quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A Comunicação Oculta IV



Neste quarto artigo focamos um dos principais canais de Comunicação: a Humanidade.

Texto e desenho* Dina Cristo

Cada Ser Humano é um ponto de encontro entre a linha horizontal, temporal (Prácrito, yin), e o braço vertical, espacial (Purusha, yang), entre o Alfa (passado) e o Ómega (futuro), o Céu e a Terra. Ele está no centro, o ponto de intersecção, que lhe permite conciliar realidades aparentemente opostas, harmonizá-las, sintetiza-las e transcende-las.
A Humanidade é o meio de comunicação por excelência entre diferentes mundos. Completado através do fogo mental, recebido na terceira raça, como vimos, é a primeira Hierarquia Criadora completa, com acesso quer à Tríade Superior, o Céu, a dimensão Super-Humana, Divina, do mais elevado Espírito, quer ao quaternário inferior, o inferno, a dimensão sub-humana, animalesca, da mais densa matéria.
É o corpo mental[1], dual e paradoxal (dado o carácter concreto e Abstrato), que permite aos humanos serem uma ponte que liga, ou separa, os deuses e Mestres das bestas e feras, conforme for mais ou menos activado o plano Mental Superior, e construída a escada[2] de Jacob, o antahkarana, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, a separatividade, unindo o Eu Superior à personalidade, na vindoura sexta sub-raça.
Nessa altura será manifestada a Alma Humana, intermediária entre a Alma Espiritual - Sobre-Natural, Intuicional, Eterna, Noética, detentora de conhecimento directo, intrínseca aos Filhos de Deus, a Matéria da Deusa Virgem e Pura - e a Alma animal, natural, emocional, psíquica, tentadora e perecível, propícia a (des)ilusões, inerente ao homem e à mulher sub-desenvolvidos, alienados, condicionados, escravizados, impotentes e vulgares, os Filhos da Mulher, prostituta.
A mediadora é a Alma Humana - a Esfinge, enigmática e frenética - racional, imperecível, de nível causal, própria do Ser Humano desenvolvido, Senhor de si mesmo, com poder e livre arbítrio, o Filho do Homem. Este é, pois, o verdadeiro medium: «O homem é um ponto de encontro e um lugar de transmissão, uma charneira ou um foco de difusão»[3].
O Ser Humano é, através do seu nível de consciência mental, quem casa verdadeiramente o mais elevado nível de Espiritualidade e o mais baixo de selvajaria. Como a alma, em sentido lato, é a mediadora, o Software, entre o Pai - o Programador, o Espírito, o Transcendente, a Vida, a Subjectividade - e a Mãe, o hardware, a Matéria, o imanente, a forma, a objectividade.
Como escreveu Alice Bailey, por «(…) meio do centro divino de inteligência activa a que chamamos Humanidade, o quarto reino da natureza actuará, oportunamente, como um princípio mediador para os três reinos inferiores. A Humanidade é o divino Mensageiro para o mundo da forma»[4]. O quatro é a via central, a meio da perfeição, o sete, final do caminho, capaz de estabelecer a ligação; é o caso do quarto Raio do Equilíbrio, da Lei da Harmonia como do Chakra Cardíaco[5].
Comunicação celular
O facto do Ser Humano ter sido criado à imagem e semelhança Divina (com planos de frequência equivalentes) dá-lhe proporcionalidade, compatibilidade e possibilidade de entrar em interacção com Essa realidade mais subtil, nomeadamente através das glândulas endócrinas, sobretudo a timo e a pituitária, que lhe permite uma simbiose com o subliminar universal, e a tiroide, que lhe faculta a ligação entre a Tríade Superiora e o quaternário personalístico.
A Humanidade dispõe de centros cerebrais, estruturas a desenvolver, que são autênticas portas de acesso ao subliminal. É o caso do terceiro ventrículo, dos tálamos ópticos, da epífise (glândula pineal, o terceiro olho) como dos tubérculos quadrigémeos em relação ao lado pré-frontal. O corpo caloso, um feixe composto por dezenas de milhões de fibras, assegura a ligação entre os dois hemisférios.
Lembramos que o hemisfério da esquerda, da mente concreta, está ligado à lógica, ao raciocínio, à análise, ao planeamento, ao conhecimento, à linguagem verbal como ao passado, e o hemisfério da direita, da Mente Abstracta, do futuro, para além da lógica racional, do explícito e do dito - relaciona-se com a linguagem não-verbal, a Intuição, a Comunicação ou a Criatividade.
O próprio Sistema Nervoso Central (SNC) comanda todo o corpo humano, órgãos, células e periferia, através do seu centro distribuidor, o hipotálamo, que recebe, descodifica os significados e envia um registo para o subconsciente. Esta zona cerebral à volta do ventrículo (que regula a temperatura, o sono e o metabolismo) sabe onde guardar a mensagem (para)simpática captada e para onde a retransmitir.
O corpo humano é um alto sistema de comunicação celular, onde se processa a recepção, tratamento e envio da informação captada. A casa humana é constituída por dezenas de triliões de células, uma espécie de tijolos inteligentes, que transportam no seu núcleo, o ADN, átomo-permanente com informação codificada sobre as características hereditárias.
Cada célula contém a mesma informação genética, um texto, que interpreta, com as instruções sobre como construir o organismo humano. Para que não se perca ou corrompa, o ADN é quase todo copiado por enzimas e as sequências terminais aumentadas pelas telomerases, até atingirem um tamanho mínimo.
Primeiro, a mensagem passa do exterior para o interior da célula. Os carteiros são as proteínas e, à superfície, os marcos de correio são os ligandos. Depois os sinais transmitem-se ao núcleo, através da cedência de electrões. Todas as células se (in)formam por impulsos eléctricos, radiações e circuitos empáticos que transportam significado.
Cada uma tem a sua própria família, padrão de ressonância, vibração, papel e tipologia. As células sensoriais sinalizam e reagem, provocando sensações, face aos estímulos que captam (conscientemente), desde que compatíveis com o seu filtro selectivo, relacionado com a memória de experiências anteriores, como salientou Lucienne Cornu.
No cérebro[6] existem (milhares de) milhões de células nervosas, uma espécie de gatekeepers que decidem, ou não, (re)transmitir o sinal detectado. Há milhares de possibilidades de contactos, conexões e fluxos electro-químicos (sinapses), de entradas e propagação de ondas, através do axona, o emissor, e saídas, através das dendrites, as suas extensões.
Quando os neurónios são activados, estimulados e excitados libertam neurotransmissores, mensageiros químicos cerebrais - uma corrente de energia eléctrica que leva a mensagem às outras células nervosas. Trata-se de um cordão fibroso que transmite impulsos nervosos, portadores de codificação, geradora de percepções, e de significação, fomentadora de interpretações.
É a informação, o fluxo eléctrico e luminoso, existente nos “vacuos” ou cavidades, como os ventrículos, que - à semelhança de Fohat, a um nível Macro-Cósmico – permite, assim, organizar, estruturar e dar forma à matéria (virgem). Para manter a ordem, e evitar a entropia, é vital o fluxo de energia, seja ao nível estruturante seja ao nível circulante.

 * Anos 70

[1] Trata-se do fogo de Prometeu, atribuído na terceira raça-raiz, aquando da divisão sexual, como vimos no artigo anterior. [2] «Pois deveis saber que é por uma e a mesma escada que a natureza desce à produção das coisas, e que o intelecto ascende ao conhecimento delas», ensinou Giordano Bruno, no diálogo cinco, em “De la causa, Princípio te uno”. [3]  CLUC - Introdução à Sabedoria e Técnicas Grupais, CLUC, 1ª ed. 1990, pág.52 [4] BAILEY, Alice – Astrologia esotérica, Vol.III, Tomo I, Association Lucis Trust, 1ª ed. 1997, pág. 133. [5] É também o caso das folhas de uma árvore, entre a raiz, o tronco e os ramos, por um lado, e as flores, os frutos e as sementes, por outro, ou ainda do verde do Arco-Íris, entre o vermelho, laranja e amarelo, e o turquesa, índigo e violeta.
[6] O cérebro é constituído pela região réptil, sede da vida física e automática, região límbica, génese das emoções, e região cortical, dos comportamentos inteligentes, livres, autónomos e originais.

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