quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vida fabulosa


Neste ano em que se assinala 390 sobre o seu nascimento, relemos alguns excertos das fábulas de Jean de La Fontaine*.


Selecção e fotografia Dina Cristo

«Uma doçura afectada


É fruto da hipocrisia,

Sirva ao mundo esta lição.

Quem de aparências se fia,

Gosta da sua ilusão»



«Muitas vezes maldizemos

O que é útil

E o vistoso engrandecemos,

Bem que fútil»



«De emprestar a casa, foge:

Todos vêm com pés de lã;

Porém do hóspede de hoje

Sai-te o patrão de amanhã!»



«Aquele que previne

Que o mal se reproduza,

Prudente evita e escusa

De horrores profusão»



«É nosso instinto invejarmos

Sempre o que os outros possuem

Sem o que é nosso largarmos»



«Que é loucura desmedida

Entrarmos em qualquer coisa

Sem ver se temos saída»



«É a propensão do vivente

Lamentar-se do presente

E chorar pelo passado»



«De mudança o mundo está tão cheio,

Que hoje rio, amanhã estou sentindo

Uma grande desgraça que me veio»



«Nunca ninguém faça aos outros

O que não quer que lhe façam»



«É mais que tolo quem dá

Ao mundo satisfações»



«Por mais que a gente se mate

Nunca tapa a boca do mundo»



«Reflecte se mais te agrada

Viver magra, ou morrer gorda!»



«Nada prestará; sem o gozarmos»

»Para sócio não busques o mais forte»



«Uma toma vale mais

Que dois eu te darei!»



«Perversas dão em muitos precipícios

Pela sua vontade depravada»



«Um anão acordado

Mata um gigante a dormir»



«Justo castigo

Que ofendi quem serviu de meu abrigo!»



«Que o luxo concorreu com o pouco siso

A engrossar-lhe o tesouro»



«Ninguém deve fazer castelos no ar!»



«Na produção se reconhece o artífice»



«O trabalho com paciência faz mais que a força (…)»



«No abusar é que se encontra o pior»



«O povo é respeitável juiz»



«É geral o poderio do doméstico».


 
FONTAINE, Jean de la – Fábulas de La Fontaine. Texto Editora. 2001.

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