o intercâmbio, a troca, a empatia e a compaixão entre as pessoas durante a peregrinação até à celebração do Dia Global da Graça, a protecção da vida e um futuro mais humano ou, como apela a co-fundadora da comunidade no Alentejo em manifesto, redescobrir e tornar realidade a imagem original e intacta de uma Vida Sagrada para um mundo melhor.

(1) COSTA, H. Álvares – Lei da Graça – Lei das Analogias – assim na terra como no céu. Colecção Teosofia básica para um novo homem. Ed. Sociedade Teosófica de Portugal. s/d. (2) Idem, contracapa. * Sublinhado da redacção.

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Cinema irreal?



A obra cinematográfica de António de Macedo vai ser projectada na Cinemateca. Desde Sexta-Feira até Julho pode ser apreciada, em Lisboa, uma sétima arte (sobre o) invisível, longamente censurada, num ciclo que é uma homenagem ao realizador, mas também escritor e investigador, octogenário.

Texto Dina Cristo

“O princípio da sabedoria”, uma incursão nos domínios do sobrenatural, é a primeira película a ser exibida, na inauguração do ciclo, dia 25 às 21h 30m - repetida às 22h de Segunda-Feira - e que conta com a presença de António de Macedo nesta retrospectiva que lhe é dedicada. «Incluindo longas e curtas-metragens, obras conhecidas e títulos mais raros, os filmes serão em grande parte apresentados em novas cópias tiradas no laboratório da Cinemateca», lê-se no boletim de Junho da Cinemateca Portuguesa (CP).

Seguindo uma perspectiva cronológica, dia 25 será mostrado, às 19h, o filme “Domingo à tarde”, a sua primeira longa-metragem, produzida por António da Cunha Telles e realizada no contexto do Cinema Novo Português dos anos 60; o filme é baseado no romance de Fernando Namora e foi selecionado para a secção competitiva do Festival de Veneza de 1965, onde foi visto numa versão não censurada; pode ser revisto dia 28, Quinta-Feira às 19h 30m.

A segunda longa-metragem, “Sete balas para selma”, em que o autor assina não só a realização mas também os argumentos, diálogos, planificação e montagem, pode ser vista dia 26, Terça-Feira, às 21h 30m (e revista dia 29, Sexta-Feira, às 22h).

“Nojo aos cães”, o terceiro filme de longa duração, produzido pelo próprio realizador com base em premissas do cinema directo, segue uma manifestação de estudantes que termina com a intervenção da polícia política. Proibido em Portugal, é exibido em 1970 nos festivais de Bérgamo e de Benalmadena, onde recebe o prémio da Federação Internacional de Cineclubes.

O dia 28, Quinta-Feira, a partir das 21h 30m é dedicado às curtas e médias metragens: o “Cine-riso – Almanaque dos Parodiantes de Lisboa e “A revelação”, ambos de 1969, “A primeira mensagem”, a preto e branco e sem som, e “A bicha de sete cabeças”, uma variação de um conto tradicional português. São quatro fitas entre as cerca de 50 que o cineasta concretizou.

Sexta-Feira, dia 29, é a vez da exibição, às 19h, de “A promessa”, o primeiro filme português oficialmente selecionado para o Festival de Cannes; conta a história de «um jovem casal de uma aldeia de pescadores profundamente religiosos que não consuma a sua união em cumprimento de um voto de castidade», sintetiza a CP.

Obra fantástica

O ciclo coincide com a celebração dos 81 anos de um cineasta marcado pela criatividade: «Marca de água de toda a sua obra, cruzada por diversas influências e interesses, persistentemente apostada na experimentação das possibilidades visuais e sonoras no cinema (tanto nas curtas como nas longas-metragens, nas obras e ficção, documentais, institucionais e em filmes publicitários), essa originalidade revestiu-se, por outro lado, de uma dimensão polémica, em alguns casos feroz, que foi pontuando a receção dos seus filmes (…)» a partir de 1967, como explica a Cinemateca Portuguesa (CP).

A liberdade e a capacidade de materializar (o imperceptível) são também marcas da obra do autor: «A produtividade dos anos sessenta estendeu-se à década seguinte, que Macedo atravessou desafiando os imperativos da censura, antes de 1974 (depois de em 1970 ser um dos fundadores do Centro Português de Cinema, foi em 1974 que cofundou a cooperativa Cinequanon onde desenvolve a atividade de cineasta nos vinte anos seguintes), e dos cânones estabelecidos, estendendo as linhas mestras do seu cinema às questões sociais e políticas numa vertente documental. A dimensão fantástica, o imaginário popular e os elementos esotéricos dominam os filmes posteriores na convicção de que “a realidade é mais subtil do que aquilo que a gente vê. As incursões esotéricas que faço são tentativas de penetrar no universo real. Aliás pode dizer-se que o meu fantástico é mais real do que o real», refere (n)a brochura do Museu do Cinema.

A capacidade de adaptação à mudança está espelhada na sua caminhada ao longo da vida: «Arquiteto de formação, cineasta por vocação, mas também compositor, escritor e ensaísta, docente, António de Macedo é um protagonista singular do cinema português cujo panorama marcou entre os anos sessenta da sua estreia no contexto do Cinema Novo, época em que a sua obra é especialmente prolífera, e os anos noventa em que infletiu de percurso, passando a dedicar-se mais ativamente aos estudos e ensino universitário nas áreas das religiões comparadas, das tradições esotéricas, das formas literárias e fílmicas ou da sociologia da cultura, em que se doutorou em 2010» indica a mesma fonte do arquivo nacional de cinema.

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vida festiva


Este fim-de-semana, de Norte a Sul, Portugal anima-se com a mudança para um mundo mais saudável, solidário e Humano.


Texto Dina Cristo

Montalegre recebe a oitava Manifesta, Festa e Feira de Desenvolvimento Local, centrada na economia solidária, social e sustentável. Uma espécie de Fórum Social Nacional, coordenado pela Animar, com exposição e debate de soluções inovadoras para um paradigma que coloca as pessoas em primeiro lugar. “Viver as utopias para construir realidades”, declarava Elza Pais, na qualidade de Presidente da Comissão para a Igualdade de Género, no encerramento da última edição, em Peniche, onde expressões como “terceiro sector”, “microcrédito”, “regionalização”, “sociedade civil organizada” ou “diversidade” estiveram presentes.
No Palácio de Cristal, no Porto, é a vez da sétima Feira Alternativa – a apresentação de novas ideias e soluções no âmbito da saúde, incluindo alimentação e medicina (natural), ou desenvolvimento (pessoal). A proposta das organizadoras, “Terra Alternativa” e “PazPazes”, é (vi)ver o mundo de outra maneira, mais ecológica, confiante e harmoniosa. Entre conferências, aulas, ateliers e a presença das mais diversas expressões artísticas, está programado, no Domingo, pelas 15h, uma meditação pela paz e abundância na Terra, cuja receita reverterá a favor de instituições de solidariedade social da cidade invicta.
Em Tomar tem lugar a Festa dos Tabuleiros, em honra do Divino Espírito Santo. A coincidir, ainda, com a Festa, em Coimbra, da Rainha Santa Isabel, promotora do culto em Portugal, a cidade dos Templários mantém a tradição e fé na terceira pessoa da Santíssima Trindade, correspondente a Shiva, o destruidor hindu. Depois da Era do Pai, Criador, (antigo testamento) e da Era do Filho, Conservador (novo testamento), da Era de Peixes, eis a chegada à Era do Espírito Santo, Destruidor - Era de Aquário.
Os festejos antecipam, desde há séculos, essa Nova Era de Ouro, de pureza, representada no cortejo pelas meninas, de solidariedade, simbolizada no bodo, onde toda e qualquer pessoa é convidada a sentar-se confraternalmente à mesma mesa. Simbolizado na pomba da paz ou nas línguas de fogo purificador, celebradas no Pentecostes, o Espírito Santo, Transformador por excelência, também Consolador, corresponde igualmente a Maria, a mãe, a matéria, daí o retorno ao Feminino, e à Mente Superior, ao regresso do “Encoberto”, ao reaparecimento de Cristo, à Intuição, numa anunciação do Quinto Império. Em causa uma nova cultura: do ser, interesse colectivo, desapego e partilha; de amor, alegria, liberdade e abundância; de simplicidade, compreensão e felicidade.

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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Projecto Vénus



Texto e fotografia Dina Cristo

Os mentores do Projecto Vénus, Jacque Fresco e Roxanne Meadows, vêm este Sábado a Portugal, dar uma palestra, às 15h, num hotel em Lisboa. A conferência, cuja entrada é de cerca de dezasseis euros para ajuda na recolha de fundos, insere-se numa digressão mundial de apresentação do plano para redesenhar a cultura actual e colocar a tecnologia ao serviço do bem-estar de todos.
O projecto parte do pressuposto de que a Terra abunda em recursos, que a sua gestão por «métodos monetários é obsoleta e contra-produtiva» e é possível, recorrendo a uma energia limpa e renovável, satisfazer as necessidades essenciais de cada ser humano, como as de alimentação, vestuário, habitação, saúde ou educação.
Esta orientação para a regeneração social e a solução de problemas, como o excesso de população mundial, o desemprego ou o declínio dos eco-sistemas, é apoiada pelo Movimento Zeitgeist, iniciado em 2008, na sequência do documentário Zeitgeist Addendum.
O movimento social conta com cerca de 40 representações internacionais, uma das quais em Portugal (em Aveiro, Lisboa e Porto), e mais de 400 mil membros, 700 dos quais portugueses. Junho foi um dos meses mais activos, com apresentações em Lisboa, Porto e Póvoa do Varzim.
«Já é tempo de acabarmos com todo o sofrimento desnecessário que existe por todo este mundo e criarmos uma nova sociedade em que todos os seres humanos, e não uma percentagem reduzida como acontece hoje em dia, possam desfrutar de um elevado padrão de qualidade de vida com todas as virtuosidades que uma civilização próspera tem a oferecer, o que pode ser realizado através da aplicação inteligente e humana da ciência e tecnologia» clarificou ao A&A Paulo Próspero, promotor da iniciativa.

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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Prémio Informação Solidária


No início do terceiro ano de actividade, abrimos as votações aos nomeados para o primeiro Prémio Informação Solidária (PIS) em Portugal.

Texto Dina Cristo fotografia e escultura Cristina Lourenço

São sete os (programas de) órgãos de comunicação social portugueses nomeados para o 1º PIS 2009 que criamos: Imprensa - "Biosofia", "Cais" e "Tempo livre"; Internet - "IM Magazine"; Rádio - "Mais cedo ou mais tarde" (TSF); Televisão - "Aqui & Agora" (SIC) e "Sociedade civil" (RTP2). A partir de agora, e durante exactamente três meses, os internautas podem votar na sondagem. A entrega do prémio, simbólico, uma estatueta - na fotografia - da autoria de Cristina Lourenço será entregue em Dezembro. Dar a conhecer a IS praticada em Portugal, reconhecer o seu trabalho, valorizar a inovação e incentivar a sua prática são os principais objectivos da distinção.
Como referiu Carlos Cardoso Aveline, pensador desta escola, no seu livro editado em 2001, “A informação solidária – a comunicação social como prática de uma nova ética”, a Comunicação Social da Nova Era possui sete características essenciais: «1)- Ensina como o cidadão pode assumir mais responsabilidade sobre sua vida, mostrando hábitos saudáveis e dando conhecimentos que permitem viver com sabedoria. 2)- Aponta soluções e alternativas para os problemas que aborda. Descreve atos generosos, destaca pessoas que agem com altruísmo. Inspira sentimentos positivos. 3)- Descreve o ser humano com suas crises e contradições, mas mostra que ele está voltado para o bem e que busca a felicidade. 4)- Obedece ao poder da verdade. Põe limites ao jogo de conveniências, abre espaço para leitores e espectadores, e ganha prestígio seguindo um bom padrão ético. Conquista espaço por sua coragem editorial. 5)- Dá destaque a causas nobres e projectos sociais altruístas. 6)- Fala a partir dos dois hemisférios cerebrais, especialmente o direito, que é positivo, intuitivo, criador e voltado para o futuro. 7)- Não tem medo de enfrentar as questões cruciais, porque confia no ser humano e no futuro.»
Como declarei à ESEC TV, em 2007, aquando da Conferência que antecedeu a criação deste projecto informativo, a IS apresenta uma nova forma de fazer informação, com critérios inovadores. Depois do conflito, da guerra, do ódio, do crime e da superficialidade, os novos valores-notícia da harmonia, da paz, do amor, da generosidade e da consistência começam a ser recuperados. Esta corrente defende igualmente a mudança de fontes philodoxas, amigas da opinião, para outras, philosophas, amigas do saber, privilegiando novos actores sociais mais altruístas.
Inovação informativaAtravés da IS mudam os objectivos, que deixam de ser apenas e desmedidamente os lucros, mas também os modos de produção, distribuição e recepção da informação. Doravante, com o esgotamento do sistema industrial, por um lado, e a expansão da rede digital, por outro, estão criadas as condições para se investir numa informação correcta, orientada pela ética, por dever, assente no paradigma do belo, bom e bem.
Deixa de estar apenas baseada nos fenómenos de efeitos pontuais para passar a estar ancorada num tripé em que se ocupa, para além do contexto dos acontecimentos, também das suas causas e consequências. Mais do que triangular, trata-se de uma informação que “vai mais fundo”, nas palavras de Gabriela Oliveira, jornalista freelancer, vocacionada para a integralidade da vida, dos seres ou da actualidade.
Sem se centrar, forçar ou explorar a subjectividade e a emoção, a IS não as esconde. Mais feminina, intuicional, a Informação Solidária faz uso do 6º sentido, latente, prescindindo da prioridade à informação política (partidária), económica, desportiva (futebol) ou internacional (conflitos). É uma informação especialmente vocacionada para pessoas (hiper)sensíveis, cuja natureza é ferida pelo excesso de estimulação, sobretudo visual e/ou sonora.
Mais humana, natural, simples e extensiva, é também mais artesanal, lenta e com alma. Adequada ao movimento de transição, com aposta na escala local, mas sem esquecer a dimensão planetária, é uma informação com preocupações ecológicas, sustentáveis, alternativas, comprometida, interventiva, independente e participativa. De carácter eminentemente voluntário, criteriosa e cooperativa, dirige-se a um público mais consciente e responsável que pretende desenvolver.
Mais de dois anos após termos dado início a este projecto informativo, inspirado na IS, a palavra "solidário", sobretudo depois da explosão da crise, deixou de parecer tão estranha. Se a expressão "fraternidade", ideal promovido pela Revolução Francesa, parece ter caído em desuso, com o crescimento do digital aumentam as oportunidades colaborativas, em rede, também ao nível jornalístico. Hoje, as questões da solidariedade social começam a integrar a agenda mediática, evocam-se os órgãos de comunicação social cooperativos, criam-se regiões solidárias, organizam-se festivais solidários e até o Google se tornou solidário.
Como escreveu Oscar Quiroga no seu "Diário de bordo" de 2 de Julho deste ano «(..) as coisas estão mudando, e para melhor. Por todo lado há humanos cheios de espírito e boa vontade que fazem o necessário para servir seus semelhantes, mas com certeza não merecem uma nota de rodapé nos jornais, porque a horda de seres estimulados pela crítica agressiva são os consumidores de notícias e não lhes interessa constatar que há espírito e boa vontade no seio humano. Porém, o número de pessoas de bem cresce diariamente e logo chegará o dia em que se tornará maioria e, pela magia das leis do mercado, provocará a mudança de tom das notícias veiculadas diariamente».

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Festival Solidário


Conta com grupos de música - conhecidos (Hoje), desconhecidos (em concurso) e (d)eficientes (CerciTejo) - uma passagem de modelos adaptados a pessoas com deficiência e ainda exposições. Neste fim-de-semana reúnem-se boas vontades em prol de uma só instituição particular de solidariedade social.

Texto Dina Cristo cartoon Zé Oliveira


Começa esta Sexta-Feira à noite o primeiro fim-de-semana de responsabilidade social na Lousã, com um concurso de bandas, designado “Culto do Império”, alusivo ao programa de rádio da Lousã FM, de Carlos Martins.
Depois de uma sessão livre, na qual os interessados poderão participar espontaneamente, e durante a qual o júri - do qual fará parte Luís Sampaio, dos Delfins - se reunirá, serão entregues os troféus aos seis grupos e revelado quem sairá vencedor. Concorrem os Fora da Bóia (que vêm de Faro), Decibel Zero (de Penela), Peter Way (Barreiro/Setúbal), The Mystery Artist (Porto), Ice Land Moss (também da cidade invicta) e U-Xed (da Lousã).
O prémio será a actuação no Sábado antes dos "Hoje", cabeça de cartaz, cujo disco pretende ser um tributo a Amália Rodrigues. Antes, a partir das 21h 30m, haverá um desfile de moda em cadeira de rodas, com a participação da We adapt, seguida da actuação dos "CerciTejo", vencedores do Festival Nacional da Canção para Pessoas com Deficiência Mental deste ano.
Durante a tarde estarão patentes no Parque Municipal de Exposições, onde decorre o festival, duas exposições: uma da Associação para Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã (ARCIL) - para a qual revertem os eventuais lucros do evento - e outra da Associação de cartoonistas Feco, com vários cartoons, entre os quais o que publicamos.
O Festival Solidário é organizado pela Konkrets solidário, uma associação sem fins lucrativos nascida com a Konkrets, com sede na Lousã, é patrocinado oficialmente pelo Licor Beirão, tem o apoio da Câmara Municipal, nomeadamente ao nível logístico, e de cerca de duas dezenas de pequenas e médias empresas da região, em serviços ou monetariamente. O evento contará com a presença da Rádio Renascença, além de alguns órgãos da imprensa regional e local.
Os bilhetes, que custarão no Sábado dez euros para pessoas acima dos 13 anos, estão à venda nas lojas FNAC de Coimbra e Viseu, em algumas empresas locais e nos CTT. Até ao momento, venderam-se um pouco mais de 200 entradas, entre a FNAC da cidade dos estudantes e o posto dos correios da Lousã, e 500 no total.
Para se conseguir ajudar quem ajuda são precisas mais de duas mil entradas, no mínimo. Patrícia Duarte, mentora do projecto, está confiante. O apoio promocional de rádios nacionais e a vinda do projecto "Amália hoje", que entusiasma várias gerações de público, são uma esperança de que a população apoie a iniciativa de forma significativa.

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Espírito do tempo


Não foi premiado pela Academia, mas tem invadido o planeta como uma onda gigante. Zeitgeist unirá, dia 15 de Março, espectadores de todo o mundo numa atitude crítica em relação a verdades, até agora (quase) inquestionáveis.

Texto Dina Cristo

Depois de nove meses disponível “on line” e quatro após a sua apresentação no IV Festival Anual de Filmes Artísticos, chegará dia 15 de Março (Dia-Z) às salas públicas e privadas de todo o mundo.
O filme foi escrito, realizado e produzido por Peter Joseph (pseudónimo) da GMP LLC e, em duas horas, apresenta, numa trilogia, o Cristianismo, o Terrorismo e a Banca como alguns dos maiores mitos da Humanidade. A fé da maior parte das pessoas, ao longo da história, em Jesus histórico, no inimigo estrangeiro terrorista e nos banqueiros internacionais é questionada. «Será que alguém ainda credita que não é escravo da Religião, do Terror e do Dinheiro?», interroga-se, a propósito, em “Cinemanotebook”.
Realizado sem fins lucrativos, a película defende a tese de que “Somos todos UM» e que a crença de que estamos separados uns dos outros tem sido uma das principais causas para a ignorância, passividade e alienação da massa, "rebanho" controlado pela elite (religiosa, política e comercial), cuja exploração o filme denuncia.
Elogiado sob o ponto de vista técnico e artístico, o documentário disponibiliza, no seu site, a bibliografia em que baseou a investigação para cada parte do filme que, como sinal dos tempos, tem inundado o planeta: foi visto, até Novembro de 2007, por cerca de oito milhões de espectadores.
Portugal também se junta ao Dia-Zeitgeist, quando será exibido um pouco por todo o país. Em Aveiro será projectado no Mercado Negro (em Esgueira), às 22h; em Cascais no Lótus Bar, às 16h; em Coimbra, na Livraria Almedina Estádio, às 15h 15m; em Espinho no centro Multimeios, às 14h e 19h; em Guimarães, na Universidade do Minho, às 21h e em Lisboa em três locais: Crew Hassan, às 22h; Associação Portuguesa de Surdos, às 21h, e Cinemalfa às 21h 30m.
Para quem quiser antecipar ou (re)ver, aqui ficam disponíveis as ligações, em dez minutos cada, de todo o filme: 0 - Abertura
I - A maior história já contada (Cristianismo): parte um, dois e três
II - O mundo inteiro é um palco (Terrorismo): parte um, dois e três
III - Não se preocupe com os homens atrás da cortina (Banca): parte um, dois, três, quatro e cinco.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Academia debate informação verde


Foram cerca de três horas de debate sobre esta informação verde, que aponta soluções, tem consciência da interdependência e viabiliza o desenvolvimento humano.

Texto Ricardina Baptista

Informação Solidária (IS) foi o tema da palestra que decorreu, no dia 11 de Junho, no auditório da Escola Superior de Educação de Coimbra. No evento, organizado pela docente Dina Cristo, estiveram presentes Carlos Cardoso, autor do livro “Informação solidária”, que esteve em directo do Brasil através de videoconferência; Gabriela Oliveira, jornalista freelancer, e Henrique Pinto, director da Associação “Cais”.
O conceito de informação solidária aparece no último quartel do Século XX como resposta à globalização e uniformização. Pretende realizar uma informação mais responsável, útil, sustentável e criativa, respeitando a ética e com resultados a longo prazo. Segundo Carlos Cardoso trata-se de uma informação feita com o coração, estabelecendo um compromisso ético pela vida.
O papel do jornalista torna-se, pois, fundamental na construção de um mundo melhor. No entanto, a IS defende que todos nós devemos ser activos e participar na sociedade. É preciso ouvir a consciência, uma vez que a possibilidade de mudança está em cada um de nós. Este tipo de informação é uma forma de fazer jornalismo onde existe uma vontade de eliminar o sofrimento dos outros. Por isso, a IS pretende colocar o dinheiro ao serviço da vida comunitária.

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