quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nutrição inteligente


Antes do Dia Mundial da Alimentação, este Sábado, lembramos a necessidade de se incluir na dieta nutrientes como as algas ou os óleos vegetais, a pressão a frio e crus, para uma nutrição mais racional.

Texto Alberto Suarez Chang

A levedura de cerveja é uma fonte de proteínas completas. Contém 15 dos 20 aminoácidos de que necessitamos para fabricar todas as proteínas indispensáveis ao bom funcionamento do nosso organismo. Sobretudo indispensável para quem decida ter um regime vegetariano já que pode complementar os aminoácidos carentes na soja e outros grãos. Contém uma boa quantidade de quase todas as vitaminas do complexo B, principalmente thiamina, riboflavina, niacina, ácido pantoténico, piridoxina, biotina e ácido fólico.
Os sintomas da deficiência deste importante complexo incluem fadiga física e mental, perda de apetite, irritabilidade, nervosismo, depressão, problemas de pele, fissura dos lábios, etc. Também contém traço de minerais essenciais como ferro, zinco, selénio e crómio. Principalmente deste último a levedura é uma das suas mais ricas fontes. O crómio é um co-factor essencial para a actividade e eficácia da insulina, portanto fundamental para o metabolismo da glucose.
A insuficiência deste tipo de micro-elemento (que acontece com frequência com o consumo de hidratos de carbono refinados) eleva o nível de açúcar no sangue, produz hipoglicémia, intolerância de glucose nos diabéticos, endurecimento das artérias, aterosclerose e problemas no metabolismo de aminoácidos.
(Micro)algas
As algas - verdes, vermelhas (nori) ou castanhas (laminárias, wakame, kombu, etc.) e praticamente todas as algas comestíveis - contêm uma grande concentração de vitaminas, tais como B1, B2, B3, B12, C e caretenóides. A vitamina B12 ou cyanocobalamina, essencial para o crescimento do tecido nervoso da mielina e para a formação de glóbulos vermelhos, é encontrada pela primeira vez em fontes não animais. Também contêm uma importante quantidade de minerais. Em algumas delas representam entre 10 e 30% do peso da alga seca; de todos eles, talvez o iodo seja o mais importante.
O iodo actua sobre a tiróide para a produção de certas hormonas que asseguram o processo metabólico normal do organismo. Tanto a sua deficiência como o seu excesso podem bloquear o seu bom funcionamento e produzir o bócio, hipertiroidismo ou hipotiroidismo e toda uma série de problemas relacionados com isto. O iodo orgânico das algas é um excelente protector contra substâncias radioactivas como o strontium 90 e o iodo radioactivo 131, posto que bloquearia a sua absorção por competição. De todas estas algas, o kelp, da espécie das laminárias, vem sendo utilizado em terapia nutricional devido à sua grande concentração de outros traços de nutrientes essenciais, como hidratos de carbono, proteínas, vitaminas e minerais (principalmente iodo, magnésio, potássio, cálcio, fósforo, ferro e zinco).
As algas também contêm polisacarídeos como os alginatos que são utilizados eficazmente no tratamento de úlceras e queimaduras. Outro componente, o ácido algínico, é usado em processos de desintoxicação de metais pesados como chumbo, mercúrio e cádmio, assim como protector contra radiações de strontium. Entretanto, descobriu-se um componente polisacarídeo sulfatado, chamado fucoidan, com propriedades antitumorais (responsável pelo baixo risco de cancro no seio no Japão), anticoagulantes e fibrilíticos. Outro composto activo, o sulfato dextran, tem propriedades anti-virais (desactiva o vírus da herpes simples) e anti-microbiano de amplo espectro. E, por último, o cicloendesmol, um composto antifúngico utilizado contra a cândida albicans.
Devemos mencionar aqui três micro-algas realmente importantes por conter uma grande quantidade de substâncias nutricionais e terapêuticas: a chlorella, a spirulina e a alga “azul-verde” (aphanizaomenon flos aquae).
A chlorella pyrenoidosa é uma alga verde unicelular, com um altíssimo conteúdo de clorofila (28,9 g por kg) e vitaminas (C, beta caroteno, B12 e todo o complexo B), minerais (fósforo, magnésio, cálcio, manganês, zinco e cobalto), ácido lipóico, ácidos nucleicos, proteínas completas 60% (todos os aminoácidos em boa proporção à excepção de metionina), enzimas e outras substâncias terapêuticas como o glicolipidio chlorellin, que demonstrou possuir uma actividade antiviral, imunoestimulante e antitumoral pela sua indução à produção de interferon 10 e a activação das células B e T (linfócitos).
A chlorella, graças à clorofila, estimula a formação de eritrócitos no sangue e acelera a produção de fibroblastos, as células responsáveis pela cicatrização de feridas. Os derivados de clorofila inibem as enzimas proteases, responsáveis pela inflamação e outros danos que causa a pancreatite. Também a clorofila tem uma actividade “lipotrópica”, ou seja, estimula a excreção de colesterol. Por último, a chlorella tem uma grande capacidade de desintoxicação de metais pesados, como o cádmio 14, mercúrio, urânio e chumbo. Assim como também remove pesticidas como o polychlorbiphenyl (PCB) e insecticidas como o chlordeconel.
A spirulina máxima é uma micro alga unicelular que pertence ao grupo das cyanophyceae que crescem sobretudo nas superfícies de lagos de água alcalina. Tem uma das percentagens mais altas de proteínas completas (60%), ou seja, possui todos os aminoácidos em proporção correcta. É uma das fontes mais extraordinárias de vitamina B12 (duas vezes mais do que o fígado) e de uma quantidade significativa de outras vitaminas do complexo B, principalmente a thiamina (B1) e riboflavina (B2). Contém também a provitamina A: betacaroteno e outros 16 diferentes tipos de caretenoides. Tem uma boa proporção de ácidos gordos essenciais ou poli-insaturados ómega-3, ómega-6 e gamma linolenic acid (GLA) assim como grandes quantidades de phicocyanins (estimulante do sistema imunitário), glicolipídeos, sulfonolipídeos, rhamnose e muitos minerais tais como magnésio, ferro, potássio, etc. Terapeuticamente utiliza-se em casos de vitaminose, úlceras, hipoglicémia, deficiência do sistema imunitário e prevenção de tumores.
A alga “verde-azul” pertence ao mesmo grupo de micro algas que a spirulina. Crescem na água fresca do lago Klamath, uma remota área ao Sul do Oregon (EUA). Como a spirulina, esta alga contém mais de 60% de proteínas completas, clorofila, betacaroteno, complexo B (sete vezes mais de B12 do que a spirulina) e toda a gama de minerais.
O gérmen de trigo é o embrião do grão, contém todos os recursos vitais que permite que uma nova planta se desenvolva. É rica em vitamina B (B1:1,7mg/100gr; B2: 03mg/100gr, B3, B6: 1mg/100gr, ácido fólico 398mcg/100gr)), vitamina E, aminoácidos como lisina (1,660mg/100gr) metionina, minerais como ferro (9,1mg/g), magnésio (285mg), fósforo (1,044mg) ou zinco (13,2mg) e proteínas (28g/100gr).
O pólen é uma fonte de vitalidade muito rica de vitaminas, ácidos aminados e proteínas pré-assimiladas. Pode-se usar com outros adaptogénicos como regulador energético.
Óleos vegetais
As gorduras, em várias formas, são outro dos factores nutricionais que o nosso organismo necessita para funcionar correctamente. Alguns deles, os ácidos gordos essenciais (ómega-3 e ómega-6) produzem substâncias biológicas de capital importância sem as quais o nosso organismo não funciona. Grosso modo, poderíamos classificar as gorduras em três tipos: saturados, monosaturados e poli-insaturados.
As saturadas encontram-se maioritariamente em produtos animais como a manteiga de porco, derivados lácteos (queijo e manteiga), carne e em menor grau nos vegetais, com a excepção da manteiga de coco. As monosaturadas encontram-se principalmente representadas no azeite de oliveira. O azeite tem que ser extraído a frio, só através de processos mecânicos, e não refinado para ser denominado “virgem”. Só assim podemos aproveitar as suas componentes medicinais, como o ácido oleico, vitamina E, squalene, phytosterols e caretenoides - todos eles protectores de enfermidades cardiovasculares e tumorais. Por último, os poli-insaturados são todos os óleos vegetais (em estado líquido à temperatura ambiente) provenientes do milho, girassol, colza, sésamo, soja e outros.
Os ácidos gordos essenciais pertencem a este tipo de gordura, contudo, nem todos os poli-insaturados são essenciais: alguns óleos vegetais podem sofrer alterações perigosas, sobretudo quando são refinados, processados com calor ou utilizados para frituras. Os ácidos gordos essenciais dividem-se em dois grupos: o ácido linoleico (ómega-6), presentes principalmente nos óleos de girassol, milho e soja, e o ácido alfa linoleico (ómega-3) que se encontra em maior proporção no óleo de linho, e em menor percentagem no óleo de soja, avelãs, nozes e abóbora. Este ácido alfa linoleico converte-se no nosso organismo em ácido eicosapentaenoico (EPA, que se encontra em boa quantidade nos peixes de água fria, salmão, atum, trutas e cavala) e este ácido, por sua vez, converte-se numa importante hormona, a prostaglandina E-3. Muitíssimos estudos hoje em dia demonstram que o consumo destes peixes reduz significativamente o risco de enfermidades cardiovasculares. Por sua vez, este ácido linoleico transforma-se em ácido gama linoleico (desde que não encontre nenhum bloqueio na sua transformação) e este ainda, por sua vez, em “prostaglandina E-1. O ácido gama linoleico encontra-se presente nos óleos extraídos de plantas como borago officinalis e primula veris.
A actividade biológica dos ácidos gordos essenciais é vastíssima, contudo, alguma dela tem de ser mencionada. Eles formam parte da membrana celular, contribuindo para a sua fluidez e transportando oxigénio através das membranas assim como o crescimento e divisão celular; formam parte do tecido nervoso, afectam o desenvolvimento e função cerebral (incrementa a capacidade de aprendizagem), moderam as emoções, aliviam as depressões e equilibram a hiperactividade infantil. As prostaglandinas E-1 e E-3 são anti-inflamatórias, estimulantes do sistema imunitário (infecções) e moderam os problemas auto-imunes (como diabetes ou artrite reumatóide).

Atmosfera relaxada

O ruído ao qual estamos expostos quase todos no quotidiano é um dos factores mais esgotantes e perturbadores do sistema nervoso. No momento de almoçar ou jantar deveríamos apagar a televisão ou o rádio, baixar o volume do telefone (principalmente não atender) e distanciarmo-nos o mais possível de todas as fontes de ruído que ultrapassem os 60 decibéis (um restaurante que dê para a rua passa dos 80 decibéis). Então, devemos procurar o lugar mais tranquilo, harmonioso e confortável para podermos comer.
Por menos ideal ou bonita que possa ser a casa onde vivamos deveríamos sempre tratar de nos rodear de cores agradáveis e da beleza das plantas e flores. Por outro lado, deveríamos evitar comer quando estivéssemos apressados, ansiosos, irritados ou com falta de apetite. Ao comer em tais condições não se mastiga nem se saliva a comida apropriadamente e, por isso, a digestão perturba-se e dá origem a uma série de problemas gástricos, tais como gases, acompanhados de uma sensação de peso e sonolência o resto do dia. E, por último, os pratos têm que ser apresentados esteticamente de forma que sejam apetecíveis aos olhos.
Água pura
Não nos esqueçamos de que somos constituídos por uns 70% deste importantíssimo elemento: algo assim como 40 litros, dos quais 25 litros estão dentro das nossas células e 15 litros fora delas, no fluído extra-celular e no sangue. Esta quantidade deve permanecer aproximadamente constante para não afectar o equilíbrio metabólico. Em condições normais, perdemos no mínimo um litro de água e, dependendo do clima ou do tipo de actividade, como desportos, podemos perder um pouco mais de um litro e meio. Por isso devemos ingerir a cada dia pelo menos um litro e meio. Um défice de oito litros, o que só acontece com mais de seis dias de privação, pode ser fatal.
A composição da água varia de acordo com a fonte de onde provém. Algumas terão um conteúdo rico em magnésio, outras em cálcio, outras terão traços de lítio, etc. Infelizmente, a água encanada que bebemos contém também – assim como o ar e a terra – uma grande quantidade de substâncias tóxicas. Estas provêm em primeiro lugar das infiltrações que sofrem as camadas de água subterrânea, de pesticidas, herbicidas, fertilizantes (nitratos), detergentes, solventes e outros derivados petroquímicos. Em segundo lugar pelo material de canalização temos metais pesados como o chumbo e o cobre. E finalmente pelo tratamento que sofrem as águas potáveis como o sulfato de alumínio e cloro piora a sua toxicidade e muitas pessoas começam a ficar sensíveis a isso.
Para resolver este problema temos três alternativas. A primeira, reabastecer-se numa fonte de água que esteja o mais longe possível de qualquer indústria. Isto é um privilégio para uma grande maioria. A segunda, comprar garrafas de água mineral ou de fontes cuja composição química e bacteriológica estejam na etiqueta. E, por último, utilizar um filtro profissional, como o de “reverse osmosis”, que remove absolutamente todos os pesticidas, cloretos, metais pesados e micróbios. Só que também remove minerais importantes como o magnésio, cálcio e outros, portanto ter-se-ia que tomá-los como suplemento.
A “toxicidade” interna tem como primeira causa a acumulação de tóxicos do meio ambiente no nosso corpo. O ar que respiramos nas grandes cidades contém finas partículas de mil substâncias poluentes, a água da rede contém químicos perigosos.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Nutrição racional

A dois passos do Dia Mundial da Alimentação lembramos alguns princípios básicos para uma boa nutrição: comer alimentos não processados nem refinados ou contaminados com agrotóxicos, ingerir hidratos de carbono lentos, proteínas completas (com moderação e de forma variada), vegetais crus, sementes e grãos germinados, alimentos lactofermentados e probióticos. Agora mais atentos, devido à gripe A, comecemos pela necessidade de romper com os maus hábitos alimentares.

Texto Alberto Suarez Chang fotografia Dina Cristo

A nutrição é uma ciência completa e uma arte de usar os alimentos com equilíbrio. Com uma dieta carente de proteínas completas, hidratos de carbono, vitaminas e minerais, seria impossível estar livre de enfermidades e gozar de um óptimo bem-estar físico e mental. Para isso é fundamental saber a composição de cada alimento, as compatibilidades alimentícias, o modo adequado de prepará-lo e estar consciente de que a qualidade é muito mais importante do que a quantidade. Por exemplo, uma cenoura contém uma grande quantidade de betacaroteno, sobretudo se provém da agricultura biológica, porém esta pode diminuir se não for consumida rapidamente ou pode ser destruída completamente se for cozida mais de cinco minutos.
Os queijos, sobretudo se são de leite cru, são uma excelente fonte de proteínas, porém quando se abusa deles, podem estimular uma excessiva produção de mucos; se são consumidos junto com os doces podemos bloquear a absorção de proteínas e formar uma glicosilação. Este processo causa uma modificação anormal na estrutura e funcionamento de muitas outras proteínas de células e tecidos, acelerando, por exemplo, as complicações oculares dos diabéticos.
Todavia, apesar de termos uma alimentação razoavelmente aceitável, não conseguimos ter um aporte suficiente de vitaminas, minerais e outros nutrientes que nos permitam libertarmos a toxicidade ambiental, reparar o desgaste celular, reforçar o sistema imunitário e restaurar o sistema nervoso do stress da vida moderna.
Necessitamos urgentemente de incorporar na nossa dieta quotidiana certos alimentos com uma alta concentração de nutrientes essenciais, tais como a levedura de cerveja (rica em complexo B e aminoácidos), gérmen de trigo (vitamina E), pólen de flores, algas marinhas (iodo e ácido algínico), iogurte (proteínas e acidófilos), azeites polinsaturados de colza ou sésamo com pressão a frio (precursor de prostaglandinas E1), assim como aumentar o nosso consumo de frutas ricas em vitamina C, como o kiwi, a papaia, a toranja, o maracujá, também alhos, brócolos, repolho roxo e os abacates (excelentes fontes de antioxidantes sulfurados, selénio e glutatião).
Todos estes supernutrientes podem ser suficientes na maior parte dos casos porém, quando sofremos de um processo infeccioso ou degenerativo (como artrite) ou quando a quantidade de metais pesados e outros xenobióticos é alta no nosso organismo, necessitamos de uma suplementação extra de todos os nutrientes essenciais tais como os antioxidantes (vitamina E, C, selénio), minerais (magnésio e zinco) e o complexo B em doses mais fortes.
Infelizmente o preço da vida moderna e do progresso, nós mesmos temos que pagar pois as leis e as resoluções governamentais, que deveriam proteger o meio ambiente e o povo, são inexistentes.

Maus hábitos

A maioria das pessoas não se preocupa com o conteúdo alimentício do que consome. Só se interessa com a sensação hedonista que produzem certos alimentos do seu agrado. Isto leva, por um lado, a uma limitação de nutrientes e, portanto, a uma desnutrição e, por outro, a um excesso perigoso de certas substâncias, como as gorduras saturadas (carnes e lácteos), gorduras peroxidadas (frituras) ou, pior ainda, gorduras “trans” (como as margarinas usadas nos bolos), açúcar refinado (doces, gelados), produtos torrados (café) ou defumados (chouriço, presunto, salmão).
Muitas pessoas sentem que não podem funcionar apropriadamente sem tomar uma ou várias chávenas de café logo de manhã. Pensam que lhes dá energia. A cafeína é uma substância aditiva que estimula em exagero o sistema nervoso central e afecta a função de órgãos vitais como o coração, os rins e as supra-renais.
Aqueles que mudam os seus hábitos alimentares só o fazem quando têm graves problemas de saúde, outros inteligentemente compreenderam que uma boa nutrição é o melhor preventivo de enfermidades e a melhor maneira de aumentar a capacidade mental e o bem-estar físico.
Alimentos naturais
A maior parte dos alimentos que encontramos nos supermercados são desnaturalizados, desvitalizados e carentes de nutrientes essenciais devido em primeiro lugar a práticas lucrativas da agricultura convencional e em segundo lugar ao processo de industrialização que sofrem quase todos os produtos de consumo hoje em dia.
Comemos frutas, verduras, carnes e produtos lácteos com pesticidas e metais pesados que causam graves problemas de saúde a longo prazo. Por exemplo, os insecticidas organoclorados, como o lindane e aldrin, consumidos quotidianamente, produzem uma intoxicação crónica e podem provocar problemas neurológicos como dores de cabeça, com náusea, vertigem, confusão mental, perda de memória, ansiedade, astenia e mal-estar geral.
Outros insecticidas, os organofosfatados e os carbamates, bastante utilizados em quase todo o tipo de cultivo (legumes, árvores frutíferas, vinhas, etc.) são poderosos neurotóxicos devido à sua forte lipossolubilidade. Eles interferem com a acetilcolinesterase, a enzima que regula a acetilcolina, um neurotransmissor responsável por muitas e importantes funções, como a faculdade de concentração, aprendizagem, memória, movimentos musculares (tónus muscular), vasodilatação das artérias e capilares, reforço da contracção do tubo digestivo e a hipersecreção dos brônquios.
Em seguida, os alimentos são conduzidos a “armazéns” onde passam por um processo de esterilização com aditivos (preservantes anti-fúngicos) ou são irradiados. Com o bombardeio de iones radioactivos a fruta, os vegetais ou a carne podem preservar-se por mais tempo do que a putrefacção normal e, portanto, podem ser vendidos em lugares mais distantes. Todavia, com este processo, os alimentos, já contaminados e desvitalizados da primeira fase, sofrem mais problemas: durante a sua irradiação produzem-se “radiolitos” (que podem ser tóxicos para a saúde), os vírus e as bactérias podem mudar e chegar a ser mais resistentes, os micotóxicos, como a aflatoxina (poderoso carcinogénio) aumentam a sua toxicidade e, como se isto fosse pouco, a maioria das vitaminas são erradicadas.
O pão e as massas brancas são alimentos que perderam, durante o refinamento da farinha, a maioria dos seus nutrientes (pois a cutícula do trigo contém grande quantidade de complexo B e minerais).
As condições da vida moderna nas grandes metrópoles não nos permitem ter as condições para uma boa alimentação. Uma grande maioria dos que trabalham nas cidades têm de recorrer a restaurantes ou levar sandes para almoçar. Não são muitos os privilegiados que têm um jardim e todavia entre eles são poucos os que têm uma horta biológica. Então não temos outra alternativa do que encontrar um bom fornecedor de produtos biológicos certificados.
Hidratos de carbono lentos Os hidratos de carbono ou glúcidos assimiláveis estão divididos em três grupos: monossacarídeos - são a glicose, frutose e galactose; dissacarídeos - são a sacarose (molécula de glicose e frutose), maltose (duas moléculas de glicose) e lactose que está no leite (galactose e glicose) e glúcidos complexos – são moléculas mais complexas de glicose como os amidos (glúcidos vegetais) e em certa medida pelo glicogénio (glúcido animal).
Todos os glúcidos são transformados em glicose pela acção da digestão e na actividade hepática. A rapidez com que a glicose se torna utilizável depende de dois factores: o tempo que permanece no estômago e a velocidade com que a digestão se processa antes de passar no sangue. De referir que a velocidade a que decorre o esvaziamento do estômago (tempo gástrico) é um dos factores mais importantes.
Aquele tempo condiciona a velocidade de distribuição, no intestino delgado, da glicose previamente produzida no estômago. Estas duas operações devem efectuar-se o mais lentamente possível a fim de evitar a glicemia. O glúcido lento por excelência e aqueles que são ricos em glúcidos complexos são, por exemplo, as massas (97 minutos), arroz (86 minutos) ou pão (81 minutos). Para ser mais lenta pode incluir lípidos, como queijo, manteiga, azeite, nozes e outros polinsaturados.
Proteínas completas As proteínas são substâncias complexas com as quais se formam os músculos, os órgãos, as unhas, o cabelo, o colagéneo, as enzimas e toda a estrutura celular do nosso organismo. São constituídas por pequenas unidades, os aminoácidos. Existem 22 tipos de aminoácidos, dos quais 14 são elaborados no organismo, sendo os outros oito obtidos mediante a alimentação e, por isso, considerados essenciais. Eles são a isoleucina, leucina, metionina, fenilalanina, triptofano e valina.
Uma proteína é considerada completa quando contém os oito aminoácidos em proporção correcta. Por exemplo, os ovos, a carne, o peixe, os queijos e o iogurte. Sem dúvida, o peixe é a melhor forma de proteína completa, no sentido de que é mais digerível; é rico em ácidos gordos essenciais (ómega-3) e menos tóxico se comparado com a carne vermelha, que contém colesterol.
As proteínas animais consumidas em excesso deixam resíduos tóxicos nos tecidos, tais como as purinas e ácido úrico, que podem causar putrefacção intestinal, acidificação e diminuição do cálcio e magnésio no organismo. Muitas vezes consomem-se os hambúrgeres bastante fritos ou cozidos e o problema agrava-se mais, visto que ao perder a vitamina B6 e outros nutrientes dá-se o aparecimento de uma substância tóxica: a homeocisteína, implicada na origem da arteriosclerose. Por outro lado, a carne tostada vem a produzir uma substância extremamente tóxica: o benzo-alfa-pirene, implicado na formação de cancro.
Os ovos são fontes excelentes de proteína completa e lecitina. Devem ser cozidos na água, uma vez que perdem a lecitina quando fritos. Os queijos, porém, sobretudo o iogurte, contêm uma boa quantidade de proteínas pré-digeridas.
A quantidade de proteína depende de factores individuais. Assim, uma mulher em gestação ou que amamenta um filho, um menino em fase de crescimento, um atleta ou um trabalhador manual necessitarão de maior quantidade de proteínas do que outros.
Procure variar as fontes proteicas a cada dia. Por exemplo, um dia coma peixe, outro dia uma omeleta, no dia seguinte um assado de carneiro ou frango e, por último, outro dia só feijão com arroz. O feijão contém grande quantidade de proteínas, porém são incompletas, falta-lhes os aminoácidos triptofano e fenilalanina, que podemos encontrar no arroz e falta a este os aminoácido lisina e isoleucina, os quais se encontram em boa quantidade no feijão, de maneira que ao serem consumidos juntos se completam.
Outro ponto relacionado com o consumo de proteínas é a maneira de combiná-las com outros alimentos. O sistema digestivo adopta a sua secreção de acordo com as exigências de cada alimento. Os alimentos feculentos (como a farinha, o seitan) necessitam de uma secreção gástrica diferente dos alimentos proteicos. A pepsina, a enzima que reduz as proteínas nos seus elementos mais simples, necessita de um meio ácido para estar activa. Portanto, uma secreção gástrica ácida (ácido clorídrico) acompanha a ingestão de proteínas. Em troca, a ptialina ou amilase salivar, que se encarrega de decompor os almidones e polisacarídeos em monosacarídeos, necessitam de um meio alcalino. Então, o correcto para o nosso organismo seria consumir as proteínas e os amiláceos em comidas separadas.
Os alimentos intervêm sobre a nossa capacidade de atenção e memória. Existem numerosos estudos que põem em evidência a correlação que existe entre o melhoramento da atenção (e toda o desempenho mental) depois do consumo de proteínas e o surgimento de um estado sonolento após o consumo de glúcideos. O mecanismo biológico é complexo, porém podemos simplificá-lo assim: as proteínas induzem a uma competência entre vários aminoácidos neutros de cadeia larga como a leucina, valina, tirosina, fenilalanina e triptofano, acedendo a moléculas que serão transportadas ao cérebro através da barreira hemato-meníngea. Isto dá como resultado uma redução no fluxo intracerebral de triptofano e, por conseguinte, uma diminuição na síntese de serotonina, o neurotransmissor que regula o sono.
Por outro lado, o consumo de glucídeos activa o sistema monoaminérgico e serotoninérgico através da insulina, a qual permite uma entrada massiva no tecido muscular de certos aminoácidos neutros, porém pouco ou nada de triptofano. Este facto faz com que o triptofano aumente no plasma e passe a barreira encefálica para acrescentar o estado de serotonina de quem é precursor. Então, deveríamos comer proteínas ao pequeno-almoço e ao almoço. Pelo contrário, se comêssemos pão refinado com compotas doces e café teríamos um estímulo energético por algumas horas para em seguida cair num estado de sonolência.
Vegetais crus Pelo menos, 50% da nossa dieta deveria conter saladas de folhas verdes, pimentões, cenouras, etc. Os brócolos assim como a couve-flor e a couve-de-bruxelas só podem ser cozidos ao vapor apenas durante dois minutos, caso contrário, as suas propriedades vitamínicas e os “fitoquímicos” destroem-se parcialmente. A cozedura destrói enzimas, ácidos gordos polinsaturados, uma parte de proteínas e o valor nutricional da maior parte dos alimentos. Por exemplo, a boa quantidade de vitamina E, proteínas e ácidos polinsaturados das oleaginosas, como as amêndoas, avelãs e sésamo, são totalmente destruídas a temperaturas acima dos 90º.
Germinar grãos e sementes (trigo, soja, alfafa) é a melhor forma de potencializar a quantidade das suas vitaminas e minerais, assim como melhorar a qualidade das suas proteínas.
Probióticos A fermentação do ácido láctico através de leveduras, bactérias e outros microrganismos é um procedimento universalmente praticado para conservar naturalmente os alimentos, uma vez que, devido à sua acidez, impede o desenvolvimento de germes de putrefacção. Por outro lado, e talvez o mais importante, os alimentos lactofermentados, como chucrute, picles, miso e outros vegetais fermentados em ácido láctico, sofrem uma transformação no valor dos seus nutrientes. Por exemplo, na soja e noutros grãos sintetizam-se grandes quantidades de vitamina B12 e enzimas que favorecem a sua assimilação.
Outro alimento lacto-fermentado é o iogurte. Aqui as propriedades do leite são melhoradas pois as proteínas são pré-assimiláveis e, por outro lado, o iogurte feito com leite fermentado com lactobacilos acidófilos ou bifidobacterium bifidum tem propriedades terapêuticas e por isso se denomina “probiótico” (pró-vida).
Os lactobacilos acidófilos têm a capacidade de restaurar a saúde e promover o equilíbrio do nosso ecossistema intestinal intoxicado com bactérias de putrefacção e outras patogénicas, resultado da utilização de antibióticos, contraceptivos orais, demasiado uso de açúcar, seguido de consumo excessivo de carnes e lácteos contaminados com resíduos de antibióticos e esteróides. Recentes investigações demonstram que os lactobacilos acidófilos destroem também a E coli, uma das bactérias mais tóxicas do nosso tracto intestinal. Os acidófilos rompem a lactose em ácido láctico e neste meio é impossível a sobrevivência de bactérias que produzem gases e putrefacção.
Por outro lado, os acidófilos têm outro papel importante: o de sintetizar o “complexo B” no nosso sistema. Estimulam o sistema imunitário (desactivam bactérias patogénicas quando estão na presença de ácido fólico e riboflaviba), tratam e previnem a geração e propagação de “cândida albicans” e outras infecções micóticas, em casos de diarreias corrige a proliferação de bactérias gram-negativas, protegem contra infecções urinárias recorrentes, reduzem o risco de cancro do cólon, assim como em casos de asma, problemas hepáticos e má absorção de proteínas.

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Intoxicados

Nas vésperas do Dia Mundial do Ambiente publicamos um artigo que nos chama a atenção para as consequências nefastas da toxicidade ambiental na nossa saúde.

Texto Alberto Suarez Chang fotografia Dina Cristo

De acordo com a definição da OMS «a saúde é um estado de bem-estar completo, físico, mental e social e não apenas ausência de doença». Definição com a qual concordamos.
É precisamente esta ausência de bem-estar que caracteriza o homem moderno das grandes e pequenas cidades e centros industrializados (principalmente nos últimos 50 anos).
Sofremos hoje em dia do Sindroma do Homem Envenenado, por um lado, e do Homem Stressado, por outro. Juntos produzem um mal-estar generalizado, um sofrimento indefinido.
A cada dia que passa estamos mais expostos a centenas de novas substâncias químicas produzidas pelo Homem, tecnicamente denominadas xenobióticos. Este é o termo utilizado para designar toda a molécula estranha ao organismo humano, com capacidade para prejudicar o funcionamento normal de todos os tecidos celulares e, em muitos casos, causar danos graves.
Ambiente contaminado
Estamos constantemente rodeados de substâncias tóxicas quer estejamos dentro ou fora de casa. Dentro de casa temos o formaldeido (usado nos móveis, cortinas, tecidos de poliester, etc), partículas de gás propano, monóxido de carbono, lixívia, alumínio da água de rede, etc, etc. Fora temos dióxido de enxofre, chumbo, cádmio, benzeno, dióxinas, benzo-alfa-pirene dos grelhados, dos fritos e do fumo do tabaco.
Quase toda a alimentação convencional se encontra repleta de pesticidas e aditivos. Comemos frutas, verduras, carnes e produtos lácteos, contaminados com pesticidas e dióxinas, alguns dos quais são altamente cancerígenos (tais como as nitrosinas e o benzo-alfa-pirene). A propósito deste último, estudos realizados pelo Dr. Ames, nos EUA, durante os anos 80, revelam que toda a substância orgânica tostada ou fumada, como o café ou as carnes grelhadas, bem como a combustão dos escapes dos veículos, fumos das fábricas ou lixeiras originam benzo-alfa-pirene. Este é um hidrocarbono aromático policíclico, xenobiótico altamente tóxico, responsável de primeira linha pela formação do cancro do pulmão, esófago e cólon, esclerose em placa e esterilidade masculina.
No que a esta última diz respeito, convém mencionar que a fertilidade masculina diminuiu entre 30 a 50% nos últimos 15 anos. Estudos científicos levados a cabo em vários países europeus apontam como principal responsável a contaminação ambiental, por conter centenas de substâncias xeno-estrogénicas, isto é, que interferem com o metabolismo hormonal. Uma das muitas substâncias que diminuem a espermatogenesis, quer dizer, a criação de espermatócitos, são os insecticidas organo clorados como o metoxicloro lindano e outros pesticidas como dibromocloro propano DBCP, ou os polichlorobifenlis. Realizaram-se na Holanda, pesquisas com pessoas que consomem apenas produtos biológicos ou ecológicos e que revelaram não haver qualquer diminuição da fertilidade.
Metais pesados
Outro dos tóxicos ambientais mais preocupantes é o chumbo, devido à sua omnipresença. 70% do chumbo que ingerimos é através da poluição atmosférica. Ingerimo-lo também pelos alimentos tratados com pesticidas (arseniato de chumbo) ou dos legumes e frutas cultivados em áreas que bordeiam – ate 400m – as estradas de grande movimento.
Também absorvemos chumbo ao beber água de torneiras com canalizações de chumbo ou ao consumirmos bebidas enlatadas. Além disto, o chumbo é utilizado nos combustíveis dos automóveis como agente anti-detonante. Uma intoxicação crónica deste metal produz insuficiência renal, dores de cabeça, anemias, astenias, problemas comportamentais, baixa capacidade de concentração e de memória nas crianças e adolescentes.
O mercúrio é outro dos tóxicos que deve merecer a nossa preocupação e cuidado. São numerosos os estudos toxicológicos e epidemiológicos publicados em revistas científicas, que demonstram o perigo deste metal para a saúde. Segundo uma investigação da Universidade de Tübingen, Alemanha, feita com base na recolha de 20.000 colheitas de saliva, as doses de mercúrio são 100 vezes mais elevadas do que as toleradas pelos organismos oficiais. Este metal ao penetrar no nosso organismo pode induzir estados patológicos muito variados, desde alergias, espasmofilias, depressões, fadiga crónica e até a doença de Alzheimer. Dentro deste contexto, a Suécia aparece-nos como o primeiro pais europeu a prevenir o uso da amálgama dentária. Dentro da sua politica global de protecção do ambiente, pretendem «deschumbar» toda a população, do que adviria, por cálculo, cerca de 60 toneladas de mercúrio.
Fígado desintoxicante
Para sobrevivermos a toda esta agressão química, o nosso organismo possui um intrincado mecanismo enzimático que elimina estas substâncias. O órgão que tem este importantíssimo papel é o fígado. O fígado possui um sítio específico na membrana intercelular – retículo endoplasmático – onde as substâncias tóxicas transportadas pelo sangue são absorvidas pelas células hepáticas. Antes que elas sejam removidas do organismo pelo sistema excretório (rins ou cólon) devem primeiro ser bio-transformadas e bio-inactivadas em substâncias menos tóxicas e mais solúveis em água.
Esta primeira fase de limpeza que o fígado efectua chama-se activação ou oxidação. O problema nesta fase é que algumas substâncias podem transformar-se em radicais livres, quer dizer, em moléculas altamente reactivas, perigosas para o sistema imunitário, chegando a causar danos irreversíveis nas membranas celulares, podendo dar origem a cancro. Por isso existe uma segunda fase de limpeza – a conjugação – onde, através de enzimas anti-oxidantes (tais como o glutatione-s- transferasa, o SOD, e outros), o fígado se encarrega de neutralizar a produção de radicais livres.
Contudo, quando o nosso organismo se sobrecarrega de tóxicos, quer por exposição crónica, quer por lentidão ou deficiência destes dois processos, ele começa a acumular perigosamente estes venenos nos nossos tecidos gordurosos, especialmente nos do cérebro e nas células nervosas de todo o corpo. Podem também surgir situações de depressão, cansaço e falta de memória de que já falamos anteriormente.
Através de experiência pessoal e muitos anos de prática terapêutica, chegámos à conclusão que é possível não só proteger eficazmente, mas também regenerar todas as células hepáticas, através de toda uma série de compostos – os flavonóides – que se encontram em quase todas as plantas hepatoprotectoras e nos novos antioxidantes de última geração.

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