sábado, 26 de fevereiro de 2011

Transição mundial


Num momento de agitação social internacional, reproduzimos, na íntegra e autorizados, uma reportagem publicada há mais de 25 anos. Faz parte do livro “Aqui e Agora” de Carlos Cardoso Aveline, autor de, entre outras, a obra “A informação solidária”. No website que coordena, Filosofia Esotérica, o autor tem disponível um acervo actualizado sobre as transformações mundiais na secção Crise Ambiental e Civilização do Futuro.

Texto Carlos Cardoso Aveline fotografia Dina Cristo


«Toda a estratégia das políticas económicas das nações do Ocidente tem girado em torno do chamado crescimento económico. Mas os economistas e o povo da Europa já aceitam o fato de que a era do “pleno emprego” passou e não voltará. Com o capitalismo estancado e sem perspectivas de crescimento, o que se observa é a expansão da economia não monetária.
James Robertson, estudioso das alternativas para a economia mundial, pergunta se não devemos criar condições de trabalhar por nós próprios, em vez de procurar empregos. A era industrial intensiva que está terminando destruiu a indústria caseira e fez com que trabalho fosse inteiramente subordinado a emprego.
A alternativa que surge para os dilemas da sociedade industrial decadente está na volta às actividades simples do tipo “faça você mesmo” – com destaque para a auto-produção de alimentos e outros bens essenciais. Entre as vantagens da volta atual ao trabalho caseiro figura a revalorização do trabalho livre dos velhos, das mulheres e das crianças, totalmente ignorado no esquema massificante da economia monetária.(1)
Para Robertson, no livro “The Sane Alternative”, o conceito de riqueza pessoal mudou radicalmente. Já não é uma questão de conta bancária, estoque de mercadorias ou mansões e limusines. Rica, hoje, é a pessoa que depende menos do atual sistema económico-social, frágil e inseguro. “Trabalho” já não pode ser definido em termos de passar muitas horas longe de casa para receber um salário no final do mês. Trabalho está voltando a combinar-se com lazer, recreação e prazer, do mesmo modo como se combina auto-suficiência económica com realização pessoal. O principal é a busca de uma vida integral e a rejeição das existências fragmentadas que o capitalismo industrial cencentrador pode (podia) oferecer ao cidadão.
As pessoas desempregadas da Europa e dos Estados Unidos – afirma Robert Jungk em entrevista à revista Peace News, da Inglaterra(2) - estão de certo modo numa posição privilegiada, por não se acharem mais acorrentados à engrenagem mecânica da produção capitalista. Elas têm mais tempo, podem pensar e atuar de modo benéfico para a sociedade se tiverem suficiente motivação. Podem estabelecer e estão estabelecendo estilos de vida e de produção alternativos. Na entrevista de 1982, Jungk afirmava que esta movimentação estava acontecendo na Dinamarca. Hoje ocorre em toda a Europa.
As vantagens da produção caseira são expostas de modo claro por Erhard Eppler, um dos líderes do Partido Social Democrático (SPD) da Alemanha:
“A parte da Alemanha em que me criei, Wurttemberg, tem superado bem as crises dos últimos setenta anos, porque uma grande proporção dos trabalhadores sempre reteve um pequeno pedaço de terra para plantar. Desemprego para eles significava uma oportunidade para reparar o estábulo, semear a terra, engraxar e reparar o trator, pintar a cerca, etc. Isto durou muito tempo e suavizou o efeito do desemprego na Alemanha. Quando se promove o trabalho autónomo, grande parte do medo ao desemprego é afastado”.(3)
A economia feita em casa. O crescimento da economia invisível é um fenómeno mundial. Ocorre nos Estados Unidos, na Itália, na Hungria. A jornalista gaúcha Tânia Krutscka esteve em Budapeste em 1984 para cobrir um encontro da Federação Luterana Mundial. Na volta, contou-me que a estratégia económica húngara passa hoje pelo cooperativismo – onde tem destaque o cultivo de ervas medicinais – e a combinação do setor formal com o setor informal. A economia húngara é a de maior desempenho em todo o bloco socialista graças à ênfase que dá à empresa familiar. O cidadão médio trabalha meio turno para uma grande empresa ou o Estado e meio turno em casa, produzindo alimentos ou roupas que venderá sem pagar imposto algum. Um reflexo desta estratégia foi o grande superávit na produção húngara de alimentos em 1984: nada menos que 14 milhões de toneladas.
Mesmo crescendo com alguma lentidão, a consciência das alternativas para o estancamento capitalista adquiriu solidez por toda parte. Um sociólogo e um sindicalista alemães analisaram este fato de passagem pelo Brasil em 1984.(4) O desemprego atingia naquele ano 8,6% da força de trabalho alemã, cerca de 2,2 milhões de trabalhadores. No futuro, esperava-se quatro milhões de desempregados. O sociólogo Claus Offe acha que o jeito é reduzir o tempo necessário à aposentadoria e “organizar um novo tipo de economia” através do mercado informal de trabalho.
A descentralização é a marca registrada da economia da Iugoslávia e o que a distingue desde o pós-guerra do resto do bloco socialista. A ênfase central é dada à autogestão dos trabalhadores e ao cooperativismo. É certo que há um centralismo excessivo na política e na economia, mas a experiência, mesmo limitada, é fundamental para a discussão do socialismo no mundo de hoje. E aponta claramente para a necessidade do autogoverno da população nos diversos agrupamentos concretos em que ela se estrutura. Ora, este autogoverno não é possível senão parcialmente numa estrutura industrializada centralizada, e este foi precisamente o limite da experiência iugoslava, desenvolvida num mundo industrial que busca a padronização não só da produção, mas do consumo, das vontades, dos comportamentos, e das opiniões políticas.(5)
Optar entre a uniformização e padronização imitadora das pautas de desenvolvimento que já não servem aos países desenvolvidos, e a riqueza variada da criatividade local, é a tarefa dos países do Terceiro Mundo e da América Latina. O economista da CEPAL, Edgar Knebel, falando num simpósio sobre as metrópoles latino-americanas em crise, previu que até ao ano 2000 o desemprego na nossa região chegará a algum lugar entre 20% e 50%. E não falta quase nada para chegarmos a esta percentagem. Em 1984, depois de assumir o governo da Argentina, a equipe de Raul Alfonsin descobriu que só metade da população economicamente ativa está empregada formalmente. A outra metade vive de biscates e pequenos empreendimentos organizados à margem de toda legislação.
A parcela marginalizada da população não pode organizar-se em sindicatos nem em partidos políticos, que atuam em torno de questões nacionais. A alternativa para eles é a organização comunitária nos locais em que moram, através da economia não-formal. A solução está na estruturação de pequenas cooperativas onde estas pessoas moram. Assim se elimina, entre outros, os problemas de transporte, cada dia mais caro, poluente e demorado.(6)
Só recentemente estas soluções recebem uma relativa prioridade por parte dos governos. Isso é resultado do fato de que os setores dominantes da opinião pública e os meios de comunicação de massa acreditavam, até há bem pouco, que as políticas sociais devem ser feitas de cima para baixo e que o dinheiro é a única mola mestra.
No entanto, muito ao contrário das aparências, o dinheiro não é capaz de dar sentido à atividade económica ou social. Todo indivíduo humano precisa ver sua vida e o que ele faz ou produz como algo significativo, dentro de um todo maior. Quando uma pessoa não vê sentido na vida, é comum, por exemplo, surgirem fantasias de suicídio. Alguns efectivamente se matam – por falta de significado em suas vidas.

A civilização do absurdo.

De modo similar, a maior parte dos processos que ocorrem na vida diária da nossa sociedade perderam, absolutamente, o seu significado original de afirmação da vida.
Não há sentido algum em produzir milhares de bombas mortais quando pessoas passam fome. Não há sentido em trabalhar dentro das máquinas burocráticas que dificultam, com regulamentações e controles inúteis, a vida do cidadão comum de carne e osso. Não tem sentido manter uma civilização que engendra doenças degenerativas pela má alimentação sistemática da população e produz remédios químicos que tendem, a longo prazo, a piorar ainda mais a saúde do povo.
Não faz sentido produzir tantos automóveis particulares que, primeiro, desperdiçam o petróleo cada dia mais caro; segundo, poluem o ar lançando CO2 que nos ameaça; terceiro, criam crises de engarrafamento no trânsito; e quarto, matam milhares de pessoas em acidentes de tráfego. Uma média de 300 mil acidentes mata 21 mil brasileiros por ano em ruas e estradas. Poucas guerras civis são tão sangrentas como a nossa tentativa de reproduzir no Brasil o padrão de consumo dos países ricos.
Cansados de tudo isso, estamos optando pela simplicidade e pela relação imediata entre produtor e meios de produção. Sempre que o trabalhador controla o processo produtivo ele trabalha pela afirmação da vida. Então produzimos coisas realmente úteis e sentimos que o nosso trabalho faz sentido dentro de um todo maior. Um aspecto central de todas as manifestações do surgimento do homem novo neste final de século é a identificação cada vez maior entre o produtor e o que ele faz. Através da generalização do cooperativismo, da produção doméstica, da cogestão e o socialismo autogestionário, a loucura vai sendo deixada de lado gradual mas definitivamente. Perdem sua razão de ser o egocentrismo e a agressividade exagerada do homem das nossas cidades.
O contraste entre a democracia política formal e o autoritarismo concreto que se vive na maior parte dos locais de trabalho é uma das questões que se debatem amplamente nesta fase da transição. A Harvard Business Review publicou um artigo do editor David Ewing a respeito: “Cruzando a porta da fábrica ou do escritório, às nove da manhã, o norte-americano médio fica quase sem direitos até às cinco da tarde, de segunda a sexta. Os empregados cedem frequentemente direitos como a liberdade de pensamento e de expressão”.
Isto se percebe muito claro no Brasil. O empregado deve pensar aquilo que acha que será agradável ao patrão saber que ele pensa. O fenómeno tupi-guarani do puxa-saquismo não é outra coisa. O pensar dos puxa-sacos é também o “duplipensar” (doublethink) que George Orwell denunciou no famoso livro “1984”. Ali, o personagem Winston pagou caro por não pensar aquilo que o estado gostaria que ele pensasse.
Estes mecanismos psicológicos sutilmente opressivos é que estão sendo deixados de lado pela democratização dos locais de trabalho da sociedade industrial.
O caso de Lucas. A luta por controlar o resultado do trabalho tem importância, pela necessidade do indivíduo perceber um significado naquilo que faz. A experiência dos operários da Corporação Lucas Aeroespacial ilustra esta afirmativa. A Corporação emprega 75 mil pessoas no Reino Unido e 35 mil no exterior. Foi na Inglaterra que surgiu um movimento operárioinicialmente de resistência contra planos da direção de racionalizar a produção mandando embora milhares de empregados. Na primeira etapa os operários foram derrotados. Mas depois detonaram um movimento cultural com debates para definir o que poderiam produzir de útil à sociedade na Corporação Lucas. Por que motivo estavam produzindo armamentos, e não bens necessários à vida?
Um dos líderes do movimento, Mike Cooley, recebeu o prêmio internacional conhecido como “Nobel Alternativo” em 1981. Para Mike, o grau de depravação a que chegou a sociedade atual é indicado pelo fato de que cinquenta por cento dos cientistas e tecnólogos de países como a Inglaterra passam todo o tempo da sua vida trabalhando na pesquisa e produção de armamentos que eles sabem, no fundo dos seus corações, que se fossem usados um dia provocariam o fim da humanidade.(7)
“Fizemos o que deveríamos ter feito desde o começo”, escreve Mike Cooley. “Perguntamos à nossa força de trabalho o que ela pensava que poderia produzir, e que deveria estar produzindo. Organizamos reuniões em todas as fábricas, e depois fizemos um questionário para cada trabalhador”.
No questionário, era pedido aos empregados que pensassem no seu papel duplo de produtores e consumidores. O que fizessem durante o dia, nas empresas, deveria ser útil para que pudessem viver da melhor maneira possível o resto das suas vidas.
Centenas de propostas apareceram e foram seleccionadas. Entre as 150 idéias aprovadas no final, figuravam marca-passos para cardíacos e máquinas de hemodiálise para doentes dos rins. Na preparação de todos os projectos foi utilizada, ao máximo, a criatividade dos homens das linhas de produção, cujo conhecimento prático foi reconhecido como valioso.
Mike Cooley foi demitido do grupo Lucas “por estar trabalhando em problemas cuja solução cabe mais à população em seu conjunto”, segundo seus patrões. Quando isto ocorreu, a mobilização participativa já havia atingido os trabalhadores de todos os níveis e todos os setores da corporação.

A co-gestão na Europa.

A participação operária na administração da empresa está institucionalizada em grande número de países europeus. Na Alemanha há co-gestão paritária em todas as empresas de mineração e metalurgia com mais de 1000 empregados. Aqui o conselho de direção da empresa é formado por 50% de representantes do capital e 50% de representantes dos trabalhadores. Já nas empresas industriais e comerciais com mais de 500 funcionários, a co-gestão alemã estabelece uma participação operária inferior a 50%.
De acordo com um documento da Confederação Sindical, há duas condições para o êxito da co-gestão na empresa alemã: o treinamento contínuo dos representantes dos trabalhadores em questões económicas e industriais, e o perfeito entrosamento entre eles e os seus sindicatos. A extensão real da presença do trabalhador na direção da empresa depende da energia, e das aptidões, dos seus representantes.
Os trabalhadores da Noruega preenchem um terço das vagas dos conselhos de administração das empresas com mais de 200 funcionários. Na Suécia, estabelecimentos com mais de 50 pessoas têm conselhos administrativos aproximadamente paritários. Isto não ocorre por força de alguma lei formal, mas por convenção direta entre empregados e empregadores.
Na França, toda empresa com mais de 50 empregados é obrigada a ter um comitê de empresa que consulta os operários – na maior parte das vezes sobre questões de recursos humanos. Na Dinamarca, os conselhos de trabalho – Samarbejdsuvalg – discutem a organização do trabalho, sua segurança e bem-estar, acompanham a situação financeira da empresa e discutem os planos para o futuro. Na Holanda, há uma co-gestão inspirada na experiência alemã (a mais intensa da Europa) nas empresas com mais de 100 pessoas. O Conselho Paritário é que elege os diretores.(8)
Experiências brasileiras. Estão surgindo as primeiras comissões de fábricas brasileiras. O Ministério de Trabalho já as estimulava durante o governo Figueiredo. Mas muitos empresários resistem ao que sentem como “uma interferência indesejável na gestão dos seus negócios”. Também alguns sindicalistas apresentam resistências à ideia. Têm medo de uma manobra maquiavélica para marginalizar os sindicatos.
A comissão de fábrica da indústria metalúrgica Vogg S.A. de Canoas, com 270 empregados, era uma das pioneiras no rio Grande em 1984. Mas, mais antigas que ela, são as comissões da fábrica Taurus, que funciona desde 1967, e do Estaleiro Só, desde 1979. As duas últimas funcionam estreitamente vinculadas ao Sindicato dos Metalúrgicos.
Há experiências mais avançadas no Rio Grande. Depois das falências do grupo Wallig, os antigos empregados receberam o apoio do governo do estado para reerguê-las em 1984 na forma de cooperativas. Com os prédios e máquinas arrendados, 340 trabalhadores e os antigos diretores se reuniram para tocar a produção para diante, e em pouco tempo estavam produzindo 500 fogões por mês, organizados em duas cooperativas: uma de fundição, outra de mecânica.
A experiência da Wallig foi baseada, em parte, na história de outra falência com final feliz, ocorrida em 1983, em Teutônia. Quando faliu a fábrica de calçados Schaeffer, os operários conseguiram do juiz e do prefeito local o arrendamento das máquinas e do local, constituíram com êxito a Cooperativa dos Calçadistas Autônomos de Teutônia, Cocate.(9)
Rápido ou gradualmente, desta ou daquela forma, a democracia vai chagando aos locais de trabalho. Está mudando a maneira das pessoas se relacionarem. A democracia brota de dentro para fora das pessoas, de baixo para cima da sociedade. “O que é democracia industrial?” pergunta, num ensaio, o economista norte-americano Herbert Simon.(10) “Os empregados são apenas um dos grupos cujos interesses são afectados pelas decisões. Há também os executivos e os proprietários do capital, que frequentemente têm interesses bastante diferentes. E há o público consumidor dos produtos da organização, assim como os seus supridores. Devemos levantar a questão da democracia industrial para todos estes grupos”, escreve Simon, antes de admitir que os empregados têm um papel central neste processo, porque estão vinculados por uma relação imediata com o processo produtivo.
O cidadão deseja participar das decisões económicas da sociedade, e isso se reflecte no crescimento das organizações de consumidores. Hoje cerca de 120 organizações de consumidores de 50 países estão associadas numa Organização Internacional de Consumidores, com sede na Malásia.
O avanço da democracia participativa acelera-se sob as mais diferentes formas. “As companhias norte-americanas estão revendo o valor da participação do trabalhador – isso fica evidenciado no crescimento recente dos Círculos de Controle de qualidade (CCQ) ao estilo japonês”, escreve John Naisbitt.
Grupos de até 15 pessoas ganham horas-extras para reunir-se depois do expediente, discutindo e resolvendo questões como condições de trabalho, produtividade, relações entre setores e racionalização do trabalho. A ideia surgiu nos Estados Unidos várias décadas atrás, mas inicialmente não mereceu atenção. Foi no Japão que a proposta de CCQs causou rebuliço e alastrou-se. Trinta anos mais tarde, anota Naisbitt, o movimento chega de volta aos Estados Unidos como uma moda japonesa, um instrumento capaz de reerguer a decadente produtividade da economia norte-americana.
Foi através da Volkswagen (1971) e da Johnson & Johnson (1972) que os primeiros Círculos de Controle de Qualidade chegaram ao Brasil. Mais tarde foram adotados n Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), General Electric, Cia. Hering, Fundição Tupy, Geladeiras Cônsul e General Motors. Hoje há 500 empresas brasileiras lançando mão da criatividade e da participação dos trabalhadores. Foram criadas oito associações de CCQ, e para o primeiro semestre de 1985, na Colômbia, estava previsto o primeiro congresso latino-americano de CCQs.
Na indústria de calçados Ohlweiler (Taquara, RS), cerca de 30% dos empregados eram membros de CCQs nos primeiros meses de 1985. A opção é bastante clara, no entender do engenheiro João Diniz, que coordenou o começo da experiência: “Uma empresa pode contratar firmas de consultoria, que vão cobrar Cr$20 milhões por mês, e que fazem um trabalho de cima para baixo, ou a empresa pode implantar CCQs, que custam no máximo Cr$ 500 mil mensais e têm ótimos resultados a médio e longo prazo”. A segunda hipótese significa uma mudança de mentalidade para democratizar o local de trabalho, enquanto se racionaliza a produção e melhora o relacionamento humano.
Na fábrica de geladeiras Cônsul, a experiência começou há três anos e envolve 26% da mão-de-obra. Foram recolhidas 2.850 sugestões, 43% das quais em melhoria ambiental, 39% sobre mudanças de métodos de trabalho, e o resto sobre relacionamento no trabalho ou segurança. Já a fábrica Volkswagen tinha, em 1984, 137 grupos de CCQ funcionando em todos os seus setores. Mas apesar do seu progresso rápido, os CCQs brasileiros estão longe do nível de aproveitamento dos CCQs no Japão. Lá, a Toyota recolheu 1,7 milhões de sugestões de 59 mil empregados, com um índice de aproveitamento de 97%.(11)».

(1)IFDA dossier 35, May/June 1983, p.65. Ver também “Revival of Nonmonetary economy makes economic growth unnecessary in the small industrialized countires”, idem, p.68. E ainda IFDA dossier 34, March/April 1983, p.45; (2)“Peace news for non-violent revolution”, Nott hingham, England, September 1982, nº 21 77, reproduzido em IFDA dossier 34, March/April 1983, p.75; (3)Ensaio Erthard Eppler sobre políticas alternativas, em IFDA dossier 33, Jan./Feb 1983, p.56; (4)Zero Hora, 18/9/1983; (5)Palmyos Paixão Carneiro, “Iugoslávia, cooperativismo e autogestão”, Veja Novom Espaço, Belo Horizonte, MG, 1983. Bertino Nóbrega de Queiroz, “A Autogestão Iugoslava”, Brasiliense, 1982. Edward Kardelj y otros, “Nuevas Respuestas para un Mundo en Crisis, la verdad sobre Iugoslavia”, Ed. Sophos, Buenos Aires, 1960; (6)Sobre as metrópoles: Zero Hora, 13/9/1984. Sobre a argentina: “Veja”, 18/7/1984; (7)Sobre a Harvard Business Review : “Megatrends/Megatendências”, de John Naisbitt, Livros Abril/Círculo do Livro, SP, 1983, p.179-180. Sobre a Corporação Lucas: IFDA dossier, nº 35, May/June 1983, p.53; (8)Fernando Prestes Motta, “Participação e Co-Gestão”, Brasiliense, 1982; (9)Sobre as comissões de fábrica: Zero Hora 31/7/84. Sobre a Wallig, Zero Hora, dias 19/9/84, 18/9/84 e 23/10/84. Sobre Teutônia: Carlos aveline “De Baixo para Cima”, Vozes, 1984, p.27-29; (10)Revista “Economic Impact, a quarterly review of world economics”, 1983, p.76; (11)Jornal “Panorama”, Taquara, RS, 21/12/84, e contatos com a Ohlweiller. “Gazeta Mercantil”, 30/10/84.

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1 Commentarios:

Blogger Francisco Guerreiro disse...

Interessante artigo. Porém na minha análise a Economia Mundial passa por uma transição bem mais profunda, em específico no que concerne o desemprego tecnológico e as causas estruturais de estagnação social e cultural. Demasiadas variáveis não justificam uma manutenção de um sistema monetário, tais como o pico do petróleo, a criação de moeda a partir de dívida, a estrutura política obsoleta na tomada de decisões entre muitos factores sintomáticos da manutenção da ilusão monetária. Sugere-se a transição para um Economia Mundial Baseada em Recursos (EBR). Estamos atingir o ponto SEM RETORNO no que concerne questões ambientais, agrícolas, energéticos, sociais e culturais. O pior inimigo actualmente é a cultura onde estamos imersos. A transição mundial já começou agora é saber se conseguimos apresentar esta nova e viável perspectiva, EBR, a tempo de alterar consciências. Os melhores cumprimentos e congratulações pelo artigo.. Mais pessoas deviam ler mas custa muito hoje em dia..=)

quinta-feira, 17 março, 2011  

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