quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A sério?

Perto do Dia Internacional do Riso, e depois do 10º "Porto Cartoon", retomamos o humor nos jornais. Agora com uma associação (FECO), eis algum do contributo da caricatura para o relato (exagerado) da realidade portuguesa.

Texto Dina Cristo imagem José Oliveira

Tal como a própria imprensa, a caricatura tem raízes anteriores, mas é no séc. XIX que podemos afirmar que é fortemente cultivada e no séc.XX que se desenvolve.
A caricatura, antes identificada com a macrocelafia distorcida, hoje apelidada de “cartoon”, é uma representação da realidade com intenção humorística, de provocar o riso, de mostrar o ridículo e assim implicar a crítica. Para fazer rir, ver e pensar: «Primeiro deformadora como uma bola panorâmica, depois fiel como um espelho, e, por último, como um reflexo (…). Primeiro fez rir, depois fez ver e agora faz pensar», como afirma Robert de Sizeranne, citado por Osvaldo de Sousa.
É uma forma, portanto, de exposição do ridículo, dos vícios, dos defeitos, do non-sense, e de crítica, de levar a pensar, a agir, a tomar partido; é uma via de oposição, de sub-cultura, uma forma de resistência; uma maneira de dizer “O Rei vai nu”; uma forma de ultrapassar a censura, política e social; uma maneira tresloucada de denunciar a loucura colectiva, numa procura de diálogo com a sociedade; um meio de dinamizar o pensamento. É o que permite diagnosticar a doença e iniciar o tratamento, através da utilização do riso como terapia. Ou como esclarecia Hipólito Collomb: «Qual é o primordial objecto da caricatura? Corrigir, reformar».
[1]
Origem

Para além de tudo o que se possa dizer da sua presença desde a mais tenra idade da história da Comunicação (Social)
[2], ela inicia-se no séc.XVI através de panfletos e folhas volantes que despertavam os “espíritos subjugados quanto ao abuso do poder” e desenvolve-se com o liberalismo, já que para a Igreja o riso era condenável.
Durante os anos 20, do séc.XIX temos jornais que vão albergar os caricaturistas modernistas, entre os de primeira geração (anos 10) e segunda (anos 30).
A gravura vai aparecendo nos anos 40/50 do séc. XIX, numa oposição a todos os governantes, e tem, nomeadamente no âmbito do cabralismo (cuja representação simbólica era a cabra), uma índole mais violenta, de sátira. Surgem os primeiros jornais com ilustrações satíricas – caso de “O Patriota”
[3] - e em anonimato; Cecília foi, assim, o primeiro grande caricaturista português.
No final dos anos 50 é introduzido o realismo pictórico por Manuel Maria Bordalo Pinheiro, Manuel Macedo e Nogueira da Silva, que dão um cunho pitoresco, mais ameno, com humor e ironia; fazem a ponte entre a crítica social e a estética. Enfim, passa-se da violência caricatural anti-absolutista ao humor com amabilidade.
Nos anos 70, Raphael Bordalo Pinheiro apresenta, com grande visão crítica, o Zé Povinho, que aparece na “Lanterna Mágica”, criada em 1875, e faz escola
[4] em Portugal. Para ele, «o caricaturista deve ser um observador que observa o mundo sempre de uma forma crítica, sendo oposição aos governos e oposição às oposições!»[5].
Com o desenvolvimento técnico aplicado à imprensa, no séc. XIX, por um lado, e com os desejos da burguesia de ser retratada, por outro, a gravura vai ter grande desenvolvimento. Entramos na era da imprensa industrial e da ilustração dos textos.
É todo um desenvolvimento técnico, através da fotogravura (1880), offset (1884), da fotografia, da litografia
[6] e da zincogravura, que vêm impulsionar a ilustração, permitindo maior velocidade e qualidade da sua re-produção. Há quem defenda que esta foi uma forma de manter o analfabetismo e o poder afastado do povo[7].
Se a caricatura nasce com o liberalismo – torna-se importante na denúncia da própria opressão anterior à implantação da República - desenvolve-se com o republicanismo. Depois de 1910 tem especial importância o denominado Grupo de Coimbra, onde raiam a abstracção e sempre à volta dos jornais. Da primeira República é igualmente marcante o Grupo dos Humoristas
[8], criado em 1911, sendo um ano depois realizado o primeiro salão dos humoristas de Lisboa, em 1912.
No dia 13 de Maio de 1926 aparece o jornal “Sempre Fixe”
[9], que se revelou o mais importante jornal humorístico português – um espelho da vida do Estado Novo - apesar de não ter sido o mais longínquo (a sua existência foi de 1926 a 1961), já que “Os Ridículos” chegaram antes, em 1895, e partiram depois, em 1975.
Mas houve ainda outros jornais com certa importância: no séc.XIX, “O Sorvete”, de Sebastião Sanhudo (durou 20 anos), “Até Maria”, de Raphael Bordalo Pinheiro (nove anos) e, no séc.XX, o suplemento humorístico de “O Século”, criado em 1897 tendo-se prolongado até 1920. A nível internacional, é criado, em 1922, o Prémio Pulitzer de “cartoonismo”.
Segundo Fernando Dacosta, «os portugueses riam no cinema, na rádio, na revista, nos cafés, nas marchas, enquanto a Europa, o lá fora, se decompunha e recompunha em cascatas de hecatombe»
[10]. Em 1946, nasce o jornal “A Bomba” que vai dar ensejo à criação das “Emissões Bomba”, da Rádio Peninsular que, por seu lado, levam à concepção dos “Parodiantes de Lisboa”, que criam, ainda, o jornal “Parada da Paródia”.
Em Portugal, no entanto, com os tempos do Estado Novo, a liberdade vai sendo cada vez mais condicionada – cai-se no nacionalismo humorístico. Nos anos 40, há já dificuldade em desenvolver temas políticos e a partir de meados dos anos 50 e nos anos 60 deixa mesmo de haver caricatura política. Nesta época os sorrisos silenciam-se ou escondem-se; sobrevive o (sor)riso do povo, através da crítica social; subsiste o humor desportivo ou de personalidades e entra-se no anedotário brejeiro, até mesmo pornográfico ou de taberna.
João Abel Manta lidera a passagem da ditadura para a democracia. De início, dá-se uma explosão satírica, com uma proliferação de títulos, mas depois o humor entra em crise. O grande êxito é a “Gaiola Aberta”, com laivos de pornografia. Um dos grandes nomes do pós-25 de Abril é António.

Género jornalístico

Como diz Osvaldo de Sousa, o investigador da caricatura em Portugal, ela caricaturiza os horrores da vida, satiriza os costumes e comenta a política relativamente ao que mais amamos ou tememos ou em relação àqueles que saem da mediania. Pode ir do mais erudito ao mais grosseiro. Foi seu suporte principal a imprensa, ao ponto de hoje se reconhecer como um género jornalístico.
Como afirma Luís Humberto Marques, director do Museu de Imprensa, promotor do “Porto Cartoon World Festival”, sempre houve publicações dedicadas à caricatura, que é uma forma de crónica social e política; aos poucos deixou de ser uma mera ilustração para passar a existir por si própria, sendo hoje imprescindível na imprensa. O humor, afirma, «é a inteligência do saber olharmo-nos no espelho, de olhar a vida e o mundo que nos rodeia com tolerância e sentido crítico. O humor é a réstia do espírito de Democracia que o tempo não matou»[11].

Bibliografia SOUSA, Osvaldo – A caricatura política em Portugal. Ed. Salão Nacional de Caricatura. 1991. SOUSA, Osvaldo – Do humor da caricatura. Ed. Salão Nacional da Caricatura. 1988. SOUSA, Osvaldo – 150 anos da caricatura em Portugal. Humorgrafe/Associação Museu de Imprensa. 1997. TREVIM – Cooperativa Editora e de Promoção Cultural – 10ª Festa da caricatura; 2ª Internacional – Lousã. Humorgrafe. 2003. DACOSTA, Fernando – Máscaras de Salazar. Ed. Notícias. 6ª ed. 1998.p.134-136. “Bronkit”, nº 27-37 in “Trevim”.
[1] SOUSA, Osvaldo – 150 anos da caricatura em Portugal. Humorgrafe/Associação Museu de Imprensa. 1997. [2] Como o bobo da corte que denuncia os problemas sociais. [3] 1847 – trata-se da primeira publicação que teve um suplemento satírico, com desenhos de autores nacionais. [4] Entretanto, Celso Hermínio e Cunha Leal trouxeram a caricatura panfletária. [5] Cf. SOUSA, Osvaldo – 150 anos da caricatura em Portugal. Humorgrafe/Associação Museu de Imprensa. 1997. [6] Que facilita o trabalho do gravador e ao mesmo tempo aumenta as possibilidades de tiragens [7] Conferir com o caso da comunicação visual actual, especificamente a televisão [8] Não eliminam o naturalismo e são ultrapassados pelo futurismo. Pertencia Stuart Carvalhais. [9] De Pedro Bordalo Pinheiro, um jornalista e homem de humor (sem parentesco com o grande caricaturista português, parece) e Francisco Valença [10] DACOSTA, Fernando – Máscaras de Salazar. Ed. Notícias. 6ª ed. 1998.p.134. [11] SOUSA, Osvaldo – 150 anos da caricatura em Portugal. Humorgrafe/Associação Museu de Imprensa. 1997, p.6.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Individualismo


Hoje prefere chamar à sociedade actual hipermoderna. No ensaio de há vinte anos, este professor de filosofia já lhe diagnosticava os sinais da mudança. Nas vésperas do seu aniversário, vamos revê-los, através de um texto escrito em 1991.

Texto Dina Cristo


Numa primeira abordagem ao tema da obra – o individualismo contemporâneo – o autor caracteriza os conceitos fundamentais, presentes ao longo do livro. É o caso de hedonismo, o prazer como fim último da vida.
Gilles Lipovetsky mostra a diferença entre a sociedade moderna e pós-moderna. Na primeira crê-se no futuro, na ciência e na técnica, em nome do universal, da razão e da revolução. Na segunda, o importante é a realização pessoal imediata – “o que se quer é viver já, aqui e agora”; na informação é a expressão a todo o custo e a indiferença pelos conteúdos.
Na sociedade de consumo distingue duas fases: a primeira, correspondente a Hollywood, de consumo passivo, e a segunda – mais absorvida pela qualidade de vida – em que a paixão pela personalidade faz criar correntes ecologistas, criativas e revivalistas.
Lipovetsky define o narcisismo individual, um sobreinvestimento nas questões subjectivas, característica do individualismo total, e o narcisismo colectivo em que os indivíduos desejam encontrar-se com outros semelhantes, como no caso da vida associativa.
Por fim, uma ligeira caracterização da sociedade actual: o máximo de opções e o culto da libertação pessoal, a vontade de autonomia.
Sedução
Gilles Lipovetsky analisa as características da sedução e a sua influência na sociedade e na política.
Na sociedade é a cultura do “feeling”, do prazer e da realização de desejos – no neofeminismo a sexdução. Na política é a descentralização da democracia que humaniza a nação e aproxima o poder dos cidadãos; a autogestão em que cada indivíduo é considerado um sujeito político autónomo.
A sociedade, actualmente personalizada, deseja o contacto humano, é hostil ao anonimato e à linguagem estereotipada. É o predomínio da comunicação, da escolha livre, da diversidade e realização dos desejos em detrimento da coerção, da homogeneidade e austeridade.
Indiferença
Gilles Lipovetsky atribui à hipersolicitação a causa da indiferença pós-moderna; afirma que hoje os comportamentos coexistem sem se excluírem e lança a pergunta: “o que é que se mostra ainda capaz de espantar ou escandalizar?”
O autor apresenta como características desta indiferença a paixão pelo nada e pelo extermínio total (caso de Hiroxima), a apatia das massas, a descrença no esforço, na poupança e na consciência profissional.
A indiferença manifesta-se em diferentes domínios. A vida não tem finalidade nem sentido, “o futuro já não entusiasma ninguém”. Constata-se a dúvida perante o saber e a abstenção nas eleições. A moda, os tempos livres e a publicidade têm em comum a futilidade.
São indiferentes a solidão - o solipsismo – e a revolução, como o Maio de 68, considerada a primeira revolução do género pelo autor. O suicídio torna-se a patologia das massas: “(…) o indivíduo pede para ficar só, cada vez mais só e simultaneamente não se supunha a si próprio, a sós consigo. Aqui, o deserto já não tem começo nem fim”. Todos estes aspectos conduzem à alienação, ao tédio e à monotonia.
Vazio
O autor descreve em que domínio se manifesta o vazio e as suas consequências. Na política assiste-se a uma crise de confiança nos dirigentes, é o caso do Watergate e do terrorismo, daí a crescente despolitização e dessindicalização.
Enquanto isso aumenta o consumo de consciência, expresso através do yoga, da psicanálise, da expressão corporal e meditação transcendental. Há, também, uma grande necessidade de viver o presente, viver tudo imediatamente, por isso desaparecem as grandes iniciativas que merecem sacrifício ao longo da vida.
O fascínio pelo auto-conhecimento e auto-realização é uma das facetas do narcisismo. Esta era do “amor-próprio” caracteriza-se também pela libertação, autonomia e independência do eu. A necessidade permanente de valorização e de ser admirado está presente.
O corpo torna-se objecto de culto. É quase obrigatório continuar jovem e lutar contra o tempo. No que diz respeito à confraternização, ela faz-se numa base comum (o mesmo bairro, região ou sentimento) mas, embora haja autenticidade, os actos não são espontâneos, os indivíduos retraem-se e interiorizam-se.
O vazio, traduzido numa vida solitária, na incapacidade de sentir, revela-se como um mal-estar e uma vida absurda. Por detrás de uma aparência de carácter sociável está a exploração dos sentimentos do outro e a procura do interesse próprio. “As relações humanas são baseadas na dominação e intimidação”.
(Pós)modernismo
No período do modernismo há o culto da novidade e da mudança. Os principais valores são a imediatez, o impacto e a sensação. O hedonismo encoraja a gozar a vida, a obedecer aos impulsos. O culto do consumo uniformiza os comportamentos. Assim, predomina a homogeneidade, o ideológico e o universal.
A experiência pessoal torna-se, no modernismo, fonte de inspiração. A arte desliga-se do passado e torna-se mestra de si própria. Neste contexto, o indivíduo está propenso à angústia, ansiedade, stress e depressão.
O pós-modernismo consagra o novo, faz triunfar a anti-moral e o anti-institucionalismo. O natural, espontâneo e improvisado tornam-se os principais valores. Aumenta a reivindicação de liberdade na vida familiar, no vestuário e na comunicação.
No período pós-moderno predomina o desejo de ócio (de auto-realização e liberdade) em detrimento do trabalho, considerado monótono. O mesmo acontece com a imaginação em relação ao saber técnico. Dá-se a crise do Estado Providência.
Há, ainda, uma decadência estética: a arte torna-se híbrida, ao integrar todos os estilos, e esgota-se num arquétipo. Todos têm vontade de expressão artística, livre e aberta a qualquer indivíduo.
A coabitação dos contrários é uma realidade na sociedade pós-moderna: “(…) não há interesse pelos programas políticos, mas faz-se questão de existência de partidos; não se lêem jornais, mas defende-se a liberdade de expressão, quanto mais o diálogo se institucionaliza mais sós se sentem os indivíduos e quanto mais cresce o bem-estar, mais a depressão triunfa”.
Humor
Gilles Lipovetsky traça a evolução do cómico na sociedade. Até ao Renascimento o riso está ligado à profanação do sagrado e à violação das regras oficiais. O cómico medieval rebaixa e ridiculariza. A partir da idade clássica, o riso desenvolve formas modernas como o humor, a ironia e o sarcasmo.
Depois do séc.XVIII e até ao séc.XIX o riso livre é consideradobaixo de mau tom e como um comportamento a desprezar. Contudo, o sentido de humor difundido nestes dois séculos acentua o lado engraçado das coisas.
Ainda no séc.XIX e primeira parte do séc.XX, o outro era o alvo principal de humor. Hoje, ri-se muito menos dos vícios e defeitos dos outros e mais do próprio eu - é o caso de Woddy Allen. Actualmente rimo-nos mais com o outro e não do outro.
Hoje, o Homem tem cada vez mais dificuldade em sair de si e sentir entusiasmo. O riso e as gargalhadas espontâneas são cada vez menos. O tom humorístico é ligeiro; é feito de jogos de palavras e fórmulas indirectas. Contudo, hoje, ninguém é sedutor se não for simpático. O humor torna-se uma qualidade a exigir do outro.
Os valores da primeira metade do séc.XX, como a castidade, sacrifício, poupança, convidam mais ao sorriso do que ao respeito. Hoje em dia, as coisas mais sérias e formais assumem um tom cómico. A hipertrofia lúdica vai dissimulando a infelicidade quotidiana. O código humorístico veicula a linguagem das ruas, em tom familiar e despreocupado.
O humorístico introduziu-se as áreas mais diversas. A moda prima pelo desleixado e descontraído, “o novo deve parecer usado e o estudado espontâneo”, coexistem diversos estilos. Na arte vê-se de tudo e tudo é permitido. A publicidade explora os slogans mais descontraídos. Na tecnologia há já robôs que se destinam a rir e a fazer rir.
Violência
Durante milénios, a violência e a guerra foram valores dominantes. Numa época em que prevalecia o interesse do grupo, a crueldade estava legitimada: a violência tinha como objectivo o prestígio ou a vingança. Esta moral de honra podia mesmo levar à luta até à morte.
Com o advento do Estado, a guerra torna-se a missão honrosa do soberano, um meio de conquista e expansão. O excesso de represália deu origem a leis destinadas a moderá-la. Mais tarde, com a era individualista, desaparece a legitimidade de crueldade e retaliação. As sociedades tornam-se policiadas e a partir do séc.XVIII começam a diminuir os crimes.
No início do séc.XIX renuncia-se aos castigos corporais e, no séc.XX, diminuem o número de execuções, condenações à morte e violência privada. A vida torna-se, para o Homem individualista, o valor supremo e a sobrevivência a lei fundamental. Dá-se uma pacificação dos comportamentos, as discussões são cada vez menos.
Actualmente reina a indiferença: o outro passa a ser um estranho, um anónimo. Paradoxalmente, há cada vez maior sensibilidade à dor do outro e um desejo de comunicar e conhecê-lo.
Hoje, a violência de classe dá lugar a outra de jovens desqualificados, minorias raciais ou grupos periféricos – é o crime em pleno dia, por quase nada. Entre os mais jovens crescem as tentativas de suicídio, mas “o individuo pós-moderno tenta matar-se sem querer morrer (…)”.
Sedução, indiferença ou vazio são, pois, elementos da mesma realidade: o individualismo contemporâneo. Gilles Lipovetsky contrapõe à época moderna – da produção e revolução – a pós-moderna, da informação e expressão. Diz o autor que o narcisismo é a comunicação sem finalidade nem público, em que o destinador se torna o seu principal destinatário.

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Imprensa caricata

Perto do Dia Internacional do Riso, esta Sexta-Feira, publicamos um ensaio sobre caricatura. Mais profundo do que simples humor, irreverência, ridicularização ou vanguarda artística, eis um género jornalístico que, para além de altamente informativo, promove a reflexão.

Texto e imagem José Oliveira

O que é caricatura? “Na tradição francófona, significa todo o desenho de imprensa com algum cunho irreverente, definição hoje substituída pelo termo cartoon, imposto pelo imperialismo anglo-saxónico. O vocábulo caricatura vem de caricare – exagerar, em italiano. Em sentido mais restrito, caricatura significa retrato exagerado (retrato-charge) ou retrato burlesco de situação.

A pré-história

Eu arriscaria dizer que a caricatura nasceu com o homem. Por alguma razão um dos ícones mais conhecidos da história da humanidade é Adão e Eva representados com uma folha de árvore a tapar-lhes o... o motor da vida. Porque é ridículo tapar-lhes a zona púbica. Embora presentemente a irreverência seja... destapá-lo, por exemplo mostrando o rabo ao ministro; (a caricatura é uma irreverência). É que irreverência é o rompimento com o status quo; num mundo de nus, seria atrevimento tapar o corpo, tanto quanto é atrevimento destapá-lo numa sociedade de gente vestida (de preferência de gente “bem” vestida; o crocodilo da Lacoste, por exemplo, é uma caricatura do criador da marca. Anote-se, como curiosidade).

Aliás, a contraposição do homem desnudo ao homem vestido é relatada desde há muito num verdadeiro paradigma do humor; todos conhecemos a peripécia daquele monarca que o alfaiate vestiu apenas com gestos e medidas – nada de tecidos – e fez-se pagar bem por isso. Mesmo nesta cena já existe uma grande carga de ridículo; o homem todo-poderoso do reino acreditou mais no parecer do que no ser. Atribuiu maior veracidade à mímica do alfaiate do que à pura realidade que os seus olhos viam; que os seus olhos não viam… E todo aquele ridículo foi desmascarado mercê da observação límpida, descomprometida, lúcida, de um garoto que teve a coragem de evidenciar o que todos observavam e não viam: o rei ia nu.

Nesta sociedade, para valer, basta parecer que se tem valor; e – claro – fazer-se acreditar (as campanhas eleitorais não servem para outra coisa). Os caricaturistas fazem, nos jornais, o mesmo que o garoto da estória fez na praça pública: gritam que “o rei vai nu”. (Conclusão lateral: a praça pública, hoje em dia, são os media...)

Vem a propósito recordar como é que o caricaturista Leal da Câmara (1876 – 1948) definiu caricatura: “é sentarmo-nos ao lado do caminho a ver quem passa”.

É este o papel do caricaturista de imprensa: sentar-se à beira do caminho, com a mesma argúcia e o mesmo descomprometimento do garoto da estória e, vigilante, gritar que “o rei vai nu” sempre que algo lhe pareça menos conforme com a dignidade (e obrigação) do monarca.

A caricatura é, portanto, o resultado de um ponto de vista – é fruto do ângulo de visão do caricaturista. Contudo, deve ser objectiva. Tanto como uma reportagem ou uma notícia. Um cartunista é um jornalista. Com carteira de jornalista. Com carteira de jornalista emitida pela mesma entidade que certifica os redactores. A deformação que caracteriza a caricatura, o cartune, não deve atraiçoar a essência da mensagem, apenas a sublinha. Embora lhe compita espreitar um pouco mais para lá do manto diáfano do “politicamente correcto”. É uma prerrogativa sua, é a sua mais-valia.

O cartune de Quino, “A Quimera de Ouro” demonstra-nos o que acabei de escrever: o caricaturista limita-se a retratar a realidade. Cabe ao leitor a responsabilidade de decidir se a situação retratada tem graça ou não.

Na tela, Charlot vive uma situação que é hilariante para os espectadores de bilhetes de 10.000, faz rir menos alarvemente os remediados que compraram bilhetes de 1.000 e a mesma situação é pungente para os espectadores de bilhetes de 100. Este desenho é paradigmático. A caricatura é isto: pode ter diversas leituras legítimas. Outro pormenor mais ou menos técnico: Os ricos são apenas três; os remediados são quatro; e os pobres são cinco; e são os únicos que levaram um garoto ao cinema – a realidade não será essa, mas Quino tomou esse partido...

Para rir?... Ou reflectir?

A caricatura é, portanto, um veículo de reflexão, não necessariamente de divertimento. Em Espanha existe uma classificação para um certo tipo de humor, inócuo, sem carga crítica – apenas o sorriso pelo sorriso – uma classificação cuja expressão não tem sido usada em Portugal: “Humor blanco”. (Fique bem claro que o “humor blanco” em Espanha ocupa um pequeno espaço, a par de uma bem maior divulgação de humor de conteúdo sócio-político.)

Pessoalmente, não me repugna nada que se exerça o sorriso branco. “Es preferible rir que llorar”, como dizia a canção latino-americana. Mas rir apenas, rir em “blanco”, é pouco. Prefiro o riso amarelo. Que acrescente algo mais à dignidade humana, que torne o homem um pouco mais consciente das circunstancias da vida. O sorriso irónico é edificador, é consciencializador. E, por ser convidativo, aliciante, lúdico, salutar, torna-se um excelente veículo de comunicação. Segundo escreveu em 1913 Azorín, um autor espanhol, “o divertimento espiritual é sumamente importante na história do desenvolvimento humano; fazendo a história da ironia e do humor, teríamos feita a história da sensibilidade humana e por conseguinte a do progresso, a da sensibilização. A marcha de um povo está na marcha dos seus humoristas.”

Baudelaire, por sua vez, afirmou: “Sem dúvida alguma, uma história geral da caricatura nas suas relações com todos os feitos políticos e religiosos, graves ou frívolos, relativos ao espírito nacional ou à moda, e que têm agitado a humanidade, resultaria numa obra gloriosa e importante”.

Não abusando das citações, parece-me oportuna mais esta, de Ernst Gombrich: “O desenhador, por desdenhável que seja a sua qualidade artística, tem mais probabilidades de impressionar numa campanha de ódio do que o orador de massas e o jornalista”. O seu interesse radica não só na qualidade das obras (que seguem as modas estilísticas do momento) mas principalmente na grande quantidade de informação que fornece em síntese. Num tempo como o nosso, um... tempo sem tempo, basta um rápido relance sobre uma cronologia satírica para podermos fazer uma ideia perfeitamente clara acerca da forma de pensar daqueles indivíduos naquele momento. E tenhamos em conta estes três aspectos importantes do veículo: o cultural, o estilístico e o sociopolítico.

Um relance pelo passado

Todos os autores que têm estudado o tema estão de acordo acerca das origens do desenho satírico: com as características que hoje tem, mais ou menos, ele já vem desde as culturas Mesopotâmica, Precolombina, Egípcia. Temos, como exemplo, o desenho de um papiro da XX dinastia egípcia, que representa uma rata, sentada, recebendo uma flor de lótus que um gato lhe oferece; uma cerâmica grega, antropomórfica, do século V a.C., que representa Eneias, Aquiles e Ascânio, todos com cabeças de cão. Avançando no tempo, a caricatura medieval recolhe-se, como tantas outras manifestações artísticas, nas obras arquitectónicas religiosas. As grandes catedrais são um compêndio do humorismo da época, com as suas máscaras, monstros, figuras mitológicas, dragões, esculpidos em capitéis, púlpitos, gárgulas, frontarias... Muitas dessas divertidas figuras passam quase despercebidas, esmagadas pelo colosso arquitectónico que quase sempre as envolve.

Representam peripécias da vida quotidiana do povo, dos nobres e do clero, muitas vezes cheias de picardia, de irreverência. Três grandes mestres da pintura europeia enveredam por um humorismo de carácter crítico: Lucas Cranach, Peter Breughel e Jerónimo Boch. O quadro de Bosch (1450 – 1516), intitulado “Sacerdote demoníaco e Monstro”, é um verdadeiro cartune, ainda hoje perfeitamente actual. Alguns autores consideram, 500 anos depois da sua vida, Bosch como uma espécie de surrealista do século XV. Estamos numa época sem jornais nem televisão, cuja função, pelo menos a certo nível, é desempenhada pela pintura. Ela documenta, regista, por vezes critica; por exemplo pela via da caricatura. Bosch, segundo parece, teria estado ligado a diversos movimentos heréticos medievais.

Bosch, um caricaturista? Um surrealista no século XV? Uma discussão que não cabe aqui aprofundar. A verdade é que a caricatura continua a ser, ainda hoje, o motor da evolução estética. Isso deriva do seu carácter de irreverência, porque é pelo rompimento com o status que se dá um passo em frente. Sem um forte sentimento de irreverência não se é caricaturista. Sem irreverência, não se nega o estabelecido – a arte “oficial”, não se avança. Eis por que se encontram quase sempre os caricaturistas na vanguarda das artes.

Nomes de Coimbra

Há que fazer uma referência muito especial a Christiano Cruz (1892 – 1951), pioneiro do modernismo em Portugal. Foi num jornal dos alunos do Liceu D. João III, em Coimbra, que se publicaram os primeiros desenhos modernistas de que há conhecimento em Portugal. Na primeira página do primeiro número de “O Gorro”, Christiano Cruz, então com 17 anos, era o Director Artístico. O pai, oficial do exército, mandava-lhe vir revistas da Alemanha, em cujas ilustrações Christiano buscava influências. Aos 16 anos já se autocaricaturava com eficácia. Outros nomes da sua equipa, tanto de “O Gorro” como da “Farça”, igualmente editada em Coimbra, em que colaboravam simultaneamente: Luís Filipe. Um dos títulos de desenho é “Estudos de expressão”. Estamos perante os alvores do modernismo. Outros elementos do grupo, liderado por Christiano Cruz, são Cerveira Pinto e Correia Dias.

Seria imperdoável não referir a caricatura académica de Coimbra, os retratos satíricos das plaquettes e Livros de Curso. Uma prima afastada da Caricatura de Imprensa. O Livro de Curso mais antigo que se conhece data de 1903. Corrijo: não era ainda um livro, mas sim um folheto dobrado em harmónio.

Para a história intelectual portuguesa, Coimbra tem dado poetas, romancistas, jornalistas, pintores. Mas não tem dado caricaturistas. Não obstante Coimbra ser uma cidade onde se cultiva o bom humor! E onde se desenham milhares de caricaturas por ano! Mas então... há ou não há caricatura em Coimbra? Sim, mas apenas na vertente retrato satírico. Um perfil simpaticamente distorcido, com exageros à medida da encomenda do quartanista. Que paga a caricatura, portanto pode controlar a “agressão” gráfica. Ele sabe que está a perpetuar um momento muito importante da sua vida e não arrisca deixar-se ridicularizar nas páginas do livro de curso, da plaquette. Ora, isto é a antítese da verdadeira caricatura. E dá como resultado que o caricaturista de Coimbra condicione a sua visão deformativa, desconstrutiva, crítica. E então, a caricatura Coimbrã não salta para as páginas da imprensa, não ganha contundência.

Já ressalvámos a excepção do Grupo Modernista do Liceu D. João III. Tão episódica como estes, foi a actividade de Pedro Homero, nos anos 50, ainda assim com obra dispersa por O Primeiro de Janeiro, Riso Mundial, A Bomba, Século Ilustrado, Pónei, O Pagode, A Briosa. Nos anos 60, apareceu por Coimbra (durante pouco tempo) um excelente caricaturista. Praticamente não fez caricatura para as plaquettes, mas desenhou bastante para a revista Capa e Batina. E para Os Ridículos. Era o António Gomes Ferreira, com quem cheguei a encontrar-me algumas vezes. Ele assinava com pseudónimos e era funcionário da Companhia Nacional de Electricidade. Não era um caricaturista de nascimento artístico coimbrão, pois já trazia um curriculum assinalável de Lisboa. Presentemente a residir em Lisboa, está afastado das lides satíricas e recusou uma homenagem com exposição retrospectiva que lhe foi proposta.

Outros nomes importantes passaram por Coimbra, é certo, mas praticamente confinaram a sua obra satírica à criação de caricaturas para livros de curso (Tóssan, Célio, Kim Reis, Álvaro Matos, Rui Madeira, Bastos, Orlando, Eduardo, Quim Paixão...).

Caricatura Nacional

A caricatura de imprensa começa em Portugal em 1847, quando a gazeta “O Patriota” inicia a publicação de um suplemento satírico com desenhos de autores portugueses. Trata-se do primeiro cartune português, assinado por um tal Cecília. Antes, tinha-se divulgado uma ou outra caricatura, regra geral litografias, mas vinham do estrangeiro. É o caso desta, que satiriza as desavenças de opinião dos infantes (irmãos) D. Pedro e D. Miguel acerca do tratado com Inglaterra, mas trata-se de uma gravura inglesa.

Nesse ano (1847) nasce Rafael Bordallo Pinheiro (morre em 1904), o grande impulsionador da caricatura, dando brilhante continuidade a alguns antecessores (designadamente seu pai, profissionalmente funcionário superior).

Ainda acerca dos tratados e da amizade inglesa, existe o desenho de Rafael Bordalo Pinheiro, publicado no António Maria, em 1981: A Inglaterra representada sob a forma de Rainha Vitória, que já guarda nos bolsos Bombaim, Macau e Lourenço Marques, ameaça o Zé Povinho (que ainda segura Angola). Inglaterra ameaça o Zé com o papão, que é Espanha, representada sob a forma de um leão adormecido. Entretanto, Portugal dorme também num berço de bebé, chupando o biberão da lista civil. Na legenda, a Inglaterra adverte: “-Se o menino não quer que o papão o leve, é preciso que o menino me dê todos os seus bonitos”.

Vejamos como a caricatura pode ser intemporal. Já abordava os problemas das colónias, que haveriam de precipitar-se um século mais tarde, e já reflectia acerca da supremacia espanhola. (E o rei a dormir...)

Séc.XX

Daí para cá, houve vários nomes de referência: Leal da Câmara, Francisco Valença, os irmãos Octávio Sérgio e Armando Boaventura, Stuart, Amarelhe, Almada Negreiros, Carlos Botelho (estamos basicamente na primeira metade do séc. XX).

A segunda metade, mais obscurecida pelo salazarismo, (a partir de certa altura o regime não permitia sequer que se publicasse o retrato satírico de Salazar, quanto mais envolvê-lo em caricaturas de situação... O hoje chamado cartoon...), mais obscurecida pelo Salazarismo, castrou a caricatura de imprensa, que resumia o seu humor a piadas género de sogra e à sátira do futebol. Foram os jornais desportivos que, ainda assim, permitiram a subsistência da caricatura. E, nos subentendidos das peripécias desportivas, lá conseguiam fazer passar uma ou outra alusão à situação política.

Ainda apareceram jornais satíricos (Sempre Fixe, Ridículos, Parada da Paródia) mas condicionados pelo ambiente que acabei de descrever. Nomes de referência da segunda metade do séc. XX (até 1974): Baltazar; José Viana; José Vilhena; Martinez; João Martins; Francisco Zambujal; José de Lemos, Zé Manel, Cid, João Abel Manta, Varella, Sam.

Após o 25 de Abril, continuam quase todos estes e juntam-se-lhe um punhado de jovens: António, Vasco (que não é jovem mas regressa do exílio em França), Pedro Palma, Rui Pimentel, Carlos Laranjeira, Ricardo Galvão, Joana Campante, Carrilho, etc.

Imediatamente a seguir à Revolução, surge uma grande quantidade de publicações satíricas, de vida quase sempre fugaz. Exceptua-se a Gaiola Aberta, de José Vilhena, que durou quase três anos e agora reaparece. Entre as duas séries, José Vilhena editou outros títulos, praticamente sem concorrência.

Entretanto, eia a célebre caricatura de António que ridiculariza, em 1992, a opinião retrógrada do papa acerca do preservativo.

Por fim, Calvin: “A banalidade sem alma deste boneco de neve é um triste comentário sobre o mundo da arte actual”.

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Razão adormecida



Sessenta e cinco anos após a publicação, revisitamos a "Dialéctica do Esclarecimento", conduzidos por dois autores* que retomam a tese defendida pelos teóricos da Escola de Frankfurt: a distinção entre alta e baixa cultura e a televisão banal como um exemplo dos efeitos negativos da cultura de massa sobre os espectadores.


Texto Dina Cristo

Theodor Adorno parte do Marxismo e do Iluminismo. O primeiro útil mas insuficiente para explicar a super-estrutura cultural, o segundo degenerado numa razão instrumental (distante da Razão Pura de Kant) tão totalitária como o mito anterior, já que a linguagem, geral, não integra, na verdade, todas as particularidades, que assim ficam extirpadas. O conceito geral ao (re)definir, ao nomear, está a (re)ordenar, a regular, a controlar, a dominar – a manipular a realidade dos objectos referidos. Eis identificada uma das presciências de Adorno: o consumo de signos no lugar dos referentes (a hiper-realidade de Baudrillard) e a sua falsa identidade.

Desenvolvida no capitalismo industrial e aplicada nos “mass media”, a razão distorcida manifesta-se na baixa cultura da indústria cultural – rádio, televisão, cinema e desporto – caracterizada pela redução da tensão (entre forma e conteúdo) em detrimento de uma linguagem fácil, leve, superficial, previsível, submetida aos formatos comerciais pré-determinados, heterónoma, portanto, e homogénea. Vicária, na substituição artificial e incompleta entre o todo (canção) e a parte (o refrão, por exemplo) e vice-versa, harmoniosamente resolvida.

Diferentemente, na arte, a alta cultura, inacessível às massas, que não a (re)conhece, há espaço, tempo e liberdade para a criatividade, o ângulo particular, a dissonância, o conflito não resolvido. Complexa, autónoma e heterogénea, tem “aura” e autor(idade).

Ao contrário de Walter Benjamin, para quem a reprodução técnica permitiria a educação das massas e uma verdadeira cultura de massa – feita para si e por si, expressando os seus anseios e sonhos, Adorno defende que esta cultura industrializada não só produz o produto cultural como fabrica a própria audiência - a natureza dos seus desejos, a sua resposta afectiva e (in)sensibilidade estética.

Adorno defende que os “mass media”, com a sua tecnologia e faculdade de duplicação, cópia, imagem, a parte, se tornaram equivalentes ao todo, a realidade da vida orgânica e original, de tal forma eficaz que se transformaram eles próprios numa realidade - virtual. Com a sua centralidade e penetração na vida doméstica, capacidade de invasão e infiltração na vida familiar, é um sub-sistema, cúmplice do sistema capitalista, que ingressa, domina e coloniza a vida do dia-a-dia.

Com o fetichismo cultural por um lado, e a naturalização tecnológica, por outro, a indústria cultural impõe-se modelizando, estandardizando, padronizando, homogeneizando, coerciva e deliberadamente. Com a informação, entretenimento e publicidade diluídas, ela vigia, policia, controla e promove, ao mesmo tempo, alívio – para a própria violência estrutural sistemática das partes não identificadas e integradas no todo, assim, restrito e limitado.

Theodor Adorno sustenta que a cultura que privilegia a gratificação sensorial imediata, mercantilizada, provoca “cegueira”, adormecimento, resignação, condescendência, infantilização, regressão instintiva e dependência irracional, como se de uma chupeta electrónica se tratasse. Alienado, de si próprio, dos outros seres e da vida, o consumidor abusa dos novos meios electrónicos, cujo véu não se apercebe, removendo a vida - o todo, a realidade, a “lifeworld” - fazendo-a substituir-se por pseudo-acontecimentos (uma antecipação da proposta de Boorstin) - a parte, a cópia, o sistema mediatizado e planeado, que confunde com a expressão, comunicação e solidariedade que efectivamente almeja.

No caso da televisão, para a qual a indústria concorreu, os efeitos são ainda mais sofisticados. Com a imagem a actuar directamente sobre o espectador, a televisão banal – materialização do calculismo racional - é capaz de instalar complexos no inconsciente da audiência, ao contrário do psicanalista, para degradar a sua auto-imagem, iludi-lo e torná-lo mais condescendente. Os meios de comunicação de massa têm a capacidade de estimular traços da personalidade (o homem viril, a mulher submissa) e amputar outros (a representação de intelectuais de forma enfeminada, a estigmatização da mulher assertiva).

Através das séries, Adorno notou que é difundida a ideia de que é inútil, indesejável, impensável, irreal ou impossível desafiar o “status quo” e é nesse contexto que o riso das “sitcoms” aparece como alívio para a violência estrutural do sistema, que oprime e escraviza, ao contrário da auto-propaganda que difunde a ideia de liberdade, democraticidade e tolerância.

É a indústria que delibera as “escolhas” e “decisões” dos espectadores e trata de eliminar qualquer ameaça ao estabelecido através de doses homeopáticas que, assim, a absorvem e neutralizam, expondo e escondendo, ao mesmo tempo, a lógica conservadora, violenta e mercantilista capitalista, bem diferente da novidade, também ela falsa e aparente que publicita repetidamente.

Parte de toda uma estrutura que é ela própria ideológica, a dominação cultural provocada pela indústria que organiza os tempos livres, consolidada através da razão impura, faz-se sentir no âmbito da auto-identidade, do trabalho e da Natureza, incluindo a humana, nomeadamente através da ciência e tecnologia. Um falso abstracto e consonância, caso do “frinchising” ou “fast food”, de nível incomparável às sociedade pré-tecn(ológ)icas, em que, desde o Tempo Primordial, o mito respondia ao desconhecido, numa dialéctica que envolvia objecto e sujeito.

A disseminação da faculdade intelectual da mente humana, como meio, dissolveu o potencial Iluminista de uma Razão genuína que permita a autonomia, liberdade, verdade e desenvolvimento humano. A perseguição do lucro capitalista e o calculismo mediático restringiram a independência do indivíduo e retiraram o pensamento e a cultura da sua livre expressão, bloqueando-a.

A televisão banal e reprodutiva, tem servido os interesses capitalistas, que preserva através do abuso da razão embrutecida. A colonização da vida pelo sub-sistema mediático tem vindo a oprimir ao contrário da libertação defendida pelo Iluminismo, manifestada através da Revolução Francesa, da Constituição Americana e da Revolução Industrial. Por isso Adorno afirma que a evolução tem sido mais através da dialéctica do que de forma linear, da barbaridade para a humanidade.

A indústria cultural mediática identificou e homogeneizou o pensamento. O sistema de signos fornece segurança e estabilidade ao Ser Humano mas priva-o da verdadeira experiência, essência e compreensão da vida, onde se move, conduzindo-o para um universo sedutor mas perigoso da simulação se transformar em simulacro, multiplicando-se em curto-circuito e já sem sentido algum.

O espectáculo deixou de estar definido (na distracção e divertimento) para se tornar difuso – um conceito que antecipou a “sociedade de espectáculo” de Debord -, um sistema panóptico agressivo e regressivo, facilitado pelo excessivo poder, fascinação e crença na tecnologia. Eis o risco dos meios tecnológicos se tornarem fins e se dissolverem no capital de uma sociedade de controlo ubíquo caso se percam os princípios apriorísticos da Razão Pura.

* TAYLOR, Paul; HARRIS, Jan – Critical Theories of Mass Media: Then en Now Maidenhead. Open University Press. 2008. P.62-84.

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Cinema irreal?



A obra cinematográfica de António de Macedo vai ser projectada na Cinemateca. Desde Sexta-Feira até Julho pode ser apreciada, em Lisboa, uma sétima arte (sobre o) invisível, longamente censurada, num ciclo que é uma homenagem ao realizador, mas também escritor e investigador, octogenário.

Texto Dina Cristo

“O princípio da sabedoria”, uma incursão nos domínios do sobrenatural, é a primeira película a ser exibida, na inauguração do ciclo, dia 25 às 21h 30m - repetida às 22h de Segunda-Feira - e que conta com a presença de António de Macedo nesta retrospectiva que lhe é dedicada. «Incluindo longas e curtas-metragens, obras conhecidas e títulos mais raros, os filmes serão em grande parte apresentados em novas cópias tiradas no laboratório da Cinemateca», lê-se no boletim de Junho da Cinemateca Portuguesa (CP).

Seguindo uma perspectiva cronológica, dia 25 será mostrado, às 19h, o filme “Domingo à tarde”, a sua primeira longa-metragem, produzida por António da Cunha Telles e realizada no contexto do Cinema Novo Português dos anos 60; o filme é baseado no romance de Fernando Namora e foi selecionado para a secção competitiva do Festival de Veneza de 1965, onde foi visto numa versão não censurada; pode ser revisto dia 28, Quinta-Feira às 19h 30m.

A segunda longa-metragem, “Sete balas para selma”, em que o autor assina não só a realização mas também os argumentos, diálogos, planificação e montagem, pode ser vista dia 26, Terça-Feira, às 21h 30m (e revista dia 29, Sexta-Feira, às 22h).

“Nojo aos cães”, o terceiro filme de longa duração, produzido pelo próprio realizador com base em premissas do cinema directo, segue uma manifestação de estudantes que termina com a intervenção da polícia política. Proibido em Portugal, é exibido em 1970 nos festivais de Bérgamo e de Benalmadena, onde recebe o prémio da Federação Internacional de Cineclubes.

O dia 28, Quinta-Feira, a partir das 21h 30m é dedicado às curtas e médias metragens: o “Cine-riso – Almanaque dos Parodiantes de Lisboa e “A revelação”, ambos de 1969, “A primeira mensagem”, a preto e branco e sem som, e “A bicha de sete cabeças”, uma variação de um conto tradicional português. São quatro fitas entre as cerca de 50 que o cineasta concretizou.

Sexta-Feira, dia 29, é a vez da exibição, às 19h, de “A promessa”, o primeiro filme português oficialmente selecionado para o Festival de Cannes; conta a história de «um jovem casal de uma aldeia de pescadores profundamente religiosos que não consuma a sua união em cumprimento de um voto de castidade», sintetiza a CP.

Obra fantástica

O ciclo coincide com a celebração dos 81 anos de um cineasta marcado pela criatividade: «Marca de água de toda a sua obra, cruzada por diversas influências e interesses, persistentemente apostada na experimentação das possibilidades visuais e sonoras no cinema (tanto nas curtas como nas longas-metragens, nas obras e ficção, documentais, institucionais e em filmes publicitários), essa originalidade revestiu-se, por outro lado, de uma dimensão polémica, em alguns casos feroz, que foi pontuando a receção dos seus filmes (…)» a partir de 1967, como explica a Cinemateca Portuguesa (CP).

A liberdade e a capacidade de materializar (o imperceptível) são também marcas da obra do autor: «A produtividade dos anos sessenta estendeu-se à década seguinte, que Macedo atravessou desafiando os imperativos da censura, antes de 1974 (depois de em 1970 ser um dos fundadores do Centro Português de Cinema, foi em 1974 que cofundou a cooperativa Cinequanon onde desenvolve a atividade de cineasta nos vinte anos seguintes), e dos cânones estabelecidos, estendendo as linhas mestras do seu cinema às questões sociais e políticas numa vertente documental. A dimensão fantástica, o imaginário popular e os elementos esotéricos dominam os filmes posteriores na convicção de que “a realidade é mais subtil do que aquilo que a gente vê. As incursões esotéricas que faço são tentativas de penetrar no universo real. Aliás pode dizer-se que o meu fantástico é mais real do que o real», refere (n)a brochura do Museu do Cinema.

A capacidade de adaptação à mudança está espelhada na sua caminhada ao longo da vida: «Arquiteto de formação, cineasta por vocação, mas também compositor, escritor e ensaísta, docente, António de Macedo é um protagonista singular do cinema português cujo panorama marcou entre os anos sessenta da sua estreia no contexto do Cinema Novo, época em que a sua obra é especialmente prolífera, e os anos noventa em que infletiu de percurso, passando a dedicar-se mais ativamente aos estudos e ensino universitário nas áreas das religiões comparadas, das tradições esotéricas, das formas literárias e fílmicas ou da sociologia da cultura, em que se doutorou em 2010» indica a mesma fonte do arquivo nacional de cinema.

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Teosofia


Helena Petrovna Blavatsky


Esta semana assinalam-se 135 anos do Movimento Teosófico moderno - oportunidade para desfolharmos um pouco da sua história, (re)conhecermos as suas individualidades e actuação também em Portugal.


Texto Joaquim Soares


Na sua essência, o movimento teosófico tem a origem na noite dos tempos. Ele é invisível e a sua acção pode ser notada ao longo de toda a história humana, em todos os tempos e lugares. Ele começou no Mundo Espiritual superior e os seus efeitos podem ser observados, século após século, na contínua luta pela liberdade de pensamento, no labor abnegado pela evolução moral da humanidade, na destemida afirmação dos valores do espírito, da dignidade do ser humano e do valor sagrado da vida. Ele é o meio de expressão no mundo da Sabedoria Divina, ou Teosofia, presente nas grandes religiões e filosofias e nas principais ciências da humanidade.
Para a nossa era e geração actual, o movimento teosófico, ou a escola moderna de Teosofia, foi criado há 135 anos. No dia sete de Setembro de 1875, uma terça-feira, dezassete pessoas reuniram-se na residência de Helena Petrovna Blavatsky [1] em Nova Iorque, para ouvirem uma palestra de George Henry Felt sobre os mistérios antigos, intitulada “O Cânone Perdido das Proporções, dos Egípcios, Gregos e Romanos”. Após um intenso debate, Henry Olcott, lançou a proposta de criar uma Sociedade para que se pudesse continuar aqueles estudos. Nessa mesma reunião, Henry S. Olcott foi eleito presidente e William Q. Judge eleito secretário. [2]
Os seus três objectivos declarados são até hoje os seguintes: I – Formar o núcleo de uma Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor; II – O estudo de religiões, filosofias e ciências antigas e modernas, e a demonstração da importância de tal estudo; III – A investigação das leis inexplicadas da Natureza e dos poderes psíquicos latentes no homem;[3]
O movimento teosófico adoptou também o antigo lema do Marajá de Benares, na Índia, que é originalmente em sânscrito: “Satyat Nasti Paro Dharma”. Helena Blavatsky faz a seguinte tradução na edição original de “A Doutrina Secreta”: “Não há religião (ou lei) mais elevada que a verdade”[4].
As bases do movimento teosófico moderno foram lançadas essencialmente entre 1875 e 1891, quando morre H.P.Blavatsky (HPB). Esta notável mulher foi autora das mais maravilhosas e profundas obras de Filosofia Esotérica – ou Teosofia –, sem paralelo na história da literatura filosófica dos últimos dois mil e quinhentos anos. A obra de HPB é uma referência confiável para aqueles que se esforçam por percorrer com seriedade o caminho espiritual. O estabelecimento do movimento teosófico foi, sem dúvida, a sua principal herança, a sua verdadeira obra-prima, a sua maior dádiva à humanidade.
Pouco tempo depois da sua fundação em Nova Iorque, o mesmo movimento universalista surge na Índia, em Adyar. É preciso, no entanto, ter em consideração que não existe hoje nenhuma instituição que detenha o monopólio da Teosofia ou do movimento teosófico.
Como escreveu William Judge: “Há uma diferença muito grande entre o Movimento Teosófico e qualquer Sociedade Teosófica. O Movimento é moral, ético, espiritual, universal, invisível excepto nos seus efeitos, e contínuo. Uma Sociedade formada para o trabalho teosófico é uma organização visível, um efeito, uma máquina para conservar energia e para colocá-la em acção; ela não é nem pode ser universal, nem é contínua. As corporações teosóficas organizadas são feitas pelos homens para uma melhor cooperação, mas, como são meras cascas externas, elas devem mudar de tempos em tempos à medida que as falhas humanas aparecem, à medida que os tempos mudam, e à medida que o grande movimento espiritual subjacente provoca tais alterações.” [5]
O movimento é amplo e diversificado: ele contempla diversas linhas e propostas de trabalho, e não está preso a nomes ou corporações. Sabemos que ao nível do plano oculto, nada está separado no movimento esotérico.


Correntes (inter)nacionais

As três principais tendências do movimento são hoje a Sociedade Teosófica (ST) de Adyar, a Sociedade Teosófica de Pasadena e a Loja Unida de Teosofistas (L.U.T). A ST de Adyar congrega entre 80 a 90 por cento dos milhares de estudantes teosofistas do mundo, seguida da L.U.T, que está presente em 15 países e, por fim, da ST de Pasadena, presente em 9 ou 10 países. Para além destas três linhas de trabalho principais, existem depois várias outras pequenas associações e grupos de estudantes significativos, importantes, espalhados por vários países do mundo.
Em Portugal, o movimento teosófico teve a sua primeira aparição através da obra do pensador Frederico Francisco Stuart e Mourão (1827 – 1908), o Visconde de Figanière. Discípulo directo e colaborador de Helena Blavatsky, Figanière foi o grande pioneiro da teosofia moderna em língua portuguesa.
Em 1889, Figanière escrevia na sua obra “Estudos Esotéricos: Submundo, Mundo, Supramundo” palavras proféticas: “O materialismo é uma das aberrações do século. A sociedade expectante está dando sinais de impaciência e de cansaço. (…) Quando as duas irmãs – como as chama o professor Huxley – quando a Religião e a Ciência se congraçarem, prestando-se mútuo auxilio com a Filosofia de permeio (um ternário ou trindade, como em toda a potência que se manifeste) é de crer que se repita, com variante, o que já, mais de uma vez, se tem realizado neste mundo, se não mentem as vozes vindas de longe.” [6]
Em 1921, é criada em nosso país a primeira secção nacional da Sociedade Teosófica de Adyar. Em 1990, é feito algum trabalho por um pequeno grupo de estudos da L.U.T. Em 2010, surge publicamente em Portugal pela primeira vez a Loja Luso-Brasileira da L.U.T., que pretende, de certo modo, resgatar e valorizar o esforço pioneiro do Visconde de Figanière.
É importante referir que “a Teosofia, como filosofia abstracta e universal, desdobra-se na prática e no dia-a-dia através de um amplo Movimento Teosófico onde não faltam desafios e limitações humanas.” [7] Sendo um movimento humano, significa que tem em si verdades e ilusões, a letra morta e o espírito que vivifica, significando que erros do passado precisam ser corrigidos, propostas fantasiosas devem ser abandonadas e quaisquer processos burocráticos e autoritários necessitam ser extinguidos. O movimento teosófico funciona, afinal, como o grande meio de provação, teste e aprendizagem para os estudantes de teosofia.
Em 135 anos, o movimento teosófico influenciou o pensamento humano em muitas áreas. [8] Sendo um movimento de ideias, é notório que a sua missão está muito longe de estar cumprida.
Na sua obra “A Chave Para a Teosofia” H.P.B. faz a seguinte descrição: “Se o movimento teosófico fosse mais um dos numerosos modismos de hoje em dia, que são no final das contas tão inofensivos quanto evanescentes, ele seria simplesmente um motivo de riso (...), e seria deixado de lado. Mas a verdade é muito diferente. Intrinsecamente, a teosofia é o movimento mais sério da era actual; e um movimento, além disso, que ameaça a própria existência da maior parte das falsificações, dos preconceitos e dos males sociais da actualidade, todos legitimados pela tradição; males que engordam e tornam felizes a minoria dominante e os seus imitadores e bajuladores - os pouco numerosos membros da classe média alta - ao mesmo tempo que claramente esmagam e fazem passar fome milhões de pobres.” [9]
A tarefa do movimento teosófico não é de curto prazo. A sua função é plantar as bases da futura civilização planetária. Como escreveu um estudante: “O verdadeiro movimento teosófico, que é maior do que quaisquer rótulos externos, está presente onde quer que emerja e actue a nova consciência planetária baseada na busca da verdade sem dogmas, na solidariedade universal e na fraternidade sem fronteiras.” [10].



[1] Ler “Helena Blavatsky – A Sabedoria Universal”, José Manuel Anacleto, Biosofia n.º1, Lisboa, 1999, pp.20-24. Aconselhamos igualmente a leitura da excelente biografia “Helena Blavatsky – A Vida e a Influência Extraordinária da Fundadora do Movimento Teosófico Moderno”, de Sylvia Cranston, Ed. Teosófica, Brasília. [2] Adaptação do texto “Sete de Setembro em Nova Iorque”, no website www.filosofiaesoterica.com . [3] Texto traduzido da contracapa do livreto “Work for Theosophy - Articles by William Q. Judge”, The Theosophy Company, Los Angeles, Califórnia, EUA, 48 pp. [4] “The Secret Doctrine”, H.P. Blavatsky, Theosophy Company, Los Angeles, 1982, volume I, p. xli. A edição brasileira neste ponto não é perfeitamente fiel ao original: “A Doutrina Secreta”, Ed. Pensamento, volume I, p. 64. [5] Do texto “O Movimento Teosófico – Interesses Corporativos Não Controlam a Sabedoria Universal”, do website www.filosofiaesoterica.com. [6] “Estudos Esotéricos: Submundo, Mundo, Supramundo”, Livraria Internacional de Ernesto Chardron, Porto, 1889, 744 pp., Capítulo I, “Introdução”, pp.31-32. Esta obra teve uma edição brasileira que publicou apenas parte do seu conteúdo. Trata-se de “Submundo, Mundo e Supramundo”, Visconde de Figanière, Editora Três, Biblioteca Planeta, São Paulo, 298 pp., 1973. Veja-se outro texto de Figanière intitulado “
A Palavra e o Pensamento”, publicado no website http://www.vislumbresdaoutramargem.com/. [7] Do textoA Teosofia e o Movimento Teosófico”, do website http://www.filosofiaesoterica.com/. [8] Ler “Helena Blavatsky – A Vida e a Influência Extraordinária da Fundadora do Movimento Teosófico Moderno”, de Sylvia Cranston, Ed. Teosófica, Brasília. [9] Traduzido directamente de “The Key to Theosophy”, H.P.Blavatsky, Theosophy Co., Mumbai, Índia, p. 269. Na edição em língua portuguesa de “A Chave Para a Teosofia” (Ed. Teosófica), veja p. 233. [10] Do texto “Sete de Setembro em Nova Iorque”, no website http://www.filosofiaesoterica.com/

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terça-feira, 11 de setembro de 2007

Citações

Com o Outono, passaremos a publicar os pensamentos já editadas. Como afirma José Trindade Santos, "Só o homem pode, pela reflexão e pela crítica, actualizar em si mesmo toda a memória e informação que os textos encerram.


Selecção e fotografia Dina Cristo

«A indecisão só é superada quando harmonizar a mente com o coração» Luís Resina



«Se a vida vencer, não haverá vencidos» Dieter Duhm

«O que chamamos princípio é muitas vezes o fim e acabar é começar. O fim é o ponto de partida» T. S. Elliot


«(…) a sabedoria insondável, pela qual existimos, não é menos digna de veneração quanto ao que nos recusou do que quanto ao que nos deixou compartilhar» Immanuel Kant


«Que é preciso para o ver? Querer» Séneca


«A árvore mais grandiosa nasceu de uma semente» Vera Faria Leal


«Pequenos passos constroem grandes caminhadas» Maria Coriel


«Conhecer significa assumir responsabilidade» Graziella Marraccini


«A vida é árdua, mas compensadora, difícil mas nobre» Francisco Coelho


«O trabalho é amor tornado visível» Kahlil Gibran

«O que liberta não é o reactivo, é o proactivo» Humberto Álvares da Costa

«República, Monarquia são coisas secundárias. Portugal é tudo» Teixeira de Pascoaes

«A Matéria existe, o Espírito vive» Teixeira de Pascoaes

«A realidade primária está dentro, acessória está fora» Eckhart Tolle

«A mentira cresce com os desejos» Humberto Álvares da Costa


«Há pessoas que vêem o mundo como ele é e perguntam "porquê?" e há pessoas que vêem o mundo como ele poderia ser e perguntam "porque não?"» Neale Donald Walsch

«Todo o excesso é um problema» Carlos Cardoso Aveline

«O mais feliz dos felizes é aquele que faz os outros felizes» Alexandre Dumas

«A alma é grande e a vida pequena» António Aleixo

«Atrair é viver; ser atraído é morrer» Teixeira de Pascoaes

«A tragédia da vida não é a morte, mas sim que nos deixemos morrer interiormente enquanto vivemos» Norman Cousins

«O essencial é invisível para os olhos» Saint Exuspèry

«Só quem ouve é que sabe
Só quem sabe é que intui
Só quem intui é que sente
Só quem sente é que vive» Alexandra Solnado

«(...) Deus é, por definição, Infinito, Absoluto e Ilimitado, pelo que nada pode existir fora d`Ele» José Manuel Anacleto

«Toda a acção física não é mais do que a manifestação dum pensamento invisível que a precede» Max Heindel

«Quem acumula riquezas estimula o roubo» Lao Tsé

«Partilhar é destituir poder» Elton Rodrigues Malta
«Faz-te louco, para seres sábio. Humilde, para seres forte. Obediente, para seres livre» José Manuel Anacleto
«Uma chama acende outra chama sem perder coisa alguma da sua própria luz» Carlos Cardoso Aveline
«Procurai e encontrareis» S. Tomé
«Aquilo que o homem semear, isso ele colherá» S. Paulo Lista

«Procura no coração a raiz do mal e arranca-o» Mabel Collins

«A Revolução das Revoluções está na transmutação do homem» Maurillo Nunes de Azevedo

«Se te ris do teu igual porque não tem vida amena, sujeitas-te ao mesmo mal e a sofrer da mesma pena!» A.S. Marcelino

«Quando se dobra o Cabo das Tormentas inicia-se o Cabo da Boa Esperança» José Manuel Anacleto

«Quanto mais o desgosto arrasar o teu ser, mais alegria podes ter» Kalhil Gibran

«Horas antes de nascer o Sol, já é dia» Maria José

«Sereis mais fortes sem armas» Lao Tsé

«Só sei verdadeiramente o que disse depois de ouvir a resposta ao que disser» Robert Wieder

«O bom, o verdadeiro e o belo estão a caminho» Alice Bailey

«Ser pedra é fácil. O difícil é ser vidro» Provérbio chinês

«Os sacerdotes da nova era não dirão aos seus fiéis “orai” mas sim “agi”» C. Jinarajadasa

«(…) No fundo somos todos
Românticos,
Vergonhosamente românticos (…)», Álvaro de Campos

«(…) que vós, os que sois capazes, tenhais compaixão de nós, em vez de irritação» Platão



«Só há verdadeira liberdade onde há ordem» José Manuel Anacleto




«Há que pensar naturalmente» Sepp Holzer




«Guardai preciosamente aquilo que tiverdes recebido» Omraam Aivanhov




«Tudo o que vibra muda e tudo o que muda envolve» António Luís dos Santos




«Não é por as coisas serem difíceis que não devemos ousar. É por não ousarmos que elas se tornam difíceis” Séneca




«Quem impede a revolução pacífica torna inevitável a revolução violenta» John F. Kennedy




«O mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direcção para a qual nos movemos» Oliver Wendell Holmes




«A ciência não descobre, cria» Boaventura de Sousa Santos




«É possível, se realmente quisermos, transformar desertos em paraísos» Nelson Avelar




«A liberdade começa onde acaba a ignorância» Victor Hugo




«O maior bem que se pode fazer aos outros homens, não é comunicar-lhes a nossa própria riqueza, mas descobrir a deles» Pierre Descaves




«O aplaudo das multidões é prolongado e pronto na razão inversa do valor» Pietro Ubaldi




«Pelos frutos se conhece a árvore» José Manuel Anacleto




«Há palavras que nos beijam como se tivessem boca» Alexandre O`Neill




«A percepção das pequenas coisas é discernimento» Lao Tsé




«Quanto mais distante se vai, menos se sabe» Lao Tsé




«A Terra é um corpo vivo e sensível» Max Heindel




«Terás alegria ou terás poder, disse Deus, não terás um e outro» Ralph Waldo Emerson




«O progresso Humano conduz gradualmente à paz universal e perpétua» Immanuel Kant




«Quem deixa de estar dentro do seu tempo deixa de ter condições para condicionar a evolução dos acontecimentos» Expresso (editorial 22/05/1999)




«O homem que lê sabe mais e compreende melhor. Leia» Fernando Curado Ribeiro




«Todas as transformações duráveis se exercem por dentro e não por fora» Humberto Álvares da Costa


«O coração vê antes dos olhos» Provérbio árabe

«A obrigação do Homem é voar alto, mas sem nunca perder a linha de terra» Agostinho da Silva

«Confio mais no meu julgamento do que nos meus olhos» Diderot

«Conforme usamos o momento presente movimentamos o futuro» William Q. Judge

«Nada se perde de tudo o que fazemos» Francisco Marques Rodrigues

«O amor é uma comunicação de almas» Maria Flávia de Monsaraz

«Como a vela, ilumina os outros e queima-te a ti próprio» Provérbio árab

«Caridade é não falar mal do próximo nem bem de si mesmo» Constâncio C. Vigil

«Não há nada mais prático do que uma boa teoria» Carlos Magno

«Mais forte do que a morte é o amor»  José Hermano Saraiva

«A rigidez conduz à morte, a flexibilidade à vida» Lao Tsé

«O primeiro sinal de uma sociedade primitiva é pensar que é avançada» Neale Donald Walsch

«A comunicação tende a transformar-se na arte de se isolar para se compreender a si próprio» Jean Cazeneuve

«Se a motivação dos governos é a paz porque é que alimentam os conflitos fornecendo-lhes armas?» Pierre Sané

«A vida começa no limite da nossa zona de conforto» Neale Donald Walsch

«A compreensão só nasce quando (...) nos transformamos na coisa observada» Murillo Azevedo

«A salvação consiste em imitar Jesus» Tomás de Kempis

«Os mitos vivem através de nós e em nós» Jean Shinoda Bolen


«Ser é ser jornalisticamente percepcionado» Francisco Rui Cádima


«Sê uma dádiva para todos» Neale Donald Walsch

«O que move a actividade humana, individual e colectiva, é o sentimento. O Homem procede não como pensa, mas como sente» Spencer

«Não desesperes no meio das mais sombrias aflições da tua vida e pensa que até as nuvens mais negras deixam cair uma água branca e límpida» Provérbio persa



«Mede dez vezes, mas corta só uma» Provérbio russo


«Há que distinguir a verdade do advogado da verdade do juiz» António Ferreira Gomes 

«Ninguém pode ser feliz sem pagar o preço da libertação dos próprios medos» Maria Flávia Monsaraz



«Quase tudo é tóxico desde que a dose seja elevada demais» Patrick Holford


«Quanto mais o coração se enche, mais as palavras se esvaziam» Provérbio chinês

  
«Quem bebe a crédito embebeda-se a dobrar» Provérbio turco

«Se todos "empurrarmos", a "bola" mexe» Margarida Pinto Correia

«A esperança mantém vivo o pobre; o medo mata o rico» Provérbio escandinavo


«Uma visão parcial é sempre uma visão falseada» Baptista Bastos

«A cada lágrima responde um sorriso» Provérbio turco

«Sem o pão do espírito (...) não poderá obter-se eficientemente o pão da boca» Editorial ENR 14/11/1968

«A paciência é a maior manifestação do amor» Omraam Mikhael Aivanhov


«Façamos do nosso alimento o nosso medicamento e do nosso medicamento o nosso alimento» Hipócrates

«Tudo o que seja digno de ser lido é digno de ser lido lentamente» Cecília Howard

«O silêncio tem uma voz» Jorge Guimarães

"…Aqui ao leme sou mais do que eu
Sou um Povo que quer o mar que é teu" Fernando Pessoa

«A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro» John Lennon

«Se muitas pequenas pessoas em muitos pequenos lugares fizerem muitas pequenas coisas podem mudar a face do mundo» Provérbio índio

«O conformismo é estagnação» Instituto Pedagógico de Síntesis

«O sábio vê além das aparências» Mica

«O essencial é o começo» Omraam Mikhael Aivanhov


«Deixem ver o Portugal que não deixam ver! Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!» Álvaro de Campos

«O nosso carácter e o nosso destino são uma e a mesma coisa» Francisco Marques Rodrigues

«Tudo o que nasce, cedo ou tarde, terá de morrer» Jean Fabre

«A radiodifusão de cada país é a imagem do temperamento e das principais preocupações nacionais» Fernando Curado Ribeiro

«Amar é melhor do que ser amado» Carlos Cardoso Aveline

«Um ser livre é aquele que pode querer aquilo que ele próprio considera correcto» Rudolf Steiner

«Há pessoas que se guiam por objectivos e há outras que se regem por valores» Manuel Tainha

«A melhor estratégia em marketing é a de sermos nós próprios» António Guterres

«Só é vencido quem desiste de lutar» Mário Soares

«Não há nada de grandioso que não tenha dificuldades» Platão

«Todas as coisas, mesmo os contrários, se resolvem na unidade» Jean Fabre

«Come pão, bebe água, viverás sem mágoa» Ditado popular

«O que semearmos, colheremos» S. Paulo

«Nossas palavras são inúteis, a menos que venham do coração» Madre Teresa de Calcutá

«Ninguém nos salva a não ser nós mesmos» Aforismo do Budismo Theravada

«Não existem problemas que não tenham solução» Louise Hay

«Descobrir factos fora de nós é instrução; realizar valores dentro de nós é educação» Huberto Rohden

«Se te alimentas e te lavas deves também nutrir o teu espírito e limpar a tua mente» Luís Pedreros

«Não te prendas à posse; sê tu próprio» Bhagavad Gita

«Nada é completamente novo» Guthrie

«O jornalismo é uma profissão de entusiasmo. Entusiasmo por uma ideia, por uma figura, por uma paisagem» "Rádio & Televisão"

«Que vantagem se obterá com os olhos abertos se o espírito estiver cego?» Provérbio turco

«Há sempre um preço a pagar, qualquer que seja a opção» Jean Shinoda Bolen

«A nova economia é a da ecologia planetária» Dieter Duhm

«A humildade é a grande arma para conquistar o mundo» Lao Tsé

«Todo o progresso pressupõe fazer frente a velhas regras que já não são aplicáveis» Wayne W. Dyer

«O simples pode, afinal, gerar o complexo» Liliana Ferreira

«Quem nasceu primeiro: foi Deus ou foi o mundo?» Victor Hugo Cristo

«Nada realmente valioso se obtém sem esforço» Max Heindel

«A mentira cresce com os desejos» Humberto Álvares da Costa

«A televisão é usada para esquecer os problemas que deveriam ser enfrentados» Robert Kubery

«Os problemas sociais têm causas psíquicas» Humberto Álvares da Costa

«Convençamos a borboleta da infinita excelência da liberdade do céu sobre o acanhado abrigo do casulo!...» Tagore

«Por muito longa que a noite seja, de certeza que o dia há-de chegar» Provérbio africano

«Mais vale sofrer o mal do que cometê-lo» Sócrates

«Come para viver, não vivas para comer» Ditado popular

«Nenhuma opinião poderá estar acima da opinião da nossa própria consciência» Helena Petrovna Blavatsky

«A perfeição, para que o seja verdadeiramente, deve nascer da imperfeição» Helena Petrovna Blavatsky

«A lei deve ter autoridade sobre os homens e não os homens sobre a lei» Provérbio grego

«O grande conquistador não deseja a guerra» Provérbio chinês

«Toda a erva dá a sua flor» Balbina de Jesus Temóteo

«Nós somos o que repetidamente fazemos» Anabela Leandro

"Vox imago hominis est"

«Toda a viagem é um regresso ao ponto de partida» António Ramos Rosa

«Somos naturalmente seres espirituais» Anabela Leandro

«Os homens são do tamanho dos valores que defendem» Ferreira Fernandes

«Não nos falta valor para empreender certas coisas porque são difíceis; elas só são difíceis porque nos falta valor para empreendê-las» Séneca

«Ser amável é ser invencível» Provérbio chinês«

Todos os males, com excepção da morte, são um bem» Provérbio árabe

«A lama pode ocultar um rubi, mas não o mancha» Provérbio chinês

«Esteja onde estiver, esteja plenamente» Eckhart Tolle

«Do espinho surge uma rosa e da rosa surge um novo espinho» Provérbio grego

«A vida só se afirma por meio da acção conjunta» Emory Bogardus

«A nação é o caminho entre o indivíduo e a humanidade» Fernando Pessoa

«O mundo é um moinho: umas vezes mói grãos e outras moi-nos a nós» Provérbio turco

«Tudo vale a pena Se a alma não é pequena» Fernando Pessoa

«Escolham homens pelas suas virtudes e nunca pelas suas ideologias» Humberto Álvares da Costa

«Quanto mais informação houver para processar menos se saberá» Marshall McLuhan

«Na produção se reconhece o artífice» La Fontaine

«O melhor discurso é feito de acções» Carlos Cardoso Aveline

«Entre os maiores governantes é o melhor aquele que consegue primeiro governar a si mesmo» Apolónio de Tiana

«Não se pode ser livre sem os outros nem estar com os outros sem se ser livre» Maria Flávia de Monsaraz

«A virtude é o conhecimento» Sócrates

"Os nossos destinos serão o que foram os nossos actos" Francisco Marques Rodrigues

"Procurar o porquê das coisas que acontecem leva-nos a descobrir as coisas que acontecerão" Stendhal

«Levantar dúvidas é mais importante do que dar a resposta “correcta”» Diana Andringa"

«As viagens são a parte frívola da vida das pessoas sérias e a parte séria da vida das pessoas frívolas» Provérbio russo

«(…) o verdadeiro chefe não nasceu para velar pela sua conveniência, mas pela dos seus súbditos» Platão

«Feliz o pobre sem amargura ou o rico sem orgulho» Jorge Luís Borges

«Os frutos de uma árvores caem em baixo dela» Provérbio indiano

"(...) as coisas belas são difíceis" Platão

"A pior das verdades é melhor do que a mais agradável das mentiras" Edna Macedo

"Nunca poderemos ter a certeza de que a opinião que estamos a tentar abafar é uma opinião errada" Wayne W. Dyer

"As grandes somas são formadas por muitas parcelas pequenas" Alice Bailey

"Seja o que for que possais fazer ou que sonheis poder fazer, não deixeis de o iniciar. A ousadia contém génio, poder e magia" Goethe

"Onde estiver o princípio lá estará o fim" Evangelho de Tomé

"O avarento perde mais do que aquilo que gasta o generoso" Provérbio turco

"Tudo é duplo e tem em si o seu oposto" Maria Manuel Bernabé

"O búfalo amarrado não gosta do búfalo que pasta" Provérbio Malaio

"As formigas unidas podem vencer o leão" Provérbio persa

"O insucesso está escondido em cada êxito e o sucesso em cada fracasso" Eckhart Tolle

"Quanto mais palavras intraduzíveis tiver uma língua, mais carácter demonstra o Povo que a fala" Teixeira de Pascoaes

"Sem silêncio não podem estar presentes o Amor e a Verdade" José Flórido

"O mal de alguns é o mal de todos" Isabel Nunes Governo

"O essencial não é procurar novas terras, é olhar para aquelas onde vivemos com outros olhos" Marcel Proust

"A força da verdade está em que ela dura" Ditado egípcio

"O que procuramos lá fora, está cá dentro" Nitech Trivedi

"O progresso humano conduz gadualmente à paz universal e perpétua" Kant

"A árvore da vida é a sabedoria" Provérbio árabe

"O bom, o verdadeiro e o belo estão a caminho" Alice Bailey

"Tudo o que não se d(iss)er perde-se" Maria Emília Pires

"A sinceridade é moeda de fortes e justos" Revista “Antena” 15/06/1966

"O Outro, afinal, somos Nós" Adalberto Alves

"O povo é o que há de mais nobre no mundo" Provérbio chinês

"O desconhecido é incomensuravelmente mais vasto que o conhecido" Fernando Nene

"Não foi o homem que evoluiu dos macacos (…) os antropóides é que são uma degeneração do homem" Max Heindel

"Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que o teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça" S. Paulo

"A radiodifusão de cada país é a imagem do temperamento e das principais preocupações nacionais" Fernando Curado Ribeiro

"Tudo o que vale a pena fazer é o que fazemos pelos outros" Cristina Caras Lindas

"Mais mata a gula do que a espada" Ditado Popular

"Todo o governo, como governo, não tem por finalidade velar pelo bem de mais ninguém, senão do súbdito" Platão

"Sem referências de qualidade não há evolução" Flávia Monsaraz

"Prefiro ser pobre e ser livre do que ser rico e escravo" Sékou Touré

"Uma candeia não ilumina uma floresta, mas pode incendiá-la" Homeopatas Sem Fronteiras - Portugal

"A salvação está aqui e agora" Eckhart Tolle

"O prazer [pode ser] a partilha da utopia" António Manuel Monteiro

"Nada existe na acção que não esteja primeiro no pensamento" W. James

"O génio é sem excepção um talento ou aptidão trazido de uma vida anterior" Fernando Pessoa

"Cada doença contém uma lição" Louise L. Hay

"Um homem não consegue ser livre se não conseguir ver para onde vai" A. J.Liebling

"Entre os homens, há os que fazem de um corvo um rouxinol e os que fazem de um rouxinol um corvo" Provérbio turco

"A esperança mantém vivo o pobre; o medo mata o rico" Provérbio escandinavo

"Uns falam com voz firme daquilo que não possuem a menor noção. Outros falam com voz insegura daquilo que, de facto, estão profundamente convencidos" Vertov

"Um caminho fácil é um não caminho"José Manuel Anacleto

"Oh natureza, a única bíblia verdadeira és tu" Guerra Junqueiro

"Por trás de cada ganho há outro desafio" Madre Teresa de Calcutá

"O que semearmos, colheremos" S. Paulo

"Ser-se português é ser-se tudo" Fernando Pessoa

"A Cultura e a Informação têm de se apoiar numa base metafísica e teológica" José Flórido

"Ou seremos os médicos e enfermeiros da Europa ou não seremos nada" Agostinho da Silva

"Para a nossa avareza, o muito é pouco; para a nossa necessidade, o pouco é muito" Séneca

"Se queres tornar-te rico escreve para os pobres" Ramiro Valadão

"Nós temos, nas nossas mãos, o terrível poder de recusar" Miguel Torga

"O modo como se escreve influencia o modo como se pensa" Umberto Eco

"O jornalismo é uma profissão de entusiasmo" R&T 27/04/1963

"As trevas não podem sobreviver na presença da luz" Eckhart Tolle

"Nenhuma opinião poderá estar acima da opinião da nossa própria consciência" Helena P. Blavatsky

"Guardar é perecer" Kahlil Gibran

"Para sair de um sofrimento tem de se sofrer inteiramente" Miguel Esteves Cardoso

"Não foi o homem que evoluiu dos macacos" Max Heindel

"Nós somos todos filhos desta mãe doente que é a sociedade" António Ramos Rosa

"Quem não vive para servir não serve para viver" Borda D´Água 2009

"A minha pátria é o mundo… e a minha religião é fazer o bem" Thomas Paine

"Os mitos vivem através de nós e em nós" Jean Shinoda Bolen

"É a posição das velas e não a força do vento que determina o rumo a seguir" Ella Wheeler Wilcox

"Não se pode pensar numa intervenção global na sociedade sem se servir do cinema" Daniel Cohn-Bendit

"O sábio fala das ideias; o inteligente, dos factos; o vulgar fala do que come" Provérbio chinês

"O fim é como o princípio" Alice Bailey

"Por muito escura que se apresente a noite, não é mais que o anteceder de um Novo Dia" António Macedo

"Não haveria felicidade se a desgraça não ajudasse" Provérbio russo

"Só sei verdadeiramente o que disse depois de ouvir a resposta ao que disser" Robert Wieder

"O riso é a luz do sol da alma" Wayne W. Dyer

"As palavras ressoam mais longe do que as espingardas" Provérbio Malaio

""Na vida só há uma coisa certa: a morte" Max Heindel

"Liberta-te. Perdoa!" David W. Schell

"Só há Comunicação quando nos ligamos à Ordem Cósmica" Dina Cristo

"Tudo o que ocorre é bom" Apolónio de Tiana

"Sede como a árvore que a cada Inverno fica reduzida ao essencial" Dina Cristo

"Nenhuma conquista é definitiva. Nenhuma etapa é a última" Editorial “Expresso” 30/12/2000

"Vitam impendere Vero"

"Não é a guerra como não é a demagogia que resolverão seja o que for" Álvaro Cunhal

"A beleza equilibra-se entre o real e o irreal" Vergílio Ferreira

"Que vantagem se obterá com os olhos abertos se o espírito estiver cego?" Provérbio turco

"Todo aquele que possui coisas de que não precisa é um ladrão" Gandhi

"O sábio não diz o que sabe e o néscio não sabe o que diz” Provérbio turco

"O homem é superior à mulher, o marido à esposa, porque o Céu é superior à Terra" Tchoang Tseu

"A vida já é demasiado curta para a gastar com a velocidade" Edward Abbey

"O ser humano é aquilo que come" Paracelso

"Na maior parte das vezes, as pessoas pensam uma coisa, dizem uma segunda coisa e fazem uma terceira” Neale D. Walsch

"A vida é muito melhor quando sabemos abrandar" Nicola Barnes

“A Música é, depois do Silêncio, a melhor forma de expressar o inexpressável” Aldous Huxley

"Não há informação sem manipulação" Alain Woodrow

"A chave do desenvolvimento é a combinação entre o conhecimento e a confiança" Viriato Soromenho Marques

"Cada doença contém uma lição" Louise L. Hay

"Com cada uma das nossas acções (...) mudamos a ordem do mundo" Isabel Nunes Governo

"Nada diminui substancialmente, mas tudo, deslizando pelo espaço infinito, muda de aparência" Giordano Bruno

"A vida mede-se em lições aprendidas e em tarefas realizadas, não em anos" Brian Weiss

"Uma imagem falsificada torna real um acontecimento imaginário" Alain Woodrow

"Só conhecendo o sofrimento é que se pode falar de felicidade" Henrique Pinto

"(….) tudo é melhor e maior que nós o pensamos" Álvaro de Campos

"Hic et Nunc"

"Pequenas oportunidades são muitas vezes o começo de grandes empreendimentos" Demóstenes

"É preciso colocar a cultura e a informação ao serviço de um saber de ordem superior", José Flórido

"O Homem verdadeiramente forte é o que sabe lidar (bem) com a sua fraqueza" Ditado chinês

"A verdadeira obra-prima é durar" Matternich

"Vive para hoje, não para amanhã" Provérbio africano

"A condição humana (...) está na livre decisão" Bertalanffy

“Como, sem a dor, haveríamos de conhecer a alegria?” Fernando Nene

"Não há mal de que se não possa sair, nem bem em que se não incorra" Giordano Bruno

"O que sai da boca pouco interessa; mas o que sai do coração puro é de grande valor" Francisco Marques Rodrigues

"O que se leva com ligeireza sobre a consciência sente-se pesadamente sobre as costas" Provérbio escandinavo

"Res, non verba"

"Ser íntimo de alguém é saber partilhar os silêncios" Cláudia Souto

"O progresso é a realização da utopia" Oscar Wilde

"Caridade é dizer em dez palavras o que outros diriam em cem" Constâncio C. Vigil

"Toda a viagem é um regresso ao ponto de partida" António Ramos Rosa

"Sereis mais fortes sem armas" Lao Tsé

“Deixá-lo ser impossível, mas faça-o” Dostoievsky

"São os seres humanos que têm de criar justiça, o que não é fácil visto a verdade ameaçar muitas vezes o poder" Procurador público em J.F.K.

"Este mundo em que vivemos
É um mundo de ilusão;
Só se respeita quem tem
Ouro, riqueza ou brasão"
Cancioneiro popular
«A terra é mãe generosa, que nos deu à luz, nos alimenta e qualquer dia retomará» Giordano Bruno

«Sê como o moinho: torna macio o que recebeste duro» Provérbio Persa

«A pior das verdades é melhor que a mais agradável das mentiras» Edna Macedo

«O cinema, quando empregado conscientemente, deve ser o reflexo fiel de um povo e do meio a que pertence» Cavalcanti

“Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me? Não: vou existir” Álvaro de Campos

“O homem discute, a Natureza actua” Voltaire

"Quem ama vive, quem não ama sobrevive" Flávia Monsaraz

“As mulheres dão a vida, os homens tiram-na” Maria Antónia Fiadeiro

"Quando o poder do amor se sobrepuser ao amor ao poder o mundo conhecerá Paz" Jimi Hendrix

«Os limites só se começam a conhecer quando são ultrapassados” Miguel Esteves Cardoso

"Mais forte que a morte é o amor"José Hermano Saraiva

"Cada um é responsável pela sua pessoa" Herman Hesse

“A Arte é a apreensão e a expressão do Belo” Franco Morais

"O Universo é também Pluriverso" Humberto Álvares da Costa

“O riso constitui a comunicação máxima” Ignacio Ramonet

“Quanta gente ficaria muda se se proibisse dizer bem de si próprio e mal dos outros” Provérbio Turco

"A via para o amor universal e o benefício mútuo é considerar os países dos outros como o nosso próprio país" Mozi

"É mais fácil destruir do que compreender" Félix Rodriguez de la Fuente

"Só quando se é ninguém é que se é, efectivamente, tudo" José Flórido

"A manipulação é apresentar valores justos modificados para fins injustos" Humberto Álvares da Costa

"Um homem não consegue ser livre se não conseguir ver para onde vai" A.J.Liebling

"Aqueles que esquecem a história estão destinados a repeti-la" George Santayana

"É a indiferença que perpetua a crueldade" Pedro Calheiros

"Deste mundo, apenas levamos o que damos" Teresa de Calcutá

"Temer a morte (…) é tomar por sombra a luz mais brilhante" Edison

"As espigas vazias erguem-se para o céu, enquanto as cheias se curvam para a terra" Provérbio escandinavo

"Ser jornalista é amar a verdade" António Marinho

"Os grandes cedem à vergonha, os pequenos ao medo" Provérbio africano

"O verdadeiro custo de qualquer coisa é aquilo de que abdicamos para a obter" Jean Shinoda Bolen

"90% da sua energia provém potencialmente da sua respiração" Márcia Emercy

"Criar é sonhar e sonhar é criar" Ana Isabel Neves

"Não há verdade sem ética" Henrique Pinto

"O único fracasso é não tentar" Carlos Cardoso Aveline.


 

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