quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A Era da Deusa


Trinta anos depois da publicação do livro que lhe deu origem, revemos o filme que mostra o desaparecimento da sociedade matriarcal.
Texto Dina Cristo
Com um alto poder de comunicação telepático, de leitura de pensamentos, de antevisões, de (in)visibilidade, auxiliados pela sinalética, canais de água, espadas, círculos e fogueiras, os habitantes do Lago, orientados pela lua e com práticas crematórias, colocam toda a sua vida ao serviço da preservação do culto à Grande Deusa: as mulheres tendencialmente pelo amor, os homens sobretudo pela luta.
Mas mesmo com todos os sacrifícios pessoais das sacerdotisas do conhecimento antigo, como Igraine, Morgana, ou Viviane, e dos homens ligados à ilha, como Merlim ou Lancelot, e até mesmo o nascimento planeado de Artur ou Mordred são insuficientes face à violência das invasões bárbaras e à ascensão do Cristianismo. Os sofrimentos e as renúncias não chegam e Avalon é engolida pela nova era de então, a dos sacerdotes cristãos.
Absorvida mas não completamente perdida. No final, as mulheres que sobrevivem, Igraine, Morgana e Guinevere, mantêm, no convento, o culto da Deusa: a Nossa Senhora - a Virgem Maria à espera de um dia ser recuperado na sua pureza original, como refere Morgana Le Fay, uma das principais personagens e narradora da história.
Durante três horas, o realizador, Uli Edel, mostra a importância das sacerdotisas em várias gerações e o seu papel essencial, de materialização, envolve o espectador no mistério da lenda do Rei Artur, dos Cavaleiros da Távola Redonda, da ilha sagrada, ainda hoje tema de uma canção de Bryan Ferry, fazendo lembrar a do Rei D. Sebastião, também ele escondido nas brumas da memória.

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