quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Revolução Lenta

Começa amanhã, até Domingo, a conferência anual da Sociedade para a Desaceleração do Tempo, em Wagrain, na Áustria. Oportunidade para, a partir do livro do jornalista Carl Honoré, levantarmos a ponta do véu sobre o movimento internacional em defesa da Lentidão.

Texto Dina Cristo

É um dos recursos mais democráticos: cada pessoa tem, por dia, exactamente o mesmo número de horas disponível para viver. Para alguns basta, para outros é demais e para muitos parece insuficiente. O tempo transformou-se numa espécie ora de recurso valioso a poupar o máximo e gastar o mínimo ora de inimigo a ser constantemente vencido. Tornámos, assim, a vida num campo de batalha, uma luta permanente para ganhar… tempo. Não o ter converteu-se numa das mais habituais queixas humanas e detê-lo um dos maiores sonhos.
Mas que fazemos quando o antevemos? Tratamos de o ocupar. Sobrecarregamos as nossas agendas, preenchemo-lo o mais que podemos. Um espaço vago deixou de ser motivo de satisfação para passar a ser mais causa de angústia.
Segundo Carl Honoré a nossa relação com o tempo alterou-se desde a industrialização, com os seus impulsos ao nível da urbanização e massificação - produção intensiva e padronizada, na qual a rapidez passou a ser sinónimo de maior quantidade de produtos fabricados, de mais vendas e, portanto, capital económico e lucros financeiros. O tempo acabou por ser encarado como um recurso produtivo: nasce então a ideia de que tempo é dinheiro e que para sermos materialmente mais ricos temos de nos… despachar.
A “cotação” do tempo subiu de tal forma que os operários passaram a ser pagos à hora e não de acordo com aquilo que realmente fabricavam. A pressão para se produzir mais em cada vez menos tempo não parou, dando pouca margem ao controlo de qualidade. A acção externa e reprodutiva ganhou ênfase. O tempo demorado, natural e pessoal, anterior à Revolução Industrial, como o artesão e a sua arte de produzir, manual, individual e lentamente, passou à resistência.
Com a chegada dos relógios públicos, o tempo padronizou-se e homogeneizou-se, passou a regular a vida colectiva, como fábricas e transportes, e os humanos a ser máquinas comandadas por outras máquinas, num grande sistema de produção quantitativa, intensiva e contínua. No século XX, com o automóvel, a televisão, o computador ou o telemóvel, a indução da velocidade foi ainda maior.
Depois da “era” da mitologia e teologia, a tecnologia tem-se apresentado ao olhar humano como um novo deus, ao qual umas vezes se teme e outras se preste culto e devoção e deposite a esperança na resolução dos problemas. Quando pensamos em todas as máquinas que a evolução tecnológica nos tem disponibilizado entendemos a sua idolatria: elas permitiram-nos fazer mais (depressa). Aumentaram o potencial das nossas actividades e deram-nos os meios técnicos para nos tornarmos (automaticamente) mais rápidos. A velocidade das nossas vidas aumentou e nós adaptámo-nos a um ritmo cada vez mais célere.
O tempo, outrora, natural, artificializou-se e passámos a obedecer ao, colectiva e publicamente, estipulado como o (mais) correcto. Simbolizado nos relógios de corda que deixámos de usar (e os quais dominávamos), deixámos de ter poder sobre o tempo para ser ele a determinar (toda) a nossa vida. Prescindimos de nos levantar quando acordamos, de comer quando temos fome, de dormir quando temos sono e passámos a fazê-lo quando… são horas ditadas pelos relógios-despertadores.
Velocificados
Hoje, em que o mundo se transformou num hipermercado permanente, o acréscimo de estímulos e a possibilidade de ocupar o espaço de tempo aumentou extraordinariamente. Com cada vez mais (compras) a fazer, nós corremos. Iniciámos uma corrida colectiva contra o tempo, como doença contagiante, e aceleramos de manhã à noite, no trabalho e em férias, na estrada e na vida íntima. Hoje em dia, afirma Carl Honoré, o mundo inteiro está doente do tempo; todos pertencemos ao mesmo culto da velocidade, fora de controlo. Tornámo-nos velocificados.
Passámos a ter vidas frenéticas dirigidas pelo relógio. Adaptámo-nos ao ritmo industrial, primeiro, hoje ao informacional, submetemo-nos à economia, desequilibrámos as horas dedicadas ao trabalho e à vida. O tempo passou a nosso Senhor, ao qual prestamos vassalagem, devoção e nos sujeitamos. Ser lento e/ou chegar atrasado tornou-se num crime/pecado ou motivo de crítica social, como reflectem as anedotas acerca dos alentejanos.
A nossa visão linear do tempo, como recurso finito, que parece “voar” de forma irrecuperável, também não ajuda. Os relógios, por seu lado, têm-se tornado cada vez mais precisos na medição dos minutos e (milésimos de) segundos e quanto mais o dividimos maior a consciência da sua passagem. Cresce então a obsessão por não o desperdiçar. Foi assim que nos tornámos neuróticos: passámos a acelerar por acelerar, muitas vezes por hábito, já sem saber porquê; apressar tornou-se um vício, um reflexo condicionado.
Falta de tempo?
Numa relação de amor/ódio, sonhamos com uma agenda livre, mas tememos e angustiamo-nos perante esse vagar. Ocupamos obsessivamente os tempos livres, de crianças e adultos, e não nos sobra tempo, mesmo para as coisas mais simples e relevantes, como a alimentação, a saúde, a família, os amigos, e menos ainda para as efectuarmos devagar. Enchemos as nossas agendas, reduzimos as férias, não admitimos ficar doentes, e, por vezes, só paramos em situações (muito) graves. Assumimos uma atitude do “sempre-em-frente-sem-parar-até-cair”.
À pressão tecnológica e social para estarmos permanentemente ligados junta-se uma ocupação permanente com compromissos sem fim, pelo que a disponibilidade é, na verdade, mais aparente, parcial e superficial do que efectiva. Ter todo o tempo do mundo para alguém ou alguma coisa, fazendo uma pausa para tudo o resto, desligando o telemóvel, por exemplo, é um “luxo” quando habitualmente dispersamos a nossa atenção por várias actividades, simultaneamente. A nossa capacidade de concentração parece cada vez menor. Sem ir ao fundo de cada coisa, desmotivamo-nos, porque mesmo todas juntas nos parecem insossas.
Deixámos de possuir tempo, passámos a ter pressa. A urgência deixou de ser extraordinária. A tendência para o imediatismo, em obter, fazer e/ou ter tudo já, passou a fazer parte das nossas exigências. Tornámo-nos intolerantes em relação a pessoas, locais e actividades lentas. Rebentamos de raiva quando algo ou alguém nos atrasa e nos rouba alguns segundos da nossa vida. Em vez de apreciarmos o caminho (o aqui e agora), optámos por uma vi(d)a rápida (de que as auto-estradas são um exemplo), obcecados em chegar ao fim da meta.
Intensificámos a vida e de tanto a concentrarmos, desgastámo-la, pré-enchemo-la, esvaziando-a de sentido. De tanto perseguir a satisfação, frustrámo-nos num ciclo de superficialidade que apenas conduz à sensação de carência, motivo da procura de mais (quantidade) que por sua vez gera a substituição permanente, a procura da última “novidade”, êxito ou conquista, sempre efémera e descartável. Procuramos acumular o máximo e entrámos num ciclo vicioso de - sensação de - falta de tempo: «O resultado é uma crescente disparidade entre o que queremos da vida e o que realisticamente podemos ter, que alimenta a sensação de nunca haver tempo suficiente”
[1], explica o jornalista.
Refúgio
Carregar no acelerador - seja o tecnológico, do carro, ou o biológico, das pernas – liberta adrenalina e produz uma excitação sensorial imediata, mas é mais do que isso. A velocidade é, ainda que por vezes inconsciente, uma estratégia de fuga à vida presente (como defende Milan Kundera) e futura – tentativa de esquecer a nossa condição mortal (como defende Mark Kingwell).
Uma forma de resistência, uma fuga e uma distracção: «A doença do tempo pode também ser um sintoma de um mal mais profundo e existencial. Nos estádios finais que antecedem a exaustão, as pessoas muitas vezes aceleram para evitar serem confrontadas com a sua infelicidade. Kundera pensa que a velocidade nos ajuda a bloquear o horror e a desolação do mundo moderno”[2].
Cada vez que aceleramos aumentamos a superficialidade da nossa vida. Podemos fazer mais coisas mas quantas vezes mal feitas (porqu)e só com o corpo, sem alma para as animar. À força de tanto querer ganhar tempo, acabamos por perdê-lo ao corrigir os erros que se cometem durante a rapidez (como a correcção de mensagens electrónicas), já para não falar nos acidentes (mesmo os de viação).
Pagámo-lo também com o desgaste da nossa saúde: entramos em stress, fadiga e exaustão. Se é verdade que a velocidade nos conduz mais rapidamente à excitação, também nos leva mais depressa à impaciência, ao aborrecimento. Já Gustav Mahler defendia que perante um público enfadado a melhor solução era… abrandar.
Slow is beautiful
Os Lentos, que resistiram ao longo do séc. XIX e XX, mas não desistiram nem deixaram de existir, reaparecem agora em grupos pró-slow. O despertar do turismo, com a procura do descanso, era já um sintoma, mais recentemente sublinhado com a corrente de lazer cuja “onda” se espalha.
Em vez de afazeres humanos ou teres humanos há cada vez mais pessoas no mundo que decidem arriscar assumirem-se como seres humanos. A “heresia” de desacelerar, descontrair, demorar e preguiçar estende-se desde a Europa à América, passando pela Austrália, Japão ou Polónia, e nas mais diversas áreas, da comida à sexualidade, do trabalho às cidades, da música ao desporto, da medicina ao lazer, da educação ao cinema, a marcha lenta engrossa e as atitudes lentas também.
A simplicidade voluntária (downshifting) é um exemplo entre inúmeros. Enquanto em Espanha há cadeias de sesta, em Portugal os seus amigos explicam as virtudes de uma soneca depois do almoço. A nível internacional demonstram-se os efeitos nocivos da velocidade e programas dedicados a passatempos, como a jardinagem, atingem audiências significativas, na BBC.
Os apóstolos Lentos não defendem que se faça tudo a passo de caracol (o que seria absurdo), mas a um ritmo mais razoável e apropriado, mais sensato, natural e à medida do Ser Humano – o eigenzeit: “(…) o que o movimento Slow oferece, é um meio termo, uma receita para casar a dolce vita com o dinamismo da era da informação. O segredo está no equilíbrio: em vez de fazer tudo mais depressa, faça-se tudo à velocidade certa. Por vezes, depressa. Outras vezes, lentamente. Outras, algures no meio”
[3].
Começou episodicamente em Itália, ao nível dos vagares culinários. Tem-se alastrado pelo mundo e pelas várias áreas da vida humana. Hoje os Lentos têm à sua disposição conferências, festivais e, sobretudo, a possibilidade de debater e experienciar viver (de)vagar e com vagar, uma alternativa saudável, natural e eficaz à vi(d)a rápida. Carl Honoré explica e exemplifica como é nas horas vagas que, mais relaxado e sensível, o Ser Humano atinge mais e melhor inovação e criatividade.
(Des)acelerar?
O movimento em prol da Lentidão defende a utilidade da calma (e a futilidade da pressa), a ideia de que menos é mais (e mais é menos), de que saber demorar, apreciar e prolongar o momento (e não fugir dele), saber esperar (em vez de se impacientar), ser capaz de, por vezes, não fazer nada, o que permite estar mais atento e conduzir à descoberta. Enquanto o abrandamento, vera segurança, permite, com a sua profundidade e consciência (como no caso das ondas cerebrais), uma evolução, libertação, relaxamento, qualidade de vida e felicidade, a aceleração, sinal de insegurança, leva, com a sua superficialidade e inconsciência, a uma repetição, prisão, tensão, quantidade e raiva, documenta o autor.
Os adeptos* de que o “slow é possível” propõem um modo de vida simples, criativo, extensivo e demorado. Para tal há que estabelecer prioridades e fazer uma escolha, optar por fazer menos coisas e, assim, libertar a agenda para as que, para cada um, têm mais valor e significado. Ter espaço para o tempo livre, para o descanso, a descontracção ou actividades relaxantes, como a leitura, pesca, jardinagem, caminhada, renda, meditação ou simplesmente estar à janela.
Os seus simpatizantes colocam a economia ao serviço das pessoas e do ambiente, em vez do contrário. Ao espírito lento está subjacente o ressurgimento da memória de um tempo cíclico. Para os hindus era infinito (Kâla), para os gregos era um deus, Chronos, para Asclépio era estável, pois tinha necessidade, para além do movimento, de voltar ao princípio.
Nós transformámos a quarta dimensão numa espécie de inimigo cujo combate é diário. Para a “doença do tempo” e a “orgia da aceleração”, os activistas pró-Lentos apresentam, no entanto, um remédio: desacelerar ou mesmo travar, se e quando necessário. Sem a pressão dos ponteiros do relógio, assumem o seu próprio ritmo e desfrutam dos prazeres que a lentidão oferece: “Cada prazer (…) é mais delicioso, mais um prazer, se for tomado em pequenos golpes, se dermos tempo”, afirma Amos Oz.
Trata-se, afinal, para os povos mediterrâneos, de nada mais do que a recuperação da sua identidade, no caso português bem patente em provérbios populares que expressam os perigos da pressa, como “depressa e bem há pouco quem”, “quanto mais depressa mais devagar”, e as virtudes da lentidão, como “devagar se vai ao longe”. Afinal, como afirma Uwe Kliemt “O mundo é um lugar mais rico quando damos espaço para velocidades diferentes”.

[0] HONORÉ, Carl – O movimento slow – A corrida contra o tempo afecta o trabalho, a saúde, as relações e o sexo. É possível desacelerar e recuperar a qualidade de vida?, Estrela Polar, 2006.
[1] Pág. 36. [2] HONORÉ, Carl – O movimento slow – A corrida contra o tempo afecta o trabalho, a saúde, as relações e o sexo. É possível desacelerar e recuperar a qualidade de vida?, Estrela Polar, 2006, pág. 38. [3] Idem, pág. 240
*Eis alguns dos livros citados pelo autor ao longo do texto: BEARD, George – Nervosismo americano (efeitos da velocidade). CLAXTON, Guy – Cérebro de lebre, mente de tartaruga – porque aumenta a inteligência quando se pensa menos. ELKIND, David – A criança apressada: crescer depressa demais cedo demais. KUNDERA, Milan – Slowness. 1996. LAFARGUE, Paul – O direito a ser preguiçoso. 1883. MACHLOWITZ, Marilyn – Viciados no trabalho (Workaholics). 1980. NADOLNY, Sten – A descoberta da lentidão. 1996. OIWA, Keibo – Lento é belo. OLERICH, Henry – Um mundo sem cidades nem campos (uma civilização em Marte onde o tempo era tão precioso que se tornara moeda). PASEK, Hirsch – Einstein nunca usou cartas flash: como aprendem realmente as nossas crianças e porque precisam elas de brincar mais e memorizar menos. ROBERTSON, Morgan – Futilidade. 1989. RIFKIN, Jeremy – Guerras do tempo. RUSSELL – Em defesa da ociosidade. 1935. SAMPSON – Tantra: a arte do sexo que expande a mente. SAVORY, George Washington – O inferno na terra transformado em paraíso: os segrdos matrimoniais de um empreiteiro de Chicago. STOCKHAM, Bunker – Sexo sagrado. STOCKHAM, Bunker – Toktologia. 1883. TALSMA, W. R. – O renascimento dos clássicos. Instruções para a desmecanização da música. WEHMEYER, Grete – Prestíssimo: a redescoberta da lentidão na música.

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Informação sustentável

Quase a completar um ano, publicamos a primeira parte de um artigo sobre a fonte inspiradora deste projecto: a informação solidária.

Texto e fotografia Dina Cristo

Ao encetar o terceiro milénio, eis uma nova proposta de concepção e prática informativa: solidária, profunda, cooperativa, diversificada, sintética, lenta e humana. Uma alternativa à dominação das técnicas de manipulação e propaganda, que poluem a imprensa e intoxicam os cidadãos; uma resposta ao nível da comunicação social da mudança para um paradigma pacífico, ecológico e responsável.
Numa sociedade de consumo, onde quase tudo está à venda, com um preço de acordo com o nível de procura, e num sistema capitalista, que privilegia o capital económico-financeiro em detrimento de valores de honradez ou nobreza de carácter, o público está facilmente exposto aos riscos da comunicação hiper-industrializada, fértil em manipulação, em doses massivas de propaganda, de terror informativo, de incitamento ao medo, à dependência, ao isolamento e à inacção, apesar de todos os discursos em prol da cidadania activa e participativa visando o aprofundamento de uma sociedade democrática.
A informação solidária (IS) pretende dar instrumentos e condições para libertar o ser humano, seja ele produtor ou consumidor de informação, da dependência de quem o manipula, abusando da sua boa-fé, da sua confiança e ingenuidade para, através do estimulo de desejos, o conduzir a adoptar os comportamentos estrategicamente previstos.
O seu meio privilegiado é o webjornalismo, campo mais propício ao desenvolvimento deste movimento informativo, onde a par de uma nova agenda para a paz, com todas as suas repercussões, ganham importância novas áreas como a da responsabilidade social e a defesa de um quinto poder.
Quando o argumento mais comum para o terror informativo é o de que o mundo precisa de saber o que se passa, e, na sociedade da imagem, mostrar é uma forma de esconder aquilo que não se pretende que se saiba, o jornalismo tradicional está ainda na razão inversa da “informação”.
Património informativo


O século XX foi uma centúria de opressão, censura, manipulação, propaganda, distracção, entretenimento, “infotainment”, de adormecimento, alienação, dependência, inconsciência, irresponsabilidade e impotência, como mostra o documentário “Zeitgeist”. A propaganda manipula o cidadão e controla-o através do medo e das emoções, mantendo-o quieto, como se faz às crianças quando se tira da cartola o “bicho papão”.
No início do século XX um elemento de uma tribo desenhava-nos o perfil de ocidentais no que têm de pior ao nível da comunicação em sociedade: a prisão - dos apartamentos, das salas de cinema, dos próprios jornais -, a falta de contacto com a realidade. A necessidade de mediação, a leitura e interpretação da realidade em substituição da experiência directa e a homogeneidade. “Papalagui” mostra como a superioridade das culturas se reduz a uma questão de perspectiva e mais ainda de etnocentrismo, egoísmo em termos colectivos, arrogância em alguns casos e incompreensão em muitos deles. Fala-nos do excesso de informação e da “indigestão” que tal causa; o princípio de que nem tudo o que ingerimos é assimilado, neste caso pelo organismo mental.
A evolução da consciência humana quanto à manipulação (dos “media”), por um lado, e à necessidade de auto-realização, por outro, através de uma vida pacífica e harmoniosa, interna e externamente, a nível individual e colectivo, repercutiu-se num novo paradigma civilizacional e mediático, representado pela informação solidária.
Este novo modelo de comunicação social valoriza a força da união e da liberdade em detrimento da fraqueza do isolamento, permeável ao abuso e à opressão. A proposta é de uma maior consciência, autonomia e responsabilidade do Emerec, que ofereça protecção ao cárcere da segregação, competição, egotismo e isolamento, condições propícias a que a indústria cultural manipule o público, fragilizado.
O “segredo” de gerar consenso social para que as entidades empresariais possam ter o apoio dos próprios cidadãos, frágeis, isolados e crédulos, aos interesses daqueles, de colocar a maioria da população ao lado, de acordo, ou pelo menos não se mostrar contra, e silenciá-la, sem proibi-la de falar, está na indústria das relações públicas, que convence o público a acreditar nas mensagens falsas ou ideias distorcidas. A massa, como uma criança, confia e acredita em quem tem legalmente o poder de a informar.
Perante este voto de confiança, por vezes às cegas, a indústria das relações públicas persuade o público acerca de quase tudo, necessidades, veracidade das informações, e transforma as suas crenças e convicções em equívocos mal compreendidos, numa dependência, vitimação e necessidade de aprovação que só aumenta em ciclo a sua falta de confiança. Um ciclo vicioso difícil de sair – um cativeiro, local óptimo para a escravização, onde os senhores da indústria da comunicação o dom(in)am.
Novo paradigma social
Após a destruição provocada pelas guerras mundiais, emerge um novo paradigma de paz e cooperação. Surge por um lado a revolta contra o autoritarismo e por outro o desejo da devolução do poder ao povo, a democracia, o respeito pelas minorias; desponta um paradigma ecologista, uma visão de solidariedade ao nível planetário. No fundo, os ideais da Revolução Francesa começam a expressar-se de forma notória.
Há mais de duzentos anos que foi necessária uma revolução para terminar o autoritarismo e o absolutismo. Aos poucos instituem-se, primeiro nos ideais depois na prática, os valores da liberdade, da igualdade perante a lei e em dignidade humana, a fraternidade, a solidariedade, a união que reforça o poder de cidadania. Numa visão mais ampla, cada parte integra um todo, ao qual pertence, e no âmbito do qual está inevitavelmente ligada às outras: a comunidade em rede, reticular de que nós hoje experimentamos; um modelo horizontal de comunicação, descentralizado e democratizado.
Desde a sequela da I e II Guerra Mundial, quer ao nível diplomático quer ao nível do direito internacional, os valores da cooperação e da paz têm estado na agenda política. O respeito pelos direitos humanos e a importância da pacificação dos territórios, evitando as mortes, atrocidades e crueldades, têm sido uma preocupação. Desde há décadas que os homens se juntam em conversações e diálogos para tentarem pela via verbal aquilo que anteriormente era resolvido militarmente.
Ao nível nacional e internacional foram criados vários organismos e instituições com estas preocupações (como a UNESCO, a Comissão Justiça e Paz, a Universidade da Paz). Na prática, há uma parte da comunidade que se agita face aos novos valores. Exige-se uma agenda para a paz, comemora-se o Dia dos Jornalistas pela Paz, há institutos que formam os jornalistas neste sentido (caso da Agência internacional pela Paz) e novos projectos no âmbito do jornalismo alternativo vão surgindo. Entretanto, o paradigma tem tido alguma expressão ao nível social, económico e científico.
Ao nível social, a globalização, processo de conhecimento, troca, partilha, integração e fusão cultural que vem, pelo menos, da era dos Descobrimentos, em cuja promoção o comércio tem sido pioneiro, tem provocado, juntamente com a venda de bens e serviços, o contacto humano e a troca de ideias, crenças, valores, formas de estar e conceber o universo. O processo de construção de um planeta numa aldeia global, antecipado por vários homens da ciência, é visivelmente sentido nos dias actuais. Ele visa, em última instância, a promoção da partilha humana, ao nível cultura e tem derrubado, por isso, várias fronteiras mentais, psicológicas e físicas, como foi o caso do muro de Berlim ou o fim do “apartheid”.
Ao nível económico, a economia e comércio solidários são hoje, perante a globalização económica internacional, uma alternativa humana, que tem em consideração a vida das pessoas, de quem trabalha, de quem consome, de quem vende e respeito por um padrão ético.
Ao nível científico, surge a teoria de Gaia, de James E. Lovelock, os campos mórficos de Rupert Sheldrake, a física quântica e a teoria das cordas, o paradigma holístico.
É, assim, na transição do século XX para o século XXI que mais se fazem sentir os efeitos da mudança de paradigma: ecológico, solidário, democrático que, ao influenciar vários sectores, não pôde deixar de ter efeito sobre os “media” e o jornalismo.
Nova concepção informativa
Os Estudos Culturais vêem os “media” como opressores mas também com a potencialidade de se transformarem em instituições de libertação. Se derem voz às minorias (étnicas, culturais, religiosas, políticas, sociais, económicas, sexuais entre outras) estarão a equilibrar a sua representação mediática com a sua existência efectiva. Ao variar as fontes a que recorrem, os “media” estarão a relatar a realidade sob diferentes ângulos contribuindo assim para o enriquecimento de olhares e um conhecimento mais completo. É a valorização das várias culturas, modos de fazer dissemelhantes, que podem ser úteis ao desenvolvimento humano em detrimento de predomínio de um só ponto, uniforme, politicamente correcto, convencional, de uma legitimidade construída.
O relatório McBride, escrito há cinco décadas, está ainda por cumprir, mas foi um marco desta nova etapa. O documento apontou as fragilidades de uma informação internacional desequilibrante, com o predomínio das fontes e relatos dos países do norte em relação aos do sul, e salientou a importância de reequilibrar o fluxo informativo para o progresso e desenvolvimento político e social dos países e continentes. Para que o retrocesso não suceda e o sistema social não bloqueie era - e é - urgente o livre fluxo de informação, o seu livre curso.
Estamos, pois, a usufruir dos primeiros resultados das alterações havidas no último quartel do século XX. Após a “era” do jornalismo de opinião, no séc. XIX, e do jornalismo industrial, no séc. XX, eis que emergiram no seu final novos meios, técnicas, ideias e condições de produção informativa. Depois dos “media” tradicionais, surge um novo, multimédia, que os converge.
A web permitiu nos últimos anos do século XX conjugar e conciliar a forma e a técnica. Além da passagem a um nível de informação virtual, numa dimensão desmaterializada, permitiu a integração dos meios de comunicação até então separados em imprensa, rádio e televisão, na sua dimensão escrita, oral e (audi)visual. A Internet possibilitou o multimédia, a síntese mediática, que no caso do webjornalismo conjuga todas as linguagens anteriores, promovendo a evolução da linguagem jornalística a um nível de hipertextualidade, "multimedialidade" e interactividade inovadoras.
A história da comunicação e do jornalismo tem sido um acumular de técnicas que têm permitido ultrapassar ou eliminar barreiras de tempo e de espaço. Por outro lado, a informação tem-se orientado, com alguns momentos históricos de censura e inquisição, para a descentralização, com tendência a ser democrática, de acesso cada menos restrito ao poder de saber. A web, flexível, ubíqua, é um instrumento técnico que tem permitido, desde a viragem do século, um impulso a esse desafio que é formar uma comunidade cada vez mais internacional, com uma opinião pública, e concretizar a utopia da comunicação, tornar como um, numa unidade o globo terrestre.

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ilusões



A dias de se assinalar o seu nascimento, relemos uma das obras mais célebres de Jean Baudrillard.


Texto Myriam Mesquita Lopes

Actualmente a simulação ocorre em modelos de geração de um real sem origem, e como este real simulado não tem origem, não há exactamente uma realidade, o que há é o hiper-real. Segundo Baudrillard, o real é produzido a partir de memórias, matrizes e de modelos de comando, podendo ser reproduzido infinitamente.
O autor afirma, "Simular é fingir ter o que não se tem". No entanto, simular não é fingir. A simulação não pressupõe que se finja, apenas se passa a sentir os sintomas de uma doença real, ou seja, temos aí a doença simulada. A simulação não permite perceber o que é verdadeiro e o que é falso e o que é “real” e “imaginário”.
A imagem é o reflexo de uma realidade profunda/uma boa aparência, a imagem deforma uma realidade profunda, é uma má aparência. Por outro lado, a imagem disfarça a ausência de uma realidade profunda, isto é, finge ser uma aparência. A imagem não tem relação com qualquer realidade, é o seu próprio simulacro puro. A simulação atinge a sua fase máxima, o hiper-real, ou seja, diversas realidades coexistem como estratégia de dissuasão do real. Baudrillard sublinha que as imagens têm a propriedade de aniquilar o real e gerar o seu próprio real. Necessitamos de possuir um passado visível, um mito visível da origem para que possamos estar tranquilos em relação aos nossos fins. Afirma ainda que a Disneylândia não se trata de uma representação falsa da realidade mas sim de esconder que o real já não é o real, salvaguardando o princípio da realidade. O autor diz que o mundo se quer infantil para que os adultos pensem que estão no mundo “real”, e para esconder que “a verdadeira infantilidade está em toda a parte, é a dos próprios adultos que vêm fingir que são crianças para iludir a sua infantilidade real”.
Outrora tentava-se dissimular um escândalo, hoje em dia tenta-se esconder que ele não existe. Já não é possível a ilusão porque o real não é possível. Os acontecimentos hiper-reais já não contêm rigorosamente conteúdos ou fins próprios, mas estão indefinidamente refractados uns pelos outros. O que a sociedade procura ao produzir e reproduzir, é “ressuscitar o real que lhe escapa”. A produção material é ela própria hiper-real. Nenhuma sociedade sabe concretizar o seu trabalho de luto do real.
O poder à semelhança de uma outra mercadoria depende da produção e do consumo das massas. A análise ideológica tem como finalidade reconstituir o processo objectivo, pois é sempre um problema querer reinserir a verdade sob o simulacro. A filmagem exalta o insignificante: há um “gozo da visão microscópica que faz o real passar para o hiper-real”. Segundo Baudrillard esta é a fase futura da relação social, a nossa, a fase da dissuasão e não da percepção, na qual “Vocês são a informação, vocês são o social, vocês são o acontecimento, isto é convosco, vocês têm a palavra”.
Não há violência nem vigilância somente a informação, reacção em cadeia, uma implosão lenta e simulacros de espaços. O medium é inapreensível, difuso e difractado no real. É o fim do espaço perspectivo e panóptico. A televisão “olha-nos, manipula-nos, informa-nos…”. Quando a distinção entre os dois pólos tradicionais não é perceptível assiste-se à entrada na simulação, na “manipulação absoluta”, na indistinção do activo e do passivo”. Os pólos diferenciais implodem ou reciclam-se mutuamente.
A história que nos é contada hoje é uma neofiguração, isto é numa invocação da semelhança, mas ao mesmo tempo a prova de que os objectos desaparecem na “sua própria representação: hiper-real”. É o “brilho de uma hipersemelhança”, “figura vazia da semelhança, à forma vazia da representação”.
Jean Baudrillard invoca que não é coincidência que a televisão esteja justamente no local onde tudo acontece. A intrusão da televisão, faz surgir o incidente. Dá-se uma forma de catástrofe do sentido formal. A expectativa, a esperança é a implosão. A simulação é eficaz o real não. O suspense vence. A solução é: “(…) fazer acontecer a catástrofe”. A simulação “funciona como um incenerador que absorve toda a energia cultural devorando-a”. É uma máquina de produzir vazio. Materializa-se, absorve-se e aniquila-se. Tudo está em coma profundo. A cultura morreu. Foi elaborado um elogio à desconexão total, à hiper-realidade e à implosão da cultura. Quer-se animação, não reanimação. “São as próprias massas que põem fim à cultura de massas”. Tudo está previsto, já não existe alternativa, pois “o poder implode” e “é o seu modo actual de desaparecimento”. A violência implosiva “resulta já não da extensão de um sistema mas da sua saturação e da sua retracção”. Dá-se uma densificação desmedida do social. É-nos ininteligível, pois é indeterminada. Assim involuimos, regredimos. Procuram-se todas as respostas nos objectos. Eles interrogam-nos, testam-nos, intimidam-nos. Os Média funcionam da mesma maneira. É um universo de simulação, onde a limitação racional é contínua. Nasce uma nova morfogénese, a aglomeração face ao campo e à cidade. O hipermercado, como exemplo é um núcleo que gera uma órbita ao seu redor na qual se move a aglomeração. Estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido. A informação é invadida por uma espécie de conteúdo fantasma, de transplantação homeopática, de sonho acordado da comunicação. É um processo circular entre a simulação e o hiper – real. Mais real do que o real. É assim que se anula o real. O autor sublinha que “Os Média são como instituição de um modelo irreversível de comunicação sem resposta”.
Defende que o “grau zero do sentido” acontece pela “absorção de todos os modos de expressão virtuais”, a razão é que a “publicidade é instantânea e instantaneamente esquecida”. É o triunfo da forma superficial. Não tem passado, nem futuro, por ser a última vence sobre todas as outras”. É uma linguagem de massas. Define a sociedade. Fala-nos de “uma cultura que se enterrou para escapar definitivamente à sua própria sombra”. Um holograma é a fantasia de captar a realidade ao vivo de forma contínua. É uma suspensão do real. Profundidade invertida, aura imaginária. Assim como o holograma, o clone é uma tentação inversa, fascínio inverso, fim da ilusão. É “imagem perfeita e fim imaginário”. Não existe real no fundo. A reprodução holográfica, já não é real, é hiper-real.
Baudrillard afirma existirem três categorias de simulacros: simulacros naturais, simulacros produtivos e simulacros de simulação. Já não podemos a partir do real construir o irreal, o imaginário a partir do real. O que tende a acontecer é exactamente o contrário: criam-se situações descentradas, modelos de simulação, reinventa-se o real como ficção, precisamente porque ele desapareceu da nossa vida. O que distingue Crash de toda a ficção científica, é que projecta no futuro as mesmas linhas de força e as mesmas finalidades do universo dito “normal”.
A ciência nunca está segura, por isso a experimentação não é “um meio para um fim, é um desafio e um suplício actuais”. O inconsciente “é o dispositivo logístico que permite pensar a loucura”. É o lugar da repetição indefinida do recalcamento e das fantasias do sujeito.
Nunca sabemos qual é o resto do outro. Podemos assim falar do resto como de um espelho, ou do espelho do resto. É que o sentido não existe. O resto é reversível e troca-se em si mesmo. Está em toda a parte e ao procurá-lo sem o encontrar, anula-se enquanto tal. Para o autor do livro, hoje faz-se do resto o problema crucial da humanidade.
Baudrillard conclui que “só uma patafísica dos simulacros pode fazer-nos sair da estratégia de simulação do sistema e do impasse de morte em que nos encerra”. “O universo da simulação é transreal e transfinito: já nenhuma prova de realidade lhe virá pôr fim – só o afundamento total e o deslizar do terreno, que continua a ser a nossa mais louca esperança”.

O sistema em que vivemos é niilista, no sentido em que tem o poder para reverter tudo, “inclusivamente o que nega, na indiferença”. O niilismo realizou-se inteiramente na simulação e na dissuasão. O fascínio é uma paixão niilista por excelência. A verdadeira revolução do século XIX é a “destruição radical das aparências, o desencantamento do mundo e o seu abandono à violência da interpretação e da história”. O autor do livro assume que já “não há esperança para o sentido”.

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sábado, 21 de abril de 2012

Rádiotelefonia de sessenta X




Nesta última parte fazemos referência à bibliografia usada neste ensaio, escrito há 15 anos, sobre a radiodifusão nos anos 60 em Portugal.





Texto Dina Cristo




Livros




AAVV – 60 anos de rádio em Portugal 1925-1985, Lisboa, Editora Vega, 1986.






RELATÓRIO PRELIMINAR DA RÁDIO MOÇAMBIQUE AOS TRABALHOS PREPARATÓRIOS DO SEMINÁRIO NACIONAL DA INFORMAÇÃO - Relatório Preliminar da Rádio Moçambique aos trabalhos preparatórios do seminário nacional da informação, Gabinete de Estudos MINFO, 1977.






ANTUNES, José Freire – Kennedy e Salazar – o leão e a raposa 1961, Difusão Cultural, 1991.






ANTUNES, José Freire – Nixon e Caetano – promessas e abandono 1969-1974, Difusão Cultural, 1992.






AVILLEZ, Maria João – Soares – ditadura e revolução, Círculo de Leitores, 1996.






BASSETS, lluís – De las ondas rojas a las rádios librés, Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1981.






BARRETO, José – Carta ao Cardeal Cerejeira, 16 de Julho de 1968, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1996.






BRANCO, Fernando Castelo – A radiodifusão dos discursos de Salazar como factor da sua ascensão política, Fragmentos, s/d.






BRANCO, Fernando Castelo – O Estado Novo. Das origens ao fim da autarcia 1929-1959, Fragmentos, s/d.






CÁDIMA, Francisco Rui – Salazar, Caetano e a Televisão Portuguesa, Editorial Presença, 1996.






CRUZ, Olga Serra – Rádio anos 60, Universidade Nova (policopiado), 1986.






FERREIRA, Eduardo de Sousa – Rádio e Televisão, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1977.






FERREIRA, Eduardo de Sousa – O fim de uma era: o colonialismo português em África, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1977.






FRANCO, Graça – A censura à imprensa (1820-1974), Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1993.






GALVÃO, Henrique – Diário de Peniche, Lisboa, Gráfica Imperial, s/d.






GARNIER, Christine – Férias com Salazar, 7ª ed., Lisboa, Companhia Nacional Editora, 1952.






GÓIS, Anabela et al – Da rádio tradicional à rádio livre, Lisboa, Universidade Nova (policopiado), s/d.






HISTÓRIA DO RÁDIO CLUBE DE MOÇAMBIQUE – História do Rádio Clube de Moçambique, Montijo, Oficinas da “Gazeta do Sul”, 1959.






JEANNENEY, Jean-Noel – A rádio: novo rejuvenescimento in Uma história da comunicação social, Lisboa, Terramar, 1996.






MCLUHAN, Marshall – Rádio – o tambor tribal in Os meios de comunicação como extensões do homem, São Paulo, Editora Cultrix, 1988.






MAIA, Matos – A telefonia, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995.






MAIA, Matos – Aqui emissora da Liberdade – Rádio Clube Português 04.26 25 de Abril de 1974, Edição Rádio Clube Português, 1975.






MAIA, Matos – A invasão dos Marcianos, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1996.






MATTOSO, José (Dir.) – A lenta agonia do salazarismo in História de Portugal, vol.VII, Lisboa, Círculo de Leitores, 1994.






MATTOSO, José (Dir.) – Marcelismo: a libertação tardia (1968-1974) in História de Portugal, Vol.VII, Lisboa, Círculo de Leitores, 1994.






MARCOS, Luís Humberto – Rádio locais – a lei e a realidade, Porto, Centro de formação de Jornalistas, 1989.






MEDINA, João (Dir.) – História Contemporânea de Portugal, Vol.I e II, Multilar, S/d.






MIGUEL, Aura – Rádio Renascença: os trabalhos e os dias (1933-1948), Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1992.






NASCIMENTO, José – A história da rádio, Policopiado, s/d.






NEVES, Moreira das – Para a história da Rádio Renascença – Monsenhor Lopes da Cruz e a emissora Católica Portuguesa – subsídios e comentários, Lisboa, 1980.






NOUSCHI, Marc – A aldeia global in O século XX, Instituto Piaget, 1996.






OLIVEIRA, Aníbal José – História da radiodifusão em Portugal (os contributos do RCP e EN), Lisboa, Universidade Nova (policopiado), s/d.






PATRÍCIO, João – Editoriais e notas do dia. Das realidades aos mitos, Emissora Nacional de Radiodifusão, 1968.






PATRÍCIO, João – Editoriais e notas do dia. Renovação na continuidade, Emissora Nacional de Radiodifusão, 1969-70.






PERDIGÃO, Rui – O PCP visto por dentro e por fora, Lisboa, Editorial Fragmentos, 1998.






PERES, Maria José – RDP/Internacional – Rádio Portugal, Lisboa, Universidade Nova (policopiado), s/d.






RIBEIRO, Fernando Curado – RÁDIO – Produção-Realização-Estética, Arcádia, 1964.






RODRIGUES, António Simões (Coord.) – História de Portugal em datas, Círculo de leitores, 1994.






ROSAS, Fernando; BRITO, J.M. Brandão – Rádio in Dicionário de História do Estado Novo, Círculo de Leitores, 1996






SILVA, Virgílio luís – Etelvina Lopes de Almeida, Lisboa, Policopiado, 1997.






TEIXEIRA, João Luís e tal – A rádio em Portugal, Lisboa, Policopiado, 1998.






TEIXEIRA, João Luís e tal – A rádio em Portugal desde o seu aparecimento até aos nossos dias, Lisboa, Universidade Nova, Policopiado, 1998.






WILLIAMS, Neville – Cronologia enciclopédica do mundo moderno 1960 1973, vol. VIII, Círculo de Leitores, 1990.





Periódicos





Revista Rádio & Televisão: 1958-1968.






ABREU, Filomena – Os engenheiros e a radiofonia: dos anos trinta ao limiar da RTP in Revista História, Março 1997.






ABREU, Filomena – As rádios portuguesas e a causa franquista. A guerra do éter in Revista História, Maio 1996.






ABREU, Filomena – No 60º aniversário da Emissora Nacional. A rádio portuguesa e a guerra civil de Espanha in Revista História, Maio Agosto/Setembro, 1995.






ALEGRE, Manuel – A Argélia que eu conheci in Revista Expresso, 17 Janeiro 1998.






ANO DE 68 – Ano de 68 in Revista Expresso, 29 Maio 1993, pág.23-63.






BARROS, Júlia Leitão – Salazar sem fios in Público Magazine, 11 Dezembro 1994.






CABRITA, Felícia – O 1º dia do fim do império in Revista Expresso, 14 Março 1998, pág.30-48.






CÁDIMA, Francisco Rui – A televisão e a ditadura (1957-1974) in Revista História, Março 1997.






CASTANHEIRA, José Pedro – Voltaria a ser da PIDE in Revista Expresso, 21 Fevereiro 1998, pág.50-64.






CASTANHEIRA, José Pedro – Como matámos Humberto Delgado in Revista Expresso, 14 Fevereiro 1998, pág.38-53.






COREEIA, Ana Paula – Ala liberal. O último almoço com Marcelo in Revista Vida Mundial, Fevereiro 1998, pág.38-47.






CRESSARD, Armelle – De la technique à l´ art radiophonique in Le Monde, 15 Maio 1995, pág.3.






GOMES, Adelino – Consciências acordadas pela guerra in Revista Vida Mundial, Fevereiro 1998, pág.22-37.






MASSADA, Jorge – Retrato do poder enquanto jovem in Revista Expresso, 12 Julho 1997.






MASSADA; Jorge – Uma equipa de classe in Revista Expresso, 21 Março 1998, pág.30-42.






MAUPERRIN, Maria José – Aqui Lisboa, Emissora Nacional in Revista Expresso, 5 Agosto 1995.






NUNES, António – O regime salazarista nos anos sessenta visto pelo jornal Le Monde in Revista de História das Ideias, nº17, Instituto de História e Teoria das Ideias, Faculdade de Letras de Coimbra, 1995.






OLIVEIRA, Daniel – Primavera de Praga. Só se perde uma vez in Revista Vida Mundial, Fevereiro 1998, pág. 64-76.






O DRAMA DO SANTA MARIA – O drama do Santa Maria in Revista O Século Ilustrado, 11 Fevereiro 1961.






PINTO, José Silva – Ano de 68 in Revista Expresso, 29 Maio 1993, pág.23-63.






RÁDIO: AS MUDANÇAS NO ESPECTRO - Rádio: as mudanças no espectro in Revista Comunicações, nº9, Nov./Dez. 1986.






Torre do Tombo






QUEIROZ, António Eça:


AOS/CP – 231 28.08.1935 – 04.01.1964


AOS/CP – 232 26.01.1964 – 05.11.1965






FERREIRA, Jaime:


AOS/CP – 110 p.3 3.8/3 Fl 267-280






ALLEGRO, Sollari: AOS/CP – 4






EN: AOS/CP/PC – 26






Arquivo histórico da RDP




Diário do Governo:


I Série, nº296. 30 Dezembro 1957


I Série, nº75. 30 Março 1966


I Série, nº296. 15 Novembro 1968


I Série, nº227. 27 Setembro 1969






AHD 14 340 – Gravação do arquivo do RCP


AHD 13539 – Programa “A minha amiga rádio”


Faixa 1: Programa 63.00 de 19/06/1995


AHD 13539 – Gravação do arquivo do RCP


Faixa1: Programa “O mundo em parada 1961” 36.00 de 31/12/1961


Faixa 4: Declarações de Sarmento Rodrigues no aeroporto de Lisboa à chegada de uma visita a Goa; 1.11 de 27/01/1960


Faixa 5: Declarações de David Moss (prés.OIT) à chegada a Lisboa; 1.42 de 01/01/1961


Faixa 6: Programa Talismã; 3.47 de 01/01/1961


Faixa 7: Declarações sobre o relatório do tenente-coronel Solano de Almeida; 6.34 de 23/12/1961


AHD 13706 – Reunião da Comissão Executiva da União Nacional; discursos


Faixa1: discursos de Costa Leite Lumbrales e de oliveira Salazar 54.00 de 30/06/1958


AHD 14341 – Gravação do arquivo do Rádio Clube Português


Faixa 1: Crónica de Angola, 17.35 de 21/04/1961


Faixa 2: Crónica de Angola, 24.45 de 26/04/1961


Faixa 3: Crónica de Angola, 24.45 de 26/04/1961


Faixa 4: Crónica de Angola, 7.15 de 27/04/1961


AHD 1922 – Desvio do Santa Maria (reportagem) e doença de Salazar


Faixa 4: Chegada a Alcântara, 7.45 de 16/02/1961


Faixa 6: Exoneração de Salazar, 4.25 de 19/09/1968


Faixa 9: Relatório médico, 4.45 de 16/09/1968


Faixa 10: Relatório médico, 7.25 de 01/09/1968


AHD 2394 – Programa RDP Sessenta anos de rádio em Portugal, 96.00 de 01/01/1985. Contexto histórico da evolução da radiodifusão sonora em Portugal ao longo de 98 faixas


AHD 10584 – Biografia de Humberto Delgado 29.50 de 01/11/1976


Faixa1: Extracto3: Depoimento de José do Nascimento;


Faixa 1: extracto 4: Telefonema do censor para o RCP;


Faixa3: Mensagem aos portugueses; 0.18 de 01/01/1958


AHD 13543 – Gravação do arquivo do RCP


Faixa1: Sessão de propaganda da União Nacional no Porto no âmbito da Campanha eleitoral de 1959; 62.00 de 01/01/1959


AHD 14340 – Gravação do arquivo do RCP


Faixa1: Sete crónicas de Angola de 57.15 de 05/04/1961 a 03/05/1961






Entrevistas orais:
BRANCO, António Jorge – Lisboa, 14/07/1997


CANEDO, João – Lisboa, 17/07/1997


COUTO, Júlio – Porto, 21/07/1997


CRUZ, Carlos – Lisboa, 23/07/1997


LUCAS, Carlos Brandão, 15/08/1997





Rádio:

ROSAS, Fernando – Era uma vez um milénio. Antena 2. 1997/1998.


COELHO, Alexandra Lucas – Entrevista a Jorge Gil no programa da Manhã, Antena 1. 01/04/1997.






Vídeo:
BBC – O século do povo, Ediclube, 1997.


COMSOM – Angola. Guerra Colonial, Diário de Notícias, 1998.


COMSOM – Moçambique. Guerra Colonial, Diário de Notícias, 1998.


COMSOM – Guiné. Guerra Colonial, Diário de Notícias, 1998.


COMSOM – Madina do Boé. A retirada, Diário de Notícias, 21/03/1998.


COMSOM – De Guilege a Guadamael. O corredor da morte, Diário de Notícias, 28/03/1998.






Televisão:
LOPES, Fátima – As caras da rádio. SIC, 30/03/1998.


RICO, Carlos – A semana que abalou o regime. SIC, 30/03/1998 – 03/04/1998.