sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Comunicação Oculta II



Neste segundo artigo acompanhamos a expansão da trindade em septenário, com reflexo na radiação cósmica, legislação universal ou ao nível do microcosmos humano.

Texto e desenho* Dina Cristo

De cada modo de relação diferenciada entre o pólo espiritual e o material resultam sete planos distintos de substância e consciência, que constituem sete veículos de manifestação (Saptaparna). «Entre o Um e o Dois há sete frequências vibratórias possíveis, sete graus de consciência, sete qualidades manifestadas»[1], ensinava Kepler, conforme lembra Maria Flávia de Monsaraz.
Os planos são regiões habitadas pelo espírito-matéria, onde substâncias com determinadas propriedades vibratórias, com um certo nível de estado de consciência, interpenetram os corpos mais grosseiros. São campos de expressão macro-cósmicos, constituídos por esferas concêntricas que, embora separadas, são, interdependentes.
Cada plano tem o seu respectivo veículo (upadhi), aquele que lhe é inferior e que constitui um canal de expressão, ou então barreira, conforme está mais ou menos (des)bloqueado, limpo e organizado. Uma das várias formas de tornar os veículos mais receptivos (a uma informação mais clara, profunda e pura) é a emissão da palavra (co)recta, compassiva  e sagrada.

Um dos pontos de contacto privilegiado com os planos é a rede de meridianos e os seus sete principais centros de força subtis (chakras), transformadores de energia. O Coronário - Fonte de Vida, Poder e Vontade; o Frontal - a Intuição; o Laríngeo – a Iluminação; o Cardíaco – a Identificação; o Plexo Solar – o instinto; o Centro Sacro – o magnetismo e o Básico – a síntese.

No âmbito humano, os princípios septenários (equivalentes dos macrocósmicos) são constituídos pelos planos arûpa, sem forma, que contêm a tríade superior, espiritual, numénica e imorredoura, e os planos rûpa, com forma – o seu desdobramento no quaternário inferior, correspondente aos quatro elementos (fogo, água, ar e terra) e à guanina, citosina, timina e adenina do ADN, como denota Isabel Governo[2]. 

Estas dimensões têm sido designadas das mais diferentes formas e perspectivas, segundo as épocas, correntes e autores. Aqui, embora de uma forma geral e aproximada, podemo-las identificar pelo Eu Superior, constituído por Atman – o Espírito Puro, a Unidade, a Mónada, a Vontade Espiritual; Buddhi – o Corpo Causal, a Intuição, a Síntese, a Discriminação, o Supra-Consciente e pela Mente Superior – o mundo das Ideias Arquetípicas, dos Pensamentos Abstractos, da Linguagem Simbólica[3].
Ao nível da personalidade, existe o mental inferior - dos pensamentos concretos, limitado pelo raciocínio e preso ao desejo; o emocional - dos afectos, paixões e inclinações, onde se processa a criação; o vital - o campo electromagnético, onde ocorre a formação e o físico denso - sub-consciente, onde se dá a geração.

O sete

Na Estátua da Liberdade, nos EUA, estão representados os sete raios, presentes em todo o mundo nas sete cores do Arco-Íris. Cada um expressa uma característica, qualidade, diferenciação da energia Una. O primeiro raio exprime Vontade, Poder e Organização. É o Alfa; o segundo Amor/Sabedoria, Compaixão/Intuição; o terceiro[4] Adaptação e Mudança; o quarto equilíbrio, harmonia e beleza; o quinto rigor e ciência; o sexto devoção, idealismo e honra; o sétimo, o Ómega, tecnologia, gestão e eficiência.
Existem de igual modo sete leis universais: o Holismo, a Analogia, a Ordenação, a Harmonia, os Ciclos, o Karma e a Evolução. Em cadernos editados pela Sociedade Teosófica de Portugal, Humberto Álvares da Costa explica como a Realidade é Una, Idêntica, Rigorosa, Polar, Alternante, Encadeada e Progressiva e como cada uma destas regras é referida na oração do “Pai Nosso”.
Esta revelação com base em sete diferentes espaços-tempos, órgãos subtis, raios ou leis, está presente na Cabala como nas “moradas” do Cristianismo, nos sete planetas sagrados como nas sete estrelas da Ursa Maior ou de certa forma nas sete notas musicais, nos sete dias da semana e reflecte-se em expressões populares como “estar fechado a sete chaves”[5].
O logos desdobra-se e manifesta-se a sete níveis. À medida que prossegue a condensação evolutiva «(…) o fio ténue se transforma em um canal cada vez mais largo através do qual flui, cada vez mais abundantemente, a vida átmica»[6]. Como referiuJosé Manuel Anacleto, essa expressão faz-se indirectamente. A sephiroth Yesod, por exemplo, é «(…) o medium através do qual a mente pode actuar na objectividade material, tal como a mente é o meio através da qual o Espírito se pode manifestar nos planos psíquicos e físicos»[7].  
O sete representa em várias tradições a realização, a conclusão, a perfeição, a totalidade (do tempo e do espaço); é, por isso, um número sagrado, com um poder (mágico), frequentemente citado na Bíblia, nomeadamente os seus múltiplos e no Apocalipse. Chave do Evangelho de São João, este número é usado 77 vezes no Antigo Testamento sendo que o Profeta Zacarias se refere aos sete olhos de Deus. Resulta da soma da tríade celeste, a Imperatriz (3), com o quaternário terrestre, o Imperador (4), do Tarot[8]. É a matriz da manifestação universal, como vimos no primeiro artigo, e humana, como veremos no próximo

* Anos 70

[1] MONSARAZ, Maria Flávia – Vénus, 2004 (CD). [2] GOVERNO, Isabel – Como somos feitos… in Biosofia, n.º 29, pág. 19. [3] A noosfera de Pierre Theird de Chardin ou a Razão Pura de Immanuel Kant. [4] Os primeiros três raios, o Poder do Pai, o Amor do Filho e a Luz do Espírito Santo, referidos no artigo anterior, são respectivamente o transmissor, transformador e transfigurador, de acordo com Alice Bailey. [5] “Monstro de sete cabeças”; “estar nas sete quintas” ou, por exemplo, “um gato ter sete vidas”, além dos sete mares, do sétimo céu, etc. [6] BESANT, Annie – O enigma da vida. Editora Pensamento. S. Paulo. 10ª ed., 1997, pág. 115. [7] ANACLETO, José Manuel – “Tiphereth” in Biosofia, nº37, p.38. [8] CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain – Dicionário dos Símbolos, Ed. Teorema, 1994.

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