quarta-feira, 9 de abril de 2008

Com a Terra


Ao aproximar-se o Dia da Terra, e no Ano Internacional do Planeta, publicamos um artigo de um ecologista, membro do Movimento Partido da Terra (MPT), e deputado na Assembleia da República, que nos fala da nossa casa comum: o globo terrestre.

Texto Luís Carloto Marques

Interrogo-me se damos a este habitat colectivo comum, que orbita no sistema solar e nos proporciona gratuitamente todos os anos uma viagem em torno do sol, a atenção que lhe é merecida.

Não conseguimos viver escassos minutos sem ar, mas teimamos, mais do que lhe é devido, a inundar a atmosfera de gases com efeitos nocivos sobre o ambiente comum. Sabemos que é assim, mas quase todos fingem que não o será bem.
Sem água serão poucas as horas que sobreviveremos. As fontes deveriam inundar de águas cristalinas os rios, quais artérias que necessitariam de dar ao oceano um sopro de nutrientes. Mas fontes não deixam precipitar águas puras e os rios transformaram-se em veias que despejam nos oceanos o que não desejamos junto de nós.
Milhares de nossos concidadãos no planeta vivem em condições miseráveis. Alguns num longínquo país, mas outros não muito longe de nós. O que a uns sobeja a outros falta.
O que me impressiona não é o diagnóstico da realidade, que me parece quase consensual, mas as propostas e políticas que levam à sua resolução.
O Verde invadiu no nosso léxico, nos discursos, na publicidade, nos média, mas será que entrou no nosso quotidiano? Tenho, acreditem, as maiores dúvidas.
Ontem, em nome da prosperidade económica, dos lucros, vendia-se uma ideia. Hoje, em nome dessa mesma ideia, com ligeiras modificações, é o Verde que a faz vender. Seriam imensos os exemplos que elegia para ilustrar estas palavras. Concentremo-nos num: o plano nacional de barragens e a barragem do Foz - Tua.
Será necessário produzir mais ou consumir menos energia? Talvez sejam as duas opções. No entanto, quando se afogam linhas de caminho-de-ferro, olivais e vinhedos, pessoas que deixam de ser agricultores, aldeias sem ligação férrea, património e paisagem invulgares, tudo isto em nome de uma ideia Verde - a de produzir energia a partir de uma albufeira - convínhamos que existe nesta opção um Verde sem esplendor.
Pergunto-me quem é que por omissão o permite? Sobrevive-se numa selva, onde o indivídual, a sobrevivência política é que conta, ainda que durante o sono os fantasmas assaltem algumas consciências.
Penso que chegou a sua hora de ser protagonista da nossa Terra. É este o desafio da política: o de saber gerir melhor os nossos destinos. Coerentemente.

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1 Commentarios:

Anonymous Anónimo disse...

Por todo o lado se assiste à destruição da nossa Terra. Em Portugal continua-se a arrasá-la para se construir vias-rápidas. Será que só após o despiste teremos consciência de quão errado era, afinal, o nosso caminho?

sábado, 19 julho, 2008  

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